Os meus Natais na Suécia (e um pouco de como é o aniversário sueco)

O Natal de 2012 foi diferente dos outros anos. Na verdade, os Natais são sempre diferentes desde que saí do Brasil. Em 2012, o Natal foi mesmo bem branco em Sälen. Já mostrei aqui como o resort de esqui estava afundado em neve. Pois bem, o ano passado teve uma comemoração dupla: Natal e aniversário de 60 anos do pai do Erik, o Bo.

Aniversário

Na Suécia, existe um costume muito fofo, caseiro e de família. Quando alguém faz anos, os membros da família acordam bem cedo – por volta de seis da manhã – para fazer um bolo típico de frutas e chantili para o aniversariante. Todos devem participar, e assim que o bolo fica pronto, é levado ao quarto do felizardo, que acorda ao ouvir o “parabéns a você” em sueco. O mais fofo é que todo mundo conhece esse costume, então nunca é uma surpresa de fato, mas as pessoas não se importam. Acredito que nem todas as famílias ainda façam isso, mas a do Erik sim, sempre que há uma oportunidade.

Essa oportunidade chegou mais uma vez em Sälen. Como dito, era uma ocasião especial e toda a família estava reunida. Assim, de manhão cedinho, fomos eu e Erik até o chalé da Lina, irmã mais velha dele, onde o bolo já estava sendo feito. Pronto, fomos todos acordar o pai do Erik no seu chalé.

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Glenn (namorado australiano da Hanna) segura o bolo enquanto Hanna (irmã mais nova do Erik que vive na Austrália) tira uma foto. Erik e Lina estão à esquerda.

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Levamos o bolo cedinho.

Ja må hon  leva, a música de parabéns em sueco (infelizmente, a legenda está em japonês):

DSC07822Pai do Erik é “surpreeendido”.

Natal

Os suecos comemoram o Natal no dia 24. Geralmente há um jantar bem cedo, por volta das 5 da tarde. Todos já estão com fome mesmo e escurece cedíssimo, então faz sentido. Há várias comidas e atividades típicas, como assistir a um clipe de desenhos da Disney às 3; tomar glögg; fazer rimas e trocar presentes. No próximo Natal explico melhor esses costumes, pois neste post quero aproveitar para explicar um pouco como eu me sinto nos Natais aqui.

A Valéria, dona de um blog muito legal, o Cinco Coisas, fez um post sobre as tradições de Natal que ela ama, o que me liberou um fluxo de consciência e fez com que eu escrevesse um comentário imenso, o qual compartilho aqui:

“…hoje já não posso escrever que amo o Natal, pois sempre tenho surtos interiores, na alma, nessa data.

Eu amava o Natal quando era mais nova, eu e minha irmã adorávamos sentir o cheiro de Natal no ar, ouvir as cigarras que cantam em dezembro em Santos e sentir aquela noite morna. Tudo era sempre o mesmo todos os anos, Natal com os avós maternos, além de visitas ao resto da família, e Ano Novo com os paternos. Tudo era o mesmo, as comidas, o cheiro delas durante o dia, enquanto minha mãe se matava na cozinha (isso dava ainda mais ansiedade pela noite), os telefonemas dos amigos, os enfeites, montar a pequenina árvore de plástico, a campainha tocando quando meus avós chegavam, os assuntos, os presentes… Tudo igual e tudo está morto. Já não existe.

Meus avós faleceram, com exceção do meu avô materno. Eu me mudei para a Suécia e meus pais nem comemoram mais a data em Santos.

Os Natais na Suécia ficaram como que suspendidos no ar. Eu não sinto que é Natal, entendem? É muito diferente, são outras pessoas, outros costumes, outros assuntos, outra língua, nem a mesa com comidas é motivo de excitação (eu amo comer, vocês sabem), pois não gosto da maioria das comidas. Ovo cozido? Peixe podre? Pão com manteiga? Ainda por cima, os pratos principais não são vegetarianos.

Enfim, eu percebi que algo morreu em mim, mais precisamente que algo foi arrancado. Das vezes que passei o Natal na Suécia, sempre me senti estranha, sem saber o que era. No último eu entendi melhor, que eu basicamente tenho ficado TRISTE nessas épocas, principalmente quando se junta a família. Eu fico triste no Natal e a mesa, que para mim sempre foi importante, é como qualquer outra.

