A escola e a minha sala

O trabalho na Infokomp está bem. Não há nada de muito novo acontecendo, a não ser o fato de terem me mandado para Sollentuna nesta semana que passou. Sollentuna é uma região da área metropolitana de Estocolmo, ao norte da capital. Fiquei lá de quinta para sexta, hospedada em um hotel ótimo.

Aqui, o trabalho normal do dia a dia é muito chato e entediante. Eu poderia escrever um post todos os dias para dar vazão a minha frustração, mas seria muito chato. O Erik já atura isso todos os dias. O que eu quero em um futuro próximo, se tiver energia e paciência, é explicar o problema da educação na Suécia. Hoje, tendo sido aluna e professora por alguns anos, posso dizer que capturei a essência de muitos dos problemas dessa área. Por eu ser estrangeira, fica até um pouco mais fácil enxergar o que se passa com a qualidade da educação por aqui.

Este post, porém, não é para criticar negativamente o sistema de ensino sueco. É para mostrar o meu trabalho, a minha sala, a escola onde passo oito horas por dia, de segunda à sexta. A escola é simples, fica bem no centro da cidade mesmo. É uma excelente localização, sempre agradeço aos céus todas as manhãs quando pedalo. Leva em torno de 8 minutos  para chegar lá de bicicleta. Outra vantagem é que tem tudo perto, inclusive o supermercado onde costumo fazer as compras semanais, Hemköp – fica a dois minutos a pé.

DSC08108

Corredor perto da minha sala. A cozinha dos alunos fica à esquerda.

Esta é a área de convívio dos alunos, onde muitos almoçam todos os dias. Existe algo que eu amo na cultura sueca do trabalho, mas que também é válido para todos os estudantes, que é o hábito de levar marmita. Eu nem sei mais o que é ter que comprar almoço em algum restaurante. A maioria dos locais de trabalho e escolas/universidades oferecem toda a infra-estrutura para que as pessoas possam levar o almoço. Há sempre uma cozinha com micro-ondas, pia, talheres, geladeira etc. Acho fantástico, deveríamos copiar isso no Brasil. As pessoas economizariam muito. É divertido, lógico, sair para comer de vez em quando. Comer besteira no meio de um dia de trabalho é muito legal. Mas aí isso serve para sair da rotina. A regra aqui é trazer de casa. No Brasil precisaríamos de uma mudança muito grande de mentalidade na questão dos demarcadores de status social. Levar comida de casa é considerado “coisa de pobre”, de baixo nível no geral, especialmente se você trabalha em algum escritório de São Paulo. Mesmo que os outros vejam isso como coisa de bóia-fria, por que dar importância, não? É um problema tão grande ser visto como pobre? A questão não é assim tão simples; é complexo falar de status social e da imagem que cultivamos para o outro. Esse é um dos motivos de choque para imigrantes como eu, que viram cidadãos de segunda categoria no novo país. Enfim, assuntos para outros posts, ou muita conversa e café. Para resumir, comecem a levar marmita no Brasil. Eu levaria se voltasse a trabalhar aí. Eu levo minha marmita todos os dias aqui.

DSC08107

Área de convívio; muitas marmitas; cheira bem no almoço.

DSC08104

Sala de aula ao lado da minha

Finalmente, a minha sala:

DSC08109

Uma olhada mais de perto na minha mesa:

DSC08100

DSC08103

Tudo bem simples, eu mal levei livros, materiais… Deixei tudo aqui, em caixas no subsolo. A vista da janela é bem chata, infelizmente. Não há vista.DSC08101

Ultimamente, os dias estão assim, muito chuvosos. Então essa é a vista de todos os dias:

DSC08102

O mais legal deste trabalho é que todos me levaram a sério desde o início, diferentemente da outra escola onde trabalhei, onde nem colocaram plaquinha. Aqui eu tenho uma placa com o meu nome ao lado da porta da sala:

DSC08105“Camila Azevedo

Professora

Inglês, distância”

Meu contrato acaba bem no final de junho. Depois disso, pode ser que eu arranje mais um pouco de trabalho no verão (julho), ou não. Pode ser que eu tenha outros planos.

Anúncios

14 comentários sobre “A escola e a minha sala

  1. Camis, que fofa a sua plaquinha. É engraçado ver seu nome tão português com todas as informações em sueco hehe. A sua sala é bem simples mesmo. Você fica ali sozinha?
    Eu nunca trabalhei em São Paulo então não sabia desse preconceito com levar comida de casa. Nas escolas que trabalhei também tinha microondas, pia, geladeira, etc. Acho que é uma coisa mais de capitais do que do brasil. Aqui na Inglaterra, todos levam comida de casa também.

