Onde ficar em Milão e uma noite no teatro Scala

A resposta para a primeira pergunta implícita no título do post é simples: Navigli! Navigli é um distrito boêmio cheio de bares, pubs, restaurantes, ateliers de arte, música ao vivo e todas essas coisas que são as melhores nesse tipo de viagem. Há vários “Navigli“, de acordo com a Wikipedia, que costumava ser uma rede de canais, hoje abandonados. Naviglio Grande é a área onde fiquei, bem hip – tinha até uma lanchonete fast-food 100% vegana, além de lojas vintage.

Naviglio Grande
Naviglio Grande

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Atelier
Atelier

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O que é bem gostoso em Naviglio Grande são os restaurantes e cafés com suas mesinhas no passeio, à beira do canal. Sentar a uma delas e tomar um café ou outro drink ao sol é uma excelente maneira de passar parte do dia. Principalmente se também envolver comida. Foi o que fizemos em um dos restaurantes mais lotados:

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Pizza em Naviglio

Há com certeza melhor pizza do que essa; muitos dos restaurantes são bem turísticos. Mas ainda assim, fora a pizza ter sido saborosa, o melhor foi ter sentado ao sol e observado as pessoas que passavam. A concorrência para conseguir uma mesa é quase impossível. À noite também não faltam restaurantes nem bares. Achamos uma pérola, um restaurante cheio de italianos mesmo, com um menu pequeno, escrito à mão, e decoração rústica. A comida era muito boa, preços muito baratos, mas porções bem pequenas. Fino. Infelizmente, não me lembro do nome.

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As cervejas especiais têm bastante espaço em vários pubs/bares do local. Um excelente bar que serve suas próprias cervejas artesanais, bem pequeno, é o BQ Birra Artigianale. Para drinks refinados e uma atmosfera quase perfeita, o Ugo Bar, bem próximo ao BQ Birra, é ótimo.

Um dos muitos bares com boas cervejas. Já não me lembro do nome.
Um dos muitos bares com boas cervejas. Já não me lembro do nome tampouco.

Voltando para os arredores da praça central de Milão, onde fica a famosa catedral de Duomo, vamos agora a um outro tipo de atração na cidade, uma atração historicamente exclusiva ao aos nobres e abastados: o Teatro alla Scala, ou La Scala, como é conhecido, uma das casas de ópera mais famosas do mundo.

La Scala, Milão
La Scala, Milão

Eu e Erik demos uma de refinados, compramos entradas que não as mais baratas, mas as segundas mais baratas, e fomos a essa casa de ópera assistir a um balé! Gente, todo mundo deveria fazer isso. Não digo exatamente ir ao La Scala, pois nem todos trilham os mesmos caminhos, mas é bom ficar ligado nas casas de show e teatros na sua região, pois muitas vezes há espetáculos bons e gratuitos. Mais do que pelo espetáculo, muitas casas valem pelo nível do estabelecimento em si. O La Scala é lindo! Eu nunca tinha entrado em uma casa de ópera antes. Que luxo.

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Assentos caros

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Uma coincidência muito legal é que estou lendo Adeus às Armas (Farewell to Arms) do Hemingway nesses dias em que escrevo estes posts sobre Milão, e algumas partes da narrativa se passam lá, inclusive há menções ao La Scala e à galeria do último post. Enfim, referências literárias à parte, fora eu ter podido apreciar a beleza do teatro, a apresentação foi boa. Eu não entendo nada de balé, apesar de ter dado os meus pulos quando criança, mas gostei. Gostei mais ainda por ter caído no sono. Sim, eu caí no sono durante o balé, aquele sono pesadamente leve, irresistível, que não há como escapar. Perdi algumas partes, mas o balé era bem monotônico, então capturei o conjunto da coisa de qualquer maneira. Não acho que o meu cochilo ateste a chatice do balé; pelo contrário, atesta o conforto da obra. Mesmo que eu invariavelmente caísse no sono em cada ópera e balé que assistisse, iria continuar frequentando esses eventos. Foi um sono bom.

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Balé no teatro La Scala

E chega ao fim a “série” de posts sobre essa viagem curtinha à Itália. Nos próximos posts, mostrarei um pouco de Lund, onde morei até Junho deste ano, e também mais uma edição do Psykjunta, festival psicodélico em Småland.

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O centro de Milão: catedral Duomo e um dos shoppings mais antigos do mundo

Os próximos posts neste blog, assim como o último sobre a festa de formatura do mestrado, mostrarão um pouco do que fiz neste primeiro semestre deste ano até agora, a metade, o mês de julho. Assim que eu voltei do Brasil, no dia 02 de março, não se passaram nem dois dias e eu e Erik fizemos uma mini-viagem à Itália. Eu nunca tinha estado nesse país, então foi super excitante.

Eu tinha uma imagem não muito positiva da Itália, algo como um país meio decadente, já saudoso dos tempos mais prósperos. Devo esse estereótipo a certas imagens que tenho da classe média besta brasileira da região de onde venho, sempre colocando nomes italianos em tudo, prédios, restaurantes… Essa breguice de síndrome de cão vira-lata. Mas mudei de ideia, não a respeito da classe média, mas da Itália. É um país lindo – ao menos o pouco que vi em quatro dias. Adorei.

