Louvre, Tuileries, Deus e o Diabo em Paris

Finalmente chega o último dia em Paris, domingo. Como escrevi antes, não tinha mais fotos destes passeios de sábado e domingo, mas não poderia deixar de registrar aqui duas coisas muito gostosas que fizemos nesse dia: piquenique no Jardin des Tuileries (“Jardim das Tulherias”) e admirar a Catedral de Notre-Dame.

Palais du Louvre

O Palácio do Louvre era o centro do poder na França até Luís XIV se mudar para Versailles.

O Palais du Louvre (Palácio do Louvre) é um antigo palácio Real da França, localizado em Paris, na margem direita do Sena. Fica entre os Jardins das Tulherias e a igreja de Saint-Germain l’Auxerrois. A suas origens remontam a quase um milénio atrás, sendo a sua história indissociável da de Paris. A sua estrutura tem evoluído por etapas desde o século XVI.

O Louvre, cujo nome derivou da palavra franca leovar ou leower, que significa lugar fortificado de acordo com o historiador francês Henri Sauval (16231676), foi a sede do poder na França até ao reinado de Luís XIV, quando este se mudou para o Château de Versailles, em 1682, levando a encenação governamental consigo; o Louvre permaneceu como a sede formal do governo até ao final do Ancien Régime.

O Palácio do Louvre acolhe, actualmente, o Museu do Louvre, um dos mais ricos e famosos museus de arte do mundo.

Fonte: Wikipedia

Comecei com o Louvre porque o Jardin des Tuileries, agora um parque público, era o jardim oficial do palácio. Antes de começarmos o piquenique, sentamos em uma mureta bem em frente ao palácio para olhar as pessoas e fumar um cigarrinho. Esse dia de domingo foi praticamente o primeiro de primavera. Um dia muito ensolarado, fazia 25 graus. O plano era passar grande parte do domingo dentro do Louvre. Sabem o que aconteceu? Desistimos! Eu sei, um absurdo, primeira vez em Paris e não entrar no Louvre, que heresia. Heresia maior, porém, é não aproveitar um dia de sol e calor quando se vive na Suécia. Foi muito tentador, tentador demais. As pessoas estavam felizes, com roupas de verão, parecia que a cidade renascia depois de dias escuros, chuvosos, de uma primavera atrasada. Assim, essa é a história do porquê de não ter visitado o Louvre por dentro. Por outro lado, este é mais um motivo para voltar para Paris, que fica bem perto daqui.

Ainda assim, só de ver a área, o palácio por fora, valeu tudo e muito mais. O Louvre é incrível, inesperadamente incrível. Esqueçam o triângulo, aquela coisa que não tem nada de mais. O fantástico é mesmo o palácio e outras construções à volta. É esplendoroso, magnífico, ainda mais com o sol brilhando. Não deixem de ver o Louvre, mesmo que apenas de fora, se forem a Paris.

LouvreLouvre. Fonte aqui.

Jardin des Tuileries

Como explicado acima, este jardim pertencia ao Palácio do Louvre. Foi criado por Catarina de Médici em 1564 e se tornou um parque público depois da Revolução Francesa.

Jardin-des-Tuileries-Carrousel-GardenFicamos aí, nessa área no canto direito. Fonte aqui.

O sol estava bem gostoso, e o gramado estava cheio de gente jovem descansando, conversando e, claro, fumando. Eu e Erik compramos 8.6 Red desta vez (lembram-se da cerveja que tomamos no dia anterior, sábado?), umas baguetes e recheios para o Erik, quiches vegetarianos para mim e uma garrafa de vinho. Nem posso dizer como foi gostoso. Aquela mistura de sol, calorzinho agradável, álcool, comida… Eu deitei em cima do Erik, para não manchar de verde as minhas roupas preferidas, e acabamos pegando no sono ao pôr-do-sol – por volta de 8 da noite.

