De volta a Psykjunta

Depois que o mestrado terminou, passei um mês só aproveitando com a galera que iria embora para casa (seus países de origem). Quem aí se lembra de um certo festival psicodélico em Småland, esse estado sueco coberto por florestas e fazendas? Está aqui para refrescar a memória: Psykjunta. Pois é, eu e Erik planejamos há uns meses atrás, antes da graduação, irmos novamente ao Psykjunta, pois foi uma experiência muitíssimo legal no ano passado. Este ano, não foi diferente.

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Como no ano passado, tivemos que acampar também. Dessa vez, além do trio da última vez (eu, Erik e o Jonas, irmão do Erik), vieram também a Mirsini e o Pontus, super amigo do Erik. Dessa vez também ficamos mais tempo, de sexta a domingo. tivemos sorte, pois fez sol todos os dias, mas à noite, especialmente a de sábado… Muita chuva! E  dentro da barraca que eu dividi com a Mirsini. Acabou chovendo mais para o lado dela.

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É muito bom ficar em barraca, né. Acho que traz algo da infância. É aconchegante, é aventura. Mas aventura também pode ficar meio complicada quando chove dentro, como aconteceu, quando vomitam bem ao lado de onde você estae dormindo… Mas enfim, fizemos churrasco na sexta e no sábado, churrasco de hambúrguer e cachorro-quente vegetarianos, estava tudo muito bom.

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Mirsini, Jonas, eu e Pontus

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Os Hellman
Os Hellman

Teve bagunça dentro da barraca:

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O tempo ficou feio na noite de sábado:

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Dentro do festival, as coisas estavam animadas.

Psykjnta 2015
Psykjnta 2015

Tinhas umas coisas meio estranhas na área do festival, como uma escultura de papel alumínio e um escorregador:

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Ao menos parece papel alumínio.

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Discutindo coisas
Discutindo coisas “muito” importantes

Todas as bandas que eu assisti eram excelentes. Não sei como, mas a acústica é ótima nesse lugar. Havia dois palcos, como antes.

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O outro palco é o principal:

Mirsii e eu no palco principal, o
Mirsini e eu no palco principal, o “circo”

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De verdade, gostei de absolutamente todas as bandas que assisti. Essas meninas, por exemplo, vale a pena baixar umas músicas delas:

siri-karlsson

Esta outra banda, chamada Dungen, está fazendo sucesso por aqui na cena indie. Eles tocaram uma trilha sonora para um filme de animação muito bonito, mostrado em um telão. A banda não apareceu até o fim do filme. Tocaram no escuro. A trilha era toda improvisada, eles tocavam à medida que as coisas evoluíam no filme. Brilhante.

dungen

Dá para assistir aqui. Sério, assistam. É muito bonito e mágico. Outra banda que tenho ouvido ultimamente, que também está fazendo sucesso no cenário indie aqui e foi uma das principais atrações é Amason.

amason

Duas músicas são muito boas: Yellow Moon e Ålen.

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Só de canto enquanto bandas tocavam.

Nessa noite de sábado, como comentei antes, choveu, choveu muito. Ficou tudo enlamaçado. O bom desse festival é que, além de ser pequeno, o palco principal é coberto graças a Deus. Então pode cair o que for de chuva lá fora, a não ser que sua barraca não seja muito boa, como a minha, que custou uns 70 reais apenas.

Chuva na noite de sábado
Chuva na noite de sábado

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Na manhã seguinte, domingo, estávamos lógicamente de ressaca. Fomos ao palco principal onde fica o único café do festival, que nem serve comida boa. Tinha pão integral com manteiga de amêndoas e pepino. Até é bom, mas isso não é comida para curar ressaca de festival.

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Manteiga de amêndoa com pepino e café

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Tinha um violeiro muito talentoso tocando a trilha do café:

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Foi nesse momento que percebi que todo o chocolate que tínhamos havia se metamorfoseado em uma massa homogênea durante o ensolarado dia anterior:

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Comi mesmo assim.
Comi mesmo assim.

