Gyozas coloridas

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Onde ficar em Milão e uma noite no teatro Scala

A resposta para a primeira pergunta implícita no título do post é simples: Navigli! Navigli é um distrito boêmio cheio de bares, pubs, restaurantes, ateliers de arte, música ao vivo e todas essas coisas que são as melhores nesse tipo de viagem. Há vários “Navigli“, de acordo com a Wikipedia, que costumava ser uma rede de canais, hoje abandonados. Naviglio Grande é a área onde fiquei, bem hip – tinha até uma lanchonete fast-food 100% vegana, além de lojas vintage.

Naviglio Grande
Naviglio Grande

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Atelier
Atelier

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O que é bem gostoso em Naviglio Grande são os restaurantes e cafés com suas mesinhas no passeio, à beira do canal. Sentar a uma delas e tomar um café ou outro drink ao sol é uma excelente maneira de passar parte do dia. Principalmente se também envolver comida. Foi o que fizemos em um dos restaurantes mais lotados:

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Pizza em Naviglio

Há com certeza melhor pizza do que essa; muitos dos restaurantes são bem turísticos. Mas ainda assim, fora a pizza ter sido saborosa, o melhor foi ter sentado ao sol e observado as pessoas que passavam. A concorrência para conseguir uma mesa é quase impossível. À noite também não faltam restaurantes nem bares. Achamos uma pérola, um restaurante cheio de italianos mesmo, com um menu pequeno, escrito à mão, e decoração rústica. A comida era muito boa, preços muito baratos, mas porções bem pequenas. Fino. Infelizmente, não me lembro do nome.

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As cervejas especiais têm bastante espaço em vários pubs/bares do local. Um excelente bar que serve suas próprias cervejas artesanais, bem pequeno, é o BQ Birra Artigianale. Para drinks refinados e uma atmosfera quase perfeita, o Ugo Bar, bem próximo ao BQ Birra, é ótimo.

Um dos muitos bares com boas cervejas. Já não me lembro do nome.
Um dos muitos bares com boas cervejas. Já não me lembro do nome tampouco.

Voltando para os arredores da praça central de Milão, onde fica a famosa catedral de Duomo, vamos agora a um outro tipo de atração na cidade, uma atração historicamente exclusiva ao aos nobres e abastados: o Teatro alla Scala, ou La Scala, como é conhecido, uma das casas de ópera mais famosas do mundo.

La Scala, Milão
La Scala, Milão

Eu e Erik demos uma de refinados, compramos entradas que não as mais baratas, mas as segundas mais baratas, e fomos a essa casa de ópera assistir a um balé! Gente, todo mundo deveria fazer isso. Não digo exatamente ir ao La Scala, pois nem todos trilham os mesmos caminhos, mas é bom ficar ligado nas casas de show e teatros na sua região, pois muitas vezes há espetáculos bons e gratuitos. Mais do que pelo espetáculo, muitas casas valem pelo nível do estabelecimento em si. O La Scala é lindo! Eu nunca tinha entrado em uma casa de ópera antes. Que luxo.

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Assentos caros

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Uma coincidência muito legal é que estou lendo Adeus às Armas (Farewell to Arms) do Hemingway nesses dias em que escrevo estes posts sobre Milão, e algumas partes da narrativa se passam lá, inclusive há menções ao La Scala e à galeria do último post. Enfim, referências literárias à parte, fora eu ter podido apreciar a beleza do teatro, a apresentação foi boa. Eu não entendo nada de balé, apesar de ter dado os meus pulos quando criança, mas gostei. Gostei mais ainda por ter caído no sono. Sim, eu caí no sono durante o balé, aquele sono pesadamente leve, irresistível, que não há como escapar. Perdi algumas partes, mas o balé era bem monotônico, então capturei o conjunto da coisa de qualquer maneira. Não acho que o meu cochilo ateste a chatice do balé; pelo contrário, atesta o conforto da obra. Mesmo que eu invariavelmente caísse no sono em cada ópera e balé que assistisse, iria continuar frequentando esses eventos. Foi um sono bom.

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Balé no teatro La Scala

E chega ao fim a “série” de posts sobre essa viagem curtinha à Itália. Nos próximos posts, mostrarei um pouco de Lund, onde morei até Junho deste ano, e também mais uma edição do Psykjunta, festival psicodélico em Småland.

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O centro de Milão: catedral Duomo e um dos shoppings mais antigos do mundo

Os próximos posts neste blog, assim como o último sobre a festa de formatura do mestrado, mostrarão um pouco do que fiz neste primeiro semestre deste ano até agora, a metade, o mês de julho. Assim que eu voltei do Brasil, no dia 02 de março, não se passaram nem dois dias e eu e Erik fizemos uma mini-viagem à Itália. Eu nunca tinha estado nesse país, então foi super excitante.

Eu tinha uma imagem não muito positiva da Itália, algo como um país meio decadente, já saudoso dos tempos mais prósperos. Devo esse estereótipo a certas imagens que tenho da classe média besta brasileira da região de onde venho, sempre colocando nomes italianos em tudo, prédios, restaurantes… Essa breguice de síndrome de cão vira-lata. Mas mudei de ideia, não a respeito da classe média, mas da Itália. É um país lindo – ao menos o pouco que vi em quatro dias. Adorei.

Eu e Erik passamos um fim-de-semana prolongado em Milão, dita capital da moda italiana. O que queríamos era celebrar a minha volta à Suécia, e não há nada melhor do que uma viagem a dois desse tipo, tranquila, gostosa, sem mochilão. Para namorar muito, comer e dormir.