    “Esse é um dos motivos de choque para imigrantes como eu, que viram cidadãos de segunda categoria no novo país. ”
    Eu acho que não é por estar em outro país mas por ser a suécia, um lugar onde tem menos imigrantes comparada com outros países europeus e também por causa das pessoas com quem você convive que tem um status social alto no país (estudantes universitários, professores). Eu não tenho esse sentimento aqui em Oxford porque imigrantes dominaram a cidade e as pessoas com quem eu convivo, ingleses ou não, estão todos na mesma situação que eu financeiramente, socialmente ou em geral.

    E as preparações para a pós? Tá empolgada?

    Beeeijão

    Curtir

    1. A sala é simples e eu a divido com uma outra professora, mas ela nunca está lá. Então fico sozinha, mesmo. Eu poderia ter levado mais coisas, mas sabe, é um trabalho temporário, né? Meu contrato acaba agora em junho. Fiquei com uma preguiça de levar várias coisas que, na verdade, nem preciso (não estou dando aulas, passo o dia corrigindo trabalhos).

      Eu acho ótimo levar comida de casa. Eu acho que no Brasil deve ser uma coisa de área de trabalho, status, sabe? Deve depender da profissão. Pelos lugares que passei, não rolava. Às vezes eu levava para a Bier&Wein, e o pessoal lá era bem simples, não achavam nada. Mas acabavam não levando, acho que por falta de costume mesmo, e de energia para cozinhar e levar alguma coisa.

      Na verdade, o comentário sobre “ser cidadã de segunda classe” é mais em um sentido figurado; é mais como um feeling do que a maneira como eu sou tratada de verdade. As pessoas aqui são muito educadas e gentis, e eu sempre tive acesso a muitas coisas da sociedade, não posso reclamar. Aqui, na verdade, tem muitos imigrantes. A Suécia é, comparado ao seu tamanho e número de habitantes, um dos países que mais aceita imigrantes no mundo. Eles estão por toda parte (como eu, hehe). Oxford é uma cidade bem cosmopolita também, né? Não me lembro já, mas acho que li no seu blog que metade da população é formada por estudantes, né?

      Olha, sabe que estou sentindo um frio na barriga já, pela pós, mas ainda não estou empolgada. Está longe, só começa em setemebro. Até lá, tenho muito o que fazer ainda…

      Beijão!

      Curtir

      1. Ahh sim, não quis dizer que as pessoas que você convive te tratem como de segunda categoria mas que talvez traga esse sentimento. Mas afinal, por que você tem esse sentimento?
        Na verdade, acho que eu sempre fui de segunda categoria no coração e agora as pessoas que eu convivo também são então tudo se encaixou hahahaha
        Beeeijos

        Curtir

  2. Oi Camila!
    Eu sempre trabalhei em grandes empresas em SP e realmente “levar marmita” não é bem visto pelos colegas de trabalho. Mas desde que mudei para cá percebi que isso é visto com muita naturalidade, que foi difícil não aderir. Além de sair mais barato, a gente sabe exatamente como a comida feita, né?
    Espero que em breve você tenha seu trabalho reconhecido ou pelo menos que consiga algo que te deixe plenamente realizada. Ser um “forasteiro” nessas terras não é fácil.
    Super beijo!

    Curtir

    1. Oi Vânia!

      É verdade, não é fácil mesmo.

      Eu também trabalhei em empresas grandes em SP e a cultura é bem diferente, não? Mas olha, prefiro este costume sueco. É muito mais humilde, “pé no chão”.

      Beijão!

