Em breve

Acabo de acessar as estatísticas deste blog e vejo que o nível de visitas e visitantes aparentemente não caiu nestes últimos tempos de total abandono deste blog. Fico feliz. Aguentem firme minha gente, pois em breve retornarei com novidades, apesar de ainda não saber quais. Sugestões nos comentários são bem vindas. Penso em escrever uns posts antiguinhos sobre as últimas semanas na Jamaica em novembro-dezembro 2014, mas em formato de álbum mesmo, pois foto é o que todo mundo quer ver, muito mais do que texto chato. Também penso em mostrar a última mini-viagem a Milão, Itália, além de Lund, onde já moro há um ano, além de Eskjö, onde o Erik se esconde e onde eu morarei a partir de junho deste ano. Se tudo isto soa tedioso, reclamem nos comentários.

De brinde, uma foto minha em uma plantação de mandioca de uma ocupação do MST (trabalho de campo da tese):

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Pausa temporária

Quem acompanha este blog já deve ter percebido que a frequência de postagens desceu a… zero! Pois é, depois de terminar o estágio no PNUD Jamaica, em Kingston, dei uma viajada pelo ilha. Passei um fim-de-semana com minha amiga em Portland. Erikl chegou com uma semana de atraso por ter quebrado a mão. Juntos com minha amiga, fomos a Montego Bay. De lá ela volta a Kingston, e eu e Erik seguimos para Negril. Depois foram mais cinco dias em Kingston até chegar o sábado, 06 de Dezembro, quando peguei o vôo para São Paulo. Ainda não sei se farei posts sobre essas viagens pela Jamaica, pois o tempo passa rápido. Talvez eu poste alguns álbuns desses lugares.

Agora, neste momento, estou em um acampamento do MST no norte do Paraná para o trabalho de campo da tese de mestrado. Cheguei na quarta, 14 de Janeiro, e é justamente por isso que não consigo postar nada. Tem sido muito intenso, um ótimo trabalho de campo e, principalmente, experiência de crescimento pessoal. Aqui falta luz de vez em quando, e a minha internet móvel nem sempre funciona. Assim que eu conseguir voltar a um ritmo mais “normal”, voltarei a postar. Enquanto isso, vocês podem deixar comentários aqui mesmo, sugestões de posts para este ano.

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Mestrado em desenvolvimento internacional na Universidade de Lund – o que é isso?

É incrível que só esteja começando a escrever sobre o mestrado quando já estou no segundo semestre. Enfim. Eu já postei sobre as escolhas que fiz quando tive que fazer as inscrição no processo seletivo. Este post do passado é importante pois revela o que de fato eu queria fazer e a tensão inerente em fazer algo que não condiz totalmente com a sua visão de mundo.

Bom, eu estou cursando o Master of Science Programme in International Development and Management (LUMID) (Programa de Mestrado em Desenvolvimento Internacional e “Administração”). Esse programa de mestrado é voltado para pessoas que curtem a área de desenvolvimento internacional, coisa que eu não entendi bem quando me matriculei. Mas o que é “desenvolvimento internacional”?

Apesar de ser uma indústria importantíssima no mundo, nem a Wikipedia oferece uma página em Português sobre a área. É uma pena, pois os países do Sul deveriam saber o que, como e por que os países do Norte metem o bedelho nos do Sul. Desenvolvimento internacional, também chamado de desenvolvimento global, é uma área de estudos e uma indústria surgida no pós- Segunda Guerra e que divide o mundo em “países desenvolvidos” (ricos), “países em desenvolvimento” (eufemismo para pobres, com uma diferença considerável entre eles) e “os países menos desenvolvidos” (LDCs – least developed countries, os miseráveis). Se depender que quem responde a pergunta acima, a resposta pode ser bem diferente.

