A viagem marítima mais bonita do mundo: à bordo da Hurtigruten nos fiordes noruegueses II

Ao soar do apito grave do navio, adentrávamos o fiorde de Geiranger, depois de umas algumas horas de viagem. O que já era maravilhoso fica mais deslumbrante ainda. Não há mesmo como trazer uma descrição que faça justiça a essa majestosa paisagem. Eu me emocionei.

Imaginem morar aí.

Há duas quedas d’água importantes em Geiranger: Friaren e De syv søstrene (“dom sev sostrene”). “Friaren” significa “o pretendente” em norueguês e “de syv sostrene”, “as sete irmãs”. A lenda diz que as sete irmãs estão a dançar montanha abaixo, enquanto o pretendente, que está do lado oposto, flerta alegremente com elas.

Friaren, “o pretendente”
De syv søstrene, “as sete irmãs”. Reparem que essa coisinha laranja, acima, é um bote.

À distância, a vila de Geiranger:

Vila de Geiranger

O navio para em frente ao povoado por cerca de meia hora. Foi aí que os “ilha de Caras” feelings terminaram quando comemos nosso almoço, pão com ovo trazido de casa, hehe… Na verdade, a maioria das pessoas trouxeram lanche de casa. Por aqui não há vergonha nenhuma, pelo contrário. Há que ser assim também no Brasil, mas a classe média nunca quer parecer pobre.

Na volta, mais cerveja e um martini para alegrar a tarde.

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A viagem marítima mais bonita do mundo: à bordo da Hurtigruten nos fiordes noruegueses I

Houve muitos pontos altos nesta viagem à Noruega, mas este é o mais alto de todos, literalmente. Geiranger é um fiorde. Antes de explicar por que ele é tão importante, é bom esclarecer o que é um fiorde, já que eles não fazem assim tão parte da geografia brasileira. Um fiorde é uma entrada de  mar entre duas montanhas rochosas bem altas. O Brasil possui apenas um fiorde tropical, o Saco do Mamanguá em Paraty, RJ, e mesmo assim hea controvérsias quanto a sua classificação como fiorde.

Já na Noruega, é o que mais há na costa. O fiorde Geiranger (em norueguês, Geirangerfjorden, “gairanguerfiuden”) é parte de um sistema maior, o Fiorde Grande (Storfjorden, “isturfiuden”), se extende por 15 quilômetros, é um dos pontos turísticos mais visitados da Noruega e é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. Para chegar lá, pode-se fazer “a viagem marítima mais bonita do mundo”, slogan da linha de cruzeiros Hurtigruten (“rútigruten”), muito tradicional e famosa por cobrir toda a costa da Noruega e outros destinos também. É um luxo fazer um cruzeiro inteiro da Hurtigruten, mas eu e Erik não estamos assim ricos, mas pelo menos andamos sortudos. Ålesund é a cidade mais próxima da vila de Geiranger, povoado à beira do fiorde, então bastou fazer apenas um dia de todo o cruzeiro para conhecer esse fiorde. Ainda por cima, com desconto de 50% para estudantes.

Este post e mais o próximo está, assim, recheado de fotos de montanhas e mar, duas das coisas de que mais gosto. Não percam a paciência, são muitas, mas a viagem vale à pena. Na vida real, é ainda mil vezes mais deslumbrante. O fiorde de Geiranger – assim como o caminho até lá – foi uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida.

O navio se chamava MS Richard With:

MS Richard With em Ålesund

Estávamos atrasados, fomos para o cais errado. Por sorte, um taxista nos deu uma carona de graça, após perguntarmos de onde saía a Hurtigruten. Quais são as chances de isso acontecer? Quase perdemos o navio. Eu e Erik nos sentamos nessas poltronas azuis para tomar um café, era bem cedo.

Dentro de MS Richard With

Começa a viagem:

Estávamos sortudos mesmo, pois nesse dia – a propósito, domingo passado, 12.08.12 – o tempo estava maravilhoso, bem ensolarado. Todas as semanas anteriores foram terríveis, como já disse.

Cruzeiro na Ilha de Caras
Rica
Dez da manhã

No próximo post, entramos em Geiranger.

Próximas viagens

 

Esta é a última semana na Noruega. Vou sentir falta de Ålesund, realmente gostei desta cidade. De alguma maneira, me senti um pouco em casa aqui. Ålesund me lembra Santos (SP, Brasil) em alguns aspectos, até as luzes amarelas da noite me fazem ficar nostálgica. Estou de folga hoje, acabei de voltar do meu café preferido daqui, Lyspunktet, depois de três xícaras e meia de café. Tenho apenas mais três dias de trabalho na lanchonete e preciso começar a refazer as malas, pois vamos embora de Ålesund na segunda (20.08) bem cedo. Mas para onde eu e Erik vamos agora?

