Cenas de Diu I

A jornada pelo Rajastão chegou ao fim. Eu e Erik mudamos totalmente de ares e fomos do deserto para o mar. É em um dos territórios da união que fica Diu, chamado Damão e Diu. Esse território fica bem perto do estado de Gujarat, até pensei que fosse parte dele. Diu é uma pequena cidade da Ilha de Diu.

Mas por que será que nos interessamos em visitar uma cidadezinha perdida em um ilha parte de um território indiano? A ver. Com uma ajudinha da Wikipedia, fica mais fácil entender  por quê:

  • Há um forte português
  • Há uma catedral portuguesa
  • É uma ex-colônia portuguesa. Ficou sob posse de Portugal até 1961.
  • É permitida a venda de álcool, e é onde é mais barato na Índia
  • E finalmente… É o décimo distrito MENOS populoso da Índia!

Para honrar as minhas raízes lusas, poder finalmente beber uma cerveja e descansar da intensidade e caos da Índia, aturamos uma viagem longuíssima de quase um dia. Primeiro, um ónibus leito imundo, depois um mais um ônibus que nos levou por estradas bem poeirentas. Depois, Diu.

Rua em frente ao hotel
Pracinha da feira

Por ser um lugar onde o álcool é permitido e barato, há muitos turistas indianos, principalmente homens. Ao tomar uma em um bar repleto de moscas, o cardápio deixa claras as regras do jogo:

Taxa de vômito 100 rúpias (3,70 reais). Vomitou, pagou.
Empreendimento honesto

Dá para perceber a influência portuguesa na arquitetura:

Catedral portuguesa
Catolicismo e hinduísmo lado a lado.

Diu fica em uma ilha, como já mencionado, à beira-mar:

Avenida da praia

Forte Panikotha, no meio do mar, parece um navio de cimento.

Notei que retroblogar trás um problema grave: eu acabo não contando as verdadeiras aventuras que passei em determinado lugar, pois as estórias ficam “velhas”. A memória já não fica mais fresca e a empolgação para contar diminui. É bem melhor escrever durante as viagens, mas bem difícil também, por falta de infra, tempo… Enfim, uma dessas estórias aconteceu em Diu, vou citá-la brevemente aqui. Havia um restaurante chamado, literalmente, nome em Português mesmo, “O Coqueiro”, a uns cinco minutos do hotel. A comida era de Goa/portuguesa, imagina se não amei. Era boa mesmo, comi lá quase todos os dias. O restaurante fica no quintal da frente de uma simpática família, chão de terra. O dono é muito bonzinho, simpático, prestativo. Ainda assim, aconteceram alguns fatos estranhos lá:

Duas vezes, havia pedaços de vidro na comida.

Uma vez, um rato roeu o dedão do Erik.

Uma vez durante o jantar, um sujeito parou sua moto em frente à porta do restaurante, me mandou beijos e se masturbou.

Isso fez a experiência gastronômica um tanto peculiar. Mas eu recomendo “O Coqueiro”.

No próximo post, mais um forte. Sei que todos já estão cansados de fortes, mas acho que é o último, e português.

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10 comentários sobre “Cenas de Diu I

  1. Acho que eu perdi esta informação ao longo dos posts….não pode nenhuma bebida? Na ìndia toda???
    Ponto alto do post: eu imaginando a cara de astronalta do Erik, nem ligando pro cara “batendo uma” na frente de vcs HAUAHUHUAHUH

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    1. UHAHUAHUAHUAHUAHU Mas sabe que foi assim, né? Eu tive que contar o que estava se passando, porque ele não percebeu.
      Então, o álcool não é muito socialmente aceitável. É feio beber em público, acho que os homens bebem mais em casa mesmo. Tem a religião que influencia muito e o preço da cerveja é bem caro. Claro que a gente rica se esbalda de whisky, mas as pessoas comuns não bebem na rua. É mais em cidades grandes, como Bombaim, que você barzinhos e indianos bebendo, comendo algo. Especificamente em Gujarat – e isso é algo que eu deixei confuso no post – há uma lei seca, não se vende álcool nesse estado, com exceção dessa ilha ao sul, Diu. Por isso que muitos turistas indianos vão para lá, para poder beber até cair, o que não é difícil de se ver por lá. Olha, haja saco para aturar homem indiano bêbado.

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  2. Pingback: Cenas de Diu II: o forte português «

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  5. Então foi aí o lugar do cara se masturbando?! O rato roer o dedo do Erik deve ter sido bem engraçado e ao mesmo tempo nojento… hehehehe… Realmente o forte no meio do mar parece um navio de pedra, muito bonito.

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  6. Hahahhahahahah este foi sem dúvida um dos posts que mais ri, por motivos óbvios. Rato roer o dedão do pé do Erik, a estória tão comentanda do cara fazendo encenações sexuais gratuitas e unilaterais de vontade, vidros na comida!, e vcs adoraram! Mas claro que a hospitalidade da família é incontestável.
    Belíssimas fotos da ilha, do forte e da paisagem a margem de água. Uma foto que amei é a que está um único touro emcima do alto de concreto olhando para o mar…lindo de verdade. A catedarl também bastante bonita. Vcs fizeram muito bem em conhecer esta ex-terra portuguesa….Honre as origens!!!! Hahaha

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    1. Mas é bem por isso mesmo que quis ir lá, por ser uma ex-colônia Portuguesa. Fiquei curiosa, queria ver se as pessoas falavam Português. Também queria um pouco de sossego, sair um pouco do caos.

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    2. Mas é bem por isso mesmo que quis ir lá, por ser uma ex-colônia Portuguesa. Fiquei curiosa, queria ver se as pessoas falavam Português. Também queria um pouco de sossego, sair um pouco do caos.
      Mas olha, detestei a demonstração sexual gratuita. Amamos o restaurante, mas me senti mal nesse dia, várias coisas misturadas. Fiquei com raiva também.

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