E é isso minha gente. Esse foi o Psykjunta 2015. Ficou um gosto muito bom de festival. Foi difícil ir embora; por mim, ficaria por mais uma semana. Dependendo de onde eu estiver no ano que vem, estarei lá novamente.

Formatura do mestrado

Trago hoje um post bem esperado por algumas pessoas, pelo menos pelos meus pais, que já pediram várias vezes: um post com as fotos da festa de graduação do mestrado. A festa aconteceu no dia 08 de junho, seis dias depois da defesa da minha tese. Eu tenho que admitir que imaginei esse dia inúmeras vezes; não havia nada que eu quisesse mais do que sentir aquele alívio de “fim”. E o dia finalmente chegou e passou, como tantos outros.

A festa foi uma celebração simples no principal prédio da universidade, um casarão lindo, muito antigo, que fica bem no centro da cidade. Casarão é diminutivo neste caso; é realmente um palácio. A cerimônia foi organizada pela universidade, que custeou todo o babado. A parte chata, mais oficial, começou às 10 da manhã. Os estudantes entraram o salão em fila, a maioria carregando bandeiras referentes às nacionalidades dos alunos. Muitas fotos não estão muito boas, foram tiradas com o celular do Erik. Na foto abaixo, notem as bandeiras brasileira e portuguesa. São as minhas duas nacionalidades.

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Eu estou lá no fim da fila

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Depois dessa entrada com as bandeiras, nós nos sentamos nas primeiras fileiras e ouvimos discursos do diretor do programa de mestrado e da diretora do departamento de Ciências Sociais da Universidade de Lund.

Discurso
Discurso

Depois começou a entrega dos diplomas, cópias falsas, lógico. Eu ainda nem mandei o requerimento para a entrega do verdadeiro.

Quando chegou a minha vez, eu tive que me concentrar no salto, né. Não queria cair na frente de todo mundo, o que seria muito possível de minha parte. Só que quando ouvi meu nome e me levantei, um dos sapatos meio que descolou do pé. Eu dei uma sambadinha e tudo deu certo. Muita gente veio comentar depois que eu fiz um movimento muito engraçado, tipo um passinho de dança, lá na frente. E eu ainda por cima me virei para o público, depois de pegar o diploma, e meio que agradeci, haha. Não sei por que, mas senti que devia uma atenção ao público.

Recebendo o diploma
Recebendo o diploma
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Beijo na ex-diretora do programa, Lisa.

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LUMID turma 8

Depois da cerimônia, que foi curta, teve bastante sessão de fotos.

Anna (Suécia)
Anna (Suécia)
Mirsini
Mirsini
Louise (Suécia), ao centro
Louise (Suécia), ao centro
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Querídissima Elena (alemã, mas vive na Guatemala)

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Da esquerda para a direita: eu, Elena, Catherine (África do Sul), Mirsini, Louise, Emanuel (Suécia), Florence (Canadá)
Da esquerda para a direita: eu, Elena, Catherine (África do Sul), Mirsini, Louise, Emanuel (Suécia), Florence (Canadá)
Da esquerda para a direita: Anna Maria (Hungária), Elena, eu, Daniela (Áustria), Catherine, Mirsini e Sophie (Áustria)
Da esquerda para a direita: Anna Maria (Hungária), Elena, eu, Daniela (Áustria), Catherine, Mirsini e Sophie (Áustria)

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A universidade também bancou o coquetel com champagne. Foi no mesmo prédio. Champagne à vontade e canapés que estavam uma delícia de verdade – teve até canapés vegetarianos e veganos.

Salão
Salão

Teve mais discurso:

Lisa, ex-diretora do programa
Lisa, ex-diretora do programa
Sanna (Suécia), à esquerda. Já nem me lembro do que estávamos falando.
Sanna (Suécia), à esquerda. Já nem me lembro do que estávamos falando
Queridíssima Malin (Suécia)
Queridíssima Malin (Suécia)

A foto abaixo pertence à Malin, eu roubei do facebook. É o meu grupo de orientação da tese:

Da esquerda para a direita: eu, Elena, Malin, Sophie e Andrea (orientadora)
Da esquerda para a direita: eu, Elena, Malin, Sophie e Andrea (orientadora)

Do lado de fora do prédio, quando a festa acabou…

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… teve  piquenique no jardim até quase o fim da tarde.

