Textinhos – Coletividade Líquida

A partir de hoje, passo a republicar textinhos escritos durante o curso de pós-graduacao. Dimas Kunsch, professor de Mídia e Poder e também um fofo e apreciad0r de Erdinger, criou uma alternativa ao famoso artigo que deveríamos escrever para a graduacao nessa disciplina. Poderíamos optar por escrever em um blog coletivo, sempre temas relacionado à mídia e sua (promíscua) relacão com o poder.

Aqui publico o primeiro, sobre Bauman e as relacões líquidas.

Coletividade Líquida

É um paradoxo desejar a liberdade, porém alcançar mais amarras e armadilhas sociais ao indivíduo. Pela utopia da maior liberdade individual, sacramentou-se a desregulamentação, liberalização, flexibilização. Derretem-se os sólidos, como Zygmunt Bauman expõe na obra Modernidade Líquida, e ainda assim, o homem se torna preso no tempo presente, envolto nos mitos do fim da História e do fim da ideologia. Retiraram-se moldes para novamente criarem-se outros. Na modernidade líquida, tudo tem a característica física dos líquidos, a fluidez.

Quando Marx determinou, no Manifesto Comunista, que “tudo o que é sólido se desmancha no ar” – frase que se tornaria célebre e inspiraria trabalhos como o de Marshall Berman, de mesmo título, e sua modernização e modernismo -, não se tratava de líquidos, mas de desmanchar os sólidos imperfeitos para construir novos e melhores, mais duradouros. Hoje, não há mais estes novos e melhores sólidos, mas sim o derretimento, o líquido, a fluidez.

O que fica nesta nova ordem de novas prisões é a tirania do dinheiro. Entre outros, o desengajamento que leva à desintegração social. Bauman bem pontua que um dos mais importantes sólidos a se desfacelar atualmente são as relações sociais, principalmente as pautadas na solidariedade e o nexo entre o individual e o -coletivo. Não se sabe contra o que lutar e com quais armas.

“Se o tempo das revoluções sistêmicas passou, é porque não há edifícios que alojem as mesas de controle do sistema, que poderiam ser atacados e capturados pelos revolucionários; e também porque é terrivelmente difícil, para não dizer impossível, imaginar o que os vencedores, uma vez dentro dos edifícios (se os tivessem achado), poderiam fazer para virar a mesa e pôr fim à miséria que os levou à rebelião. Ninguém ficaria surpreso ou intrigado pela evidente escassez de pessoas que se disporiam a ser revolucionários: do tipo de pessoas que articulam o desejo de mudar seus planos individuais como projeto para mudar a ordem da sociedade.”

Foi o professor Bauman que disse isso...

Lançar mão dos planos individuais pelo bem da coletividade. Este é o maior sólido derretido.

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3 comentários sobre “Textinhos – Coletividade Líquida

  1. Camila

    Haauauaua
    Apesar de o tema do blog ser as minhas aventuras neste país gélido, acho que vale a pena colocar todas essas coisinhas que eu gosto. Estou curtindo bastante ter um blog, vc deveria ter um tb…
    Adoooooooooooooooro, hahuahuhuahua.
    Vou colocar os outros textos tb.
    Beijos!!!

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  2. Dayane Andrade

    Ahhhh, a ideia (tentando se adaptar a nova ortografia) é ter um blog, mas tem de ser algo legal, só não posso encarar como mais uma coisa para fazer…..Sabe que o tempo aqui é muito complicado… beijos e muita saudade

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