Uma novidade

Quando eu terminei o post sobre o seguro-desemprego, prometi contar uma novidade importante. Para mim, ainda parece novidade, mas é algo que começou já há um mês, no dia 18 de fevereiro: um novo trabalho. Arranjei um emprego para este semestre, dentro daquele plano descrito anteriormente, de encontrar algo mais “confortável”, sem grandes demandas, de escritório, que servisse como fonte de renda enquanto eu busco o que eu quero de verdade.

Estou trabalhando para uma escola chamada Infokomp, novamente como professora de Inglês. Essa escola pertence a uma empresa privada que tem várias outras escolas pelo país. Minha posição é peculiar; eu sou assistente de uma professora na educação à distância de adultos. Essa professora está extremamente sobrecarregada, então a direção decidiu contratar alguém apenas para corrigir as atividades que os alunos enviam pelo sistema. O curso é inteiramente online. Então, à princípio, eu sou meio como uma ghost-writer, mas não assino o nome dela nas correções, claro que não. Aos poucos os alunos vão percebendo que há, na verdade, duas professoras tocando os cursos.

Essa área é basicamente a mesma de antes, quando eu trabalhava na escola Elsa Brändström. É colegial para adultos, Inglês nível 5 e 6 aqui. Quando um aluno termina o colegial, se se formar com boas notas, termina com o certificado de Inglês 6. A diferença no trabalho é que agora eu faço apenas uma dentre as várias atividades que um professor tem. É um trabalho “burocrático”, passo oito horas em frente ao computador e vou à loucura com a repetição da mesma atividade.

Tenho mais ou menos o mesmo tipo de alunos de antes. São pessoas que, por algum motivo, não terminaram essa matéria no colegial daqui. São estrangeiros que não estudaram Inglês no país de origem. São pessoas que se formaram há muito tempo e precisam atualizar o currículo escolar  para poder estudar em uma universidade. Enfim, é um grupo diferente dos adolescentes típicos de colegial. Tenho alunos de muitas partes do mundo, como antes, mas desta vez, há mais suecos também. O nível é bem complicado.

De início, fui contratada para meio meio-período (25%). Aqui na Suécia conta-se a quantidade de trabalho em porcentagem. Assim, fui contratada para 25% (10 horas por semana), mas desde o começo tenho trabalhado período integral, pois há muito o que fazer. Tudo está bem atrasado e há mais alunos novos chegando. A carga de trabalho é absurda mesmo; só em Inglês 6, temos 250 alunos. Como o nível, no geral, não é bom, muitas vezes os alunos têm que refazer as atividades. Trabalho em dobro, triplo.

A empresa me arranjou uma sala em uma unidade bem no centro da cidade, onde há ensino de SFI (sueco para estrangeiros). Eu não poderia estar mais feliz! É uma excelente localização, levo entre 5 e 8 minutos para pedalar até lá. Há tudo por perto, é a melhor localização da cidade. A unidade é simples, e minha sala também; divido com uma outra professora, mas vou precisar de uma só para mim. Como em muitos escritórios aqui na Suécia, há uma cozinha com toda a estrutura que os funcionários precisam para fazer suas refeições: mesa grande, cadeiras, microondas, pia, geladeira, pratos, talheres, copos etc. Aqui há uma cultura fortíssima de levar sua própria comida para o almoço. Isso não é visto como coisa de “bóia-fria” como no Brasil; não é um demarcador de status social. É ótimo.

Ainda não tenho fotos da escola, nem da minha sala, nem da plaquinha com o meu nome e o título “lärare” (professora) , mas vou tirar e postar algumas aqui assim que tiver tempo – artigo bem raro agora. Consegui terminar este post que comecei já na última semana em meio a uns dez minutos de procrastinação.

Mal comecei e já estou um pouco estressada, pois o volume de trabalho é muito grande e eu sinto que não vou dar conta. Sempre acabo caindo no tédio e me sinto muito cansada nas últimas horas, pois é muito difícil fazer a mesmo coisa o dia todo – corrigir lições. Os exercícios variam, mas os erros, nem tanto. Há coisas boas também. Um exemplo é o terceiro exercício do Inglês 5, uma análise de poesia. Eu acabo tendo que ler poesia no trabalho. Bom, né? Aproveito para colocar um aqui:

I know why the caged bird sings

Por Maya Angelou

The free bird leaps
on the back of the wind
and floats downstream
till the current ends
and dips his wings
in the orange sun rays
and dares to claim the sky.

But a bird that stalks
down his narrow cage
can seldom see through
his bars of rage
his wings are clipped and
his feet are tied
so he opens his throat to sing.

The caged bird sings
with fearful trill
of the things unknown
but longed for still
and is tune is heard
on the distant hillfor the caged bird
sings of freedom

The free bird thinks of another breeze
an the trade winds soft through the sighing trees
and the fat worms waiting on a dawn-bright lawn
and he names the sky his own.

But a caged bird stands on the grave of dreams
his shadow shouts on a nightmare scream
his wings are clipped and his feet are tied
so he opens his throat to sing

The caged bird sings
with a fearful trill
of things unknown
but longed for still
and his tune is heard
on the distant hill
for the caged bird
sings of freedom

MUTTS by Patrick McDonnll | March 20, 2013

Apesar de já ter começado a reclamar, como de costume, estou muitíssimo feliz de ter encontrado este emprego que se encaixa perfeitamente nas minhas necessidades de agora, sem contar que o salário é muito bom.

Anúncios

7 comentários sobre “Uma novidade

  1. Fico feliz por não ter demorado muito para contar a novidade! Parabéns por ter conseguido um emprego que atenda suas necessidades neste momento. Apesar de todo o estresse do trabalho, tenho certeza que está sendo muito bom ter cumprido sua meta.

