Trench Town Yard – onde Bob Marley morou antes da fama

Já faz tempo que fui embora da Jamaica. Deixei a capital, Kingston, no comecinho de dezembro do ano passado. Nesse meio tempo até já escrevi uma tese. Ainda assim decidi mostrar mais uma atração e três lugares que visitei na ilha já no fim do meu trabalho por lá. Os posts serão bem curtinhos, é mais para dar um gosto e mostrar opções legais para quem tiver interesse de visitar a Jamaica.

Este post, então, é para mostrar o Trench Town Culture Yard, onde fica a casa onde Bob Marley morou com sua esposa por um bom tempo antes da fama. Esses yards, comunidades, foram construídos pelo governo da década de 40 para abrigar moradias populares. De acordo com o Jamaica National Heritage Trust, órgão responsável por conservar a herança cultural/arquitetônica do país, as casas eram organizadas no formato H, S, T e U, formando uma “comunidade”. Cada moradia tinha uma área de 10×10.

Bob Marley aprendeu a tocar guitarra quando viveu em uma dessas moradias populares em Trench Town, Kingston. Foi aí também que ele escreveu No Woman No Cry, recontando as memórias da vida nesse que é hoje um dos bairros mais violentos de Kingston.

“Cause, cause, cause, I remember when we used to sit
In the government yard in Trenchtown,
Oba – obaserving the ‘ypocrites
As they would mingle with the good people we meet

[…]

Said, said, said, I remember when-a we used to sit
In the government yard in Trenchtown.
And then Georgie would make the fire lights,
As it was logwood burnin’ through the nights.
Then we would cook cornmeal porridge,
Of which I’ll share with you,”

Esse Georgie da letra de No Woman No Cry foi quem conheci no museu do Bob Marley, a casa e estúdio onde o artista morou depois da fama.

A comunidade de casas populares de Trench Town se tornou um centro cultural por conta do ilustre ex-morador. Não é difícil ter acesso para a visita, mas é importante tomar um táxi de confiança e não ficar perambulando por Trench Town.

Trench Town Cultural Yard Museum
Trench Town Cultural Yard Museum

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Cada porta acima era um “quarto” de família. Este era o de Bob Marley:

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Condições terríveis, não?

O museu é interessante de visitar e não leva muito tempo. É bem diferente do outro museu que visitei, bem adaptado a servir os turistas.

A casa (museu) de Bob Marley

No comecinho de setembro, depois de um mês de Jamaica (hoje já faz três meses e meio que estou aqui), eu e Mirsini visitamos o Museu do Bob Marley, a casa onde Bob Marley viveu desde 75 até sua morte em 81. Quem acompanha este blog deve estar pensando “Poxa, finalmente algo sobre o Bob Marley!”. Pois é, Jamaica tem mesmo muito a ver com o ele. Este é um dos estereótipos que se confirmou. A bem da verdade, seria desrespeitoso falar que a admiração por Bob Marley é como o estereótipo Jamaica + Bob Marley. Bob Marley aqui é muito mais do que isso, é parte integral da cultura Jamaicana e fonte de orgulho e inspiração para muitos que conheci por aqui, de classes sociais bem distintas.

O museu fica na Hope Road, uma das principais avenidas da cidade. Já não me lembro bem quanto custa para entrar, mas é algo em torno de 800 a 1000 dólares jamaicanos (entre 8 e 10 dólares americanos).

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Entrada do museu

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A área externa do museu é bem ampla e há vários muros pintados com imagens de Bob Marley, sua família e outros escritos rastas. Há também um café com uns rapazes rasta bem simpáticos. Servem café, cerveja e algumas comidinhas vegan.

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"Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6".
“Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6”.

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Ainda na parte dianteira da propriedade, logo em frente ao portão, há uma estátua em tamanho real de Bob. Ele era baixinho. Infelizmente a cara da estátua não é muito parecida com as tantas fotos lindas em preto-e-branco que vi na sala ao fundo da propriedade, umas das coisas que mais valem a pena na visita.

Bob Marley em tamanho real
Bob Marley em tamanho real

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A cara não é parecida.

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O rapaz da segurança não conseguiu tirar uma foto muito decente de Mirsini comigo e Bob, sempre faltou uma cabeça, então vai esta mesmo:

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A visita é um tour guiado pela casa, que também abrigava a gravadora do The Wailers. Há salas com vários discos de ouro, recortes de jornal, o estúdio onde muitas canções foram gravadas, o quarto original de Bob, a cozinha e outras coisas mais.