Notre Dame

No mesmo dia, andamos mais ainda um bocado. Achamos um bairro muito chique, com boutiques que vendiam peças por muitos euros – um xale, 5 mil euros, não estou brincando, Ferraris etc. Depois disso, chegamos ao Sena novamente e caminhamos, já à noite bem escura, em direção à Catedral de Notre-Dame. Sei que vou parecer bem repetitiva, pois só escrevo que tudo era muito lindo, mas o que é essa catedral? É tão linda iluminada à noite, tão alta, com arquitetura tão maravilhosa… Imaginem, a catedral é toda cheia de figuras entalhadas e estátuas. É de uma riqueza de detalhes tão impressionante, que leva horas para entender tudo – na verdade, deve ser impossível compreender tudo o que está simbolizado nas figuras da fachada ocidental. Foi em frente à fachada ocidental que me sentei com o Erik. O governo francês teve uma ideia genial para comemorar os 850 anos da catedral em 2013. Entre outras ações, colocou uma arquibancada em frente à fachada ocidental; assim, as pessoas são “convidadas” a sentar e observar essa beleza de arquitetura e arte. Eu e Erik passamos um tempo sentados na arquibancada.

Eu gostei tanto da catedral (Católica Apostólica Romana) que me empolguei e peguei várias fotos da página francesa da Wikipedia:

800px-Notre-Dame_de_Paris-France

Eu a vi assim, de noite:451px-NotreDameDeParis-1

Fachada ocidental

Night-Chartres-Cathedral-France

Fonte aqui

Há três portões na fachada ocidental:

800px-Notre_Dame_Paris_front_facade_lowerDa esquerda para a direita: Portal da Virgem, Portal do Julgamento e Portal de Santa Ana

O Portal do Julgamento, ao meio, é o mais esplendoroso de todos:

452px-Notre_Dame_de_Paris_main_gate

Os homens na parte de cima formam a Galeria dos Reis, um conjunto de 28 estátuas, cada uma de 3,5m de altura. Segundo a Wikipedia, podem ser tanto personagens do Antigo Testamento, quando monarcas franceses. Essa galeria encerra o limite entre a parte inferior, com os três portões, e a intermediária.

Está todo mundo lá, no portão central. Abaixo, ao meio, Cristo como Julgador, mostrando as chagas nas mãos:

800px-Paryż_notre-dame_portal

Apóstolos:

800px-ND_portail_central_gauche

Tem também o demônio e o Arcanjo Miguel com a balança das almas, escolhendo quem se salva e quem vai queimar no fogo do inferno para todo o sempre. Estão medindo as almas.

800px-DevilCentralGateNotreDameParis

Tem o Beau Dieu, literalmente, Deus. Ele também está lá:

399px-Le_Beau_Dieu_Notre-Dame_de_Paris

Abraão também, recebendo os escolhidos:

329px-Portail_Notre-Dame_de_Paris_240208_1

Algo muito interessante também são as gárgulas de Notre-Dame.

Acredita-se que as gárgulas eram colocadas nas Catedrais Medievais para indicar que o demônio nunca dormia, exigindo a vigilância contínua das pessoas, mesmo nos locais sagrados.

Fonte: Wikipedia

Idade Média, que tempos mais leves, divertidos, não? Não basta ser constantemente relembrado que Jesus morreu por você e você é um pecador eterno; não, há também que se lembrar que o demônio está sempre à espreita.

Notre_dame-paris-view gárgula

360px-Chimera_Notre_Dame_Paris

Figuren_auf_Notre_Dame

Para ficar mais leve, vou colocar aqui o Heavy Metal do Senhor, canção de Zeca Baleiro. Encerro, aqui, essa visita deliciosa a Paris. Espero voltar logo, pois esta é mais uma cidade na minha lista de cidades onde eu gostaria de morar.

