Breve reflexão sobre o trabalho de garçonete

Há muito tempo atrás, eu decidi que um dia ainda escreveria bem honestamente sobre  minha experiência como garçonete em Liverpool, Inglaterra. Queria esperar até o fim da temporada, lógico, pois a maioria eram brasileiros e portugueses e poderiam ler a série de reclamações que eu postaria.

As minhas reclamações não envolveriam as pessoas que trabalhavam lá. Muito pelo contrário, fiz excelentes amizades e sinto falta delas. Um dia ainda quero visitá-las. Não, as reclamações envolveriam mesmo o trabalho em si. Eu acho que nunca desgostei tanto de um trabalho como aquele – apesar de que, no final, eu já estava mais acostumada e conseguia aproveitar um pouco mais.

Agora já não preciso me dar ao trabalho de escrever um longo texto sobre isso. O criador do Oatmeal fez isso por mim, então eu aproveito para publicar aqui um de seus “comics” sobre o assunto. Retrata bem um pouco do que eu senti ao trabalhar como garçonete, com exceção dos gases (só de vez em quando).

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Despedida de Liverpool

Já estou na Suécia, mas queria contar um pouquinho do que fiz nos meus últimos dias em Liverpool. Além de passar horas no computador tentando postar sobre as recentes viagens e acabar minhas últimas atividades do curso de sueco, aproveitei para sair com os amigos que fiz lá. Os últimos dias foram meio iguais: computador, arrumar as malas, comer porcarias, bebida. Estou precisando desintoxicar agora que cheguei a Linköping. Tenho um livro sobre isso, vou dar uma lida e ver se faço algum programa de uma semana.

Umas semanas antes de eu ir embora, fui a um dos restaurantes mais finos de Liverpool, o The Restaurant Bar & Grill, que apesar do nome meio estúpido, serve uma comida refinada. Sabe quando você percebe que está comendo algo feito por um chef mesmo, bem leve, saboroso, com diferentes texturas…? Isso me fez pensar bastante nas pessoas que têm acesso a esse mundo em um outro nível como uma coisa normal, diária. Eu fui a esse restaurante porque houve uma competição de vendas no Viva Brazil. O prêmio foi um jantar para dois nesse restaurante. A Joana ganhou e me levou. A irmã dela, a Valeska, também foi. No jantar, estava incluso uma garrafa de vinho, entrada, prato principal e sobremesa.

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Eu, a portuguesa Joana e a baiana Valeska no The Restaurant Bar & Grill

Minhas escolhas:

  • Vinho: branco, Muscadet Sevre Et Maine Sur Lie Domaine De Grands Presbyteres 2010 £25.50 (o melhor vinho branco que já tomei)
  • Entrada: aspargos grelhados em azeite de trufas £7.50
  • Prato principal: torta de abóbora-cheirosa grelhada e espinafre com cebolas caramelizadas e queijo devonshire £12.95
  • Salada: salada de tomate e cebola roxa £3.95

Tudo estava uma delícia! A Joana, vencedora da competição, escolheu lagosta.

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De sobremesa, nós três escolhemos o Knickerbockerglory, sorvete de creme, chocolate e framboesa com calda de framboesa e wafers. Uma delícia também, taça bem servida.

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Enfim, os últimos dias foram tranquilos, preguiçosos, mas ainda assim corridos. Não tivemos problemas algum com o peso das malas, acho que eu já estou bem treinada na arte da otimização máxima de espaço em malas. A parte da limpeza no apartamento foi fácil, nossos flatmates Rob e Jamie já haviam limpado o geral, então eu e Erik apenas limpamos nosso quarto. Vamos sentir saudades deles! Nós quatro fomos a um restaurante tailandês super bom e chique, o Chaophraya, para ter um último jantar de confraternização.

Depois de uma comida ótima, fui encontrar com as amigas do Viva Brazil, Gisela, Joana, Patricia e Gemma no bar McGuffie’s, bastante frequentado pelo povo do restaurante.

Da esquerda para a direita: Gisela, Joana, eu e Gemma
Da esquerda para a direita: Gisela, Joana, eu e Gemma

Depois desse bar, fomos a mais uns três, quatro lugares. Aí a coisa já ficou mais descontrolada. Rob, Jamie e Erik ainda estavam conosco no começo, mas depois foram embora.

