Primeiro de maio 2015: May Day Cat

Para não passar em branco.

May-Day-Cat-Poster

Fonte: critical-theory.com

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Em breve

Acabo de acessar as estatísticas deste blog e vejo que o nível de visitas e visitantes aparentemente não caiu nestes últimos tempos de total abandono deste blog. Fico feliz. Aguentem firme minha gente, pois em breve retornarei com novidades, apesar de ainda não saber quais. Sugestões nos comentários são bem vindas. Penso em escrever uns posts antiguinhos sobre as últimas semanas na Jamaica em novembro-dezembro 2014, mas em formato de álbum mesmo, pois foto é o que todo mundo quer ver, muito mais do que texto chato. Também penso em mostrar a última mini-viagem a Milão, Itália, além de Lund, onde já moro há um ano, além de Eskjö, onde o Erik se esconde e onde eu morarei a partir de junho deste ano. Se tudo isto soa tedioso, reclamem nos comentários.

De brinde, uma foto minha em uma plantação de mandioca de uma ocupação do MST (trabalho de campo da tese):

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Pausa temporária

Quem acompanha este blog já deve ter percebido que a frequência de postagens desceu a… zero! Pois é, depois de terminar o estágio no PNUD Jamaica, em Kingston, dei uma viajada pelo ilha. Passei um fim-de-semana com minha amiga em Portland. Erikl chegou com uma semana de atraso por ter quebrado a mão. Juntos com minha amiga, fomos a Montego Bay. De lá ela volta a Kingston, e eu e Erik seguimos para Negril. Depois foram mais cinco dias em Kingston até chegar o sábado, 06 de Dezembro, quando peguei o vôo para São Paulo. Ainda não sei se farei posts sobre essas viagens pela Jamaica, pois o tempo passa rápido. Talvez eu poste alguns álbuns desses lugares.

Agora, neste momento, estou em um acampamento do MST no norte do Paraná para o trabalho de campo da tese de mestrado. Cheguei na quarta, 14 de Janeiro, e é justamente por isso que não consigo postar nada. Tem sido muito intenso, um ótimo trabalho de campo e, principalmente, experiência de crescimento pessoal. Aqui falta luz de vez em quando, e a minha internet móvel nem sempre funciona. Assim que eu conseguir voltar a um ritmo mais “normal”, voltarei a postar. Enquanto isso, vocês podem deixar comentários aqui mesmo, sugestões de posts para este ano.

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Dia das Nações Unidas

O post sobre as belezas naturais da Jamaica ficará novamente para a próxima vez. Ao invés de natureza, vou escrever sobre o Dia das Nações Unidas como pretexto para contar um pouco – bem pouco – do meu trabalho no PNUD. O PNUD é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a agência do sistema ONU que trata do “desenvolvimento“. A ONU é mais conhecida  pelo trabalho da UNICEF (crianças), UNESCO (patrimônio cultural) ou do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Eu mesma, antes de começar o mestrado, não tinha ideia do que a ONU realmente é e o que de fato faz. O PNUD é um mistério para quem não estuda/trabalha na área de desenvolvimento internacional, relações internacionais e outras. Mas é onde estou fazendo o meu estágio atualmente, e é onde eu aprendi muito bem o que faz o PNUD.

Na sexta dia 24 de outubro foi comemorado mundialmente o Dia das Nações Unidas. Aqui na Jamaica, houve um coquetel chique com todas as agências, alguns ministros e outras personalidades da área em um hotel fino, o Pegasus. Eu e Mirsini fomos, lógico. Houve discurso do Ministro das Relações e Comércio Exterior, seguido pelo discurso do meu superior, o chefe do sistema ONU no Caribe. Depois algumas criancinhas apresentaram uma coreografia bem feliz. Tudo para mostrar ao mundo o trabalho que o sistema ONU presta.

20141024_212459Eu e Mirsini com o pessoal do PNUD Jamaica no Dia das Nações Unidas

Ainda não dá para falar muito das coisas mais interessantes. O meu trabalho no escritório tem um escopo limitado. Eu e Mirsini temos que dar conta de três “projetos” que são exigência da universidade, mas que devem ao mesmo tempo atender aos interesses da organização. Em suma, temos que prestar um serviço de valor. Os “projetos” têm a ver com o alinhamento estratégico do PNUD Jamaica com o PNUD global, além de também estar trabalhando com uma proposta para angariar recursos para um projeto de acesso à água e saneamento básico e uma análise sobre eficácia do desenvolvimento no país. Parece tudo muito importante e legal, mas garanto que não é tanto. Também acabo ajudando em outros projetos. O melhor desse escritório são as pessoas; gosto muito da maioria.

O estágio, como já escrevi há algum tempo atrás, é obrigatório no programa de mestrado. Tenho que admitir que ando aprendendo muitíssimo, tem sido uma experiência muito curiosa e interessante, principalmente para compreender mais sobre a arquitetura do poder na política. Vou terminá-lo já por volta do dia 18 de novembro, o que é uma pena, pois seria mais frutífero se eu tivesse mais tempo para aprender e digerir a experiência. A boa notícia é que estou me dando bem no escritório, e as pessoas parecem gostar da nossa contribuição. Assim que o 18 de novembro chegar, vou passar umas duas, três semanas viajando pela Jamaica até embarcar para o Brasil no começo de dezembro. Aí começa outra luta: o trabalho de campo para minha tese de mestrado. Medo.