Anúncios

Como se divertir em um sábado em Paris

Eu e Erik fizemos muitas coisas  no sábado e relaxamos no domingo ensolarado em Paris. Após visitar o Arco do Triunfo, a Champs-Élysées e a Torre Eiffel, pegamos o metrô e fomos parar em um distrito bem diferente das outras áreas, Pigalle, onde fica o cabaré Moulin Rouge. Não ficamos em Pigalle ainda; seguimos para Montmartre (Pigalle é ao pé de Montmartre). Só voltaríamos para Pigalle bem mais à noite.

Montmartre

Montmartre é uma área muito fofa. É como aquela Paris que muitas pessoas imaginam, com ruas estreitas, cafés, boemia, arte. É como a cidade que podemos ver no filme francês de Jean-Pierre Jeunet, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. De fato, o filme foi gravado lá. Foi ótimo descobrir isto, pois estou sem fotos desta parte da viagem, mas vocês podem ver nesse filme um pouco do que eu vi. Dá para ver um pouco dessa área no trailer do filme:

Dá para ver um pouco mais na cena final, quando Amélie e o namorado passeiam de moto:

Dá para ler mais sobre as locações aqui.

Depois de tomarmos um café e uma cerveja em um café em Montmartre, caminhamos pelas ruas sinuosas de Montmartre. Passei pela “Rue de Trois Freres”, que é onde Amélie mora no filme. Eu não sabia de nada dessas coisas quando estava lá, mas me lembro muito bem de ter memorizado esta rua como ponto de referência, pois mais tarde queríamos voltar a um restaurante nessa mesma rua.

Sacré-Cœur

Quando deixamos o café e começamos a caminhar pelas ruas de Montmartre, já tínhamos um destino certo: a Basílica de Sacré-Cœur. Essa igreja, católica, é deslumbrante, vale muito a pena visitar. Chovia, ventava muito, e já estava escurecendo. Tudo isso contribuiu para um efeito mais dramático. A basílica fica no topo do monte chamado Martre. Segundo a Wikipedia, a construção é inspirada na arquitetura romana e bizantina, o que fica muito claro ao se olhar para a nave dentro da igreja – uma linda e enorme pintura de Jesus crucificado parece mesmo ter um toque bizantino. Sacré-Cœur (“sagrado coração”) é enorme: por ficar no topo do monte, reserva a melhor vista da cidade – talvez perca para a Torre Eiffel, não sei.

sacre_coeur_night

Fonte aqui

Basilique-du-Sacre-Coeur-ParisFonte aqui

Quem viu o filme da Amélie deve se lembrar da cena em que ela, de um telefone público, explica para o rapaz por quem ela está apaixonada, como chegar a um determinado lugar. Ela fala, bem rápido, para ele seguir as setas coladas no chão. Nesta cena, eles estão aqui, em frente à basílica.

Antes de eu chegar à igreja e ficar impressionada por sua beleza, eu e Erik paramos em um bar muito cool que oferecia taças de champanhe a cinco euros no happy hour. Paramos, claro, para experimentar o champanhe francês em Paris. Bem gostoso, mas simples, claro. O que se pode esperar por cinco euros?

Aí sim, depois de champanhe, basílica e muita caminhada, fomos para o restaurante da rua da Amélie.

La Cave à Jojo

O restaurante era um desses pequenos, mas lotado. Chama-se La Cave à Jojo e foi uma pérola encontrada sem querer. Parece que tudo em Montmartre é como Paris da imaginação. Eles sabem como atrair turistas. O chef desse bistrô francês era um estereótipo em pessoa (um estereótipo deixa de ser um estereótipo se existe de verdade?); barrigudo, bonachão, falante, andava para lá e para cá a conversar com todos os clientes. Mesmo os que esperavam uma mesa do lado de fora, ganharam cada uma taça de vinho e cinco minutos de papo com o chef. O ambiente é bem acolhedor, divertido – uma senhora canta e toca acordeão. Um charme, a comida é divina. O único problema é que só há uma opção de prato principal vegetariano. Era uma torta muito bem servida, recheada com ratatouille, salada à parte. Uma delícia!