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Da esquerda para a direita, fileira de trás: eu, Gisela e Rob
Da esquerda para a direita, fileira da frente: Patricia, Gemma, Jamie, o braço do Erik e Joana (de regata)

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Essa noite foi memorável, muito divertida. Vou sentir falta de todos.

Diversões em Liverpool

Antes de começar a mostrar a Califórnia, vou contar um pouquinho do que ando fazendo por aqui.

Ontem foi o meu último dia de trabalho. Como vamos voltar para a Suécia agora em dezembro, decidi terminar um pouco antes para dar tempo de aproveitar um pouco. Hoje é o meu primeiro dia de “férias” depois do Viva Brazil. Relaxei e não fiz quase nada. Estava muito cansada, o fim-de-semana foi pesado de tanto trabalho. Vou sentir falta de algumas pessoas bem legais que conheci no restaurante.

Enfim, fora trabalhar muito, eu também saio aqui, pelo menos uma vez por semana. Foi para aproveitar a vida cultural / noturna que escolhemos esta cidade. Como em Linköping não há muitas possibilidades legais, sempre tento fazer algo aqui.

Há algumas semanas fomos em uma atração especial que fica no Albert Docks: a roda gigante! Eu devo estar ficando boba com a idade, pois fiquei com medo dentro da cabine super protegida. A roda era muuuuuuuito grande. Eu e Erik tivemos a sorte de ter uma cabine somente para nós dois. Não é caro, há desconto para estudantes. Fomos depois de visitar o museu de arte moderna (Tate).

Roda Gigante de Liverpool

Na foto abaixo, dá para se ter uma ideia do tamanho. A construção do fundo é um estádio.

Roda gigante no Albert Docks.

Eu adoro essas fotos de brinquedos e parques de diversões. A Louise colocou umas muito boas no blog dela.

É tão bonito, tão surreal.

Outra atividade aqui em Liverpool é ir a restaurantes uma vez por semana pelo menos. Estou aproveitando, pois a comida é boa no geral. Muito melhor do que as opções de Linköping, sem contar a quantidade de opções.

No penúltimo final de semana, depois do trabalho, eu e Erik fomos ao Mello Mello. É um café  meio hippie, onde se juntam muitos barbudos e o povo indie. O menu é todo vegetariano, há apresentações musicais, aulas de yoga e capoeira, boas cervejas, enfim, é um lugar muito legal. O preço das refeições é barato. Já fui duas vezes, na primeira comi a sopa de batata e alho poró com um sanduíche de legumes ao estilo mediterrâneo e pesto. Na última vez, comi um hamburguer vegan, muito bom. O hamburguer em si era feito de cogumelos portobello. Tomamos boas cervejas e assitimos a duas apresentações musicais, além de leitura de poesias.

Mello Mello
Mello Mello Cafe
Erik experimenta o sponge cake.

Na foto acima, duas peças de lugares diferentes: a camisa xadrez presente dos meus pais em Portugal, e o shorts de cintura alta azul marinho que comprei aqui. Já escrevi sobre peças e memórias aqui.

Na terça-feira última, passei o dia inteiro com uma amiga do Viva Brazil, a Gisela, portuguesa do Algarve.

Começamos com um almoço no Moose Coffee, junto com a brasileira Juliana, head waitress do Viva Brazil.

Moose Coffee

Comi o Tula, sanduíche vegetariano de queijo halloumi, tapenade de azeitonas pretas e tomates secos. Uma delícia, vem com batatinhas frescas e salada ao molho de mostarda e mel. Vale a pena. E olha que eu nem sou fã de halloumi.

Gisela
Juliana

A Juliana foi trabalhar e eu e Gisela seguimos para o Las Iguanas, um restaurante latino com um bar de caipirinhas. Eles tinham uma promoção 2 por 1. Tomamos sete cada uma.

Las Iguanas

Depois fomos, eu e Gisela, jantar no italiano The Olive Press, onde eu arranjei um bico como hostess, mas acabei não começando. As pizzas lá são gostosas, tem azeite de verdade nas mesas.

Depois, fomos ao Viva Brazil, já em fim de noite, para uma taça de vinho. Encontramos com o namorado dela, o Saci, e aí liguei para o Erik para nos encontrar també. Fomos até o Cavern, não o pub de mesmo nome, mas a um outro nessa área.