    Quanto à reclamar, é normal. Nós seres humanos sempre reclamamos. Se não temos trabalho, reclamamos; se estamos trabalhando, reclamamos que estamos cansados; se descansamos, reclamamos que não fazemos nada… É parte da nossa natureza não nos satisfazer…

    Apesar da atividade maçante, acredito que pode tentar aproveitar as coisas boas do trabalho, como você mesmo exemplificou, ler poesias. Ou mesmo conhecer mais sobre a história de cada um, se fizerem algum texto pessoal. Penso que há sempre o que aprender.

    Adoro a ideia da escola ter um refeitório. Eu gostaria muito que as empresas aqui no Brasil aderissem. Já trabalhei em algumas assim e era ótimo. Comer todos os dias em restaurante é um saco…

    Sucesso no seu trabalho e que possa continuar alcançando suas metas de 2013!

    Super beijo.

    Curtir

    1. Obrigado, Day!
      Estou muito feliz mesmo. Acho que uma coisa que não comentei é que o primeiro contrato que tenho de período integral aqui na Suécia. Desde que escrevi este post, mais coisas já aconteceram, hehe… A empresa me contratou até o final de junho em período integral. No meu outro trabalho eu era paga por hora, tinha um contrato, mas nunca um mínimo de horas no contrato. Agora tenho um contrato de verdade, tempo integral. 🙂

      Beijão!

      Curtir

  2. PARABÉNS!!! Estou muito feliz por você Camis, esse é o começo do sucesso! Que bom que vc arranjou o “emprego-escada” que você queria. Só fique atenta para não deixar ele te estressar, sugar ou te desviar do seu foco.
    Todo trabalho tem suas partes chatas e repetitivas, e parece uma oportunidade muito boa mesmo! Achei o máximo a plaquinha com seu nome.
    Sobre reclamar, qdo li isso pensei muito em mim. Eu e você algumas características muito diferentes e outras muito iguais! Eu tenho essa mania de sempre reclamar e ficar insatisfeita com trabalho. Tudo no começo é ótimo depois é péssimo. O Vi diz que é pq eu ainda não encontrei o que eu realmente gosto de fazer, meu medo é de ser uma mania minha.
    Mas pense que maravilhoso este emprego pode ser para vc, dinheiro, estabilidade, um emprego pra esfregar na cara dos outros, ocupação da mente e tempo para procurar o que vc realmente quer! Parabéns!

    Curtir

    1. Ai, Pam, obrigada!!! 🙂

      Somos muitíssimo parecidas no quesito trabalho. Mas eu acho que não ee um defeito nosso reclamar das coisas. É que se o negócio tem defeitos, claro que vamos reclamar, né??? Hehehe… Acho que o Vinicius está certo, mas acho também que nosso caso passamos por empregos que são uma exploração, então não temos como não reclamar.

      Olha, quando li o que você escreveu sobre o “emprego escada”, logo pensei na Wizard. Pois é, esse é o perigo de empregos escada. Não sobra tempo para procurar o que a gente realmente quer! Acabei pegando tempo integral mesmo, mas ainda assim, cansadíssima, continuo mandando currículo para aquelas vagas sonho. Mas este emprego tem um contrato que expira no fim de junho, então não é estável. Achei que é uma boa oportunidade para trabalhar duro agora e ganhar dinheiro. Aí o próximo semestre é outra história.

      Curtir

  3. Pingback: Um novo projeto começa: mestrado |

  4. Camila, tanto a Dayane e a Pamella em absolutamente tudo que elas disseram sobre seu trabalho; e trabalhos e suas peculiariedades, elas tem razão. Concordo plenamente com elas. Era o que eu diria a vc também. Foram excelentes conselhos que lhe deram. É isso mesmo, exatamente isso.
    Aproveite, tudo tem seu lado chato e maçante. Momentos intermináveis de estresse, de vontade de parar e desistir. Compreendo tudo, já te vi no trabalho, pude já ouvir sobre sua carga de trabalho no quesito quantidade de alunos e de lições, pq quanto a carga horária, vc cumpre como qualquer outra pessoa, seu salário é muito bom ( que já não é uma realidade pra muita gente), é perto de casa (outra não realidade de muitos), e vc está empregada (outra excelente notícia nos dias de hoje), e quanto a ter tempo de procurar outros empregos (qualquer pessoa na face da terra quando está trabalhando, fica mesmo sem tempo de procurar…é natural).
    A sua busca tanto por qualquer trabalho, quanto para trabalhos do sonhos, pense bem…conseguia alguma coisa. Não era mesmo o que vc queria? Um trabalho qualquer com boa fonte de renda?
    Pode não acreditar, ou pode vir à sua cabeça a mesma opinião sobre mim (eu sei que vc pensa….: “pronto…lá vem a Carol falando que tudo dela é mais difícil”), mas acredite; tem empregos muito piores que o seu. O meu é muitas vezes pior, em inúmeros aspectos. E falo isso com extrema lucidez, analisando de fato o todo, sem sentimentalismos, com realismo.

    Curtir

    1. Não Carol, de verdade, eu não acho que ninguém sabe como é o meu trabalho aqui, simplesmente porque ainda não tive tempo/oportunidade de conversar bastante sobre isso com ninguém. Para piorar, eu estou longe e a realidade deste trabalho aqui (ensino de adultos à distância) é diferente. Os problemas são outros. A questão não é apenas quantidade de redacões e trabalhos. Dá para contar melhor da próxima vez que nos encontrarmos online. As coisas boas são essas mesmo, o salário, a localidade e o horário comercial. Isso conta muitíssimo!!!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s