Jojo

Carta de vinhos de La Cave à Jojo

O menu de sobremesas era assim, trazido à mesa:

worthwakingupfor

Fonte aqui

la-cave-a-jojo-001Chef

Pigalle

Depois de comer, assistimos a algumas performances artísticas em um lugar mínusculo, bem escondido. Depois fomos descendo em direção a Pigalle, considerado um bairro boêmio, de vida noturna agitada. Já era noite, então estávamos no lugar certo. É em Pigalle que fica o  Moulin Rouge, bem menor do que eu imaginava. Não assisti a nenhum show – o preço mínimo era 100 euros. Nessa rua do Moulin Rouge, ficam muitas sex shops, casas de strip-tease e todo o comércio relacionada ao sexo, além de pequenas restaurantes de fast-food (kebabs etc). Eu e Erik nos divertimos horrores apenas andando para lá e para cá, bebendo 8.6 Blond, uma cerveja que adoro.

Place+Pigalle,+Paris,+France+46027

Pigalle. Fonte aqui

SexodromeFonte aqui

Moulin_rouge_at_midnightMoulin Rouge

8.6 Blond

Como não sabíamos o que fazer e já estávamos bem alegres por conta dos 7,9% de teor alcoólico da 8.6, pegamos o metrô e fizemos uma das coisas mais divertidas de todos os tempos: andamos a esmo, sem plano. Quando víamos um nome de estação que parecia interessante, descíamos lá. Mais divertido ainda é que eu e Erik começamos a seguir pessoas aleatórias. Na verdade, o critério de seleção era estilo. Começamos a seguir as pessoas estilosas, para ver onde íam. Nisso, caminhamos por lugares lindos à noite, praças amplas, luzes alaranjadas. Na primeira vez em que seguimos rapazes bem estilosos, acabamos chegando a uma festa gay. Na segunda – até corremos pelas ruas para não perdê-los de vista – acabamos chegando a um bar gay. Deve haver alguma relação entre homens gays e estilo em Paris.

Pulamos todas as catracas do metrô, não pagamos nada nessa noite de sábado. Pelo o que eu vi, passar por cima das catracas é muitíssimo comum a qualquer hora do dia. Isso vale para as pessoas que adoram dizer que o Brasil não é civilizado. Em Paris, muitos franceses simplesmente não pagam pelo tíquete.

Assim, eu estava me sentindo livre, me divertindo genuinamente, de dentro para fora, um sentimento de alegria que não sentia faz tempo. Sabe quando você faz algo divertido de verdade, que atiça um espírito de liberdade? Pulamos muitas catracas, corremos pelas ruas à noite, rimos até doer a barriga. Esta noite terminou em Bastille, mesmo lugar onde fomos na sexta à noite. Já era tarde, uma da manhã, e depois de tanto aprontar pela noite, queríamos sentar e tomar algo. Este sábado foi divino.

Um sorvete na Torre Eiffel

Depois de uma visita rápida à bonita Champs-Élysées, Erik e eu caminhamos pelos arredores chiques, como já mencionei no post anterior. Queríamos chegar até a Torre Eiffel, este cartão-postal tão famoso.

DSC08214Arredores chiques da Champs-Élysées

Andamos muito, ainda de ressaca e famintos, até chegarmos ao Champ de Mars, onde fica a torre. Este é mais um dos monumentos famosos que me impressionou muito. Como não ficar boquiaberta com uma estrutura gigantesca de ferro com 324 metros de altura? O mais interessante, porém, é saber que a Torre Eiffel foi originalmente construída como um projeto temporário, para ser destruída depois.

