A solitária moradora do mar

No post anterior onde mostrei o cais turístico de Copenhagen (Nyhavn), comentei ao final do texto que mostraria uma visita especial. Este último post sobre o passeio de fim-de-semana a Copenhagen, então, é sobre uma pequenina moradora do mar, personagem famosa da literatura dinamarquesa. O caminho que leva a ela é, lógico, à beira mar:

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IMG_0235Estilo dinamarquês

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Adiante, em meio a dúzias de turistas e centenas de flashes, encontra-se essa moradora do mar, a tal visita especial: é a pequena sereia, ou den lille havfrue, estátua de Edvard Eriksen inspirada na personagem do conto de Hans Christian Andersen. Poucos sabem, mas eu sempre fui obcecada por sereias e pelo fundo do mar desde criança. Eu colecionava todas as figuras de sereias que pudesse encontrar e cheguei a criar o “álbum de sereias”, onde eu colava todos os achados. Sempre amei água (literalmente até, bebo litros por dia), e minha mãe tinha que gritar constantemente para que eu voltasse para o raso e saísse do mar quando íamos à praia. Eu gostava muito de brincar na areia, mas entrar no mar era tudo o que me interessava mesmo. O mesmo vale para piscinas.

Quanto eu estava na pré-escola, em 1990, o colégio mostrou o filme da Disney “A Pequena Sereia”. Foi o suficiente para o começo dessa obssessão por sereias. De vez em quando eu ainda assisto o filme; até o Erik já teve que assisti-lo.

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A história de Hans Christian Andersen é diferente em comparação à animação da Disney; eu nunca li o conto de Andersen, mas sei que as coisas não terminam tão bem para a sereia. Ela não consegue o coração do príncipe e se joga no mar para se tornar espuma. Ela se torna uma das “filhas do ar”, juntando-se às outras que no ar já estão. Ou seja: ela vira ar, vira brisa. Alguns acham bonito; eu também acho, mas terminar com o príncipe Erik é bem melhor.

A estátua da pequena sereia em Copenhagen é muito bonita e, principalmente, melancólica. O rosto está virado ao mar, à espera de algo que venha de lá. Ou talvez é a saudade de estar lá. Isto tudo não é muito perceptível se você se encontra em frente a ela, só que mais ao lado direito. É necessário ir para a esquerda o máximo possível para finalmente ver seu rosto – eu pulei umas pedras, molhei os sapatos e acabei me sentando bem à beira d’água.

IMG_0241A pequena sereia, ou den lille havfrue – algo como “a pequena virgem do mar” em dinamarquês

Tirei muitas fotos, coloquei quase todas aqui.

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Ela não tem necessariamente um rabo de peixe; são pernas com barbatanas.

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Aqui já dá para notar o perfil triste, melancólico dessa moça solitária:

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O semblante é tão triste, mas plácido, que parte o coração (mesmo).

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Depois dessa visita, caminhamos de volta ao centro para aproveitar a noite de sábado. Ainda perto, não acredito no que vejo. Existe mesmo alguém que use isto em público?

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Assim acaba o relato do fim-de-semana em Copenhagen. Adorei a cidade e espero voltar muitas vezes, o que não é difícil para quem mora em Lund. Há uma linha direta de trem, leva meia hora – bem fácil. Se você que estiver lendo um dia vier para a Escandinávia, vá a Copenhagen. É uma cidade linda, charmosa e muito divertida.

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Agora pretendo começar a postar sobre minha vida em Lund – nova cidade! Já estou morando aqui há três meses, mas até agora não consegui postar nada sobre isso. Vou escrever alguns posts sobre o mestrado também, para deixar mais claro o que estou fazendo por aqui. O ritmo é tão intenso que ainda não consego fazer muito mais do que estudar, comer e dormir. Bom, quem me conhece sabe que nunca fui boa em gerenciamento de tempo mesmo. Aproveito para também deixar claro que perguntas e sugestões são sempre muito bem-vindas. Termino com uma fotinho da noite de sexta-feira passada, quando fui a uma fazenda que fica nos arredores de Lund, onde um colega de classe mora. Foi uma noite de bebidinhas e petiscos.