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Entrada da casa

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A foto acima é a última tirada dentro da casa, pois é proibido. A guia contou que Bob costumava correr escada acima pulando de três em três degraus para manter a forma. Estou precisando seguir esses tipos de conselho.

A pintura da lateral direita é muito legal:

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Nos fundos da propriedade há a sala das fotos, que mostram muitos momentos distintos na vida do artista. Há também a loja de souvenirs, lógico, muitas plantas e as casas dos conhecidos de Bob que permaneceram ali.

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Fundos

O que adorei foi ter conhecido Georgie, quem acende a fogueira em No Woman No Cry:

Said, said, said, I remember when-a we used to sit
In the government yard in Trenchtown.
And then Georgie would make the fire lights,
As it was logwood burnin’ through the nights.
Then we would cook cornmeal porridge,
Of which I’ll share with you,
My feet is my only carriage,
So I’ve got to push on through.

Sim, essa pessoa existe, morou com Bob Marley no mesmo conjunto de quartos em Trenchtown, bairro muitíssimo pobre de Kingston o qual visitei há duas semanas atrás. Georgie mora em uma casinha nos fundos do museu, onde aparentemente já estava quando Bob morava lá também. O que mais tenho gostado daqui é de como desenvolvi uma nova relação com a música de Bob Marley, que agora tem outro significado, muito mais emocional e verdadeiro para mim. E nem sou assim uma fã tão grande.

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Lá também conheci um percussionista que tocou com Bob:

Mirsini e percussionista
Mirsini e percussionista
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Parede da lojinha de souvenirs

Só na Jamaica encontro placas como esta:

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Por favor tome cuidado com as mangas que caem.

Ainda na parte de trás, vi a sala onde Bob sofreu uma tentativa de assassinato (já falei que esta cidade é perigosa – a história toda você lê aqui).

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A sala do tiro

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Também na parte dos fundos ficam os degraus onde Bob se sentou em uma manhã e compôs Three Little Birds:

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Voltando a frente da casa, conheço mais um conterrâneo de Bob.

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Infelizmente, eu já me esqueci de seu nome, mas ele era muito simpático, contou algumas histórias e falou que podia nos levar para dar uma volta pelos bairros onde Bob andou, haha.

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Mais murais pintados:

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Em suma, o tour não é assim uma coisa extraordinária, mas vale bastante a pena ver a casa, os murais, as fotografias, as pessoas, o estilo rasta. Eu fui também à casa de Bob antes da fama, quando era bem pobre em Trenchtown, à qual mostrarei em um outro post.

Fama pós Dia das Nações Unidas 2014

Saí na edição impressa do principal jornal Jamaicano, o Jamaica Observer, após a festa luxo do Dia das Nações Unidas 2014. Estou na mesma página que o diretor do FMI na Jamaica – aí já não sei se isso é coisa boa – e, claro, na mesma página que os meus chefinhos.

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Coluna social do Jamaica Observer

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“As estagiárias Mirsini Kazakou (à esquerda) e Camila Azevedo tiram uma folga de suas tarefas no escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento”

Próxima parada, secretária-geral da ONU.

Dia das Nações Unidas

O post sobre as belezas naturais da Jamaica ficará novamente para a próxima vez. Ao invés de natureza, vou escrever sobre o Dia das Nações Unidas como pretexto para contar um pouco – bem pouco – do meu trabalho no PNUD. O PNUD é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a agência do sistema ONU que trata do “desenvolvimento“. A ONU é mais conhecida  pelo trabalho da UNICEF (crianças), UNESCO (patrimônio cultural) ou do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Eu mesma, antes de começar o mestrado, não tinha ideia do que a ONU realmente é e o que de fato faz. O PNUD é um mistério para quem não estuda/trabalha na área de desenvolvimento internacional, relações internacionais e outras. Mas é onde estou fazendo o meu estágio atualmente, e é onde eu aprendi muito bem o que faz o PNUD.

Na sexta dia 24 de outubro foi comemorado mundialmente o Dia das Nações Unidas. Aqui na Jamaica, houve um coquetel chique com todas as agências, alguns ministros e outras personalidades da área em um hotel fino, o Pegasus. Eu e Mirsini fomos, lógico. Houve discurso do Ministro das Relações e Comércio Exterior, seguido pelo discurso do meu superior, o chefe do sistema ONU no Caribe. Depois algumas criancinhas apresentaram uma coreografia bem feliz. Tudo para mostrar ao mundo o trabalho que o sistema ONU presta.