Quem quiser saber mais sobre como conseguir um estágio na ONU, é só deixar um recado.

As ruas floridas de Kingston (e porque isso não é muito democrático)

O passeio à pé pelo bairro de Barbican, quando vimos bodes e muitos negócios no local, não terminou ali. Mirsini e eu ainda caminhamos adentro, por ruas residenciais, cheias de flores. As ruas da parte mais rica da cidade são geralmente assim: duas mãos, uns buracos aqui e ali, carros, casas, muros altos, árvores, flores e calçadas em péssimo estado. Acho que estas palavras descrevem bem as ruas dessas áreas de Kingston. Como imagens sempre falam mais que palavras…

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Um grande problema em termos de espaço urbano, para mim, é a falta de calçadas para pedestres. O que acontece – explicação dada pela melhor pessoa que conheci em Kingston até o momento, o motorista Winston, que sabe absolutamente tudo sobre a cidade – é que as pessoas donas das enormes casas desses bairros acham que são donas das calçadas e plantam grama e árvores para que ninguém possa ficar vagabundeando em frente aos portões de onde só saem carros. É realmente uma deturpação do espaço público. É difícil mesmo andar por essas calçadas, e muitas vezes as pessoas acabam caminhando pela rua. Não é o caso de Mirsini na foto acima, mas é o caso de muitos outros, principalmente dos que trabalham nas casas. Sempre vejo essas pessoas tentando caminhar pelas calçadas quando estou a caminho do trabalho. Abaixo, algumas das casas que vi pelo caminho:

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Apesar de esse costume ser anti-democrático, as plantas são bonitas. Kingston é uma cidade verde neste sentido.

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Acabei chegando em uma rua que leva à Barbican Road, rua com um espírito de bairro mesmo:

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Gosto muito dessas pequenas barracas coloridas:

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Cana está em todo lado:

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No próximo post, um pouco das belezas naturais da Jamaica.

Tirinha 2: A Language Older than Words

Já faz bastante tempo que publiquei minha primeira tirinha. Prometi que continuaria, mas sabem como é… Mal dá tempo para escrever posts comuns, imaginem fazer tirinhas. É claro que sempre é uma questão de priorização do tempo, mas não estou esquentando muito a cabeça no momento, pois o principal desafio agora é sobreviver este semestre do mestrado.

Mesmo assim, encontrei uma ferramenta excelente para criar tirinhas, Stripcreator. É muito fácil e oferece vários tipos de enquadramento, personagens etc. Eu não resisti e criei uma, que provavelmente não é assim muito boa, mas foi mais para testar a ferramenta. Os personagens não foram desenhados por mim, então terei problemas caso fique famosa, hehe.

Esta minha nova tirinha, tirinha 2, é também uma referência bem explícita a um dos meus livros favoritos. “A Language Older than Words” é de Derrick Jensen, fundador do movimento Deep Green Resistance (traduzido pela Wikipedia como Resistência Verde Profundo). É uma das minhas críticas preferidas à Modernidade.

Então lá vai, tirinha 2, só para testar a nova ferramenta:

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Mestrado em desenvolvimento internacional na Universidade de Lund – o que é isso?

É incrível que só esteja começando a escrever sobre o mestrado quando já estou no segundo semestre. Enfim. Eu já postei sobre as escolhas que fiz quando tive que fazer as inscrição no processo seletivo. Este post do passado é importante pois revela o que de fato eu queria fazer e a tensão inerente em fazer algo que não condiz totalmente com a sua visão de mundo.

Bom, eu estou cursando o Master of Science Programme in International Development and Management (LUMID) (Programa de Mestrado em Desenvolvimento Internacional e “Administração”). Esse programa de mestrado é voltado para pessoas que curtem a área de desenvolvimento internacional, coisa que eu não entendi bem quando me matriculei. Mas o que é “desenvolvimento internacional”?

Apesar de ser uma indústria importantíssima no mundo, nem a Wikipedia oferece uma página em Português sobre a área. É uma pena, pois os países do Sul deveriam saber o que, como e por que os países do Norte metem o bedelho nos do Sul. Desenvolvimento internacional, também chamado de desenvolvimento global, é uma área de estudos e uma indústria surgida no pós- Segunda Guerra e que divide o mundo em “países desenvolvidos” (ricos), “países em desenvolvimento” (eufemismo para pobres, com uma diferença considerável entre eles) e “os países menos desenvolvidos” (LDCs – least developed countries, os miseráveis). Se depender que quem responde a pergunta acima, a resposta pode ser bem diferente.