      Curtir

  3. Camila, que legal conhecer seu local de trabalho!
    Quando vi as primeiras fotos, senti falta mesmo de alguns objetos mais pessoais, talvez até mais alegres para o seu cotidiano, mas depois entendi a parte do contrato curto. Adorei o encerramento do post com “Pode ser que eu tenha outros planos.” Hehe Certeza que tem, hein!!! Quero saber! 🙂
    Sobre levar comida, no estágio de tradução em Alphaville, no começo comia fora, mas depois passei a levar sempre e esquentava no micro-ondas. Saia barato realmente. No segundo, intercalava também, às vezes minha mãe fazia algo, ou sobrava comida do fim de semana, essas coisas. No meu emprego atual, bom, não há forno, nada p/ esquentar… Eu até cheguei a levar torta que não precisava ser esquentada. Como temos o Sesc e gasto no máximo 6 reais por almoço, vale a pena ir lá, andar um pouco. Se eu tivesse de gastar 15-20 reais todos os dias, como é a média dos outros restaurantes, repensaria as opções, certamente! O problema de comer no trabalho, para mim, é que parece que fico muito presa lá o dia inteiro… Às vezes sair é bom por isso, tbm dá p/ conversar mais tranquilamente sem parecer que há alguém ouvindo tudo… hehe É que as empresas tbm não pensam muito em ter um ambiente de trabalho agradável, um jardinzinho, algo assim p/ aproveitarmos na hora do almoço, né…
    Eu tbm tenho uma plaquinha, mas é só meu nome, não tem função… hehe… Eles demoraram para colocar, acho que 1 semestre, eu ficava pensando se não estavam cogitando me despedir, então nem valeria a pena fazer placa. Engraçado como eu sempre penso no pior! hehe
    Estou ansiosa para ver as próximas notícias da pós!!
    Bjos!

    Curtir

    1. Exatamente, concordo! Não levar comida é bom justamente por isso, para ter essa folga necessária. Só de sair do lugar onde passamos quase oito horas por dia já dá um outro pique. Eu sinto muito a falta disso neste trabalho atual. Eu acabo fazendo só meia hora de almoço mesmo, pois quero sair mais cedo. O problema é que geralmente almoço sozinha, pois os professores suecos dessa escola são uns velhos que almoçam às 11.15 da manhã – tadinhos, tenho que ser justa, eles começam bem cedo.

      Há um microondas sim no trabalho, mas eu não o uso. Eu não gosto de microondas. Como a maioria das comidas frias mesmo.

      Ri muito com o seu comentário da plaquinha… Hehehhehe… Muito Valéria mesmo, como diria a Pamella. Mas sabe, eu também penso assim. Tem alguma coisa séria que acontece com a gente, isso é muita loucura! 😀

      Beijo!

      PS: estou esperando o e-mail com as outras novidades… estou curiosa!

      Curtir

  4. Que legal conhecer seu ambiente de trabalho! Adorei. Concordo plenamente com você sobre levar marmita. Eu já trabalhei em empresas aqui no Brasil que tinha esta cultura e eu sempre achei ótimo, além de ser mais econômico é também mais saudável! Gostaria muito que as empresas mudassem essa cultura do não ao refeitório.
    A plaquinha com o seu nome é muito legal, parabéns pelo reconhecimento, sei o quanto isso é importante.
    Achei adorável a as mesinhas da área comum enfeitadas com flores!
    Estou sentindo novidade no ar no fim deste post, hein? O que te espera para o próximo semestre, hum?
    Te mandei uma surpresa pelo correio, mas acho que infelizmente não vai chegar antes do seu aniversário :(.
    Beijão.

    Curtir

    1. Oi Day!

      Pois é, eu adoraria que todas as empresas, como a Valéria mesmo comentou, se preocupassem mais com os funcionários. O Google, por exemplo (é sempre esse o exemplo, hehe), é um dos poucos que perceberam o quanto o bem-estar dos funcionários é, no final das contas, lucrativo. Eu gosto muito disso na cultura sueca. O local de trabalho é meio que uma “extensão da casa”. Há cozinha, pia, pratos… As pessoas sempre se vestem com roupas bem confortáveis. Em muitas profissões, como professores, médicos e enfermeiros, as pessoas até usam umas sandálias especiais com meia.

      Adorei que vem uma surpresa! 🙂 Ainda não chegou, quando chegar, te aviso. Quanto à novidade, agora você já sabe, né?

      Beijão!

      Curtir

  5. Não canso de dizer como eu adoro estes posts sobre seu dia a dia! Dou a maior força para eles aparecerem sempre aqui! Vai te forçar tb a ser o lado bom da sua rotina.
    Fica uma dica para o próximo emprego: mesmo que seja temporário, leve alguma coisa pessoal para sua mesa, algo fácil de levar como um porta-retrato. Isso vai alegrar o seu dia e tirar aquela cara metálica de escritório.
    Que ótimo poder ir pro trabalho de bicicleta e ainda levar comida. Duas coisas simples que melhoram muito a qualidade de vida. Sorte a sua!

    Curtir

    1. É verdade, excelente conselho. Eu acabo sempre pensando que não vale a pena levar nada, pois é temporário. Mas fato é que meus trabalhos têm sido sempre temporários… Então nunca levo nada, aí parece que nada é “meu” mesmo, que estou sempre de passagem por tudo. Isso, por um lado, não deve ser muito bom.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s