Desenvolvimento internacional lida com várias áreas como ajuda externa (recursos doados por países), governança, saúde, educação, redução da pobreza, igualdade de gênero, prevenção de desastres, infra-estrutura, economia, direitos humanos, meio-ambiente, ajuda humanitária e outras. Existem muitas organizações envolvidas na indústria do desenvolvimento, a maior e mais conhecida sendo as Nações Unidas. A maioria dos “países desenvolvidos” têm suas agências de desenvolvimento que trabalham com projetos e doam dinheiro (ajuda externa) aos “países em desenvolvimento”. Na Suécia, a agência é a SIDA. Hoje não são apenas os países mais ricos que atuam nessa área. O Brazil também tem sua agência, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), à qual integra o Ministério das Relações Exteriores. O protagonismo do Brazil no cenário internacional tem crescido bastante, e, segundo o IPEA, o Brazil gastou um total de R$ 724 milhões em projetos de cooperação Sul-Sul em 2009.

A crítica ao “desenvolvimento” mainstream é bem contundente e situa essa área, no geral, como neocolonialismo contemporâneo ou imperialismo ocidental. É claro que isto é uma simplificação muito grande. Para quem quer saber mais sobre a crítica ao desenvolvimento, deve ler Encountering Development, de Arturo Escobar um antropólogo colombiano muito perspicaz.

Escrevi tudo isto só para as pessoas que lêem este blog terem uma ideia melhor do que venho estudando desde setembro do ano passado. Deve dar para perceber que ando bem crítica em relação a esta área. Não gosto da área em si; por outro lado, é tudo muito amplo, e gosto de certos assuntos da área. Além disso, gosto da possibilidade de poder trabalhar com algo com que eu me importo, um dos meus maiores desejos.

O primeiro curso, International Development Perspectives (Perspectivas do Desenvolvimento Internacional) durou de setembro a meados de dezembro de 2013. Tivemos etapas diferentes dentro do curso e estudamos as dimensões econômicas, sociais e políticas, além da UN Week (Semana ONU), uma semana de aulas com profissionais sênior da organização. O segundo curso, Theory of Science and Methods (Teoria da Ciência e Método), foi muito bom. Além de aprender mais sobre ciência de um ponto de vista filosófico, aprendemos também sobre métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa. Esse curso durou de dezembro a janeiro.

O terceiro curso foi Development Organizations and Programme Management (Organizações “de desenvolvimento” e Gerenciamento de Programas). Tivemos uma parte deste curso em janeiro-fevereiro, e teremos o resto em junho. Bem chato. O quarto curso, Global Health (Saúde Global) foi um curso em saúde pública. Foi interessante aprender sobre epidemiologia, as doenças que afetam diferentes países de maneira distinta etc. O quinto curso, Sustainable Development and Natural Resource Management (Desenvolvimento Sustentável e Gestão de Recursos Naturais) acabou de terminar. É o que eu gosto de fato e com o que eu gostaria de trabalhar no futuro, principalmente na linha da ecologia política. EU já fiz um curso em desenvolvimento sustentável na Universidade de Linköping. O sexto curso acabou de começar, mas eu estou pulando o começo para prolongar as o descanso (merecido) de Páscoa. Chama-se Urban and Rural Development and Livelihoods (Desenvolvimento urbano e agrarário e meios de vida).

Este programa é bem competitivo, pois é difícil de entrar. O principal atrativo para quem está em frente à tela do computador tentando escolher um programa é a promessa de emprego na área. Na página do programa lê-se bem claramente que em torno de 70 a 80% dos alunos encontram um emprego na área em menos de um ano. Ao ver a lista de onde ex-alunos estão, parece bem interessante – várias agências da ONU, ONGs etc. O que eu realmente espero deste programa é que me permita trabalhar com questões que eu acho importantes.

A carga de trabalho dos cursos é bem pesada –  nem tanto na parte de conteúdo, que deixa a desejar por muitas vezes, mas na quantidade. É um paper atrás do outro, além de seminários, apresentações, projetos etc… É realmente quantidade acima de qualidade. Não dá tempo de ler, ler, ler e digerir o conteúdo. Por outro lado, acabamos aprendendo bastante em termos de escrita acadêmica, pesquisa e outras habilidades deste tipo, de tanto que trabalhamos. Eu tinha uma imagem muito diferente de um mestrado. Pensei que fosse algo bem mais independente, que eu tivesse bastante tempo livre para ler e ir atrás dos meus interesses. Mas este programa não é assim.

