Como se divertir em um sábado em Paris

Eu e Erik fizemos muitas coisas  no sábado e relaxamos no domingo ensolarado em Paris. Após visitar o Arco do Triunfo, a Champs-Élysées e a Torre Eiffel, pegamos o metrô e fomos parar em um distrito bem diferente das outras áreas, Pigalle, onde fica o cabaré Moulin Rouge. Não ficamos em Pigalle ainda; seguimos para Montmartre (Pigalle é ao pé de Montmartre). Só voltaríamos para Pigalle bem mais à noite.

Montmartre

Montmartre é uma área muito fofa. É como aquela Paris que muitas pessoas imaginam, com ruas estreitas, cafés, boemia, arte. É como a cidade que podemos ver no filme francês de Jean-Pierre Jeunet, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. De fato, o filme foi gravado lá. Foi ótimo descobrir isto, pois estou sem fotos desta parte da viagem, mas vocês podem ver nesse filme um pouco do que eu vi. Dá para ver um pouco dessa área no trailer do filme:

Dá para ver um pouco mais na cena final, quando Amélie e o namorado passeiam de moto:

Dá para ler mais sobre as locações aqui.

Depois de tomarmos um café e uma cerveja em um café em Montmartre, caminhamos pelas ruas sinuosas de Montmartre. Passei pela “Rue de Trois Freres”, que é onde Amélie mora no filme. Eu não sabia de nada dessas coisas quando estava lá, mas me lembro muito bem de ter memorizado esta rua como ponto de referência, pois mais tarde queríamos voltar a um restaurante nessa mesma rua.

Sacré-Cœur

Quando deixamos o café e começamos a caminhar pelas ruas de Montmartre, já tínhamos um destino certo: a Basílica de Sacré-Cœur. Essa igreja, católica, é deslumbrante, vale muito a pena visitar. Chovia, ventava muito, e já estava escurecendo. Tudo isso contribuiu para um efeito mais dramático. A basílica fica no topo do monte chamado Martre. Segundo a Wikipedia, a construção é inspirada na arquitetura romana e bizantina, o que fica muito claro ao se olhar para a nave dentro da igreja – uma linda e enorme pintura de Jesus crucificado parece mesmo ter um toque bizantino. Sacré-Cœur (“sagrado coração”) é enorme: por ficar no topo do monte, reserva a melhor vista da cidade – talvez perca para a Torre Eiffel, não sei.

sacre_coeur_night

Fonte aqui

Basilique-du-Sacre-Coeur-ParisFonte aqui

Quem viu o filme da Amélie deve se lembrar da cena em que ela, de um telefone público, explica para o rapaz por quem ela está apaixonada, como chegar a um determinado lugar. Ela fala, bem rápido, para ele seguir as setas coladas no chão. Nesta cena, eles estão aqui, em frente à basílica.

Antes de eu chegar à igreja e ficar impressionada por sua beleza, eu e Erik paramos em um bar muito cool que oferecia taças de champanhe a cinco euros no happy hour. Paramos, claro, para experimentar o champanhe francês em Paris. Bem gostoso, mas simples, claro. O que se pode esperar por cinco euros?

Aí sim, depois de champanhe, basílica e muita caminhada, fomos para o restaurante da rua da Amélie.

La Cave à Jojo

O restaurante era um desses pequenos, mas lotado. Chama-se La Cave à Jojo e foi uma pérola encontrada sem querer. Parece que tudo em Montmartre é como Paris da imaginação. Eles sabem como atrair turistas. O chef desse bistrô francês era um estereótipo em pessoa (um estereótipo deixa de ser um estereótipo se existe de verdade?); barrigudo, bonachão, falante, andava para lá e para cá a conversar com todos os clientes. Mesmo os que esperavam uma mesa do lado de fora, ganharam cada uma taça de vinho e cinco minutos de papo com o chef. O ambiente é bem acolhedor, divertido – uma senhora canta e toca acordeão. Um charme, a comida é divina. O único problema é que só há uma opção de prato principal vegetariano. Era uma torta muito bem servida, recheada com ratatouille, salada à parte. Uma delícia!

Jojo

Carta de vinhos de La Cave à Jojo

O menu de sobremesas era assim, trazido à mesa:

worthwakingupfor

Fonte aqui

la-cave-a-jojo-001Chef

Pigalle

Depois de comer, assistimos a algumas performances artísticas em um lugar mínusculo, bem escondido. Depois fomos descendo em direção a Pigalle, considerado um bairro boêmio, de vida noturna agitada. Já era noite, então estávamos no lugar certo. É em Pigalle que fica o  Moulin Rouge, bem menor do que eu imaginava. Não assisti a nenhum show – o preço mínimo era 100 euros. Nessa rua do Moulin Rouge, ficam muitas sex shops, casas de strip-tease e todo o comércio relacionada ao sexo, além de pequenas restaurantes de fast-food (kebabs etc). Eu e Erik nos divertimos horrores apenas andando para lá e para cá, bebendo 8.6 Blond, uma cerveja que adoro.