20141024_212459Eu e Mirsini com o pessoal do PNUD Jamaica no Dia das Nações Unidas

Ainda não dá para falar muito das coisas mais interessantes. O meu trabalho no escritório tem um escopo limitado. Eu e Mirsini temos que dar conta de três “projetos” que são exigência da universidade, mas que devem ao mesmo tempo atender aos interesses da organização. Em suma, temos que prestar um serviço de valor. Os “projetos” têm a ver com o alinhamento estratégico do PNUD Jamaica com o PNUD global, além de também estar trabalhando com uma proposta para angariar recursos para um projeto de acesso à água e saneamento básico e uma análise sobre eficácia do desenvolvimento no país. Parece tudo muito importante e legal, mas garanto que não é tanto. Também acabo ajudando em outros projetos. O melhor desse escritório são as pessoas; gosto muito da maioria.

O estágio, como já escrevi há algum tempo atrás, é obrigatório no programa de mestrado. Tenho que admitir que ando aprendendo muitíssimo, tem sido uma experiência muito curiosa e interessante, principalmente para compreender mais sobre a arquitetura do poder na política. Vou terminá-lo já por volta do dia 18 de novembro, o que é uma pena, pois seria mais frutífero se eu tivesse mais tempo para aprender e digerir a experiência. A boa notícia é que estou me dando bem no escritório, e as pessoas parecem gostar da nossa contribuição. Assim que o 18 de novembro chegar, vou passar umas duas, três semanas viajando pela Jamaica até embarcar para o Brasil no começo de dezembro. Aí começa outra luta: o trabalho de campo para minha tese de mestrado. Medo.

Quem quiser saber mais sobre como conseguir um estágio na ONU, é só deixar um recado.

Rastas e veganos em Kingston: Veggie Meals on Wheels

No post passado, apresentei dois restaurantes cuja comida não vale muito a pena, apesar de o ambiente de um deles ser muito legal. Agora mostro um lugar que vale a pena ir, pois tanto o ambiente quando a comida são bacanas: Veggie Meals on Wheels (algo como “Refeições vegetarianas/veganas sobre rodas”). Esse restaurante é uma área rasta “no bones” como eles mesmos denominam: “sem ossos/espinhas”, ou seja, vegan. Não sou vegan, sou vegetariana, mas tenho alguns hábitos vegan. Gosto muito de comida vegan bem-feita, e acho uma pena que as pessoas descartem essa opção por experimentarem coisas ruins, feitas por quem não está acostumado(a) a cozinhar esse tipo de comida. Pois bem, em Veggie Meals on the Wheels, você pode ter um gosto do que é comida vegan gostosa. Não é o melhor que já provei, mas pretendo voltar lá muitas vezes.

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Praça Regal, Cross Roads, onde fica Veggie Meals on Wheels

O ambiente é formado por dois trailers de comida (food trucks) e um café. Veggie Meals on Wheels é um dos trailers.

IMG_1577Veggie Meals on Wheels

O outro trailer não é vegano nem vegetariano – vendem peixe à moda Jamaicana. Definitivamente uma área “yes bones”.

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Barraca de peixe

O café chama-se Café África, e tampouco é vegetariano/vegano, mas servem opções desse tipo. É um café especializado em comida tipicamente africana, o que quer dizer de diferentes países africanos, como Marrocos, Etiópia, Camarões, República Central Africana e outros. Quero provar alguns dos pratos vegetarianos. Eles servem café também.

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Café África

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Trailer de Veggie Meals on Wheels

Mirsini e eu provamos várias opções. Experimentamos o “banana bread” (pão de banana), na foto abaixo servido com fatias de abacate. O pão de banana é mais como um bolo, cai bem com café.

IMG_1582Mirsini contente com o almoço

Também comemos o hambúrguer, estava gostoso. A apresentação dos pratos é quase o que há de melhor nas refeições.

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Comi akee, uma fruta típica de clima tropical, parente da lichia, muitíssimo apreciada na Jamaica. É a fruta nacional deste país e faz parte também do prato nacional, “ackee and saltfish” (akee com bacalhau). É muito gostoso, muito mesmo. Na foto abaixo, akee foi servido com uma rodela de banana-da-terra. Para acompanhar, bebi suco de hibisco, muito comum aqui.

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Em Veggie Meals on Wheels também há barraca com bijuterias estilo rasta.

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 Agora sim, no próximo post, um pouco da beleza natural Jamaica.

Dois restaurantes não tão bons em Kingston

É mais comum encontrar posts sobre restaurantes bacanas para visitar em posts sobre turismo. Este não é um deles. Este post não é sobre dois restaurantes super gostosos; é sobre dois restaurantes para não ir em Kingston. Um deles era bem promissor: um restaurante JaMexican chamado Chilitos. Imaginem, uma mistura de comida jamaicana e mexicana. Essas duas cozinhas são uma delícia, além de muito apimentadas. O encontro das duas só poderia ser algo dos céus. Mas não foi, pelo menos não em Chilitos.