À esquerda, de malha: Emelie (Suécia)
À esquerda, de malha: Emelie (Suécia)
Emilia (Suécia/Estados Unidos)
Emilia (Suécia/Estados Unidos)

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Um pouco deste semestre

Quem acompanha este blog há tempos sabe que eu sempre gosto de mostrar os lugares onde vivo ou para onde viajo. Desta vez foi uma exceção: fora o post sobre o local onde moro, não há nada por aqui que mostre essa cidade fofa que é Lund. Eu simplesmente não tive tempo, ou me desesperei demais e pensei não ter tempo para essas coisas – fotografar a cidade. Uma pena, pois são essas “coisas” que realmente são mais relaxantes e divertidas. Tenho algumas poucas fotos tiradas com o celular em diferentes  ocasiões, às quais aproveito para postar aqui.

1) Seminário do curso de gerenciamento

Tivemos muitos seminários neste programa de mestrado até agora, em diferentes formatos: apresentações, debates, role play, discussões… Os professores nos tratam como bebês e falam que vale nota, mas nunca vale. No seminário abaixo, o grupo estava apresentando a quantas andava a proposta de projeto “de desenvolvimento” que tivemos que elaborar ao longo do semestre. Três professores dos cursos de Saúde Pública, Desenvolvimento Sustentável/Manejo de Recursos Naturais e  Desenvolvimento Rural e Urbano estavam lá para ajudar com sugestões e também nos colocar na parede.

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O projeto do meu grupo foi sobre soberania alimentária no Haiti:

2014-03-05 15.09.15Problem tree

2) Dia Internacional das Mulheres

Teve demonstração no dia Internacional das Mulheres. Eu e Erik acompanhamos a demonstração, que também incluiu protestos por conta de problemas no sistema de saúde e polícia.

2014-03-08 15.23.28Praça principal de Lund, onde se concentram muitas demonstrações

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“Luta das mulheres é luta de classes”

3) St. Patrick’s Day

Eu e alguns amigos da classe comemoramos o St. Patrick’s em um bar meio parado onde não estava acontecendo muita coisa. No caminho de volta para casa, vimos que o pub abaixo, o John Bull, ainda estava aberto, e uma banda tocava músicas típicas irlandesas como Whiskey in the Jar.

Acabamos decidindo entrar e tomar mais uma, e foi muito divertido.

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Eu, Augusto (Itália) e Mirsini (Grécia)

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4) Lebres aproveitam a primavera

Sempre há lebres no extenso jardim atrás da casa onde moro. Adoro vê-los quase diariamente. Eles estão aproveitando o mato e as flores.

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5) Surpresas da Páscoa 2014

Como já virou costume, meus pais enviam uma caixa pesada de surpresas de Páscoa todos os anos. Amo receber caixas!

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Meu ovo favorito

Este ano veio uma surpresa especial, inesperada:

2014-05-18 16.58.29Cachaça Nega Fulô

Amei, ainda nem abri.

6) Penúltimo piquenique para celebrar a entrega do penúltimo trabalho

Ainda faltava um trabalho e mais uma celebração, hehe, mas esta já estava em clima de despedida. Todos estavam felizes, pois tínhamos acabado de entregar a proposta de projeto mencionada no item 1. Ainda faltava mais um exame (e um rascunho de proposta de tese, para mim), mas já dava para sentir as férias. O dia estava lindo no Stadsparken (“Parque da Cidade”), onde fizemos o piquenique.

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Da esquerda para a direita: Joana (Suécia – saiu do programa depois do primeiro semestre), Dayu (Indonésia), Florence (Canadá), Yasmin (Suécia), namorado da Lívia e Emelie (Suécia).