Eu sei o que vocês vão me falar. Que eu deveria começar a minha própria tradição, nova com o Erik, mas eu nem sei o que. Nem enfeites de Natal eu ponho em casa. O único foi uns desenhos de bola de árvore de Natal que eu destaquei do papelão e colei em uma estante. Sabe, destacado do papel de propaganda de loja. A única coisa que eu fiz foi um jantar de Natal para mim e para o Erik, tem um post sobre isso, mas nem foi no dia de Natal.

Enfim, essa data foi extirpada da minha vida, porque para mim, essa data tinha a ver com a repetição circular do mesmo ano a ano. Era disso que eu gostava.”

Não sei se ficou claro, mas é um pouco de como eu me sinto nos Natais na Suécia. O do ano passado, porém, foi diferente. Eu gostei bastante. O pai do Erik havia reservado uma mesa em um restaurante fino e tradicional de lá. Chegamos à casinha linda, super antiga, embaixo de muita neve.

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Chegamos e fomos muito bem recebidos com pepparkakor e glögg bem quentinhos.

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Todos estavam aproveitando…

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Jonas (irmão mais novo do Erik, também bofiscândalo) e Siddy (sua namorada meio sueca, meio islandesa)

As decorações eram lindas…

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A mesa estava farta e a comida cheirava bem…

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Até um episódio digno da família Rio-Branco acontecer! Pamela, tive que pegar o exemplo da sua família emprestado, hehe. Mas é que fomos para o lugar errado! Só percemos depois que já estávamos fascinados pela casinha linda, no nosso segundo copo de glögg.

Lá fomos todos procurar o lugar certo, já atrasados, tudo branco à frente do carro. Chegamos em um lugar bem diferente, mas ótimo também. Um hotel com um buffet sueco típico de Natal (julbord) maravilhoso, muito bem servido. Eu adoro um buffet, vocês sabem.

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Agora, sim, estávamos no lugar certo.

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Hanna, Nitchari (esposa do pai do Erik, tailandesa) e Erik

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Eu e a julbord atrás (com a camisa portuguesa que amo, minha mãe quem me deu)

O Natal de 2012 foi divertido.

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11 comentários sobre “Os meus Natais na Suécia (e um pouco de como é o aniversário sueco)

  1. The birthday BOy looks very happy and surprised (this baking tradition is definitely something my Swede never inherited from his family – which is a pity, because it sounds fun), but what was that glass on poor Jonas? Without the caption, I’d thought it was someone like Eric’s uncle, age 45 😀 😀 😀
    Christmas is tough I think. We loose some part of the xmas magic when we are not anymore living close to the magic that our parents put together for us.
    I have tried creating our own xmas, but it doesn’t work. Daniel is a bit like the Grinch around xmas, so whatever we do (visit his family, my family, stay home) is no good, because it’s Xmas… The only thing we both enjoy is travelling away during the holidays, but than it’s my little traditional soul missing some bits of Xmas (mostly being around family). Not easy…

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    1. Loved your comment. 🙂
      I really liked this baking tradition, I’ve been thinking about surprising Erik next year (but of course, cheat a little, ‘cause I am not going to wake up at 6am to bake a cake. Linds Konditori would do). Yeah, Jonas is so good looking and stylish, but the glasses… Well, I think it’s part of the nice, smart geeky thing.
      Christmas is not Christmas anymore, right? There’s no perfect solution. I agree with you, we should create our new traditions. I even read about it on a nice blog about expat life. I never got to do it, because I have spent it with Erik’s family (maybe that’s the new tradition, a traditional Swedish Xmas. The only exception was 2011, but it was different, my grandparents weren’t there anymore, not the same house, city etc… It’s almost impossible if you also have a sambo that doesn’t enjoy xmas, like Daniel, right? Maybe you could convince him this year. Xmas in your new apartment in a new city can be very special… 🙂

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  2. Quanta honra eu ser mencionada neste blog!! ai se tivesse uma câmera no exato momento que eu li para vc ver a minha cara!
    E vc não poderia estar mais certa…este episódio tem bem a cara da famlia Rio Branco rsrs.
    Achei mega fofa estra tradição sueca de aniversário, é uma data que tem que ser comemorada independente da idade e nada como um gesto carinhoso destes com as pessoas mais próximas. A cara do pai de Erik então, mas fofa ainda 🙂 E o bolo ficou lindo!!! Estava gostoso?
    Eu li o seu comment no blog da Valéria e fico muito feliz em saber que seu Natal foi melhor este ano. Não somente por ser Natal, mas porque acho que não devemos sentir este vazio que vc descreveu nunca. É tão fácil ter motivos para ficarmos tristes, então devemos sempre nos esforçar para nos alegrar. e comemorar tudo!
    Espero que daqui pra frente vc tenha Natais maravilhosos!!!
    Bjos

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    1. É verdade, concordo!
      Falando em Natal, eu recebi o seu cartão já há algumas semanas e amei tanto… Eu, imbecil, ainda não tinha comentado isso contigo. Eu simplesmente me emocionei quando li a sua mensagem e até chorei. Foi muito especial. O cartão está em prateleira da sala-quarto, para eu sempre vê-lo. Muuuuuuito obrigado!

