Garantindo o pão nosso de cada dia na Suécia

Há duas palavras que me deixam em um estado de nervos: trabalho e dinheiro. Eu já era ansiosa com toda a estória de trabalhar e ganhar dinheiro no Brasil. Fiquei bem perdida quando saí da Unilever e comecei a trabalhar na Wizard como professora de Inglês para ganhar um mínimo que fosse – bem mínimo por sinal, que o digam Lou, Pam e Valéria quando calculamos a nossa hora-aula em uma tarde ensolarada de férias de julho. Mal sabia que esta experiência seria ainda muitíssimo proveitosa na vida. Primeiramente por ter ganho amigas maravilhosas. Segundo, por ter me provido a experiência de ensino de Inglês à qual estou aproveitando na Suécia.

Explico melhor: desde 2010 que trabalho como professora substituta de Inglês da rede municipal de ensino para adultos. Comecei com o nível B (intermediário) – a maior exigência para se entrar na universidade, a não ser que você queira estudar Linguística ou algo relacionado. Aí o nível deve ser C (avançado). No sistema de ensino sueco, o estudante adquire nível B ao terminar o colegial. Inglês é obrigatório para se entrar na universidade e há poucas exceções que exijam apenas o nível A (básico). Assim, teoricamente, os alunos aprendem a falar outras línguas na escola comum, não sendo necessária a matrícula em escola particular de línguas. Para falar a verdade, não conheço nenhuma. O nível de ensino é bom, mas não dá oara falar o mesmo dos alunos.

A educação de adultos (Kommunal vuxenutbildning, Komvux – “comunól vucsenutbildinin”) serve originalmente aos retardatários suecos que foram fazer algo mais da vida e depois de anos decidem terminar o colegial. Ou para os que tiveram problemas pessoais. Os motivos são muitos. Hoje em dia, o governo acomoda os imigrantes nesses cursos de colegial para adultos. Foi o meu caso ao entrar no SAS (Sueco como segunda língua). Este é também um curso de colegial dominado pela presença de imigrantes. Quando eu comecei a trabalhar como substituta, fiquei em uma posição um tanto diferente: a de aluna e professora ao mesmo tempo, pois trabalhava na mesma escola onde estudava, como ainda o é hoje.

A diferença é que agora optei pelo curso de sueco à distância, então não preciso comparecer à sala de aula. Hoje substituo uma professora em todos os cursos que ela tinha: Inglês A e B, mais uns extras – na quinta passada, uma aula de espanhol nível iniciante. A maioria dos meus alunos são imigrantes (refugiados, familiares de refugiados, e outros status) e a variedade de línguas maternas que eles falam é grande. Tenho alunos do Irã, Iraque, Sérvia, Tailândia, Vietnam, Filipinas, Camarões e muitos outros. Um desafio. Gosto muito do que faço e acho que eu não poderia ter encontrado melhor trabalho no momento. A escola é grande e tem ótima infra-estrutura.

Não é nada fácil arranjar emprego por aqui, ainda mais se você não falar sueco.

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12 comentários sobre “Garantindo o pão nosso de cada dia na Suécia

  1. Muito bom que está com mais aulas agora. Realmente esta experiência de ensinar é algo muito prazeroso. A troca de conhecimento, neste caso, acredito que é mais cultural, você terá um ensinamento de vida grandioso. Aproveite bem esta temporada, pois semestre que vem está aí e terá que deixar seus alunos ;). Beijão.

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    1. Sim, é verdade, a troca de conhecimento é cultural, já aprendi bastante sobre pessoas de outros lugares, mas ainda resta tanto… Sempre há algo para aprender sobre as pessoas, especialmente nesse caso, pessoas de lugares distantes.

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