 

2014-05-30 18.44.25Da esquerda para a direita: Florence, Emelie, Anna Lena (Suécia – fala Português fluentemente, morou no Brasil) e Sara (Suécia).

 

2014-05-30 18.44.39Da esquerda para a direita: Augusto (Itália), Anna (Suécia) e Andrei (Bielorrússia)

Picnic may 14

7) Visita ao cavalo de Elena em Lomma

Elena também é da classe. Viramos amigas, adoro ela. Ela é alemã, mas mora na Guatemala com o namorado guatemalteco. A irmã dela mora aqui em Lund e acabou de comprar uma fazenda, que não é a que está abaixo. O local da foto é um aras onde pessoas pagam uma taxa para que os cavalos morem lá. Elena e a irmã tem um cavalo que está lá. Também não é o da foto abaixo, mas sim o marrom das últimas duas fotos.

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Estávamos muito cansadas, pois tínhamos acabado de entregar a última tarefa do primeiro ano, um rascunho de proposta de tese de mestrado. Eu não aguentava mais ficar sentada em frente ao computador, então fomos a Lomma para alimentar o cavalo e limpar o estábulo. Lomma fica nos arredores de Lund. Depois disso tudo, fomos até a praia de Lomma, caminhamos, foi uma delícia.

2014-06-11 19.04.02Elena e seu cavalo

 

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No primeiro semestre de 2015, se tudo der certo, estarei de volta a Lund. Aí tentarei tirar fotos da cidade.

Planos e mudança de país

A primeira fase de LUMID (mestrado) acabou de terminar. Todo o primeiro ano de cursos no campus se encerrou oficialmente no dia 12 deste mês. Foi muito difícil, muito estressante. Não parei de trabalhar diariamente até ontem. Agora sou um zumbi, cansada; acredito que o cansaço vai se mostrar com mais força nos dias seguintes. Vou acabar dormindo muito. As “férias” começaram. Sim, férias entre aspas, pois apesar de alguns planos muito excitantes, ainda precisarei dar uma trabalhadinha na proposta da tese, tentar refiná-la, definir o problema, ler… Ou talvez eu mande tudo para o inferno e só me ocupe com isso em agosto.

Há muitas novidades. Depois deste primeiro parágrafo para reclamar da vida e da canseira, quero também escrever mais alguns para contar os planos emocionantes para o verão (inverno no Brasil) e para o segundo semestre. Uma pequena lista fica mais fácil:

1) Festival Pykjunta

Completei 30 na segunda-feira, 16 de junho. Eu mal sabia o que fazer para comemorar. É uma pena, mas a maioria dos colegas de classe já se foram, seja para cidades aqui na Suécia, ou para férias de verão em algum outro canto. O Erik sugeriu uma programação muito legal para este fim-de-semana que passou. Na sexta 13 fomos para um festival “psicodélico” em Alvesta, perto de onde o Erik mora agora. O festival se chama Psykjunta e uma das bandas preferidas do Erik tocou, o Brian Jonestown Massacre. O Jonas, irmão do Erik, também foi. Acampamos lá de sexta para sábado. Podem já esperar um pequeno post sobre o festival.

2) Mini-viagem a Oslo, Noruega

No sábado fomos embora do festival para passar o sábado, o domingo e um pouquinho da segunda em Oslo, capital da Noruega. Quando eu morei lá, não visitei a capital, fiquei apenas em Ålesund, mais ao norte. Foi muito legal comemorar o aniversário conhecendo uma nova cidade. Foi divertido, também, pois fomos de carro. Ainda não comentei por aqui, mas compramos um Volvo meio velho, mas muito bom. Eu não queira comprar um carro por motivos ecológicos. Um carro elimina muitos gases tóxicos e, se há algo que o mundo não precisa, é de mais carros. Porém acabamos comprando esse Volvo ano 2000 para que o Erik pudesse me visitar em Lund mais facilmente, já que é muito comum ele ter que fazer horas extras. Enfim, voltando ao tema da mini-viagem a Oslo, mais post virão nos próximos dias.