“Inaugurada em 31 de Março de 1889, a Torre Eiffel (pronuncia-se com a sílaba tônica no último “e”, [eifél] e não [êifel]) foi construída para honrar o centenário da Revolução Francesa. Era para ser uma estrutura temporária, mas tomou-se a decisão de não desmontá-la. O Governo da França planejou uma Exposição mundial e anunciou uma competição de design arquitetônico para um monumento que seria construído no Campo de Marte, no centro de Paris. Mais de cem designs foram submetidos ao concurso. O comitê do Centenário escolheu o projeto do engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923), de quem herdaria o nome, da torre com uma estrutura metálica que se tornaria, então, a estrutura mais alta do mundo construída pelo homem. Com seus 324 metros de altura, possuía 7 300 toneladas quando foi construída.

Eiffel, um notável construtor de pontes, era mestre nas construções metálicas e havia desenhado a armação da Estátua da Liberdade, erguida pouco antes no porto de Nova Iorque. Quando o contrato de vinte anos do terreno da Exposição mundial (de 1889) expirou, em 1909, a Torre Eiffel quase foi demolida, mas o seu valor como uma antena de transmissão de rádio a salvou. Os últimos vinte metros da torre correspondem à antena de rádio que foi adicionada posteriormente.

A torre manteve-se como o monumento mais alto do mundo ao longo de mais de quarenta anos. Foi destronada em 1930 pelo o Edifício Chrysler, de Nova Iorque, que tem 329 metros.”

Fonte: Wikipedia

O caminho que tomamos mostrou a Torre Eiffel como uma surpresa. Começamos a descer um pequeno parque e ali, de repente, depois de algumas árvores, estava ela:

DSC08220

Esta é também a última foto que tenho dessa viagem à França. Justamente neste momento, a segunda bateria da câmera morreu, e o carregador, como já explicado antes, tinha ficado em Linköping junto com a terceira bateria. Uma pena, pois o sábado foi um dia muito divertido. Estava pensando em fazer alguns desenhos para ilustrar o resto deste relato de viagem. Faz tanto tempo que não desenho.

Ao chegarmos perto da torre, a salvação: muitas barracas de comida de rua, tudo parecia delicioso. Assim, se você estiver perdido, sem comer, de ressaca, mas estiver indo visitar a Torre Eiffel, não se preocupe: tem muita comida boa e barata. Eu comi um crepe gigante de mussarela e dividi um de Nutella com o Erik. Ao cruzar a ponte e chegar mesmo aos pés da torre…

tour eiffelFonte aqui.

paris-tour-eiffelFonte aqui

…não resisti e comprei sorvete, desses estilo “italiano”.

Mjukglass

Da Torre Eiffel, eu e Erik fomos a uma outra área de Paris, Pigalle, onde fica o famoso cabaré Moulin Rouge e, depois, ao lindo distrito de Montmartre.

Uma rápida visita a Champs-Élysées

Um das 12 avenidas que saem da Praça Charles de Gaulle é a Champs-Élysées. Já imagino que muitas meninas devem estar pensando “Ai, que glamour”, mas não, não há muito disso. A Champs-Élysées é uma avenida larga, bem bonita, com árvores alinhadas ao pé da calçada e muitas lojas de marcas famosas, mas não mais apenas de luxo. Hoje já há marcas bem menos luxuosas tomando espaço. É uma área bonita, mas não há muito o que ver e nem o que fazer se você não estiver lá para fazer compras. Esse foi o meu caso, então andei um pouco por lá, mas não me demorei muito. Há muitos turistas, quase não se vê franceses, e os bares e restaurantes cobram um preço muito mais caro do que em outras partes. Eu e Erik, de ressaca, ainda não havíamos comido, mas decidimos esperar mais um pouco.

Champs-Élysées

DSC08198

DSC08200

A Champs-Élysées começa na praça Charles de Gaulle, onde fica o Arco do Triunfo:

DSC08207

Ao caminhar no sentido contrário, começa a série de lojas chiques.