Eu e Erik passamos um fim-de-semana prolongado em Milão, dita capital da moda italiana. O que queríamos era celebrar a minha volta à Suécia, e não há nada melhor do que uma viagem a dois desse tipo, tranquila, gostosa, sem mochilão. Para namorar muito, comer e dormir.

Já começo com uma foto minha a caminho de uma das principais atrações da cidade. Infelizmente, como já faz tempo, não me lembro de todos os nomes dos lugares. Essa foto mostra um pouco de algumas ruínas em uma rua cheia de butiques vintage muito legais, localizada entre a área onde me hospedei (Navigli) e a praça principal de Milão (Piazza del Duomo) na parte central da cidade.

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Um dos principais pontos turísticos a se visitar em Milão – e vale a pena, pela beleza – é essa praça que acabei de mencionar, onde fica a Duomo di Milano, a catedral da cidade. É a praça central; a praça em si é bem bonita, mas está cheia de poluição visual: outdoors da H&M, faixa do Mc Donald’s, o que estraga um pouquinho da suntuosidade da arquitetura. Mas não é nada que estrague o passeio, claro

Os dias de primavera estavam lindos, claros, frescos, uma temperatura por volta de 10C. Depois de sete meses de verão na Jamaica e no Brasil, eu não me importei em nada de pegar um “inverninho” na Itália. Vejam a cor do céu:

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Duomo di Milano (catedral) na Piazza del Duomo (praça), Milão

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Monumento ao Rei Victor Emmanuel II
Monumento ao Rei Victor Emmanuel II

A catedral é linda, se compara à Catedral de Notre-Dame na minha opinião. De acordo com a Wikipedia, a catedral levou seis séculos para ser construída. É a quinta maior do mundo e segunda da Itália.

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Porta trabalhada
Porta trabalhada

A entrada é gratuita.

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Quem foi criado com um pouquinho que seja de tradição católica (ir à missa uma vez ao ano, funerais e casamentos), deve reconhecer o drama da decoração católica.

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Nessa catedral tem a coisa que mais gosto de ver em uma igreja. Por conta de uma curiosidade mórbida, ou gosto pelo mistério, sempre adorei ver corpos mumificados nas igrejas:

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É de verdade. Eu me agachei e consegui ver uma partezinha do crânio.

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Na mesma praça, à esquerda da catedral para quem a olha de frente, fica uma outra atração muito famosa: a Galleria Vittorio Emanuele II, um shopping arcade, ou centro comercial em uma arcada, um dos shopping centers mais antigos do mundo, construído no século 19. O arco que marca a entrada é divino, mas a façada estava sendo reformada e tudo estava coberto por um anúncio gigante da H&M. Dentro, o centro é amplo, o teto é altíssimo com uma abóbada ao centro, e há lojas das mais finas. Muitos dos turistas que vi estavam apenas olhando e tirando fotos, como eu.

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Galleria Vittorio Emanuele II, Milão

Havia também várias pessoas vendendo flores e pequenas bugigangas, mas quando os seguranças chegavam, o povo corria. Adoro esse contraste de riqueza do outro mundo com a vida real. Os vendedores de flores & bugigangas são bem insistentes e estão não só aqui, nessa galeria, mas como também na praça. Muitos são imigrantes.

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Perto de uma das saídas da galeria, fica o famoso Teatro alla Scala, mas só o mostrarei em um outro post. Nessa mesma área, ao redor da praça, perto da galeria e do teatro, há muitas e muitas ruas de comércio.

Comércio
Comércio

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Mais para perto da catedral e dos museus ao pé dela, há vários restaurantes também. Achamos, sem querer, uma padaria que foi assim o meu lugar preferido para comer em Milão – e experimentamos vários. É uma padaria (rede) que vende de tudo: pizza, focaccia e muitas delícias. Chama-se Princi. Não é caro, perfeito para café-da-manhã, almoço… Mas também um jantar cedo, por que não? Para quem gosta de pizzas e pães maravilhosos… Eu, apesar de não gostar de rotina, também sou uma pessoa de hábitos circulares, assim como os cachorros (foi o Milan Kundera que escreveu que os cachorros tem uma noção de tempo circular). Assim, quando eu descubro um lugar para comer que amo, quero sempre voltar lá, frequentemente, e comer a mesma coisa. Por isso fomos a Princi acho que em três dos quatro dias que ficamos em Milão, para um “almoço” bem tarde. Essa padaria fica na Via Speronari, a menos de cinco minutos da praça Duomo.

Comida deliciosa no Princi
Comida deliciosa no Princi

Não faltam alternativas ótimas para comer em Milão. A cidade é cheia de restaurantes, padarias, bares, confeitarias… A comida estava uma delícia em todos os lugares que comi. A pizza, o macarrão, os pães são muito bons. Amei a comida lá.

Uma das muitas delicatessens em Milão
Uma das muitas delicatessens em Milão