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3) Viagem à Grécia

A viagem das férias de verão (julho) serão para a…. Grécia! Eu e Erik viajamos no dia 04 de julho e voltamos no dia 20. A ideia de ir para a Grécia veio pelo fato de uma das pessoas mais especiais que encontrei aqui, Mirsini, ser grega. Mirsini é minha amiga que conheci no mestrado. Em um dia de sol, enquanto tomávamos café nas escadarias da biblioteca e reclamávamos da montanha de trabalho que tínhamos, tive a ideia de visitá-la no verão. Assim, eu e Erik vamos passar uns três dias na capital Atenas, onde Mirsini mora, depois vamos para a ilha de Zakynthos, onde o namorado de Mirsini está trabalhando. Ficaremos lá uns 7 dias; depois eu e Erik vamos para alguma outra ilha, talvez Santorini.

4) Mudança de país: Jamaica!

Vou me mudar para a Jamaica no semestre que vem. Não é uma mudança por tempo ilimitado; é uma mudança de uns três meses e meio. Vou morar no país caribenho por conta da próxima novidade.

5) Estágio na ONU da Jamaica

Pois é, estágio na ONU. Eu jamais imaginaria. O programa de mestrado que estou cursando tem como exigência que os alunos completem um estágio em alguma organização que trabalhe com “desenvolvimento”. A ONU é a organização mais estereotípica dessa indústria, e a maior e de mais prestígio talvez. Em princípio eu ía para a Bolívia, trabalhar no escritório da chefe do sistema ONU lá, mas preferi ir para o escritório da Jamaica com minha amiga Mirsini. Mesmo trabalhando como estagiárias em tempo integral, ainda temos que fazer uns trabalhos enormes para o mestrado à distância. O sistema ONU é formado por várias agências e programas. Eu estarei no PNUD Jamaica, ou seja, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Essa agência é bastante importante em qualquer país, tanto que o(a) chefe do sistema ONU é geralmente o(a) chefe do PNUD. Vamos ver como vai ser. Además, ganhei de surpresa de aniversário do Erik uma certificação de mergulho. Pretendo tirá-la lá.

6) Trabalho de campo da tese de mestrado no Brasil

O sub-título já diz tudo. Pretendo fazer o trabalho de campo para a tese do mestrado no Brasil, de Dezembro a Fevereiro. É lógico que os planos podem mudar, é difícil saber. Mas por enquanto este é o plano, apesar de que necessito refinar a proposta de pesquisa, ainda não está ideal.

Por enquanto são esses os planos. Se alguém tiver alguma sugestão, é só deixar um comentário.

Mestrado em desenvolvimento internacional na Universidade de Lund – o que é isso?

É incrível que só esteja começando a escrever sobre o mestrado quando já estou no segundo semestre. Enfim. Eu já postei sobre as escolhas que fiz quando tive que fazer as inscrição no processo seletivo. Este post do passado é importante pois revela o que de fato eu queria fazer e a tensão inerente em fazer algo que não condiz totalmente com a sua visão de mundo.

Bom, eu estou cursando o Master of Science Programme in International Development and Management (LUMID) (Programa de Mestrado em Desenvolvimento Internacional e “Administração”). Esse programa de mestrado é voltado para pessoas que curtem a área de desenvolvimento internacional, coisa que eu não entendi bem quando me matriculei. Mas o que é “desenvolvimento internacional”?

Apesar de ser uma indústria importantíssima no mundo, nem a Wikipedia oferece uma página em Português sobre a área. É uma pena, pois os países do Sul deveriam saber o que, como e por que os países do Norte metem o bedelho nos do Sul. Desenvolvimento internacional, também chamado de desenvolvimento global, é uma área de estudos e uma indústria surgida no pós- Segunda Guerra e que divide o mundo em “países desenvolvidos” (ricos), “países em desenvolvimento” (eufemismo para pobres, com uma diferença considerável entre eles) e “os países menos desenvolvidos” (LDCs – least developed countries, os miseráveis). Se depender que quem responde a pergunta acima, a resposta pode ser bem diferente.

