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Cenas de Palolem III: os cachorrinhos da praia e o fim da viagem à India

Uau. Este é o último post sobre esta longuíssima viagem que começou na Turquia em julho de 2011 e terminou, na verdade, no Brasil, hehe, em janeiro deste ano (2012). O itinerário Turquia (apenas um dia) – Malásia (2 semanas) – Tailândia (2 semanas) – Índia (3 meses) – Brasil (2 meses) foi fantástico, lógico, nem preciso comentar aqui. Acho que os trezentos milhões de posts deixaram isso bem claro.

Este último post sobre a Índia é fofinho. É só para registrar os puculinhos deliciosos que eu encontrei em Palolem. Um dos itens da lista de coisas a fazer em Palolem é brincar com cachorros. A praia está cheia, e muitos estão beeeem magrinhos, dá aquele aperto no coração.

Primeiro, conheci três pequenos, ainda filhotes, durante o dia, ao tomar sol. Eles estavam pele e osso, então comprei côco todos os dias para eles. Eles comiam a carne da fruta – aquele côco marrom com bastante carne – e usava uma das metades para dar água para eles. Eu acho que eles deram uma engordadinha, mas com certeza nem foi pelos côcos, mas pelos restos de comida que arranjavam à noite, na praia.

Um outro lindo que levamos para o quarto escondido por muitas noites e demos o nome de “Happy Puculinho”, pois a carinha estava sempre risonha:

Happy Puculinho no quarto

Pequenos na praia à noite (na fase de morder):

Brincamos com todos eles todos os dias.

Fim da viagem à Índia!

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Cenas de Palolem II: visita a Patnam

Patnam é uma praia vizinha a Palolem. Não tem o agito da primeira; é mais relaxada, menos “estragada”. Mais famílias se hospedam em Patnam e dá para praticar surf e kitesurf.

Alguns pegam rickshaws, mas eu e Erik fomos a pé. Dá uma boa caminhada, mas é totalmente possível. Há atalhos subindo o morro e pelas pedras entre Palolem e Patnam, mas nós tomamos o caminho mais longo na ida. Na verdade, mal sabíamos onde estávamos indo, mas chegamos. Bonita, Patnam vale a pena para dar uma variada de ares se você ficar por muito tempo em Palolem ou para ter mais tranquilidade, fugir de todos os turistas e comerciantes de Palolem.

A caminho de Patnam:

Praia de Patnam
Patnam

O céu trouxe umas nuvens pesadas para Patnam. Logo começaria a chover e nos abrigamos em um bar bem legal para tomar uma cerveja:

A chuva acabou por não chegar, mas o céu ficou um espetáculo de bonito:

Chuva ao longe

Em Palolem, o pôr-do-sol era lindo todos os dias.

Pôr-do-sol em Palolem

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Cenas de Palolem I: boa vida na praia

Depois do cassino flutuante de Panaji, fomos para Palolem, também em Goa. Não, Palolem não é uma cidade. É uma praia, com alguns conjuntos de casas ao redor e muitas, mas muitos chalés à beira da areia, lojinhas, comércio e restaurantes, todos voltados aos turistas pseudo-hippies que se hospedam por lá. Palolem, que fica na municipalidade de Canacona, já foi considerada um paraíso. É linda, sim, mas bem explorada. É o tipo de lugar ideal para quem quer descansar, mas não estar totalmente em paz. Ou seja, sobra outros turistas para conversar, fazer amizade e beber uma cerveja nos muitos bares/restaurantes da praia à noite. Foi aí que eu e Erik passamos nossas últimas três semanas na Índia. Sim, os posts sobre a viagem pela Índia estão chegando ao fim.

Conseguimos um quarto em um hotel bem simples. A situação foi se agravando ao passar dos dias, pois o banheiro inundava quando tomávamos banho. O quarto foi ficando sujo… Mas enfim, estávamos em Goa e quem iria passar muito tempo dentro do quarto, não é mesmo? Mas o que eu fiz por lá? Não muito. Lista das atividades:

  • Dormir
  • Tomar brunch em um café indiano/israelense diariamente (uma delícia de sanduíche de queijo derretido em pão croissant)
  • Ir à praia, tomar sol e nadar
  • Ler
  • Brincar com cachorros
  • Tomar sorvete no Baskin Robbins (maior rede de lojas especializadas em sorvete do mundo, americana). A pequena sorveteria ficava na entrada do nosso hotel, com sorvete a preços indianos.
  • Jantar em um dos quatro restaurantes preferidos
  • Sentar na areia e tomar vinho à noite
  • Farrear e beber cerveja no único bar da praia aberto até tarde

Não é uma lista longa.