Há dois elementos que estressam bastante os alunos: estágio e tese. Temos que encontrar um estágio em alguma organização, preferencialmente em um país “em desenvolvimento”. O estágio deve durar de setembro a dezembro, em média, mas é lógico que essas datas mudam bastante. Assim, não sei onde estarei morando no próximo semestre, provavelmente em algum canto da América Latina. A tese também é motivo de stress, pois precisamos conectar tudo – o trabalho de campo da tese, no geral, deve ser feito no mesmo país. No momento, eu estou bem ocupada com todos os papers, tentando encontrar um estágio e pensando/lendo/debatendo possibilidades para a tese. Não vejo a hora de ter férias; todos estão bem cansados. Inclusive eu.

Não tenho muitas imagens da Universidade de Lund ainda, mas aproveito para mostrar a área da biblioteca e café da faculdade de letras, línguas e comunicação social (SOL). Eu passo por ali quase todos os dias e gosto de trabalhar lá.

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Mais tendências (desastres) ambientais

Continuação das melhores partes do relatório do Pnuma, Keeping Track of Our Changing Environment: from Rio to Rio+20. Primeira parte aqui.

Consumo de recursos naturais

Aquecimento de oceanos/elevação do nível do mar

Acidificação dos oceanos
Desmatamento

Desmatamento da floresta Amazônica

Perda de biodiversidade

Extinção de espécies

Produção de plástico

Agricultura e fertilizantes

Plantações e desmatamento

Pastoreio

 

Esgotamento dos estoques de peixe

Pesca e atúm

Consumo de energia no norte e no sul

População sem luz

A divisão entre o Norte e o Sul

Energias renováveis

Energia solar e eólica

Bio-combustíveis

Íntegra do relatório aqui.

Primeiros cursos na Universidade de Linköping e tendências ambientais

Agora que eu oficialmente acabei todas as atividades relacionadas a trabalho e estudos, aproveito para mostrar um pouco do que estudei na Universidade de Linköping este ano.

Foi estressante, deu muito frio na barriga. Foi a primeira vez que estudei em uma universidade no exterior e isso por si só já é motivo de bastante ansiedade e perfeccionismo. Fiz dois cursos independentes, mas um deles, na verdade, faz parte de um programa de mestrado: Social and Political Ethics, um curso de Filosofia Política. Foi bem intensivo, pois o curso é 100%, mas dura apenas um mês. Isso significa que todo o trabalho de um semestre deve ser feito em apenas um mês. Eu tive que ser bem disciplinada, pois a literatura incluiu um livro bem grosso e textos extras. Tivemos seminários e ainda a produção de dois artigos (papers) individuais.

O outro curso, que acabei há duas semanas, chama-se Sustainable Development in the Global Context (Desenvolvimento Sustentável no Contexto Global). Eu adorei, pois envolve muitas questões com as quais gosto de trabalhar, que me interessam muito. Pode estar aí um possível caminho. O pretextto deste post era apresentar estes dois cursos que me tomaram o semestre, mas o que quero mesmo é apresentar um relatório, parte da bibliografia do curso de desenvolvimento sustentável. Em tempos de Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável ou Segunda Cúpula da Terra), é bastante propício mostrar as melhores partes de um relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) sobre o que tem acontecido no mundo desde a primeira conferência há 20 anos atrás (Rio 92, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio-Ambiente e o Desenvolvimento, ou Primeira Cúpula da Terra). Muitos dos relatórios e textos das Nações Unidas nessa área são vazios, burocráticos. Falo de carteirinha pois li os mais importantes palavra por palavra para escrever o meu paper final, que tinha a convenção deste ano como pano de fundo. Mas este relatório do Pnuma, entitulado Keeping Track of Our Changing Environment: from Rio to Rio+20, traduzido como “De olho no meio ambiente em mutação: Do Rio à Rio+20”, é exceção à regra e contém muitos gráficos e informações bem úteis e desconcertantes. É um dos textos de referência para a Rio +20. Pois bem, eu o li inteirinho e vou publicar as melhores partes aqui.

