Eu sobrevivi à Índia: parte I

Finalmente começo a mostrar um pouco do que é este país imenso, a Índia. Além de imenso, é muito complexo, assim o que mostrarei por aqui é pouquíssimo mesmo.

Como o título diz, eu sobrevivi à Índia. Parece um exagero, mas não é. Viajar para a Índia não é tirar férias, mas sim exaurir todas as suas energias tentando se adaptar e compreender o que acontece ao redor o tempo todo. O tempo inteiro mesmo. É clichê, mas acredito que no caso da Índia, para se compreender a experiência, é mesmo necessário passar por ela. Como nem todo mundo está de passagem marcada para essa terra de contrastes, tento, por aqui, mostrar um pouco do que os meus olhos presenciaram.

Aos que pretendem visitar este país um dia e aos que estão curiosos, trago algumas dica necessárias – eu teria adorado lê-las em algum blog antes de ir para lá. É importante notar, porém, que eu não me preocuparei em ser politicamente correta em cada detalhe, assim peço desculpas antecipadas aos indianos caso se sintam ofendidos. A minha intenção não é a ofensa, mas sim deixar as impressões honestas fluírem aqui.

Então vá lá:

Dicas de sobrevivência à Índia

1) Prepare-se para o choque cultural.

A Índia é um país muito distinto da maioria dos países ocidentais. Apesar de as maiores cidades (lê-se Mumbai, antiga Bombaim) estarem se juntando mais e mais ao modo de vida ocidental por conta da globalização, muito da Índia permanece em um estado semi-feudal. O que quero dizer com isso? Que as diferenças culturais vão gritar aos seus olhos assim que o avião aterrissar.

Não tem problema tomar banho no meio da rua enquanto os seus búfalos se refrescam. Varanasi, Uttar Pradesh, Índia

2) Não comece a viagem pela zona conhecida como “The Darkness” (A escuridão).

Essa expressão aparece em um livro chamado “The White Tiger”, uma estória interessante, mas as descrições são mais interessantes ainda, pois parecem mentira, mas não são. Essa área, The Darkness, é das mais pobres da Índia. Seria algo como o sertão nordestino. É o nordeste e o centro da Índia. Mesmo que você já tenha andado em favelas ou em meio a palafitas, ainda assim irá se chocar ou se deprimir. Pois bem, eu comecei a viagem por essa área, em Calcutá. Juro que depois de três, quatro dias, eu e Erik já nutríamos desejos secretos de voltar para a Tailândia.

Pequeno negócio em Calcutá, Bengala Ocidental, Índia.

O que nos leva ao item número 3…

3) A miséria existe e é real.

A Índia é um país muito pobre e cerca de 80% da população vive no campo. A pobreza é generalizada e está sempre presente em todo o lugar, é esfregada em sua cara. É um fato da vida.

Família vive entre duas linhas de trem. Mulheres cozinham à direita. Caminho de Calcutá a Bodhgaya

4) A Índia é caótica e, por vezes, muito estressante.

É muita informação para captar ao mesmo tempo, mesmo para quem vem de um país animado como o Brasil. São cores, cheiros, texturas, barulhos, gente conversando contigo, coisas que dão errado o tempo todo – é a imprevisibilidade.

Caos. Varanasi, Uttar Pradesh, Índia

5) Os tuk-tuks motorizados deixam tudo mais caótico ainda.

Tuk-tuk. Jodhpur, Rajastão, Índia

6) Os tuk-tuks não motorizados também deixam tudo mais caótico.

Tuk-tuks não motorizados. Jaipur, Rajastão, Índia

7) As riquixás puxadas por pobres trabalhadores também deixam tudo mais caótico.

Homem descansa do trabalho duro que é puxar uma riquixá. Calcutá, Bengala Ocidental, Índia

Sempre negocie com todos os tipos de riquixá e tuk-tuks. O preço começa em cima, mas basta barganhar um pouco e tudo se resolve. Não se irrite caso você pague um pouco a mais. Viajar é assim mesmo, não sabemos as regras e, muitas vezes, não levaremos a melhor. Isso não importa, pois na verdade quem leva a melhor na prática são os turistas mesmo, que estão apenas passeando, enquanto a vida dura segue normalmente para o resto do povo.

8) As vacas também deixam tudo mais caótico.

Sim, elas estão por todos os lados.

Estação de trem entre Vrindávana, Uttar Pradesh, e Jaipur, Rajastão, Índia

9) Os homens santos também estão por todos os lados.

Não se esqueça de gentilmente oferecer algo a eles, caso tire fotos.

Udaipur, Rajastão, Índia
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11 comentários sobre “Eu sobrevivi à Índia: parte I

  1. Olha ver estas fotos me fez relembrar tudo o que conversamos sobre sua viagem. Apoio sua iniciativa de apresentar estas dicas. Eu comentei com várias pessoas sobre o que viu por lá, e acredita que duas amigas minhas conhecem outras pessoas que foram à Índia e tiveram uma visão completamente diferente da sua? Vou passar seus posts para elas, acredito que podemos começar um debate interessante. 😉

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    1. Oi Day!

      Fiquei bem curiosa a respeito das impressões diferentes que suas amigas tiveram. Passa o post sim, outras visões são sempre muito bem-vindas.
      Então, eu estou tentando colocar aqui muito do que conversamos quando te contei da Índia, assim é meio “repetitivo” para você, hahahahah… Bom para ver as fotos e lembrar dos papos.

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  2. Apreciei bastante este post. Fotos belíssimas, especialmente a última. Que belo homem!
    Concordo com o que disse, e pude ouvir suas opiniões pessoalmente. Porém, sempre acho que vale a experiênicia; e mais, vale toda emoçao e vontade de viver tudo isso. Pode ser estressante e triste, mas é maravilhoso poder sentir tudo isto.

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  3. Pingback: Eu sobrevivi à Índia: parte II « ✈

  4. Lou

    Adorei o post Camis!! Suas fotos estão maravilhosas.
    Eu sei que é estranho falar isso já que você está descrevendo a miséria e o choque mas depois desse post eu fiquei com muita vontade de visitar a Ìndia.
    Justamente por ser tão diferente, acho que é uma experiência que precisa ser vivida.

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  5. Pingback: Cenas de Varanasi II: o ghat das cremações a céu aberto « ✈

  6. Pingback: Cenas de Palolem III: os cachorrinhos da praia e o fim da viagem à India «

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