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Cais novo: o cartão postal de Copenhagen

Este é o penúltimo post da série sobre a curta viagem de fim-de-semana a Copenhagen. Deixei o melhor para o final, claro. Se há algum lugar nessa cidade que você vai acabar visitando obrigatoriamente, este lugar é Nyhavn (“o cais novo”). Nyhavn é o cartão postal da cidade. Faça uma busca no google apenas com o termo “Copenhagen” e pronto, lá está a área com o canal ladeado por casas coloridas. Chega-se a Nyhavn depois de passar pela Kongens Nytorv, à qual mostrei aqui.

IMG_0189A caminho de Nyhavn

A área é extremamente turística, os bares e restaurantes são todos bem mais caros que em outras áreas, e os botes cheios de turistas vão e vêm, mas não deixem de visitar o local por isso. É, de fato, lindo! E a história é ainda mais interessante:

O canal foi escavado por soldados entre 1671 e 1673 a mando do rei Cristiano V, para permitir o acesso dos barcos mercantes a Kongens Nytorv. Muitos e ricos mercadores instalaram-se então em seu redor, dando início à era de ouro de Nyhavn. Os dias de prosperidade chegariam ao fim no início do século XIX, quando os mercadores abandonaram a zona depois do bombardeamento da cidade por parte da marinha inglesa em 1807, durante as Guerras Napoleónicas.

Seguiu-se um período de decadência, em que a zona ganhou a reputação de ser um antro de prostitutas e marinheiros. Foi precisamente neste período que viveu em Nyhavn o seu mais ilustre morador, o famoso escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Andersen viveu em Nyhavn durante mais de vinte anos, e foi aqui que escreveu os seus primeiros contos em 1835.

Actualmente, quase todos os edifícios de Nyhavn foram transformados em bares, cafés e restaurantes, muitos dos quais se gabam orgulhosamente do seu passado como bordeis. A zona transformou-se numa das mais famosas e concorridas da cidade, e basta um pouco de sol para que as pessoas venham até à zona para passear, sentar-se na beira do paredão ou numa das dezenas de esplanadas a beber uma cerveja, ou dar um mergulho nas águas do canal.

Fonte aqui.

Hans Christian Andersen, marinheiros, prostitutas… Ao ler a história dessa área eu entendi melhor esse toque boêmio no ar. Abaixo, a Mindeankeret (“a âncora/memorial”), um monumento aos dinamarqueses mortos na Segunda Guerra:

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E aí estão o canal e as casas coloridas, Nyhavn:

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Essa parte de Copenhagen me lembrou Ålesund, Noruega, a cidade onde morei no verão do ano passado (junho a agosto). Ålesund também tem um canal, barcos grandes e bonitos, além das casas coloridas.

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No próximo post, uma visita bem especial para mim.

Tarde de sábado em Copenhagen

Este post é bem “simplinho” só para eu sentir que não abandonei o blog. Para variar,  ando bem cansada. Também ando estressada, e os níveis de ansiedade estão chegando a um pico quase insuportável. Ninguém me disse que estudar um mestrado em uma cidade estranha com uma gente bem ambiciosa seria um inferno. Pois bem, vou continuar a curta série sobre esta cidade maravilhosa, Copenhagen, antes que eu escreva posts mais detalhados sobre a minha vida em Lund. Quem sabe eu consiga fazer isso antes que o ano acabe, né?

Depois do almoço no sábado, eu e Erik passeamos pela parte comercial de Copenhagen, onde há todas as lojas mais conhecidas, hotéis, restaurantes. Copenhagen é muito bonita, mesmo nessas áreas cheias de lojas. Os prédios parecem ser antigos, havia flores, não estava muito frio, e as ruas estavam cheias.