Desenvolvimento internacional lida com várias áreas como ajuda externa (recursos doados por países), governança, saúde, educação, redução da pobreza, igualdade de gênero, prevenção de desastres, infra-estrutura, economia, direitos humanos, meio-ambiente, ajuda humanitária e outras. Existem muitas organizações envolvidas na indústria do desenvolvimento, a maior e mais conhecida sendo as Nações Unidas. A maioria dos “países desenvolvidos” têm suas agências de desenvolvimento que trabalham com projetos e doam dinheiro (ajuda externa) aos “países em desenvolvimento”. Na Suécia, a agência é a SIDA. Hoje não são apenas os países mais ricos que atuam nessa área. O Brazil também tem sua agência, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), à qual integra o Ministério das Relações Exteriores. O protagonismo do Brazil no cenário internacional tem crescido bastante, e, segundo o IPEA, o Brazil gastou um total de R$ 724 milhões em projetos de cooperação Sul-Sul em 2009.

A crítica ao “desenvolvimento” mainstream é bem contundente e situa essa área, no geral, como neocolonialismo contemporâneo ou imperialismo ocidental. É claro que isto é uma simplificação muito grande. Para quem quer saber mais sobre a crítica ao desenvolvimento, deve ler Encountering Development, de Arturo Escobar um antropólogo colombiano muito perspicaz.

Escrevi tudo isto só para as pessoas que lêem este blog terem uma ideia melhor do que venho estudando desde setembro do ano passado. Deve dar para perceber que ando bem crítica em relação a esta área. Não gosto da área em si; por outro lado, é tudo muito amplo, e gosto de certos assuntos da área. Além disso, gosto da possibilidade de poder trabalhar com algo com que eu me importo, um dos meus maiores desejos.

O primeiro curso, International Development Perspectives (Perspectivas do Desenvolvimento Internacional) durou de setembro a meados de dezembro de 2013. Tivemos etapas diferentes dentro do curso e estudamos as dimensões econômicas, sociais e políticas, além da UN Week (Semana ONU), uma semana de aulas com profissionais sênior da organização. O segundo curso, Theory of Science and Methods (Teoria da Ciência e Método), foi muito bom. Além de aprender mais sobre ciência de um ponto de vista filosófico, aprendemos também sobre métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa. Esse curso durou de dezembro a janeiro.

O terceiro curso foi Development Organizations and Programme Management (Organizações “de desenvolvimento” e Gerenciamento de Programas). Tivemos uma parte deste curso em janeiro-fevereiro, e teremos o resto em junho. Bem chato. O quarto curso, Global Health (Saúde Global) foi um curso em saúde pública. Foi interessante aprender sobre epidemiologia, as doenças que afetam diferentes países de maneira distinta etc. O quinto curso, Sustainable Development and Natural Resource Management (Desenvolvimento Sustentável e Gestão de Recursos Naturais) acabou de terminar. É o que eu gosto de fato e com o que eu gostaria de trabalhar no futuro, principalmente na linha da ecologia política. EU já fiz um curso em desenvolvimento sustentável na Universidade de Linköping. O sexto curso acabou de começar, mas eu estou pulando o começo para prolongar as o descanso (merecido) de Páscoa. Chama-se Urban and Rural Development and Livelihoods (Desenvolvimento urbano e agrarário e meios de vida).

Este programa é bem competitivo, pois é difícil de entrar. O principal atrativo para quem está em frente à tela do computador tentando escolher um programa é a promessa de emprego na área. Na página do programa lê-se bem claramente que em torno de 70 a 80% dos alunos encontram um emprego na área em menos de um ano. Ao ver a lista de onde ex-alunos estão, parece bem interessante – várias agências da ONU, ONGs etc. O que eu realmente espero deste programa é que me permita trabalhar com questões que eu acho importantes.

A carga de trabalho dos cursos é bem pesada –  nem tanto na parte de conteúdo, que deixa a desejar por muitas vezes, mas na quantidade. É um paper atrás do outro, além de seminários, apresentações, projetos etc… É realmente quantidade acima de qualidade. Não dá tempo de ler, ler, ler e digerir o conteúdo. Por outro lado, acabamos aprendendo bastante em termos de escrita acadêmica, pesquisa e outras habilidades deste tipo, de tanto que trabalhamos. Eu tinha uma imagem muito diferente de um mestrado. Pensei que fosse algo bem mais independente, que eu tivesse bastante tempo livre para ler e ir atrás dos meus interesses. Mas este programa não é assim.

Há dois elementos que estressam bastante os alunos: estágio e tese. Temos que encontrar um estágio em alguma organização, preferencialmente em um país “em desenvolvimento”. O estágio deve durar de setembro a dezembro, em média, mas é lógico que essas datas mudam bastante. Assim, não sei onde estarei morando no próximo semestre, provavelmente em algum canto da América Latina. A tese também é motivo de stress, pois precisamos conectar tudo – o trabalho de campo da tese, no geral, deve ser feito no mesmo país. No momento, eu estou bem ocupada com todos os papers, tentando encontrar um estágio e pensando/lendo/debatendo possibilidades para a tese. Não vejo a hora de ter férias; todos estão bem cansados. Inclusive eu.

Não tenho muitas imagens da Universidade de Lund ainda, mas aproveito para mostrar a área da biblioteca e café da faculdade de letras, línguas e comunicação social (SOL). Eu passo por ali quase todos os dias e gosto de trabalhar lá.

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