Vamos tomar uma olhadela mais de perto no tópico de número seis “jantar em um dos quatro restaurantes preferidos”. Palolem oferece uns restaurantes com comida deliciosa que deixa saudade de verdade:

  • Smuggler’s Inn: apesar de ainda estar arrumadinho, tem um certo ar de decadência, do tipo, “não conseguimos mais clientes”, “os bons tempos se foram”, apesar de a comida indiana que eles servem ser divina. Há que provar o arroz biryani e outras delícias. Eles ainda têm noites especiais, com duas cubas libres pelo preço de uma (tipo uns 3 reais para um copo cheio de rum – altíssimo custo-benefício).
  • Casa Fiesta: oferece comida mexicana boa de verdade. Eu duvidei, mas quando comi as fajitas vegetarianas, uau…
  • Cheeky Chapati: um dos melhores hamburgueres vegetarianos que já comi. A receita é da dona do restaurante e ela não a dividiu comigo. O sanduíche levava o hambúrguer delicioso, mais queijo provolone de verdade. No prato, batatas fritas ao estilo inglês. Divino!
  • Magic Italy: é um dos melhores restaurantes que eu já fui. É negócio de família, italianos de verdade, que falam italiano o tempo todo entre si. A dona traz os pratos mais especiais (como a lasanha de massa fresca) na sua mesa. A pizza, bem italiana, massa fina, pouco queijo, é um espetáculo, assim como o fetuccine. Azeite de verdade!

Tudo a preços indianos.

Passamos muito bem essas três semanas.

Cenas de Palolem

Casa de moradores do local

Há católicos em meio aos indianos, já que se trata de Goa:

Teve até procissão da santinha até o hotel onde eu e Erik nos hospedamos:

Procissão
Praia (famosa pelos coqueiros que se curvam em direção ao mar)
Vacas na praia

Bangalôs ao pé da praia

Passamos todos os dias aqui:

Tudo parece uma maravilha, mas há um aborrecimento: o comportamento dos turistas indianos homens, que parecem que nunca viram mulher de bíquini antes – literalmente. Eles te seguem, tiram fotos… Eu fui perseguida dentro do mar. Rolava sempre uma tensão para ir nadar, pois tinha que ficar de olho se não havia “cabecinhas flutuando” ao longe na água. Dica: nadar para o fundo. A maioria não sabe nadar, mesmo. Muitos cheiram à bebida, o que é uma péssima combinação, pois muitos também não sabem/podem beber; não estão acostumados, já que beber álcool em público não é bem socialmente aceitável entre os mais tradicionais. Detalhe extra: eles não usam sungas, nem calções, mas cuecas daquelas meio larguinhas.

Fuja dos amontoados de homens em Goa.

Pôr-do-sol em Palolem
Fim de tarde, maré baixa

Casino

Finalmente Goa: apostando nos casinos de Panaji

Finalmente Goa! Quem me conhece há vários anos e tem boa memória, sabe que eu sempre repeti aos ventos que abandonaria tudo e iria morar em Goa. Enamorada de uma Índia mítica e mística, nem sabia que Goa não é uma cidade, mas um estado e que a “glória hippie” da década de 70 já desapareceu há muito. Eu romantizei muito a minha ideia de Goa e da Índia no geral e eu e Erik chegamos a planejar passar quase todos os meses dessa viagem por lá. Ainda bem que não foi assim. Não me entendam mal, mas nada dessas fantasias eram reais. As duas cidades visitadas, Panaji e Palolem são legais – Palolem é uma delícia – mas nada como a minha imaginação pretendia.

Goa é o menor estado indiano em área e o quarto menor em população, mas é o mais rico do país. Os portugueses chegaram a essa parte no século 16 e só sairam de lá em 1961, assim como Diu. A primeira cidade visitada foi Panaji, capital de Goa:

Não há muito o que fazer em Panaji, a não ser andar pelas ruelas preguiçosas, ler as placas em Português, tentar falar Português com um e outro morador e… jogar dinheiro fora nos cassinos de Panaji!

Ruas de Panaji

Panaji é famosa pelos cassinos localizados em barcos. Acho que é pela questão da legalidade do jogo. Se os cassinos estão no meio da água, parece que não é jurisdição de ninguém, é uma brecha no sistema. Claro que Erik estava animadíssimo para jogar pôquer com indianos em um cassino flutuante de Goa. Melhor do que isso, só Macao, China. Fomos no dia em que havia um preço especial para casais, então a minha entrada foi gratuita, mas a do Erik custou uma grana, afinal ele iria jogar.