Desenvolvimento internacional lida com várias áreas como ajuda externa (recursos doados por países), governança, saúde, educação, redução da pobreza, igualdade de gênero, prevenção de desastres, infra-estrutura, economia, direitos humanos, meio-ambiente, ajuda humanitária e outras. Existem muitas organizações envolvidas na indústria do desenvolvimento, a maior e mais conhecida sendo as Nações Unidas. A maioria dos “países desenvolvidos” têm suas agências de desenvolvimento que trabalham com projetos e doam dinheiro (ajuda externa) aos “países em desenvolvimento”. Na Suécia, a agência é a SIDA. Hoje não são apenas os países mais ricos que atuam nessa área. O Brazil também tem sua agência, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), à qual integra o Ministério das Relações Exteriores. O protagonismo do Brazil no cenário internacional tem crescido bastante, e, segundo o IPEA, o Brazil gastou um total de R$ 724 milhões em projetos de cooperação Sul-Sul em 2009.

A crítica ao “desenvolvimento” mainstream é bem contundente e situa essa área, no geral, como neocolonialismo contemporâneo ou imperialismo ocidental. É claro que isto é uma simplificação muito grande. Para quem quer saber mais sobre a crítica ao desenvolvimento, deve ler Encountering Development, de Arturo Escobar um antropólogo colombiano muito perspicaz.

Escrevi tudo isto só para as pessoas que lêem este blog terem uma ideia melhor do que venho estudando desde setembro do ano passado. Deve dar para perceber que ando bem crítica em relação a esta área. Não gosto da área em si; por outro lado, é tudo muito amplo, e gosto de certos assuntos da área. Além disso, gosto da possibilidade de poder trabalhar com algo com que eu me importo, um dos meus maiores desejos.

O primeiro curso, International Development Perspectives (Perspectivas do Desenvolvimento Internacional) durou de setembro a meados de dezembro de 2013. Tivemos etapas diferentes dentro do curso e estudamos as dimensões econômicas, sociais e políticas, além da UN Week (Semana ONU), uma semana de aulas com profissionais sênior da organização. O segundo curso, Theory of Science and Methods (Teoria da Ciência e Método), foi muito bom. Além de aprender mais sobre ciência de um ponto de vista filosófico, aprendemos também sobre métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa. Esse curso durou de dezembro a janeiro.

O terceiro curso foi Development Organizations and Programme Management (Organizações “de desenvolvimento” e Gerenciamento de Programas). Tivemos uma parte deste curso em janeiro-fevereiro, e teremos o resto em junho. Bem chato. O quarto curso, Global Health (Saúde Global) foi um curso em saúde pública. Foi interessante aprender sobre epidemiologia, as doenças que afetam diferentes países de maneira distinta etc. O quinto curso, Sustainable Development and Natural Resource Management (Desenvolvimento Sustentável e Gestão de Recursos Naturais) acabou de terminar. É o que eu gosto de fato e com o que eu gostaria de trabalhar no futuro, principalmente na linha da ecologia política. EU já fiz um curso em desenvolvimento sustentável na Universidade de Linköping. O sexto curso acabou de começar, mas eu estou pulando o começo para prolongar as o descanso (merecido) de Páscoa. Chama-se Urban and Rural Development and Livelihoods (Desenvolvimento urbano e agrarário e meios de vida).

Este programa é bem competitivo, pois é difícil de entrar. O principal atrativo para quem está em frente à tela do computador tentando escolher um programa é a promessa de emprego na área. Na página do programa lê-se bem claramente que em torno de 70 a 80% dos alunos encontram um emprego na área em menos de um ano. Ao ver a lista de onde ex-alunos estão, parece bem interessante – várias agências da ONU, ONGs etc. O que eu realmente espero deste programa é que me permita trabalhar com questões que eu acho importantes.