Place+Pigalle,+Paris,+France+46027

Pigalle. Fonte aqui

SexodromeFonte aqui

Moulin_rouge_at_midnightMoulin Rouge

8.6 Blond

Como não sabíamos o que fazer e já estávamos bem alegres por conta dos 7,9% de teor alcoólico da 8.6, pegamos o metrô e fizemos uma das coisas mais divertidas de todos os tempos: andamos a esmo, sem plano. Quando víamos um nome de estação que parecia interessante, descíamos lá. Mais divertido ainda é que eu e Erik começamos a seguir pessoas aleatórias. Na verdade, o critério de seleção era estilo. Começamos a seguir as pessoas estilosas, para ver onde íam. Nisso, caminhamos por lugares lindos à noite, praças amplas, luzes alaranjadas. Na primeira vez em que seguimos rapazes bem estilosos, acabamos chegando a uma festa gay. Na segunda – até corremos pelas ruas para não perdê-los de vista – acabamos chegando a um bar gay. Deve haver alguma relação entre homens gays e estilo em Paris.

Pulamos todas as catracas do metrô, não pagamos nada nessa noite de sábado. Pelo o que eu vi, passar por cima das catracas é muitíssimo comum a qualquer hora do dia. Isso vale para as pessoas que adoram dizer que o Brasil não é civilizado. Em Paris, muitos franceses simplesmente não pagam pelo tíquete.

Assim, eu estava me sentindo livre, me divertindo genuinamente, de dentro para fora, um sentimento de alegria que não sentia faz tempo. Sabe quando você faz algo divertido de verdade, que atiça um espírito de liberdade? Pulamos muitas catracas, corremos pelas ruas à noite, rimos até doer a barriga. Esta noite terminou em Bastille, mesmo lugar onde fomos na sexta à noite. Já era tarde, uma da manhã, e depois de tanto aprontar pela noite, queríamos sentar e tomar algo. Este sábado foi divino.

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10 comentários sobre “Como se divertir em um sábado em Paris

  1. Pingback: Louvre, Tuileries, Deus e o Diabo em Paris |

  2. Adorei este post, muito legal a espontaneidade! Parece que vocês se divertiram mesmo nesta parte de Paris. Mesmo sem as fotos registradas por vocês, deu para imaginar cada detalhe com todas as referência que você deu! Amei! Super beijo.

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  3. Este post foi um retrato fiel de todo seu gosto pelo filme de Amelie, e de sua vontade de auto-retratá-lo à sua própria vivência. Tenho certeza disso.
    Não vi o filme, mas conhecendo vc muito bem como conheço, somando-se toda sua personalidade, insanidade, alegria de viver, e liberdade; posso fielmente imaginar vc e Erik por este sábado em Paris. E acredite, nem precisei fechar os olhos, para poder te ver e imaginar cada cena que vc descreveu por aqui…

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  4. De todas as coisas que vc escreveu neste pois, que ao ler eu pensava em comentar, o mais importante foi o quanto este dia foi especial para vc. Se divertir, rir até doer a barriga….tem coisa melhor que isso? Merecemos isso sempre! E fiquei muito feliz em ler que vc teve isso, e ainda em um lugar fantástico. O desafio agora é fazer isso tb no dia a dia.
    Adorei a referência ao Fabuloso Destino de Amélie Poulain, eu sou apaixonada por este filme.

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    1. Está certíssima! O desafio é mesmo fazer isso acontecer no dia a dia. Acho tão triste quando não conseguimos nos lembrar do último dia em que nos divertimos de verdade… Parece que às vezes isso fica muito distante – ou talvez seja eu que anda muito chata, hehhee… 😛

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  5. Pérsio

    Queria saber onde é esse bar gay que descreve em um comentário??? vou com meu companheiro passar o carnaval em Paris e gostaria conhecer lugares do gênero!!!rs

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    1. Oi Pérsio!
      Tudo bem?
      Desculpe a demora em responder, mas não tenho conseguido mesmo atualizar este blog.
      Que legal que vocês vão passar o carnaval em Paris. Acho que vocês vão amar a cidade, é muito boêmia, tem muitas coisas divertidas para fazer. Infelizmente eu não me lembro onde ficam os bares gays que vi, pois não escolhi em qual estação descer, foi bem aleatório mesmo. Além disso, já faz quase um ano que estive lá.
      Espero que vocês estejam se divertindo bastante.
      Abraços,
      Camila

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      1. Persio Moreira

        Camila obrigado pela resposta! Estamos embarcando dia 28 e já definimos um roteiro bacana será minha viajem do sonho… mas uma vez obrigado!!!

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