Entrada em Israel

Nada melhor do que enfiar uma viagem dentro de outra, mas não muitas, do contrário não se vê nem se faz nada. Nesse espírito, pagamos 100 dólares cada um por um dia na Terra Santa, ops, algumas horas; porque a maioria do tempo é gasto na fronteira mesmo.

O ônibus partiu de Dahab, bem atrasado, e seguiu em meio ao deserto de madrugada – é imperdível, uma das vistas mais bonitas até agora. O luar é tão prateado e intenso que parece quase dia. É indescritível.

Um tanto indescritível foi também a nossa recepção no ônibus. Um dos hotéis de Dahab, no qual passamos apenas a primeira noite, organiza esses roteiros e toma conta de tudo, inclusive o visto, parte mais importante para entrar nesta fortaleza que é Israel. Pois bem, o hotel nos colocou em um ônibus de excursão lotado de alemães rumo ao estado judeu, he. Muito rudes. Ao entrarmos no veículo, sentamos no primeiro par de poltronas à vista. Um minuto mais tarde um senhor aos berros nos expulsa de lá, sendo que o guia nos havia indicado os assentos. Não sabemos como até agora, mas o alemão do colegial do Erik saiu boca afora. Todos era senhores e senhoras com câmeras gigantescas, pochetes, e toda essa categoria de acessórios fundamentais em uma viagem. Tinha até colantinho verde na roupa para a gente não se perder da excursão.

Chegamos à fronteira e devo dizer que é um inferno entrar em Israel. Alguns egípcios me alertaram que eu não poderia entrar por ser brasileira. O Brasil reconhece oficialmente as fronteiras israelenses de 1967 e não as ocupações posteriores, uma posição digna, corajosa. Está lá no site do Itamaraty. Primeiramente, descemos do ônibus ainda em solo oficial egípcio. Aí tivemos que cruzar a fronteira à pé. A essa altura já havíamos mostrado os passaportes umas duas vezes. Eu usei o da UE, claro. Um homem alto e de cara fechada examina o documento mais uma vez. É soldado do exército israelense, totalmente vestido de preto, assim como todos os outros jovens que trabalhavam nesse check point. Desconfiamos que eram todos recrutas, pois o serviço militar é obrigatório para homens, por 3 anos, e para as mulheres por 2. Depois dessa breve inspeção, fila longa e vagarosa.

Alemães

Parada lá na fila, 5 e pouco da manhã, cansada, me deparo com duas coisas inesquecíveis. A primeira, o fato de que um casal alemão com um estilo bem peculiar mullets 80′ trouxe uma pizza para comer na excursão. Sem brincadeira. A segunda, o fuzil do soldado que patrulhava o posto:

Ao final da fila, uma menina bem dura – todas eram incrivelmente duronas – anota os nomes. Algum problema com o meu passaporte. Ficam com ele para mais uma checagem, aquela em que colocam alguns elementos químicos para descobrirem se o indíviduo andou fabricando umas bombas e deixou os vestígios no papel. Enquanto isso, vistoria das malas (só tínhamos uma mochila) e de pessoas. Após uma cansativa espera, devolvem o meu passaporte. Depois de eu levar bronca também, por estar me jogando no balcão para ver o que acontecia nos bastidores. Última parada na maratona para ganhar o carimbo de visto é uma “mini-entrevista”, meia dúzia de perguntas em uns balcãozinhos perto da saída.

Eu não podia mais raciocinar e quando me perguntaram o que eu iria fazer em Israel, minhas palavras foram das mais indizíveis.

“Onde você está indo?”

” – Éh… Tem um muro…”

“Onde?”

” – É, um muro, e tem também onde Jesus nasceu…”

E assim por mais meio minuto até surgir um “Humpf!” e o bendito carimbo.

Seguimos para o Mar Morto.

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6 comentários sobre “Entrada em Israel

  1. Caroline Azevedo

    Ai Ai…ahahahahahahh Esse post parece bem coisa de filme mesmo!!!!!
    Só contigo para acontecer tantas trapalhadas, e no final (os dois sempre ausentes de medo), ainda dar tudo certo! Fuzil, mini-entrevista, passaporte enroscado, Erik falando alemão…Ufa! Aventura.
    Adorei 🙂

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  2. Pingback: Viagens do passado, ou, de quando as agências de viagem tinham importância |

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