A carga de trabalho dos cursos é bem pesada –  nem tanto na parte de conteúdo, que deixa a desejar por muitas vezes, mas na quantidade. É um paper atrás do outro, além de seminários, apresentações, projetos etc… É realmente quantidade acima de qualidade. Não dá tempo de ler, ler, ler e digerir o conteúdo. Por outro lado, acabamos aprendendo bastante em termos de escrita acadêmica, pesquisa e outras habilidades deste tipo, de tanto que trabalhamos. Eu tinha uma imagem muito diferente de um mestrado. Pensei que fosse algo bem mais independente, que eu tivesse bastante tempo livre para ler e ir atrás dos meus interesses. Mas este programa não é assim.

Há dois elementos que estressam bastante os alunos: estágio e tese. Temos que encontrar um estágio em alguma organização, preferencialmente em um país “em desenvolvimento”. O estágio deve durar de setembro a dezembro, em média, mas é lógico que essas datas mudam bastante. Assim, não sei onde estarei morando no próximo semestre, provavelmente em algum canto da América Latina. A tese também é motivo de stress, pois precisamos conectar tudo – o trabalho de campo da tese, no geral, deve ser feito no mesmo país. No momento, eu estou bem ocupada com todos os papers, tentando encontrar um estágio e pensando/lendo/debatendo possibilidades para a tese. Não vejo a hora de ter férias; todos estão bem cansados. Inclusive eu.

Não tenho muitas imagens da Universidade de Lund ainda, mas aproveito para mostrar a área da biblioteca e café da faculdade de letras, línguas e comunicação social (SOL). Eu passo por ali quase todos os dias e gosto de trabalhar lá.

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Minha rua em Lund

Agora que consegui uns dias livres da loucura do mestrado, vou tentar colocar este blog em dia – ou pelo menos escrever alguns posts sobre a cidade de Lund e o que é este mestrado que estou cursando. Agora mesmo não estou em Lund, mas em Eksjö (Iequiruô), a cidade onde o Erik está morando e fazendo residência. Pois é, não estamos sob o mesmo teto desde setembro do ano passado, quando comecei o mestrado em Lund, mas moramos juntos no meu coração.

Este post é curtinho, só para mostrar os arredores da casa onde moro. As fotos são novembro do ano passado, ainda outono quando já deveria ser inverno – tivemos um outono “quente” e longo. Agora é primavera, e tudo já está bem parecido com as fotos abaixo, apesar de menos verde. Estou realmente contando os dias para que a primavera chegue de verdade. Houve alguns dias “quentes”, mas depois esfriou de novo. As temperaturas andam por volta de 6, 10 C durante o dia. Já fazem pelo menos cinco meses desde os últimos dias “quentes”.

Abaixo está a rua. A casa onde moro fica à esquerda, quase na altura de onde está o carro preto. É um bairro residencial, tranquilo, silencioso. O que escuto são os passarinhos no jardim, o vento – aqui venta muitíssimo, os passos do pessoal do andar de cima, e crianças eventualmente correndo. Na Suécia, tudo é muito calmo e silencioso, o que às vezes pode parecer tedioso. Por outro lado, é difícil me adaptar quando volto ao Brasil, pois é tudo tão intenso e barulhento.

A casas grandes, como a que moro, com jardim, chamam-se villa. Há várias nessa área, custan uns milhões de coroas suecas.

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Aqui é a continuação da rua no sentido contrário. Esses tipos de prédios são bem comuns. Na Suécia, no geral, os prédios têm três andares.

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Ao olhar a esquerda, tem um gramado com mais desses prédios. Nesse gramado eu encontrei lebres quase todos os dias de outono.

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Ao olhar para a direita, tem o caminho que faço quase diariamente para ir à universidade ou para o centro. Eu gosto muito de cruzar essa área. Não leva tempo nenhum, pois não é uma área grande, mas é um espacinho de “natureza” – bom, tem árvores, grama, muitos pássaros e algumas lebres. Já faz eu me sentir muito bem.