DSC08201

DSC08202

Estas imagens eu tirei para mostrar para a Carol:

DSC08199

DSC08208

DSC08209

O mais bonito dessa avenida, fora a largura, é as árvores. Pena que a primavera ainda não havia começado de fato.

DSC08210

O luxo de verdade está escondido nas ruas adjacentes. Após um passeio rápido na Champs-Élysées, Erik e eu fomos caminhando no sentido do Rio Sena/Torre Eiffel, passando por hotéis luxuosíssimos, butiques finas e carros milionários. Essas áreas são mais sossegadas, não se vê tantos turistas. Devem haver mais pessoas que viajam a negócios, devido ao grande número de hotéis e restaurantes chiques. Essa é uma Paris de gente com muito dinheiro, não dos turistas que ficam apenas a olhar as vitrines da Champs-Élysées, ou que economizam por um ano para poder comprar uma bolsa Channel. Não me entendam mal, não estou fazendo apologia à riqueza. Quero dizer é que, ao menos o que me pareceu aos olhos, é que o dinheiro de verdade está nessas áreas.

Quem adivinha a próxima parada?

O vermelho, o negro e o triunfo

Na manhã, ou melhor, quase tarde de sábado, após uma noite na Bastille, eu e Erik estávamos de ressaca. Não importa; coloquei minha roupa e maquiagem para sair e já ficar na rua o dia inteiro – é mais prático. Bebi muita água e peguei o metrô em direção ao Arco do Triunfo (Arc de Triomphe).

DSC08138

DSC08137

Rio Sena (la Seine): vista ao descer do metrô

Já vi alguns arcos imponentes, como o Gateway of India em Mumbai, Índia, mas nada como o Arco do Triunfo. Incrivelmente soberbo, assim como o militar que o mandou erigir: Napoleão Bonaparte.

“O Arco do Triunfo (francês: Arc de Triomphe) é um monumento, localizado na cidade de Paris, construído em comemoração às vitórias militares de Napoleão Bonaparte, o qual ordenou a sua construção em 1806. Inaugurado em 1836, a monumental obra detém, gravados, os nomes de 128 batalhas e 558 generais. Em sua base, situa-se o Túmulo do soldado desconhecido (1920). O arco localiza-se na praça Charles de Gaulle, uma das duas extremidades da avenida Champs-Élysées.

Iniciado em 1806, após a vitória napoleônica em Austerlitz, o Arc de Triomphe representa, em verdade, o enaltecimento das glórias e conquistas do Primeiro Império Francês, sob a liderança de Napoleão Bonaparte – seja este oficial das forças armadas, esteja ele dotado da eminente insígnia imperial. A obra, no entanto, foi somente finalizada em 29 de julho de 1836, dada a interrupção propiciada pela derrocada do império (1815).”

Para entender muito melhor a França do século XIX do que qualquer aula de história na escola, é só ler um dos meus romances preferidos, “O Vermelho e o Negro“, de Stendhal. Eu sou um pouco como o Julien Sorel e me senti com um espírito romanesco durante o período em que li esse fabuloso quadro da sociedade francesa. Ao procurar por uma imagem para esse livro,  li uma crítica da qual não concordo inteiramente, mas bem divertida aqui.

o-vermelho-e-o-negroEste é da edição linda da Cosac Naify. Eu tenho o antigão mesmo, de uma coleção de clássicos da literatura da Abril.

Enfim, com um espírito de século XIX, visitei esse monumento lindo e altivo, muito mais impressionante do que eu podia esperar.

DSC08188

Saltitando ao largo da Praça Charles de Gaulle, onde fica o Arco.

DSC08190

DSC08191

DSC08197

Uma das 12 avenidas que se irradiam da praça

E, finalmente, o Arco do Triunfo:

DSC08196

Ao olhar com cuidado, dá para perceber que há pessoas (turistas) atravessando o arco. Isso custa 10 euros e provavelmente uma hora em uma fila enorme. Não há necessidade, o arco é magnífico do outro lado da rotatória.