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  3. Camis, fico feliz que esse natal tenha sido melhor! Achei muito triste o seu comentário. Como você sabe, eu não concordo que o Natal seja triste e vazio só por estar longe. Eu poderia ter passado o meu natal sentindo falta das decorações da minha mãe, do jantar de família, da troca de presentes. Mas resolvi me focar no positivo e ter um natal ótimo mesmo sem as tradições. Comprei minhas próprias decorações e comemorei do jeito que foi possível, mesmo o David não sendo muito fã de natal hehe.
    Achei engraçado o vídeo do feliz aniversário em sueco e a gafe de ir pro lugar errado hahaha
    Mas muito fofa a tradição do bolo. Adoro essas tradições!! Na família do David, eles não tem tradição nenhuma pra nenhum feriado. Acho muito sem graça.
    Na minha família, costumávamos comprar bolo de mousse misto em todos os aniversários hehe =)
    Beijão

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    1. Hehehe, bolo de mousse misto do Caracol? 😉

      Você está certíssima. Eu acho que quando você tem esse pensamento, você com certeza consegue se adaptar e ser feliz em outro país. Eu li outro dia em um blog de uma expat justamente sobre isso, sobre criar tradições no novo país, algo que mescle o novo e o velho. Eu acho que a minha tradição por aqui está virando ir para a casa da mãe do Erik.

      Eu vou tentar fazer alguma coisa neste Natal, se estivermos por aqui.

      O David provavelmente não curte muito o Natal justamente por isso, não é? Pelo fato de a família dele não ter esses costumes.

      A tradição do bolo é o máximo mesmo, deveria se espalhar para outros lugares.

      Beijão!

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      1. Na verdade o bolo é da Joinville hehe
        Bom, eu sou meio suspeita pq adoro comemorações e tradições hehe. Até pq todo mundo sabe como minha mãe é obcecada por decorações comemorativas. Mas acho que você devia sim criar suas próprias tradições com o Erik. Acho muito gostoso.

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  4. Assim como a Pam e a Lou já comentaram fico feliz que que este ano você tenha se sentido melhor no último Natal. Claro que não na mesma proporção que você, mas depois que casei esta data também passou a ser diferente para mim. Sempre passei com a minha família (pais e irmãs) fora os outros parentes, ou às vezes somente nós. Aí agora tem a família do esposo. Ele também quer passar com eles. Enfim, nesses quase dois anos de casada conseguimos juntar as famílias, o que faz este ponto da falta de alguém não acontecer. Mas as tradições mudam, temos que nos adequar, isso é bem complicado. Mas ainda assim continuo gostando muito do Natal. Afinal é sempre um bom motivo poder estar com quem amamos, celebrar, comer, trocar presentes. É uma data muito feliz, mesmo que passe por mudanças.

    Quanto ao aniversário, eu adoro surpresas! Ou mesmo que não seja mais surpresa, simplesmente o fato que saber que alguém se preocupou com comigo, que quis fazer algo para me agradar, me deixar feliz. Achei muito fofa esta tradição. O vídeo da música é muito legal!

    Beijão.

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    1. Oi Day!

      Olha, eu acho que a comparação com a vida pós-casamento é muito válida, sim. É uma super mudança, ainda mais se a pessoa não morava sozinha antes, mas sim com os pais. Eu acho que as pessoas subestimam, ou simplesmente não sabem mesmo, o tamanho dessa mudança e os impactos que podem ter. Tem muita mulher que entra em depressão após o casamento.

      Graças a Deus não é o seu caso e fico muito feliz que os seus novos Natais em família sejam legais também. É bem o que você falou, temos que nos adaptar às mudanças. Acho que a maioria dos adultos (não que eu me sinta uma) passa por isso e mais tarde se lembra, com saudade, dos Natais da infância. Esse não voltam, né? São os meus preferidos.

      Beijão!

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