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Estilo dinamarquês

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Uma das coisas mais comuns nas ruas são os carrinhos de cachorro quente – pølser (pólser – salsicha). Dinamarqueses adoram – e os suecos também. Alguns carrinhos têm opções vegetarianas.

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A praça abaixo é um ponto conhecido da cidade, a Kongens Nytorv (Conguens Nitorie – a nova praça do rei), à qual mencionei no post anterior. O hostel ficava bem perto dessa praça, à qual está à beira do ponto turístico provavelmente mais visitado de Copenhagen, Nyhavn (Niravin – Cais Novo), que ficará para um próximo post.

IMG_0187Arredores da praça, que na verdade estava em obras.

Também quero morar aqui: a super cool Copenhagen

No fim de semana de 30 de agosto a 01 de setembro, eu e Erik fomos para a capital da Dinamarca, Copenhagen (København). Pronto, bastaram três dias nessa cidade cool ao extremo para eu adicioná-la a minha lista de cidades onde quero morar. Copenhagen, como acabei de dizer, é mais do que cool. É uma cidade jovem, cheia de arte e boemia. É claro que estas impressões não podem ser nada mais do que artificiais, já que passei pouco tempo lá. Esta não foi, porém, a primeira vez que fui à Dinamarca. Já havia visitado Helsingør, a cidade do castelo de Hamlet.

O motivo da pequena viagem foi uma comemoração da classe do Erik. Este é finalmente o último semestre de medicina, então todos decidiram fazer uma comemoração em Copenhagem. Achei meio cedo, não entendi direito, mas fui também, claro. Todos se hospedaram em um hostel excelente – até por isso, nada barato.

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Recepção do Generator Hostel

As paredes eram bem decoradas, bem ao estilo de Copenhagen:

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Essa chegada foi meio dramática. Eu simplesmente esqueci uma mochila com algumas das minha roupas e acessórios de que mais gosto, além de toda a minha maquiagem – incluindo paletas caras da Urban Decay – e produtos de higiene. Chorei, tive um troço na estação de trem de Copenhagen, por sinal, muito bonita. O Erik tentou insistentemente contactar a companhia de trem (SJ), mas ainda era muito cedo para conseguir qualquer informação. Demora um pouco até a seção de achados e perdidos receber todos os itens.

Fiquei praticamente com a roupa do corpo – exagero, eu tinha uma outra mala gigante, toda a minha mudança para a cidade de Lund, que faria no domingo, 1 de setembro. Fiquei, de verdade, sem nada de higiene. Nem um batom, nem um desodorante, nada. Só shampoo e condicionador.

O hostel fica bem perto da Kongens Nytorv (“Nova Praça do Rei”), a maior da capital. Há muitos bares, restaurantes e outras atrações nesta área bem turística. O bom de tudo é que não são apenas lugares chatos para turistas de meia-idade; há vários lugares interessantes.

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Arredores do hostel

Acredito que os dinamarqueses tenham desenvolvido um gosto para a boemia e o estilo retrô que persiste. Vi várias dessas lojinhas:

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As escadas acima levam a um bar-café lindo onde nos enchemos de Samichlaus por duas noites consecutivas

As bicicletas fofas estão em todos os lugares:

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As fotos seguintes são da tarde de sábado, depois de uma noite de festa em uma das áreas mais descoladas onde já estive, Kødbyen. Este é o mais novo bairro hip de Copenhagen, com muitas baladas “sujas”, de paredes pichadas, muita arte, boa música, o mais divertido em vida noturna. Costumava ser um lugar de abatedouros, por isso o nome, algo como “vila da carne”. Gostamos tanto que voltamos no sábado à noite. Aqui, nas fotos abaixo, era ainda sábado à tarde, e ainda estávamos com muita ressaca e famintos. Fomos atrás de um saluhall que eu tinha visto anteriormente, um lugar como um mercado municipal, mas chique, com delícias gourmet. A caminho de lá:

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Chegamos ao mercado, chamado Torvehallerne:

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Torvehallerne

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Almoçamos lá e tentamos recuperar as forças para a noite de sábado.

