Cenas de Palolem I: boa vida na praia

Cenas de Palolem I: boa vida na praia

Depois do cassino flutuante de Panaji, fomos para Palolem, também em Goa. Não, Palolem não é uma cidade. É uma praia, com alguns conjuntos de casas ao redor e muitas, mas muitos chalés à beira da areia, lojinhas, comércio e restaurantes, todos voltados aos turistas pseudo-hippies que se hospedam por lá. Palolem, que fica na municipalidade de Canacona, já foi considerada um paraíso. É linda, sim, mas bem explorada. É o tipo de lugar ideal para quem quer descansar, mas não estar totalmente em paz. Ou seja, sobra outros turistas para conversar, fazer amizade e beber uma cerveja nos muitos bares/restaurantes da praia à noite. Foi aí que eu e Erik passamos nossas últimas três semanas na Índia. Sim, os posts sobre a viagem pela Índia estão chegando ao fim.

Conseguimos um quarto em um hotel bem simples. A situação foi se agravando ao passar dos dias, pois o banheiro inundava quando tomávamos banho. O quarto foi ficando sujo… Mas enfim, estávamos em Goa e quem iria passar muito tempo dentro do quarto, não é mesmo? Mas o que eu fiz por lá? Não muito. Lista das atividades:

  • Dormir
  • Tomar brunch em um café indiano/israelense diariamente (uma delícia de sanduíche de queijo derretido em pão croissant)
  • Ir à praia, tomar sol e nadar
  • Ler
  • Brincar com cachorros
  • Tomar sorvete no Baskin Robbins (maior rede de lojas especializadas em sorvete do mundo, americana). A pequena sorveteria ficava na entrada do nosso hotel, com sorvete a preços indianos.
  • Jantar em um dos quatro restaurantes preferidos
  • Sentar na areia e tomar vinho à noite
  • Farrear e beber cerveja no único bar da praia aberto até tarde

Não é uma lista longa.

Vamos tomar uma olhadela mais de perto no tópico de número seis “jantar em um dos quatro restaurantes preferidos”. Palolem oferece uns restaurantes com comida deliciosa que deixa saudade de verdade:

  • Smuggler’s Inn: apesar de ainda estar arrumadinho, tem um certo ar de decadência, do tipo, “não conseguimos mais clientes”, “os bons tempos se foram”, apesar de a comida indiana que eles servem ser divina. Há que provar o arroz biryani e outras delícias. Eles ainda têm noites especiais, com duas cubas libres pelo preço de uma (tipo uns 3 reais para um copo cheio de rum – altíssimo custo-benefício).
  • Casa Fiesta: oferece comida mexicana boa de verdade. Eu duvidei, mas quando comi as fajitas vegetarianas, uau…
  • Cheeky Chapati: um dos melhores hamburgueres vegetarianos que já comi. A receita é da dona do restaurante e ela não a dividiu comigo. O sanduíche levava o hambúrguer delicioso, mais queijo provolone de verdade. No prato, batatas fritas ao estilo inglês. Divino!
  • Magic Italy: é um dos melhores restaurantes que eu já fui. É negócio de família, italianos de verdade, que falam italiano o tempo todo entre si. A dona traz os pratos mais especiais (como a lasanha de massa fresca) na sua mesa. A pizza, bem italiana, massa fina, pouco queijo, é um espetáculo, assim como o fetuccine. Azeite de verdade!

Tudo a preços indianos.

Passamos muito bem essas três semanas.

Cenas de Palolem

Casa de moradores do local

Há católicos em meio aos indianos, já que se trata de Goa:

Teve até procissão da santinha até o hotel onde eu e Erik nos hospedamos:

Procissão

Praia (famosa pelos coqueiros que se curvam em direção ao mar)

Vacas na praia

Bangalôs ao pé da praia

Passamos todos os dias aqui:

Tudo parece uma maravilha, mas há um aborrecimento: o comportamento dos turistas indianos homens, que parecem que nunca viram mulher de bíquini antes – literalmente. Eles te seguem, tiram fotos… Eu fui perseguida dentro do mar. Rolava sempre uma tensão para ir nadar, pois tinha que ficar de olho se não havia “cabecinhas flutuando” ao longe na água. Dica: nadar para o fundo. A maioria não sabe nadar, mesmo. Muitos cheiram à bebida, o que é uma péssima combinação, pois muitos também não sabem/podem beber; não estão acostumados, já que beber álcool em público não é bem socialmente aceitável entre os mais tradicionais. Detalhe extra: eles não usam sungas, nem calções, mas cuecas daquelas meio larguinhas.

Fuja dos amontoados de homens em Goa.

