Midsommar I

Midsommar (midsummer; festa do verão) é a celebração mais importante da Suécia, mais ainda do que o Natal. Sexta-feira passada, 24 de junho, comemoramos o midsommar em Tranås, onde a irmã do Erik vive com o marido – e agora a nova filhinha que nasceu, Hedda.

O midsommar celebra o solstício de verão, o dia mais longo do ano, e tem origem pagã. O ponto alto é erigir um mastro em formato de pênis (isso mesmo, formato fálico de pênis com duas bolas) coberto por folhagens e flores. Depois, os participantes dançam em volta dele.

Eu poderia escrever muitas linhas sobre a experiência de fazer parte dessa festa este ano, mas o que me deixou mesmo intrigada foi a total conexão entre o midsommar e as festas juninas brasileiras. Pensei nisso enquanto tomava vinho por lá, e depois achei isto na Wikipedia:

“Festas juninas, festa de São João ou festas dos santos populares são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como “festa de São João”.

Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa — Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia —, mas são encontrados também na Irlanda, na Galiza, partes do Reino Unido (especialmente na Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.

[…]

“O mastro de São João

O mastro de São João, conhecido em Portugal também como o mastro dos Santos Populares, é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa. No Brasil, no topo de cada mastro são amarradas em geral três bandeirinhas simbolizando os santos. Tendo hoje em dia uma significação cristã bastante enraizada e sendo, entre os costumes de São João, um dos mais marcadamente católico, o levantamento do mastro tem sua origem, no entanto, no costume pagão de levantar o “mastro de maio”, ou a árvore de maio, costume ainda hoje vivo em algumas partes da Europa.

Além de sua cristianização profunda em Portugal e no Brasil, é interessante notar que o levantamento do mastro de maio em Portugal é também erguido em junho e a celebrar as festas desse mês — o mesmo fenômeno também ocorrendo na Suécia, onde o mastro de maio, “majstången“, de origem primaveril, passou a ser erguido durante as festas estivais de junho, “Midsommarafton”.”

[…]

“As festas juninas da Suécia (Midsommarafton) são as mais famosas do mundo. É considerada a festa nacional sueca por excelência, comemorada ainda mais que o Natal. Ocorre entre os dias 20 e 26 de junho, sendo a sexta-feira o dia mais tradicional. Uma das características mais tradicionais são as danças em círculo ao redor do majstången, um mastro colocado no centro da aldeia. Quando o mastro é erigido, são atiradas flores e folhas. Tanto o majstången sueco (mastro de maio) como o mastro de São João brasileiro têm as suas origens no “mastro de maio” dos povos germânicos.

Durante a festa, são cantados vários cânticos tradicionais da época e as pessoas se vestem de maneira rural, tal como no Brasil. Por acontecer no início do verão, são comuns as mesas cheias de alimentos típicos da época, como os morangos e as batatas. Também são tradicionais as simpatias, sendo a mais famosa a das moças que constroem buquês de sete ou nove flores de espécies diferentes e colocam sob o travesseiro, na esperança de sonhar com o futuro marido. No passado, acreditava-se que as ervas colhidas durante esta festa seriam altamente poderosas, e a água das fontes dariam boa saúde. Também nesta época, decoram-se as casas com arranjos de folhas e flores, segundo a superstição, para trazer boa sorte.”

Páginas: Festa Junina e Festa do Verão (Suécia)

Enfim, eu trouxe toda esta informação da Wikipedia para simplesmente dizer que o midsommar sueco é basicamente a versão pagã das festas juninas do Brasil, profundamente cristianizadas. Celebramos quase as mesmas coisas em países tão distantes.

Depois de tanta contextualização, vamos à festa de midsommar de Tranås (em torno de 15.000 habitantes). Nos próximos posts, mais sobre o levantamento do majstången, as flores, a dança, as competições e toda sorte de atividades campestres hehehehe…

Por agora, para deixar um gosto, vai o link de um comercial da IKEA (gigante sueca de móveis e coisas para a casa) na Alemanha, justamente a homenagear o midsommar:

PS: os galões do vídeo estão cheios de álcool. Se vocês pensam que brasileiro bebe muito…

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11 comentários sobre “Midsommar I

  1. Rejane Freire

    Muito legal! eu ja tinha lido no wikipedia ,sobre essa festa e também me surpreendi com tanta semelhança com o nosso São João,inclusive sobre os rituais para saber o futuro….Eu até perguntei se o Andreas se ele iría fazer algum e ele disse q ia colher flores colocar debaixo do travesseiro p poder sonhar com a futura esposa,então no outro dia eu perguntei se ele tinha sonhado comigo,pq caso contrário eu já cancelava meu bilhete hahahaha,mas enfim essa deve ser uma festa muito engraçada! E como diz o comercial do Ikea “Na Suecia você pode relaxar”,então é isso que vou fazer;) Beijo grande!

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    1. Camila

      HAHAHAHA, o Andreas deve ter ficado em choque quando você perguntou se ele tinha sonhado contigo. Hehe, ele deve ter gostado… 😉
      Também achei muito interessante essa história das simpatias… A mãe do Erik estava me explicando como fazer, aí o Erik fingiu estar bravinho e falou que nada disso, que eu não preciso mais… Hehehe…
      Beijão!

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  2. Pingback: Midsommar II « ✈

  3. Muito interessante!! Eu adoro Festa Junina, é uma das épocas que eu mais gosto e achei muito curisa a semelhança com o Midsommar.
    Duas coisas que tb valem a pena ser comentadas é que, assim como as mulheres na Suécia fazem a simpatia de colocar flores do travesseiro para arranjar marido, no Brasil elas fazem fila para comer o pão de Santo Antônio (nosso santo casamenteiro). Outa coisa tb que vc escreveu, que as festas suécas são pagãs e a nossa festa junina é a versão cristã….acho que todas as festas/celebrações etc que o cristianismo tem foram tiradas de culturas pagãs, e apenas “repaginadas” com um toque cristão.
    Agora o comercial…rs…tem ctz que foi uma homenagem? Imaginei vc comendo o peixe inteiro com as mãos… rs

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    1. Camila

      É verdade, todas essas festas ligadas à natureza tem uma origem pagã. Depois foram repaginadas pela igreja católica. Mas aqui ainda dá para sentir essa origem, acho que o midsommar sueco conseguiu resistir a essa repaginação.
      Hahah, eu contei para o Erik sobre essa tradição do pão do santo Antônio. Ele não entendeu muito, mas acho que eu contei errado também. Eu disse que as mulheres põem no pote de arroz, assim o arroz não mofa. uhahuahuahuahu… eu fiz isso quando peguei um pãozinho no Valongo…

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  4. Dayane Andrade

    Muito legal! Como as culturas estão tão próximas não é mesmo? Eu já tinha lido algo sobre isto, mas não me recordava de tanta semelhaça com esta festa da Suécia.

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