Keeping Track of Our Changing Environment, UNEP Outubro 2011

População urbanaMega cidades
Favelados
Consumo de carne

Emissões de CO2 (gás carbônico)

Setores que mais emitem gases de efeito estufa

Aumento de CO2 na atmosfera

Aumento da média da temperatura global

Os 1o anos mais quentes

Íntegra do relatório aqui.

Mistério resolvido: lasanha

Lasanha era um mistério para mim. Especialmente essas novas, cuja massa não precisa ser aferventada. Eu pensava que seria fácil, até que, há muitos meses atrás, tentei fazer uma. A Carol e a minha mãe acompanharam por skype e viram o desastre. Usei massa desse tipo citado, dois pacotes de meio quilo cada, pois a forma era grande e pensei que fosse pouca massa. Jamais façam isso. Meio quilo de massa é suficiente para ao menos 6 pessoas. Um quilo de massa e 10.000 camadas deixa a sua lasanha uma pedra, pois a massa não cozinha. Aí a expectativa de comer lasanha é substituída pela frustração de ter que comer algo parecido com bolo de macarrão.

Pois bem. Busquei e busquei várias receitas de lasanha online e encontrei uma tradicional aqui: Lasanha à Bolonhesa. Eu adaptei a receita e tornei-a vegetariana; fiz com carne moída de soja. A diferença é que é necessário preparar a soja antes de começar o ato I da receita acima. Eu trouxe soja do Brasil, proteína texturizada granulada da Mãe Terra. O site deles é uma graça, com várias formiguinhas e caracolzinhos. Eles vendem muitos produtos legais, como bizus e miojo orgânicos, viu Carol (miojo orgânico com massa caseira integral, não frita e 60% menos sódio à venda no Ao Pharmacêutico e é barato). Lou, Pam e Valéria, eles também têm cookies integrais, hehe.

Proteína Texturizada de Soja Mãe Terra

Aqui na Suécia eu geralmente uso Veggi:

Assim, o primeiro passo é preparar a soja. As instruções para hidratação estão no pacote. Depois, refoguei azeite, cebola e alho, acrescentei a soja e mais uma série de temperos (sal, pimenta, cúrcuma para cor, caldo de legumes, um pouco de mostarda e outros). Depende do gosto. Depois de refogar bastante (é importante acrescentar água durante o refogado, assim a soja não gruda), está pronto para começar a receita acima.

Segui direitinho o passo-a-passo – o que é muito raro, eu sou o tipo de chef que não se importa com instruções – e a lasanha de muito certo! Sucesso! Pode tentar essa, Day.

Lasanha à bolonhesa vegetariana

Salada de baby rúcula e rabanete para acompanhar:

Uma das coisas importantes na cozinha vegetariana é entender que não significa limitação, mas sim, adaptação. É uma questão de adaptar receitas e criar e buscar novas também. Depois que me mudei para a Suécia, descobri que amo cozinhar, mas isso é assunto para mais posts.

Aceito sugestões de desafios. Eu tento cozinhar aqui e posto os resultados.

Este post também é uma oportunidade de mostrar os presentes super fofos que eu ganhei da Carol e do Peterson:

E a toalha portuguesa linda que ganhei dos meus pais:

Vou mostrar mais em futuros posts. Estamos usando tudo e amando.

No Brasil 2011, teve…

Nesta última viagem ao Brasil, teve:

Encontro com as mais que amigas no bar (faltou uma, que não é fã de bar):

Louise e Pamela

Essas duas têm blogs super legais, listados no menu “Links Amigos”. Só está faltando essa terceira pessoa que não foi ao bar criar o seu também.

Muita cerveja (e algumas caipirinhas)

Duas idas ao samba do Ouro Verde, com direito a papo com os sambistas (e um pouco do pernil que eles estavam comendo para o Erik):

Ouro Verde, Marapé, Santos

Eles adoraram o gringo.

Yow com a minha mãe:

Deliciosos jantares quase diários:

Comemoração do aniversário do Erik com Veuve Clicquot (que era para ter sido aberto no Ano Novo):

Teco

Naturalmente do tipo "rica"

E assim acaba a viagem.