Pôr-do-sol em Palolem

Fim de tarde, maré baixa

Cenas de Udaipur III: o templo Jagdish e a religiosidade indiana

Cenas de Udaipur III: o templo Jagdish e a religiosidade indiana

Uma outra atração famosa, a poucos metros do Palácio da Cidade, é o templo hindu Jagdish. Atrás do templo, há distribuição de comida para a população de rua e homens santos.

Atrás do templo

Sobra um pouco para outros também:

O templo Jagdish

Mulheres de uma tribo do Rajastão

Casal

Nas escadarias do templo

Há sempre pequenos altares pelas ruas e a religiosidade está em todo lugar na Índia.

Devotos de Sai Baba (o original)

Comemoração na rua

Espectadora

Criança trabalha na rua.

 

Cenas de Udaipur I: arte e o maior turbante do mundo

Cenas de Udaipur I: arte e o maior turbante do mundo

Após Jodhpur, rumei a mais uma cidade de nome parecido, Udaipur:

Udaipur é uma cidade bem preparada para receber mochileiros. Uma impressão geral que tive, após visitar tantas cidades em regiões distintas, é que os indianos aprenderam a capitalizar sobre os viajantes classe média “hippies” que invadem todas essas cidades  – eu e Erik inclusos. Eles estão certos mesmo. Não faltam restaurantes com apelo para esse público em Udaipur. A questão é que é difícil para os indianos, maioria bem simples, que nunca deixaram a região, entender todas as demandas dos viajantes ocidentais. Assim, quando você pedir uma pizza, por exemplo, não espere nada no terreno do conhecido. Ainda nesse exemplo, o que vale a pena é comer a d-e-l-i-c-i-o-s-a comida indiana. Esse exemplo se estende a outras áreas. Os restaurantes Subways das maiores cidades servem para aquela escapadela estratégica quando tudo ficar muito intenso e caótico.

Rua de Udaipur e seus inúmeros restaurantes para turistas/mochileiros

A cidade, conhecida como a Cidade dos Lagos, fica à beira do Lago Pichola, artificial:

Udaipur, Rajastão

Lago Pichola

No lago fica uma ilha, chamada Jag Niwas, à qual abriga o Palácio do Lago, uma residência de verão do Maharana Jagat Singh II, 62 sucessor da dinastia real Mewar e governante de Udaipur de 1628 a 1654 (está tudo lá na Wikipedia). Agora o palácio é um luxuoso hotel:

Hotel Palácio do Lago

Gangori Ghat

Nesse ghat, conhecemos um casal que morava nos arredores da cidade. Vi todo o álbum de fotos da família e da casa humilde que tentavam acabar de construir no deserto (não se esqueçam que estamos no Rajastão, área desértica). Ele dava aulas de música e ela vendia jóias/bijuterias típicas.

Menina no Gangori Ghat

Ao pé desse ghat, fica o Bagore-ki-Haveli, uma haveli onde se localiza um museu com uma coleção linda de bonecos e um show artístico à noite.

Bagore-ki-Haveli

Coleção de bonecos (eu queria todos)

Adoro os tecidos.

Há também outros itens…

… incluindo o maior turbante do mundo!

O maior turbante do mundo

Show artístico – Dharohar

Dharohar é um concerto musical que acontece no local todas as noites, com performances que mostram sete danças tradicionais rajastanis.

Dança Gavri, pela tribo Bheel, uma luta entre uma deusa e um demônio

Dança Chari, tradicional da comunidade Gujjar do norte do Rajastão

Cenas de Jodhpur II: o forte Mehrangarh

Cenas de Jodhpur II: o forte Mehrangarh

Em meio à Cidade Azul se encontra a principal atração do local, o majestoso forte Mehrangarh, um complexo com palácios, museus, templos e muito o que ver.

O forte Mehrangarh é um dos maiores da Índia e olha, há muitos por lá.

Forte Mehrangarh

Um dos sete portões

Dentro do forte

Canhões

Vista da cidade a partir das muralhas do forte

Após essa parte bem alta do forte, onde é possível ver toda Jodhpur, há um caminho que leva ao templo Chamunda Mataji, ao qual apenas mulheres têm acesso.

Templo Chamunda Mataji

Cansados, exaustos da Índia, por sua intensidade, procuramos um restaurante de comida ocidental (pizza) à noite, antes de tomarmos um ônibus noturno para o próximo destino dessa jornada pelo Rajastão.

Não é fácil viajar pela Índia.

18.07.12

Eu sobrevivi à Índia: parte IV

Eu sobrevivi à Índia: parte IV

Aqui está a quarta parte deste “manual” de sobrevivência à Índia. Terceira parte aqui.

23) Acostume-se a ser encarado.