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Quando chego nessa rua, é só seguir reto na mesma direção do ônibus amarelo para chegar ao centro.

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Assim, isto é mais um pouquinho de Lund, mas o que quero mesmo é mostrar a cidade, o centro. Lund é cidade bonita, pequena, antiga. Há várias casas de séculos de idade. O problema é que eu ainda não tenho fotos de lá, então fica para mais tarde.

 

“Minha” casa em Lund

Aqui estou eu em mais uma tentativa de voltar a manter este blog atualizado. Para variar, eu jogo a culpa para cima do mestrado, pois é de fato bem pesado – pretendo em breve escrever alguns posts sobre o programa. Mas também tenho andado sem vontade de escrever neste blog, apesar de agora, neste momento, estar curtindo bastante. Vamos ver se volto com toda a energia de antes. Pretendo mostrar por aqui um pouco da cidade de Lund, que é uma graça, além dos posts sobre o programa de mestrado e a continuação da série “Cinco Músicas“. Começo, então, pela “minha casa” em Lund.

Como todos já devem saber, eu me mudei para Lund, sul da Suécia, em setembro do ano passado. O apartamento em Linköping foi vendido há duas semanas atrás. É mudança mesmo, adeus Linköping. Eu não consegui nenhum quarto em dormitório de estudantes, nem apartamento para alugar, então acabei alugando um quarto na casa de um médico. A casa é bem grande, muito bonita. Há um quintal com bastante espaço, muito verde, com árvores carregadas de maçãs e ameixas nas épocas menos frias do ano.

IMG_0286          Jardim no começo de outono de 2013

Decidi não mostrar a casa por motivos éticos. Não é minha casa, então não vou expô-la aqui neste buraco negro que é a internet. Vou, porém, mostrar a minha parte da cova: o porão. Eu moro na parte de baixo da casa, o porão:

IMG_0278Porão: em frente, o quarto; à esquerda, o banheiro; à direita, a cozinha improvisada

Logo à entrada do meu espaçoso quarto fica a área para pendurar casacos e lenços. O chão é aquecido, um luxo delicioso. Assim, não passo frio aqui dentro. Os móveis são todos do dono da casa.

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Há uma mesa onde passo muito tempo em frente ao computador, seja estudando, fazendo atividades de um dos cursos, ou desperdiçando tempo online mesmo. É importante notar que o quarto já está, agora, um pouco mais bagunçado, e a garrafa de whisky não faz mais parte da decoração.

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IMG_0267Dispensa improvisada

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Não tenho mais o edredon abaixo. Também foi emprestado pelo dono da casa, já que esqueci a maior parte dessas coisas básicas quando me mudei. Não trouxe nem toalha.

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No quarto há apenas duas janelas, e a da foto abaixo é a única que pode ser aberta. Mesmo assim, evito abri-la, já que o quarto está à mesma altura do jardim, e muitas folhas são sopradas janela adentro pelo vento constante desta cidade.

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A cozinha é, na verdade, a lavanderia da casa. É espaçosa também, mas a rede de eletricidade não aguenta a demanda. Não posso cozinhar com três panelas em fogo alto ao mesmo tempo, nem usar o aquecedor de água junto com algo no fogo. Tudo se apaga, aí tenho que correr ao quadro de luz. A geladeira é pequena e eu a divido com uma menina que mora na casinha do jardim. Eu não sou a única que alugou um quarto aqui.

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O banheiro, como todos os outros cômodos, é grande. O chão também é aquecido.

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Eu gosto de morar aqui, e o dono da casa é bem legal e prestativo. Ele sempre quer ajudar com algo. Ele tem uns cinco filhos. Desses, duas meninas de 9 e 10 anos vivem aqui em semanas alternadas. É gostoso ouvir o barulho deles no andar de cima, sentir um pouco de vida ao redor, saber que eu não estou sozinha.

Nos próximos posts mostrarei a vizinhança, a cidade de Lund, e contarei um pouco sobre o mestrado.