Tiraremos umas férias de quatro semanas. O primeiro destino é a Irlanda. Primeiro vamos para Belfast, Irlanda no Norte (a parte que ainda pertence ao Reino Unido), em uma mini “roadtrip”. Depois, quatro dias em Dublin, na Irlanda que é independente. Vai ser muito legal, sempre quis ir para a Irlanda. O que quero fazer por lá? Ir a muitos pubs e tomar muita cerveja. Olhar as pessoas, pegar um feeling do lugar.

Depois de uma semana na Irlanda, vamos para longe… Só que mais perto do Brasil: Estados Unidos. Sim, vou finalmente visitar o vizinho de cima. Primeiro passamos três dias em Nova Iorque, depois o resto do tempo em Los Angeles. São duas semanas no total. Diversas razões motivaram essa ida aos Estados Unidos agora. O melhor amigo do Erik mora em Los Angeles, então temos um lugar para ficar. Ele logo se mudará do país. Além disso, encontramos passagens baratíssimas (Dublin-NY-LA-Londres) e temos a oportunidade de fazer essa viagem agora.

Quando voltarmos dos Estados Unidos, aterrissaremos em Londres, mas eu sigo viagem sozinha. O Erik vai para Liverpool, procurar um lugar para nós morarmos até o fim do ano, e eu vou para Portugal! Sim, meus pais estão lá e esta é também uma ótima oportunidade para encontrá-los, já que estaremos no mesmo continente, hehe… Então eu sigo sozinha de Londres a Porto e passo uma semana com eles. Essas são férias de verdade, pois vou relaxar na terrinha. Eu já fui para Portugal, mas era muito pequena. Só é uma pena que a minha irmã Carol não estará lá. 😦

Estou muito ansiosa por essas próximas viagens e, ao mesmo temp0, já um pouco saudosa de Ålesund. Gostei bastante desta temporada na Noruega. Ainda trago mais um post daqui, sobre uma pequena viagem muito especial que fizemos no domingo passado, aos fiordes. Fica para o próximo post.

 

Sukkertoppen: escalando uma montanha norueguesa

No sábado passado (11.08), à tarde, eu escalei uma montanha pela primeira vez na vida. Bom, na verdade eu não a escalei literalmente, subi até o topo caminhando mesmo. Explico melhor: o tempo estava milagrosamente bom no sábado e eu e Erik estávamos os dois de folga. Sukkertoppen (“pico de açúcar”) é uma montanha de 314 metros de altura que fica aqui mesmo em Ålesund. Subir o Sukkertoppen é uma atividade popular, apesar de difícil. Assim, sábado à tarde, nada para fazer, queríamos aproveitar o sol… então subimos uma montanha!

Há uma trilha e foi por aí que subimos, então nada de cordas nem material de escalada. É tranquilo, mas bem cansativo. Exige bastante do corpo e, quando parece que você chegou ao topo, há ainda mais uns metros adiante. Isso se repetiu várias vezes. Apesar de exigir um esforço, foi bem prazeroso mover o corpo, respirar o ar fresco e finalmente chegar ao topo. Gostei muito de ter conseguido subir essa montanha alta e me senti muito bem fisica e mentalmente. A natureza é a melhor terapia.

A trilha começa em uma floresta:

Começo da subida

Ålesund
Trilha

Quase no topo

Topo

Ar fresco…

A vista é divina, é como estar no céu.

Erik

Sukkertoppen

A bonita cidade de Ålesund II

Aqui, continuo a mostrar a parte mais bonita e turística da cidade. Primeira parte aqui.

Cinema à esquerda

Ålesund era antes uma vila comum de pescadores:

Hoje está cheia de turistas que vêm em cruzeiros e barcos de noruegueses.

Muitos barcos em Ålesund

Carrinho

Quando coincide de eu e o Erik estarmos de folga e o tempo não estar tão ruim, nos sentamos em um banco perto dos barcos, batemos papo e tomamos cerveja.

A bonita cidade de Ålesund I

Ålesund é uma cidade bem bonita mesmo. Tivemos muita sorte de acabar vindo para cá. A cada vez que saio de casa, é um pouco difícil de acreditar que tudo funcionou tão direitinho: que a cidade é uma graça, que eu e Erik arranjamos trabalho, que moramos bem no centro. O único problema é o tempo. Parece que não, pois as fotos sempre mostram uma Ålesund ensolarada, mas aqui o verão está terrível. Foram poucos dias de sol. A maioria foi cinza, com chuva e frio, entre 10 e 13 graus. Neste post, apresento fotos de um dia de sol, a principal parte da cidade vista de perto.

Gente pobre

Eu adoro as gaivotas daqui. São tão bonitas…

É verdade que aqui tem bacalhau mesmo! É considerado um prato típico. Já ouvi diferentes estórias, mas parece que foram os portugueses que trouxeram essa influência para cá.