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Chilitos: comida JaMexican (Jamaicana & Mexicana)

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Em Chilitos, você está sob sua própria responsabilidade: “Estacionamento por sua própria conta e risco. Favor retirar seus pertences do carro – gerência”

Chilitos não é de todo ruim. A decoração é o máximo, é um ambiente muito gostoso. O problema desse restaurante é justamente a comida. A comida não é boa. Não estou julgando por um patamar superior de excelência, hehe. Eu não sou chef e já comi em muitos lugares simples. A questão é que é aquele tipo de restaurante que promete, mas desaponta. É aquele tipo de comida que é ok – você come, mas não planeja voltar.

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Ótima decoração

IMG_1445 IMG_1431Menu promissor

Apesar de a comida não ser realmente boa, o ambiente é tão legal que vale a pena caso você queira apenas uma (ou duas) cervejas. Eu fui ao Chilitos esperando comer uns tacos maravilhosos no almoço de sexta depois do trabalho – na sexta o horário de saída é 1.30pm. Comi umas quesadillas e tacos, mas o que desceu bem mesmo foram as cervejas. Nada como começar bem o fim-de-semana.

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A área externa é cheia dessas imagens:

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A parte interna também tem umas peças muito legais.

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Um outro restaurante que não vale a pena tanto pela comida, mas principalmente pelo preço, é o grego Opa. Tendo passado parte do verão na Grécia e, mais ainda, acompanhada por uma típica grega, acho que deu para ter uma boa ideia sobre a comida do Opa. Não é que não seja boa, mas não é nada que me faça querer voltar. A entrada é ótima – pão pita, hummus e outras gostosuras. Mas já aí eles não se mostram muito gregos: as porções são pequenas. Para vegetarianos há apenas uma opção, quiabo ao molho de tomate. Estava até que bom, mas extremamente salgado. Além disso, muito caro para comer quiabo.

Eu e Mirsini fomos ao Opa a convite de nossos chefes, representantes da ONU no Caribe. Mas essa história só dá para contar depois que eu terminar o trabalho por aqui.

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Ao final, queria a oportunidade de mostrar também os ônibus coloridos de Kingston. Mas isso não é o melhor; o melhor é que os ônibus da cidade são baratos, limpos e têm ar-condicionado. Custa 120 dólares jamaicanos (cerca de 1,20 americanos).

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PS: no último post prometi mostrar um pouco das belezas naturais da Jamaica. Mas isso vai ficar para daqui a alguns dias. No próximo post mostrarei um restaurante que vale a pena ir.

As ruas floridas de Kingston (e porque isso não é muito democrático)

O passeio à pé pelo bairro de Barbican, quando vimos bodes e muitos negócios no local, não terminou ali. Mirsini e eu ainda caminhamos adentro, por ruas residenciais, cheias de flores. As ruas da parte mais rica da cidade são geralmente assim: duas mãos, uns buracos aqui e ali, carros, casas, muros altos, árvores, flores e calçadas em péssimo estado. Acho que estas palavras descrevem bem as ruas dessas áreas de Kingston. Como imagens sempre falam mais que palavras…

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Um grande problema em termos de espaço urbano, para mim, é a falta de calçadas para pedestres. O que acontece – explicação dada pela melhor pessoa que conheci em Kingston até o momento, o motorista Winston, que sabe absolutamente tudo sobre a cidade – é que as pessoas donas das enormes casas desses bairros acham que são donas das calçadas e plantam grama e árvores para que ninguém possa ficar vagabundeando em frente aos portões de onde só saem carros. É realmente uma deturpação do espaço público. É difícil mesmo andar por essas calçadas, e muitas vezes as pessoas acabam caminhando pela rua. Não é o caso de Mirsini na foto acima, mas é o caso de muitos outros, principalmente dos que trabalham nas casas. Sempre vejo essas pessoas tentando caminhar pelas calçadas quando estou a caminho do trabalho. Abaixo, algumas das casas que vi pelo caminho:

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Apesar de esse costume ser anti-democrático, as plantas são bonitas. Kingston é uma cidade verde neste sentido.

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Acabei chegando em uma rua que leva à Barbican Road, rua com um espírito de bairro mesmo:

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Gosto muito dessas pequenas barracas coloridas:

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Cana está em todo lado:

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No próximo post, um pouco das belezas naturais da Jamaica.