A alegria nunca-vinda do seguro-desemprego

Desde o meu último post sobre este assunto tão caro, trabalho, muitas coisas já mudaram. Tenho muito o que escrever por aqui, mas ando absolutamente sem tempo. Como o título mostra claramente, este post é sobre seguro-desemprego. Mas calma, vocês irão pensar, há algo de estranho nesse título. Nunca-vinda?

Alfa-kassan é o nome de uma das instituições que provêem auxílio-desemprego aqui na Suécia. Desde que eu voltei da Inglaterra que estou às voltas com a minha inscrição nesta instituição. Como todo bom sistema de seguridade social, não falta burocracia. Não tenho certeza se a Alfa-kassan é totalmente pública, mas é uma das principais organizações que paga seguro-desemprego.

Pela primeira vez desde que vim para a Suécia, há a possibilidade de que eu seja elegível a receber esse subsídio do governo. Estou felicíssima, claro. É uma fonte de renda muito boa. Mas não gratuita. O estado sueco tem tentáculos muito longos e alcança seus cidadãos facilmente. Para receber esse dinheiro, é necessário estar registrado na agência de trabalho sueca, Arbetsförmedligen, provar absolutamente todos os passos que você deu em sua vida nos últimos 50 anos, comparecer a maçantes atividades obrigatórias, demonstrar que você está procurando emprego ativamente e acatar as sugestões de oportunidades para enviar currículo, quase sempre ridiculamente distantes de sua formação, experiência e habilidades.

Ainda assim, muito contente, preenchi todos os vinte mil formulários.

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E enviei, muito esperançosamente, o envelope:

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Já recebi uma resposta bem burocrática, pedindo que eu completasse a inscrição. Há sempre documentos faltando. Aqui há sempre que se registrar tudo muito direitinho. Nada sai das regrinhas na sociedade sueca. Há muita burocracia.

Passei semanas inteiras atrás desses novos formulários, a preenchê-los, imprimi-los e a escrever cartas para o povo do Alfa-kassan, que devem ser é robôs, pois havia incongruências nos requerimentos. Desta vez eles me pediram para:

  • Descrever e provar o que fiz de 01 novembro 2011 a 29 de janeiro 2013
  • Descrever os estudos feitos em 2012 e mostrar que estão concluídos
  • Descrever os planos para estudos em 2013 – não há direito a auxílio-desemprego se você estuda mais que 25% por semana.
  • Descrever e provar o porquê de eu ter deixado meu emprego de garçonete na Inglaterra – será que voltar para o meu apartamento onde moro com meu parceiro no país para onde imigrei há três anos e meio são razões suficientes?

As outras cartas que recebi foram todas neste mesmo esquema. Pediam-me para descrever os meus planos de estudos, porque existe uma regra que não permitem que as pessoas estudem em tempo integral enquanto elas recebem seguro-desemprego. Isso se deve ao raciocínio de que a pessoa deve procurar emprego em período integral enquanto recebe o seguro. Se os estudos ocupam todo o tempo, quando é possível procurar emprego? Assim lá fui eu escrever mais uma carta explicando que não vou estudar este semestre – apesar de eu ter me inscrito e passado em cursos na Universidade de Linköping. Desisti deles para poder receber o auxílio.

O status agora é “aguarde”. Alfa-kassan está esperando respostas da Inglaterra e da Noruega a respeito do meu trabalho nesses países. Agora eu já estou bem mais tranquila. Comecei a escrever este post há bem mais que um mês atrás, então as coisas já mudaram muito. Nem estou pensando mais no seguro-desemprego, dei como caso perdido. É claro que ainda quero o dinheiro das semanas em que estava desempregada, mas é que agora, como disse, as coisas estão bem diferentes… Não vou falar nada por enquanto, isto será o assunto de um próximo post.

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6 comentários sobre “A alegria nunca-vinda do seguro-desemprego

  1. Pingback: Uma novidade |

  2. Como você termina este post assim: “mas é que agora, como disse, as coisas estão bem diferentes… Não vou falar nada por enquanto, isto será o assunto de um próximo post.” Quer me matar de curiosidade! Muito maldosa você, hein!

    Acredito que burocracia existe em qualquer lugar, seja em países de primeiro mundo ou emergentes como o Brasil… Faz parte do sistema.

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  3. Burocracia é um saco mesmo mas vale a pena em um país onde as coisas realmente funcionam né? Desanimador é ter muito burocracia e pouco resultado. E por outro lado talvez esta papelada infinita tenha sido boa para ocupar seu tempo…eu, ansiosa como sou, preciso sempre me manter ocupada, e isso ainda tira a cabeça da nóia de procurar emprego.
    Mas se as coisas já mudaram, estou torcendo que tenha sido para melhor! (se bem que pela mensagem da Valéria no face já sei que é 🙂 )

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  4. Sabia que achei este post até bastante engraçado? Chorei de rir quando disse que devem ser robôs, os integrantes da empresa de seguro desemprego. Achei também graça nos itens que colocu pra gente, mostrando o quanto de exigência é feita e o quanto de comprovação deve ser feita, para aí sim dar entrada na papelada. Imagino que chatice ficar preenchendo os formulários, contando tudo, explicando, juntando documentos….Pq tem uma hora que a gente até s eperde fazendo isso. Se aborrece, e começa a naturalmente se confundir com os diversos itens a comprovar.
    Mas quando escreveu: ” Nada sai das regrinhas na sociedade sueca. Há muita burocracia.”. Gostaria de corrigir o final. Em minha opinião, não há muita BUROCRACIA (exceptuando-se, óbvio, quando há), há muita ORDEM. Que é exatamente o que falta demais aqui no Brasil.

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    1. Olha, são as duas coisas. Há muita ordem e burocracia na Suécia. Acho que a burocracia não é exclusividade do Brasil. Aqui as coisas também demoram, há muitos papéis, papéis para absolutamente tudo. As pessoas que trabalham em instituições, agências do governo etc. geralmente não sabem bem como as coisas funcionam, heheh… Ninguém sabe explicar nada direito; deve ser por causa da burocracia e as milhares de regras que existem. Como você disse, há muita ordem, tudo tem que ser certinho demais, para o bem e para o mal.

      Eu me perdi mesmo, tem horas que você nem sabe que papéis que precisa, se guardou ou não aquele documento… Eu fiz uma grande burrada que não costumo fazer: joguei logo fora os papéis do trabalho na Inglaterra. Eu geralmente guardo essas coisas em uma pasta, mas achei que não ía me servir de nada. Agora tem até gente me ligando do seguro social inglês para me pedir documentos.

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