 DSC08194

DSC08193

O arco é muito rico em detalhes.

DSC08195

DSC08192

Depois de ficar boquiaberta no Arco do Triunfo, eu e Erik fomos a uma das 12 avenidas que saem da Praça Charles de Gaulle, uma das mais famosas de Paris: Champs-Élysées.

Uma noite na Bastilha

No primeiro dia em Paris, depois de comer um almoço delicioso no banquinho em frente ao hotel, Erik e eu passamos boa parte da tarde dormindo. Isso mesmo, dormindo, pois estávamos exaustos de tudo, de não ter dormido na noite anterior, da semana de trabalho. Quando acordei, me arrumei para a primeira noite na capital francesa, enquanto a chuva de granizo caía no fim-da-tarde, quase noite.

Não sabíamos onde ir, mas como Erik já havia estado em Paris mais de uma vez, inclusive quando a irmã mais velha morou lá, ele se lembrou de um nome sinônimo de boemia: Bastille. Esse nome é muito familiar, ao menos para quem se interessa por história moderna/contemporânea, já que foi aí que aconteceu o evento que pôs fim à Revolução Francesa: a Queda da Bastilha. Vamos relembrar as aulas de história do colegial:

“A Tomada da Bastilha (em francês: Prise de la Bastille), também conhecida como Queda da Bastilha, foi um evento central da Revolução Francesa, ocorrido em 14 de julho de 1789. Embora a Bastilha, fortaleza medieval utilizada como prisão contivesse, à época, apenas sete prisioneiros, sua queda é tida como um dos símbolos daquela revolução, e tornou-se um ícone da República Francesa. Na França, o quatorze juillet (14 de julho) é um feriado nacional, conhecido formalmente como Fête de la Fédération (“Festa da Federação”), conhecido também como Dia da Bastilha em outros idiomas. O evento provocou uma onda de reações em toda a França, assim como na Europa, que se estendeu até a distante Rússia Imperial.”

Fonte: Wikipedia

A prisão não está mais lá – bem, “queda” já deixa isso bem claro – e existe um monumento na Place de la Bastille, a praça onde a prisão se localizava. É muito fácil chegar à Place de la Bastille; a estação de metrô, pertencente à linha 1 amarela onde estão muitas das estações que levam aos principais lugares turísticos de Paris, fica bem na praça.

DSC08172

Estação de metrô (Bastille)

Para variar, encontrei alguma referência à Suécia na estação:

DSC08176

DSC08142

Place de la Bastille

O Erik sugeriu a Bastille por ser uma das vagas memórias de lugar legal para sair. A memória dele não falhou; a Bastille é realmente um bairro muito divertido, boêmio. Há inúmeros restaurantes, incluindo cozinhas que não a francesa, bares, cafés, lojas interessantes e mais. É uma ótima área para passar o fim de tarde até quase o fim de noite – os bares fecham por volta das três da manhã. Os franceses são boêmios, e vi muita gente jovem bebendo e fumando muito. Aqui na Suécia, há um controle efetivo no consumo de cigarros. Há fumantes, mas as campanhas anti-fumo tem sido bem eficientes. Hoje em dia não se vê tantas pessoas com um cigarro na boca, mas sim, com snus (um fumo em saquinho que você coloca na gengiva). Em Paris, pelo contrário, parecia que a regra era fumar. Como os franceses fumam!