Os indianos parecem não ter problemas em encarar uns aos outros ou os turistas. Não é aquele encarar discreto, quando o fruto de tanta curiosidade percebe os olhares e os curiosos viram o rosto para o outro lado discretamente. Não. É um encarar persistente, irritante, difícil e longo. Além de não terem vergonha de encarar – é algo bem natural, a noção de espaço individual é diferente na Índia. As pessoas não são tão neuróticas quanto muitos ocidentais e seu repetido mantra  de invasão de espaço, mas por outro lado são o extremo oposto: sem noção, te encaram a 30 cm de distância. Bem perto. É muito desconfortável. Muito desse comportamento de deve ao fato de que muitas pessoas, principalmente em áreas simples, não estão acostumadas a verem turistas. Isso dá para entender bem, lógico.

O que nos leva ao próximo tópico:

24) Meninas, preparem-se para ser encaradas em dobro.

A maneira como um homem e uma mulher vivenciam uma viagem pela Índia é bem distinta. As portas e sorrisos estão sempre abertos aos homens. À maioria das mulheres turistas, restam os olhares indiscretos, desconcertantes, as charadas e o apalpamento indevido. Sim, aconteceu comigo bem mais do que uma vez. Eu fui até perseguida dentro do mar em Goa.

Eu fui perseguida no mar de Palolem, Goa, Índia.

O que nos leva ao próximo tópico:

25) Meninas, há muitas chances de apalpamento indevido.

Como relatado acima, aconteceu mais de uma vez comigo. Os homens geralmente se aproveitam de situações onde há muita gente, assim desaparecem impunemente no meio da multidão. Senti mãos nos meus quadris e por aí vai. Também fui apalpada quando estava andando de rickshaw. O fato de estar acompanhada não mudou em nada a atitude de muitos homens, que continuavam a ser muito irritantes e desrespeitosos, a ponto de até um elemento ter se masturbado em frente a um restaurante onde eu e Erik jantávamos, enquanto me enviava beijos do meio da rua escura. Isto não é brincadeira e não quero inculcar terror nas mentes das viajantes do sexo feminino, mas preparem-se para um mundo onde as relações de gênero (pelo menos no que concerne as turistas) são complicadas.

Eu senti umas mãos no meio dessa multidão em Calcutá, Bengala Ocidental, Índia.

O que nos leva ao próximo tópico:

26) Meninas, comprem calças estilo alladin.

Eu acho um absurdo raciocínios do tipo “não quer ser estuprada, então não use mini-saias”. Participantes da Marcha das Vadias que o digam. Mas, infelizmente, em um país onde muitas mulheres se vestem tradicionalmente e usam sáris, não dá para desfilar modelitos reveladores. É um saco, uma dor de cabeça. Além do mais, como já apresentado por aqui, a Índia não é muito limpa e muitas hospedarias não têm máquinas de lavar roupa, nem água suficiente, nem sabão… A lavagem não é sempre das melhores. Assim, é melhor usar roupas simples, confortáveis e não muito quentes.  O mesmo vale para os homens, na verdade.

Calças alladin. Khajuraho, Madhya Pradesh, Índia

27) Não leve roupas muito boas.

Muitas roupas serão perdidas ou se estragarão mesmo.

Camiseta e calça alladin de cinco reais comprada em Calcutá, Bengala Ocidental, Índia.

28) Prepare respostas às perguntas:

Where are you from? (“De onde você é?”)

How long in India? (“Há quanto tempo está viajando pela Índia?”)

First time in India? (“Primeira vez na Índia?” – esta pode ter intenção maliciosa, como quando comerciantes/guias/motoristas de rickshaw querem ter uma idéia mais clara se podem ou não tentar te arrancar um pouco mais de grana ou te levar a lugares que você não queria ir).

Do you like it? (“Você está gostando?”)

Age? (“Idade?”)

Name? (“Nome?”)

Married? (“Casado (a)?”)

How many children? (“Quantos filhos?”)

What do you do? (“O que você faz?”)

Por vezes até perguntam o quanto você ganha.

Prepare as respostas a esse questionário de antemão, assim você não precisará pensar todas as vezes que cada cidadão indiano te perguntar absolutamente as mesmas coisas.

29) Assista a TV indiana/filmes de Bollywood.

Os programas são imperdíveis. Muitos filmes de Bollywood, séries, programas de auditório e noticiários que repetem as mesmas coisas a cada 5 minutos. É bem interessante ver o que oferecem ao público.

Este assisti no cinema de Jaipur, Rajastão, Índia

30) Não há muito álcool.

Não se encontra cerveja assim descaradamente. Muitos segmentos religiosos condenam a bebida alcoólica, assim os indianos não bebem em público, com exceção de Goa e Diu (e talvez outros estados onde não estivemos). As cervejas que você vai encontrar são ruins e nada baratas, mas dá para matar a sede de vez em quando.

Kingfisher, cerveja mais comum na Índia

Termina aqui a série de dicas de sobrevivência à Índia. Agora começaremos a viagem pelas cidades visitadas. A primeira é Calcutá.