Saci e Gisela

Esse dia foi bem longo, cheio de cachaça e muito divertido.

The Albert Docks: o cais de Liverpool

O cais de Liverpool é um lugar bem bonito para um passeio. Isso se o tempo ajudar, claro, pois um dia de sol é raro. Tem chovido todos os dias aqui em Liverpool. Mas, incrivelmente, acaba fazendo sol em pelo menos um dia dos finais-de-semana. Em um dos primeiros fins-de-semana aqui, com sol, eu e Erik fomos então ao Albert Docks. Patrimônio da Humanidade da UNESCO, foi o primeiro cais do mundo a ter um sistema de armazéns à prova de incêndios. A cidade de Liverpool é muito importante, historicamente, devido ao seu porto.

Acredito que a área tenha sido restaurada há pouco tempo, pois tudo está bem conservado e bonito. Os prédios estão pintados e é uma área bem voltada para o turismo mesmo, com vários restaurantes e museus. Amanhã, 31 de outubro, pretendemos visitar um deles, mas isso será um outro post.

A caminho do Albert Docks:

Tinha uma mulherada bem doida, fazendo gritaria, deitando na rua e olhando por baixo da saia do homem vestido de escocês e tocando gaita de foles. Todo mundo quer saber o que os escoceses vestem debaixo do kilt, né? A Lou deve saber, hehe.

Liverpool

Havia uns homens fantasiados na parte de fora desse pub. Os ingleses são meio doidos. Deve ter sido despedida de solteiro.

Presidiários
Museu Marítimo

Rio Mersey

No prédio abaixo, provavelmente um antigo armazém, fica o Tate de Liverpool, que apresenta arte moderna e contemporânea.

Ainda no mesmo conjunto de prédios, ficam vários cafés e restaurantes. O Albert Docks é uma área gostosa de visitar.

Centro comercial de Liverpool

Quando eu quero comprar alguma coisa ou só ver algumas lojas, vou ao centro comercial da cidade, a uns cinco minutos de casa. Foi lá que andei bastante nos primeiros dias, para descobrir onde achar as coisas que preciso, desde comida até roupas, produtos de higiene etc.
Eu gosto de andar pelo centro, me distraio, mas são tantas lojas que o impulso consumista aflora. Eu, que gosto muito de ler e estudar o assunto, me sinto bem confusa. Mas enfim, gosto bastante de ir ao centro. Há também muitos pubs, restaurantes e casas noturnas. É onde se encontra o entretenimento que requer dinheiro.

Abaixo, a caminho do centro, a North John Street e o Hard Day’s Night Hotel, com estátuas e imagens dos quatro Beatles na fachada. É bem na área turística onde fica o The Cavern Club, onde os Beatles tocavam. Essa área é conhecida mesmo por The Cavern.

Hard Day’s Night Hotel na North John Street
Lojas e lojas e lojas…
À direita, Debenhams, loja de departamentos meio chique

Abaixo, a Holland & Barrett, rede de lojas de produtos naturais e vegetarianos/veganos. Eu pirei quando descobri esta loja no centro, tão perto. Foi o primeiro lugar onde descobri que poderia comprar cosméticos não testados em animais, mas de fato, não é assim difícil achá-los em outras lojas por aqui. Também a seção de comidinhas vegetarianas, tantas coisas novas para experimentar… Na primeira vez lá, já peguei o cartão-fidelidade.

Holland & Barrett

À direita, Primark, rede barata de lojas de roupas

No centro tem um shopping enorme a céu aberto, o Liverpool 1.

Há vários pubs.

Mais adiante…

Eu me oriento um pouco por essa torre de rádio:

Praça perto da torre

Os táxis são pretos, enormes e baratos.

City Hall de Liverpool

Este parece ser um tema chato para um post, não? Um city hall é o principal prédio administrativo de uma cidade, o paço municipal, e por que eu escolheria mostrar o city hall de Liverpool aqui? Por dois motivos: por achar que o prédio é bem bonito e porque é por onde passo todos os dias para ir para o trabalho ou para o centro comercial. Ou seja, eu o vejo quase todos os dias, onde quer que eu vá.