Muito bacalhau na Noruega

Trabalho de verão na Noruega

Eu gosto bastante da minha rotina aqui em Ålesund. Trabalho bastante, não importa o dia da semana, isso inclui sábados e domingos. Quando estou de folga, me arrumo e vou passear, como o fiz quando fui até a fellstua. Trabalhar é mesmo, sem dúvida, o que mais faço por aqui. Hoje trabalho na cozinha e na lanchonete de um asilo de velhinhos (meio hospital mesmo), chamado Giske Omsorgssenter (Centro de Saúde de Giske) que fica na ilha de Valderøya. Mas antes de começar no asilo, tive outras duas experiências: garçonete e vendedora de morangos.

Não foi difícil encontrar trabalho aqui em Ålesund. Tem muito. Eu comecei a mandar currículos ainda na Suécia e de lá consegui o trabalho de vendedora de morangos em uma barraquinha que ficava neste shopping center, em uma outra região, Moa:

Shopping center de Moa
Vista a partir do shopping

Eu tive um dia de treinamento e só, nem cheguei a começar de fato, pois acabei arranjando o trabalho no centro de saúde, com salário maior e mais horas. Antes do treinamento dos morangos, porém, trabalhei um dia inteiro em um restaurante bem no centro de Ålesund, Lyst. Cheguei aqui no domingo 24 de junho e, no dia seguinte, já estava no restaurante, pronta para o dia de experiência. Não deu certo, acharam que a língua atrapalhava muito, já que eu não falo norueguês. Eu me atrapalhei com algumas coisas também, já que nunca tinha trabalhado como garçonete. Mas valeu pela coragem de ter ido dar as caras em um restaurante norueguês.

Restaurante Lyst

Bom, voltando ao trabalho onde acabei ficando, trata-se de um asilo que mais parece um hospital. Eu fui contratada para trabalhar na lanchonete a maior parte do tempo, mas acabei trabalhando mais na cozinha.

A cozinha é industrial. Fazemos comida para todas as unidades, outros lugares onde velhinhos vivem e também para os que vivem em suas próprias casas, mas recebem visitas de enfermeiros. Eu sou assistente de cozinha, então não cozinho de fato. Isso quem faz é chef e as assistentes mais antigas. Eu basicamente passo o dia embalando comida em sacos plásticos ou embalagens individuais e lavando louça, limpando. O primeiro dia foi horrível, pois eu tinha nojo de tudo. As comidas são diferentes, tudo leva muita manteiga (eu detesto) e fica aquele cheiro no ar, misturado com vapor de água. Tem também a questão da carne. Eu não me importo tanto de lidar com isso, mas às vezes, quando você está fatiando uns 30 quilos de lombo de porco, sobe aquele ar de sebo. O problema todo é o cheiro de sebo. E também o fato de que muitas comidas parecem um vomitado. Agora tudo está melhor, já me acostumei e até gosto do cheiro de bacon no ar, heheh… Melhor que de manteiga.

As pessoas são muito legais, é um time bom mesmo. Todas muito amigáveis, receptivas, simples. O horário é das 7 às 14.30, mas eu sempre entro às 7.45, pois vou junto com o povo aqui de casa, de carro. O trabalho é duro, braçal, repetitivo, é a primeira vez que tenho um trabalho assim na vida. Juntei-me à classe trabalhadora com muito orgulho.

Corredor do subsolo, onde fica a cozinha.
Cozinha
Máquina de lavar pratos industrial
Passo o dia embalando comida nessas máquinas.
Panelas gigantes
Fornos gigantes
Batedeira gigante
Fogão gigante
Geladeira gigante

Tudo é bem grande na cozinha.

Outra parte do meu trabalho é a lanchonete. Tenho trabalhado lá aos finais-de-semana e, às vezes, durante a semana. Lá o horário é diferente: das 9.30 às 17.30, mas ainda assim eu vou junto com os outros suecos da casa e chego duas horas mais cedo. Aí tenho que dormir no sofá da lanchonete até as 9.30.

A lanchonete não é, assim, um café divertido. É uma lanchonete onde a maioria dos frequentadores é parente dos velhinhos. Trabalho divertido, não? Lanchonete de asilo. Eu sirvo almoço todos os dias, além de saunduíches, salada de macarrão, bolo etc.

Lanchonete

Eu vendo, também, svele (ísvéle; plural sveler), um tipo de panqueca norueguesa. A massa é feita na cozinha. Eu só acrescento três ingredientes e bato um pouquinho à mão. Depois, pego uma concha e tenho que delicadamente colocar a massa líquida em uma chapa gigante. Imaginem o desastre das primeiras vezes.

Primeira vez que preparei sveler
Desastre

Tive que começar de novo nesse primeiro dia:

Eu também tenho que esquentar um milhão de refeições que eu embalo na cozinha para que o motorista entregue nas casas dos velhinhos que não moram no asilo:

Vista da lanchonete:

Entrada

O trabalho na lanchonete é bem calmo na parte da tarde (as coisas são meio mortas por lá, hehe) e dá para ler bastante. Também faço uma pausa para um café na parte de fora (acima). Vista:

O salário é excelente e eu fiquei muito feliz de ter arranjado esse emprego de verão.