Eu amei a visita ao cassino. Primeiro, pegamos um barco até o “navio” que fica ancorado no meio do mar. O navio-casino é luxuoso, mas brega ao mesmo tempo, com aquela estética que só cassinos possuem. Era open bar. Imaginem, eu, em um cassino open bar. A comida era inclusa também, enquanto se jogava qualquer coisa e um restaurante com bufê delicioso. Novamente, quem me conhece, sabe como eu amo um bufê-coma-até-morrer. Então imaginem, eu, em um cassino open bar com bufê incluso.

O barco que nos levou ao navio-cassino saiu daqui.
Casino

Bufê

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Cenas de Mumbai III: a profunda disparidade indiana

Como prometido no primeiro post da série Mumbai, aqui vai um pouco do  mostrado no filme “Quem quer ser um milionário?”, mas real. Não é a primeira vez que posto fotos mostrando a miséria indiana, mas Mumbai é singular por abrigar tanta riqueza e pobreza juntas, lado a lado. Seria comparável a São Paulo e Rio de Janeiro. É um grande paradoxo, mas faz parte da paisagem de Mumbai e se torna comum, normal.

Há ruas amplas, arborizadas:

Na mesma rua:

Ali por perto, fica o Dhobi Ghat, no bairro de Mahalaxmi. “Dhobi” é a palavra usada para designar a pessoa especializada em lavar roupas e “ghaat” todos já sabem, é o lugar onde se lava roupas ou a si mesmo. Dhobi Ghaat é simplesmete a maior lavanderia a céu aberto do mundo. É lá que diariamente indianos lavam e passam milhares de peças.

É impressionante!

Dhobi Ghaat

Também na mesma região, fica a mesquita Haji Ali, importante para a população muçulmana da cidade. A mesquita fica nas águas do Mar Arábico. A caminho da mesquita:

 

Mesquita Haji Ali

Mumbai é assim, sintetiza perfeitamente o abismo social na Índia.

De Mumbai fomos para o lugar que eu sempre acreditei que fosse visitar. Lembro-me de muitas vezes dizer, quando estava no colegial, que iria morar em…… Goa! Foi o lugar preferido dos hippies na Índia há décadas atrás.

Estúdio Filmstan (o nome parece inventado, não?)

Cenas de Mumbai II: extras em Bollywood

Antes de chegarmos ao assunto prometido no post anterior, o “Quem quer ser um milionário?” da vida real, o choque de pobreza e riqueza juntas, trago aqui um dos motivos de esta cidade ser tão rica: a grande indústria cinematográfica indiana, Bollywood. Os estúdios de Bollywood ficam em Mumbai. E adivinhem? Eu e Erik fomos convidados a ser extras em um filme de Bollywood! E não foi qualquer um, foi uma produção grande, um dos blockbusters do ano: Housefull 2. O curioso é que assistimos ao primeiro da sequência no começo da viagem. Por uma coincidência, fomos convidados a fazer parte da sequência do filme que havíamos visto na TV. Todos são estrelas por lá.

Não é assim tão difícil receber esse convite. Ande bastante pela Colaba, principalmente na rua do Leopold’s Café (tome cervejas lá todos os dias, se necessário) e se vista de gringo. Pronto, o convite está feito. Eu e Erik estávamos justamente caminhando por essa rua, quando um assistente de produção nos abordou e perguntou se estaríamos interessados. Lógico, esta é quase uma experiência obrigatória em Mumbai. Acho que quem acompanha este blog deve se lembrar de que também fomos extras no Taj Mahal, mas desta vez para uma produção de TV israelense.

No dia seguinte, pegamos uma van cheia de outros turistas e nos dirigimos ao estúdio. O dia começou com a produção: roupa, cabelo e maquiagem. Eles gostaram da que eu já tinha no rosto, então nem me maquiaram.

Estúdio Filmistan (o nome parece inventado, não?)

A imaginação da maioria inventa um cotidiano glamouroso em um set de filmagens, mas a realidade está bem longe disso – ao menos para extras:

Produção
Extras
Extras diretamente de Isle of Wight, Inglaterra
E mais extras!

Gravamos o dia inteiro, apenas cenas do final do filme, a parte mais importante, que é um casamento indiano.

Erik é ajudado por um outro extra, alemão.

A produção decidiu barbeá-lo, mas deixaram o bigode:

Erik de bigode

Extras em Bollywood

Após um longuíssimo dia, estávamos exaustos. É divertido, mas é bem cansativo. Passei o dia de salto, esperando, andando para lá e para cá, ficando em pé com cara de paisagem. Eu acho que devo, sim, aparecer em algumas cenas, pois fiquei bem atrás da atriz principal no clímax da festa, quando ela leva um tapa na cara do pai. Fiquei bem focada durante toda a cena da discussão. Tentarei baixar o filme para contar os segundos de fama. Depois do dia exaustivo, a recompensa:

PS: este post vai especialmente para a Valéria, que estava curiosa para saber dessa empreitada.