DSC08144

Aqui era ainda sexta, mas na noite de domingo, nos sentamos para tomar uma cerveja nesse café de toldo vermelho ao fundo:

DSC08147

Muitos bares e restaurantes:

DSC08149

A rua abaixo é cheia de restaurantes de outras partes do mundo, além de bares:

DSC08155

Depois de sentar em uma café e tomar umas cervejas, fizemos uma janta tarde. Escolhemos um restaurante de comida francesa, claro, especializado em crepes, tanto salgados quanto doces. A massa era bem fina e escura, acho que talvez feita com farinha integral. Eu comi um crepe de quatro queijos (consegui engolir o chevré). Estava gostoso, o queijo estava bem derretido (para quem não sabe, eu detesto queijo em temperatura ambiente, só consigo comê-lo derretido), mas os crepes de rua que custam duas vezes menos são mais gostosos. O vinho branco era francês também:

DSC08158

DSC08160

DSC08161

Paraísos artificiais

DSC08164

Depois de comer, andamos muito por essa área. Vi mais cafés e bares como este:

DSC08169

Até chegarmos a um outro bar, bem estiloso, cheio de gente bem jovem. Foi lá que passamos o resto da noite, ouvindo música e observando os jovens hip parisienses.

Courbevoie e arte no distrito financeiro de Paris

Uma das melhores partes em se fazer estes posts sobre viagens passadas é exatamente relembrá-las. Não sei, mas Paris me deixou com uma impressão forte, uma saudade imensa. Que delícia de fim-de-semana que tivemos. O primeiro post da viagem à França mostrou o hotel e uma boulangerie com macarrons deliciosos – de verdade, pois eu os experimentei, a um euro cada. Agora vou aproveitar para mostrar o bairro onde fica o hotel, chamado Courbevoie, a 10 minutos do distrito financeiro de Paris, La Défense.

Courbevoie não tem nada de mais, mas é interessante por ser relativamente perto do centro de Paris (muito fácil e perto se você for de metrô), mas ao mesmo tempo mais reservado. Quase não vimos turistas, a não ser a meia dúzia que estava hospedada no hotel. É um bairro simples, sem nada de mais, mas pelo menos vimos pessoas comuns que vivem lá – velhinhas puxando o carrinho de feira, etc. Ou seja, é um bairro tranquilo para ficar, e ao mesmo tempo, com acesso fácil ao trem e metrô.

Courbevoie

O hotel ficava um pouco depois desse restaurante chinês. A ponte ao fundo é a linha de trem.

DSC08122

Bairro residencial:

DSC08128

Mas com muitos comércios daquele tipo que já morreu em cidades maiores (peixaria, loja de queijos, açougue, padarias e outros).

DSC08123

As boulangeries, como já mostrei no outro post, estão por todo lado. É uma tentação enorme, eu queria comer o tempo inteiro.

DSC08125

Estava um clima de primavera fria e chuvosa. Tinha acabado de chover, e ainda ía cair um pouco mais de água. A temperatura estava por volta de 10-13C, o que deixou os dois turistas suecos muito felizes.

DSC08129

O metrô fica a uns 10 minutos de caminhada do hotel. Fica em La Défense mesmo. Segundo a Wikipedia, La Défense é não apenas o centro financeiro de Paris, mas também o maior da Europa. Foi legal ter podido ver essa área, onde o povo corporativo trabalha. Do contrário, quando que eu iria visitá-la? Nunca. Não há nada para fazer por lá, só há shoppings. Os prédios são muito altos, bonitos. Não se compara a Manhattan, mas bonitos. Eu me senti um pouco em São Paulo ao caminhar para o metrô todos os dias.

La Défense

DSC08133

Bem perto da estação do metrô, ficava esse complexo com um tipo de anfi-teatro/palco gigantesco. Chama-se La Grande Arche de la Défense, construído por arquitetos dinamarqueses. O Erik deve ter sentido um feeling nórdico no monumento, pois ele adorou.

DSC08135

DSC08185

DSC08136

E tinha um dedo também. É uma escultura gigante chamada Le Pouce (“O Polegar”), do artista César Baldaccini, de Marseille. Aparentemente, há várias dessas esculturas de dedões espalhadas pelo mundo. Alguém já viu uma outra?

DSC08186