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Uma temporada na Noruega

Isso mesmo, haverá uma outra temporada no semestre que vem, além da temporada na Inglaterra. A Noruega, hoje em dia, atrai muitos jovens suecos em busca de empregos simples e bem remunerados. Assim, eu e Erik decidimos trabalhar no nosso vizinho. O Erik já arranjou uma ocupação que contribuirá com os estudos dele. Eu ainda preciso buscar algo.

Será uma temporada que começará, na verdade, na Dinamarca. Já havia estado lá antes, mas nunca na capital. Passaremos dois dias em Copenhague (em sueco, Köpenhamn; em dinamarquês, København). Eu ganhei do pai do Erik, no Natal passado, uma caixinha com um tíquete que dá direito a uma noite em hotel legal de lá. Além disso, a banda preferida do Erik, The Brian Jonestown Massacre, vai tocar por lá. Como vamos para a Noruega e a Dinamarca fica “meio” no caminho, unimos o útil ao agradável.

Depois desses dois dias na Dinamarca, vamos para a Noruega, morar em Ålesund por dois meses. Iremos no final de junho.

Ålesund fica aos pés dos fiordes noruegueses e, segundo a Wikipedia, é a capital mundial do bacalhau. A indústria da pesca é a principal atividade dessa cidade de 40 mil habitantes.

Dinamarca com fotos

Finalmente transferi as fotos da Dinamarca para o computador. Há alguns meses fomos a Helsingborg (especialmente para a Valéria: Réusinbóri), bem ao sul da Suécia, e aproveitamos para visitar Helsingør (réusin-ãããã), que fica na Dinamarca.

A travessia leva 20 minutos em um barco bem grande, quase um navio. A principal atividade no barco é beber cerveja. Todo mundo bebe cerveja no restaurante da embarcação. Os dinamarqueses não vêem empecilho em beber às 10 da manhã. Nós também não.

Erik e o irmão, Jonas (Iúlnas)

Vista do barco

Abaixo, à direita, um castelo na Dinamarca. Dinamarca-castelo, hum?

Mais de perto… Sim, é o verdadeiro castelo de Hamlet!

Castelo de Hamlet

Helsingør é uma cidade inundada de suecos que querem comprar álcool a preços mais baratos – o governo da Dinamarca não monopoliza a venda de álcool, como acontece na Suécia (lojas Systembolaget), assim garrafas são vendidas em qualquer estabelecimento -, salsichas, linguiça, queijos…


Este senhorzinho estava lá, sentado no frio, tocando várias canções:

Muitas vielas:

Depois de passearmos, fomos a um bar tomar Tuborg, cerveja dinamarquesa bem simples, do dia-a-dia.

O Jonas se deliciou com rød pølse, salsicha avermelhada típica de lá, junto ao ketchup e à mostarda Tulip. Segundo Erik, o melhor ketchup que existe.

Mais uma tradição é o sorvete por lá. Sorvete caseiro, com cone caseiro, chantilly caseiro e algo parecido com teta de nêga caseira, he. Um dos melhores sorvetes que já tomei. Aí vai a lição número dois da série “como tomar sorvete em quatro passos com Camila Azevedo”: (a lição número um está aqui)

Compre dois. Um nunca é suficiente.

Dinamarca

Há um mês e meio mais ou menos, fomos à Dinamarca. A minha câmera pifou logo no começo e o restante das fotos está no celular do Erik. Assim, pode demorar um certo tempo ainda até que ele me passe as imagens. Essas são as únicas que consegui tirar: (Estávamos na balsa, que mais é um navio)

Nessa realmente não dá para ver nada