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Cenas de Mumbai I: onde o dinheiro está

Após a selva, Erik e eu fomos para a selva urbana: Mumbai (ex-Bombaim). Como sintetizar o que é esta cidade? Bombaim é como a São Paulo da Índia, o centro finaceiro do país. A capital da Índia é Nova Delhi, mas o dinheiro e o glamour de Bollywood não está lá, mas em Mumbai. Mumbai fica no estado de Maharashtra:

Bombaim ou Mumbai (em marata मुंबई, Mumbaī, em inglês Mumbai ou Bombay) é a maior e mais importante cidade da Índia, com uma população estimada em 12 478 447 habitantes (2011[1]) residindo apenas em seu núcleo urbano, ou 20 748 395, se consideramos sua região metropolitana, conhecida como Grande Mumbai, a segunda maior do país[2] — atrás apenas da Grande Deli — e a 4.ª mais populosa do mundo.

[…]

As sete ilhas que vieram a constituir Bombaim são habitadas, há séculos, por nómadas que tinham como a pesca a principal fonte de sobrevivência. Durante séculos, as ilhas ficaram sob o controle de sucessivos impérios indianos, antes de ser cedido ao Império de Portugal e, posteriormente, a Companhia Britânica das Índias Orientais, controlada pelo Império Britânico.

[…]

Todos esses atributos fazem com que a cidade seja considerada a mais rica do país, com um Produto Metropolitano Bruto (PMB) estimado em US$209 bilhões em 2008,[3] segundo cálculos da PricewaterhouseCoopers, e correspondendo a cerca de 5,5% do PIB do país. A cidade ainda é responsável por quase 70% de todas as transações comerciais e financeiras da Índia.” (Olha aí, Val, a Price)

Mumbai é agradável. Gostei bastante, mais do esperava. Passei uma semana no bairro onde 99% dos turistas (principalmente mochileiros) ficam e onde há bastante agito, restaurantes, bares: Colaba. Mumbai foi a primeira cidade que realmente me passou um feeling de ser uma cidade propriamente dita. Ou seja, o tipo de cidade urbanizada que eu estava acostumada. É tudo uma questão de referência, não? Uma semana passou rápido, pois a cidade é enorme e há sempre algo a se fazer. Fui a muitos restaurantes, alguns barzinhos e até duas baladas. Mumbai tem de tudo. É uma Índia caminhando para o modo de vida ocidental; é muito interessante ver os jovens classe média em locais c0mo os citados acima. É um meio de caminho entre a tradição, a cultura e a ocidentalização.

Colaba (você acabará se hospedando aqui se for a Mumbai)
Lojas caras
O tradicional Leopold’s

Mumbai é cheia de construções imponentes da época em que estava sob domínio britânico. O prédio abaixo é um hotel luxuoso:

Taj Mahal Palace & Tower
Carruagem para turistas
Gateway of India (Portal da Índia)

Um monumento em formato de arco, muito visitado por turistas, muitos destes indianos. É um ponto popular para os jovens passarem tempo, ver e ser vistos; é um “passatempo” gratuito. Mas aparentemente, segundo a Wikipedia, a construção não traz boas memórias:

“It is the place where the Viceroys and Governors used to land upon their arrival in India. The Gateway of India, though built as a welcome to King George V for his visit of 1911, then an event of grand significance for British India and the British empire, today serves as a “monumental memento” of colonialisation and subjugation by the British over the people of India.[11] Built right next to the imposing and prestigious Taj Mahal Palace & Tower hotel,[22] for Britishers arriving for the first time to India, the gateway was a symbol of the power and majesty of the British empire.[3]

Gateway of India

Mais prédios característicos de Mumbai, em torno do mesmo bairro, Colaba:

National Gallery of Modern Art (NGMA) (Galeria Nacional de Arte Moderna)

Também localizada em Colaba, existe uma outra unidade na capital Nova Delhi e é a principal galeria de arte da Índia. Logicamente que não se pode tirar fotos, mas tentei uma vez:

Como explicado no ínicio do post, há muito dinheiro em Mumbai…

Carro estacionado em Colaba

… mas também muita miséria, como mostra o filme “Quem quer ser um milionário?” (Slumdog Millionaire), de Danny Boyle. Mumbai, talvez por ser o centro financeiro do país, é uma cidade de contrastes fortíssimos; pobreza e riqueza podem estar a apenas um metro de distância. No próximo post, um pouco de “Quem quer ser um milionário?” da vida real.