A Old Hall Street, onde moro, dá na Chapel Street, onde fica o prédio abaixo. Pela passagem abaixo, chega-se à praça do city hall.

City Hall de Liverpool

Eu sempre sinto um peso ao ver a estátua acima, de alguns triunfando enquanto outros acorrentados choram. Aliás, houve um protesto ao lado do city hall esta semana. Eram organizações de esquerda protestando contra cortes aos servidores públicos. Há uma onda de afrontas aos trabalhadores sob o governo atual.

Essa praça é na verdade nos fundos o city hall. A fachada da frente é virada para a Dale Street, uma das principais do centro:

Dale Street

Apresentando, minha casa em Liverpool

O Erik veio a Liverpool enquanto eu visitava meus pais em Portugal, depois de voltarmos dos Estados Unidos. Ele veio antes para procurar um lugar para ficarmos. Nós não tínhamos tantas expectativas sobre a cidade de Liverpool, mas achávamos que íamos nos divertir com a vida cultural daqui. Quando o Erik chegou, ficou em um hostel bem simples e teve uma semana de cão, indo de bairro em bairro para ver apartamentos. Ele estava bem decepcionado, pois os bairros eram afastados, meio perigosos. Ele ouviu estórias de arrombamentos. Os rapazes de moleton e pit bulls na coleira estavam por todos os lados.

Parecia impossível encontrar algo só para nós dois, por um preço adequado e boa localização. Erik já estava se perguntando o que viemos fazer aqui, já que esta foi mais uma das escolhas bem no escuro. Eu não sabia nada de Liverpool, a não ser que os Beatles são daqui e de que é uma cidade historicamente importante para a classe trabalhadora. Quando Erik questionava a nossa escolha, surge uma oportunidade ótima: um apartamento no prédio The Albany, bem no centro comercial da cidade. Ele pegou a oportunidade. Assim, moro no The Albany desde que cheguei aqui. O prédio é excelente, bem no centro, mas ainda assim em uma rua mais calma. É perto de vários supermercados, lojas, cafés, pubs, restaurantes, enfim, muito bem localizado, além de haver uma estação de metrô literalmente do lado, a Moorfields. Não moramos sozinhos, dividimos com dois rapazes bem fofos que já moravam aqui, o Rob e o Jamie – acho que já comentei sobre eles aqui.

Eu não podia estar mais contente com o resultado. Só pelo fato de ser tão bem localizado, já vale muito à pena. Quando você se muda para uma nova cidade, a localização é tudo. Ainda mais quando você faz tudo sozinha, a pé.

O The Albany fica na Old Hall Street. Quem quiser, eu passo o endereço e meu número de celular daqui por e-mail.

Old Hall Street

The Albany

O prédio parece ser uma casa antiga, grande e espaçosa. É muito frio nos corredores, como se fosse uma estufa de vinho no inverno. Assim que se entra no prédio, há um pátio:

Corredor

O meu andar:

O apartamento, como eu já comentei, é muito bom e espaçoso. Há dois andares (!), e os quartos ficam no de baixo, enquanto que a sala e a cozinha, no de cima.

Quartos
Meu quarto

No andar de cima, a sala e a cozinha são, na verdade, parte do mesmo ambiente. Os nossos flatmates têm um X-Box, imaginem se o Erik não adorou.

Sala
Cozinha
Única estante

Há uma varanda bem comprida:

Varanda

Da varanda, vista para o pátio do prédio:

Vista da varanda
Pátio visto de cima

O The Albany é um lugar bem legal para se morar, eu me sinto bem privilegiada de ter encontrado algo assim tão acima das expectativas. Meus companheiros aqui também são muito legais, uns fofos. Também já falei deles, mas agora os apresento. No primeiro fim-de-semana em Liverpool, eles fizeram questão de nos levar até um restaurante no topo de um prédio bem alto para tomar uns drinks, o Panoramic 34. Infelizmente, os drinks não eram tão bons assim, eu e Erik não estamos assim tão empolgados com os drinks aqui em Liverpool. Mas a noite foi bem legal.

Erik, Jamie e Rob

Liverpool, vista do bar

Pensando o que é casa, ou estar em casa (coisa que a Lou já escreveu em seu blog), decidi colocar aquela música bem fofa do Edward Shape & Magnetic Zeros, Home, que todo mundo deve conhecer.