Em março, a população de Linköping recebeu um kit assim, deixado à porta de casa:

Era o startpaket (kit inicial) da gröna påsen, a sacola verde:

Se todos os domicílios (espero) já separavam o lixo em diversas categorias, surgiu uma nova: a dos restos de comida do prato. Tekniska Verken é a empresa de tratamento de lixo, produção de biogas e outros serviços aqui em Linköping. Foram eles que introduziram a sacola verde. Havia um livreto com instruções de como usar a sacola verde, algo bastante revelador da cultura sueca – tudo sempre certinho e com instruções, mesmo que seja um tanto óbvio e às vezes pareça retardamento.
O livreto tinha essas explicações:
O que jogar na sacola verde

“Isso você joga na sacola” / “Isso você não joga na sacola”
Como fazer o nó, que deve ser duplo (nestes momentos a Suécia me dá nos nervos)

A trajetória do lixo até se transformar em bio combustível (toda a frota de ônibus de Linköping é movida à bio combustível)

Så här går det till (“É assim”)
Como se produz o bio combustível (a planta é aqui mesmo na cidade)

A cesta cinza de plástico do startpaket é para pendurar debaixo da pia, com a sacola verde dentro. Aqui na Suécia, a maioria das pessoas mantém os sacos de lixo debaixo da pia da cozinha:

Minha sacola verde
As várias latas de plástico é para separar os diferentes materiais: latas (mas não as de cerveja, que vão para outra sacola, junto com as garrafas pet), plástico, vidro, jornais e propagandas recebidos pelo correio, lixo, lixo da sacola verde e mais o contêiner do papelão, que fica em outro canto da cozinha.
Sempre tenho que levar todas as latas até uma casinha que fica a alguns metros do prédio:

Todo o lixo será reciclado. Dá trabalho, as latas são pesadas, dá preguiça, cansa. Muitas vezes está frio demais, ou neva demais, está chovendo ou ventando. Ainda assim, essa tarefa tem de ser feita sempre. Não é nada glamouroso. Este é um ponto que deveria ficar claro. Muitas pessoas vivem comentando as glórias dos países desenvolvidos, a educação e como as coisas deveriam ser iguais no Brasil e blá blá blá bleh! Mas o que as pessoas não sabem e aposto que a maioria não estaria disposta a tal, é o trabalho que certas coisas dão no dia a dia. No caso do lixo, por exemplo, não é um conto de fadas da reciclagem, onde o lixo vai automaticamente aparecer na casinha acima em um estalar de dedos. Assim, não é todo mundo que estaria disposto a deixar o luxo de colocar a sua sacolinha de lixo à beira da porta de serviço e de ter um zelador para pegá-la, como em muitos prédios no Brasil. Sim, isso é um luxo.
Há duas salas na casinha. Uma é para os materiais recicláveis:

Sala da reciclagem
É aqui que venho com todas as latas para colocar o conteúdo nos devidos latões:



Embalagens de papel e papelão

Baterias, pilhas, lâmpadas…


Plástico

Embalagens de plástico

Jornais
Muitas pessoas colocam um pequeno aviso na porta para que o carteiro não entregue essas propagandas, mas quem não o deixa, joga aqui:

A outra sala é a do lixo “lixo”, que não dá para reciclar:

Sala do lixo


Lixo doméstico
Agora também é a sala onde se desfazer da sacola verde:


Ela é verde. Ela está com fome.
O lixo é algo onipresente, mas também tão invisível.
Fonte das imagens bonitinhas da sacola verde e do livreto: Tekniska Verket.
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