Istambul – Orhan Pamuk

Animei-me a dar uma lida na Folha Online com essa nova reforma gráfica promovida pelo jornal. Gostei que incluíram o Folhateen na versão online – apesar de que esse suplemento já foi muito melhor. O que eu gostei foi de encontrar a Ilustríssima na tela. Finalmente optaram por diferenciar as “matérias” de cultura (95% releases) de análises e resenhas no site.

Istambul, romance de Orhan Pamuk a ser publicado no Brasil, rendeu uma boa entrevista na capital turca.

“Pamuk é o Balzac de Istambul.”

“Pamuk é o Proust dos pobres.”

Boas sacadas do jornalista. O que me tocou mesmo foi a parte em que o romancista fala do sentimento de estar à margem, marginalizado. E cita os imigrantes em Istambul e Auerbach, que por ser um deles, conseguia, por estar “de fora” – como Edward Said aprensenta em “Orientalismo” – detinha uma visão mais aguda da sociedade da qual não estava inserido.

Aí vai o trecho:

O sr. a define como uma cidade em que ninguém se sente em casa…
Este é um lugar em que as pessoas vêm de fora, em que não se sentem seguras, em que há grupos e culturas muito diferentes.
Não há identidade única aqui. Há o passado, há a contínua mistura de nações, raças, culturas –muitos armênios, gregos, judeus, ucranianos, russos, árabes, curdos, e isso muda sempre com a imigração contínua.
E, quando você vem de fora para um lugar assim, não consegue se sentir em casa.

O Bósforo ainda é o “coração coletivo” da cidade?
Topográfica e geograficamente, o Bósforo é o coração de Istambul. Ele limpa a cidade. Este grande corpo de água é uma parte do mar, que traz ventos do Sul e do Norte. É o que faz a cidade viver –não consigo pensá-la sem ele.

O sr. certamente sabe que um dos maiores críticos literários do século 20, Erich Auerbach, veio para a Turquia para fugir do nazismo…
Sim, minha mãe foi aluna dele.

E o que sabe a respeito de sua estada aqui?
Foi bem dramatizada por Edward Said em “Orientalismo” [Companhia das Letras]. Depois disso, todo mundo se lembra de sua estada aqui como uma ilustração de que, se você quer escrever sobre a história, você não precisa de uma biblioteca. Na verdade, se você está longe de bibliotecas complexas, você consegue sintetizar melhor. Ele e vários professores alemães pavimentaram o caminho para o desenvolvimento da Universidade de Istambul.

Auerbach escreveu “Mimesis”, seu famoso livro sobre a literatura ocidental, fora do Ocidente. É a ideia de que os julgamentos finais e as representações mais sintéticas da cultura só se dão se você se muda para fora. Isso, obviamente, é a forma como Said vê as coisas: é preciso estar “fora” da cultura árabe, “fora” da cultura americana etc. O imigrante, aquela pessoa que está do lado de fora, tem uma visão melhor do todo.

Há outros escritos e cartas de Auerbach, sobre a Turquia e sua situação política. Ele era muito agudo, observou vários aspectos que os intelectuais locais não notaram –como, por exemplo, quão autoritário era o Estado turco, o direito das mulheres ou as mudanças culturais.

Imagem presente na obra

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/739443-leia-entrevista-exclusiva-com-o-escritor-orhan-pamuk.shtml

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2 comentários sobre “Istambul – Orhan Pamuk

  1. Day

    Então você gostou da mudança da Folha S.Paulo? É eles precisam tentar algo para continuar vendendo jornal impresso, eu achei que a tipologia ficou meio gritante, mas pode ser que dê certo, pois a Geração Y gosta de texto curtos, informação rápida! Beijos.

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  2. Valéria

    O Ilustríssima foi bom mesmo, só não consigo achar Educação, será q tiraram? Queria confirmar isso, se for mesmo, é um absurdo.
    Os textos da Folha continuam decepcionando… Continuam mesmo, pq estão cada vez piores, então vai descendo cada degrauzinho.
    O Estado dá aflição só pelos erros de português. Existe algum jornal bom no Brasil? Eu preciso ler maaaaais.

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