Já começo com uma foto minha a caminho de uma das principais atrações da cidade. Infelizmente, como já faz tempo, não me lembro de todos os nomes dos lugares. Essa foto mostra um pouco de algumas ruínas em uma rua cheia de butiques vintage muito legais, localizada entre a área onde me hospedei (Navigli) e a praça principal de Milão (Piazza del Duomo) na parte central da cidade.

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Um dos principais pontos turísticos a se visitar em Milão – e vale a pena, pela beleza – é essa praça que acabei de mencionar, onde fica a Duomo di Milano, a catedral da cidade. É a praça central; a praça em si é bem bonita, mas está cheia de poluição visual: outdoors da H&M, faixa do Mc Donald’s, o que estraga um pouquinho da suntuosidade da arquitetura. Mas não é nada que estrague o passeio, claro

Os dias de primavera estavam lindos, claros, frescos, uma temperatura por volta de 10C. Depois de sete meses de verão na Jamaica e no Brasil, eu não me importei em nada de pegar um “inverninho” na Itália. Vejam a cor do céu:

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Duomo di Milano (catedral) na Piazza del Duomo (praça), Milão

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Monumento ao Rei Victor Emmanuel II
Monumento ao Rei Victor Emmanuel II

A catedral é linda, se compara à Catedral de Notre-Dame na minha opinião. De acordo com a Wikipedia, a catedral levou seis séculos para ser construída. É a quinta maior do mundo e segunda da Itália.

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Porta trabalhada
Porta trabalhada

A entrada é gratuita.

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Quem foi criado com um pouquinho que seja de tradição católica (ir à missa uma vez ao ano, funerais e casamentos), deve reconhecer o drama da decoração católica.

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Nessa catedral tem a coisa que mais gosto de ver em uma igreja. Por conta de uma curiosidade mórbida, ou gosto pelo mistério, sempre adorei ver corpos mumificados nas igrejas:

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É de verdade. Eu me agachei e consegui ver uma partezinha do crânio.

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Na mesma praça, à esquerda da catedral para quem a olha de frente, fica uma outra atração muito famosa: a Galleria Vittorio Emanuele II, um shopping arcade, ou centro comercial em uma arcada, um dos shopping centers mais antigos do mundo, construído no século 19. O arco que marca a entrada é divino, mas a façada estava sendo reformada e tudo estava coberto por um anúncio gigante da H&M. Dentro, o centro é amplo, o teto é altíssimo com uma abóbada ao centro, e há lojas das mais finas. Muitos dos turistas que vi estavam apenas olhando e tirando fotos, como eu.

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Galleria Vittorio Emanuele II, Milão

Havia também várias pessoas vendendo flores e pequenas bugigangas, mas quando os seguranças chegavam, o povo corria. Adoro esse contraste de riqueza do outro mundo com a vida real. Os vendedores de flores & bugigangas são bem insistentes e estão não só aqui, nessa galeria, mas como também na praça. Muitos são imigrantes.

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Perto de uma das saídas da galeria, fica o famoso Teatro alla Scala, mas só o mostrarei em um outro post. Nessa mesma área, ao redor da praça, perto da galeria e do teatro, há muitas e muitas ruas de comércio.

Comércio
Comércio

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Mais para perto da catedral e dos museus ao pé dela, há vários restaurantes também. Achamos, sem querer, uma padaria que foi assim o meu lugar preferido para comer em Milão – e experimentamos vários. É uma padaria (rede) que vende de tudo: pizza, focaccia e muitas delícias. Chama-se Princi. Não é caro, perfeito para café-da-manhã, almoço… Mas também um jantar cedo, por que não? Para quem gosta de pizzas e pães maravilhosos… Eu, apesar de não gostar de rotina, também sou uma pessoa de hábitos circulares, assim como os cachorros (foi o Milan Kundera que escreveu que os cachorros tem uma noção de tempo circular). Assim, quando eu descubro um lugar para comer que amo, quero sempre voltar lá, frequentemente, e comer a mesma coisa. Por isso fomos a Princi acho que em três dos quatro dias que ficamos em Milão, para um “almoço” bem tarde. Essa padaria fica na Via Speronari, a menos de cinco minutos da praça Duomo.

Comida deliciosa no Princi
Comida deliciosa no Princi

Não faltam alternativas ótimas para comer em Milão. A cidade é cheia de restaurantes, padarias, bares, confeitarias… A comida estava uma delícia em todos os lugares que comi. A pizza, o macarrão, os pães são muito bons. Amei a comida lá.

Uma das muitas delicatessens em Milão
Uma das muitas delicatessens em Milão

Viajando pela Jamaica: Negril

Este é o último post sobre a minha temporada de quatro meses na Jamaica. Já chega, né? Fui embora desse país super legal, estiloso, lindo e divertido já em Dezembro do ano passado. Os próximos posts serão sobre a viagem que fiz à Itália nesta primavera (março) e sobre a cerimônia de formatura do mestrado. Fiquem ligados.

Bom, o último lugar que visitei na Jamaica, já somente eu e Erik, chama-se Negril. De todos os lugares que conheci por lá, acho que é o que mais vale à pena, principalmente se você estiver interessado(a) em praia e natureza. Negril tem uma praia linda, que eles chaman de Seven-mile Beach  (a praia de 11 Km de extensão). Eu não experimentei nenhuma aventura pelas florestas, mas tanto em Negril quanto em outras partes da Jamaica, há muito o que fazer no que toca a esportes radicais – canoagem, arvorismo etc. Talvez na próxima.

A parte de Negril onde fiquei não é a dos resorts de luxo, uma área mais afastada com muitos hotéis e restaurantes que se chama West End. Ainda assim, considero o lugar onde me hospedei muito bom: um hotel chamado Pure Garden Resort a dois minutos da praia citada acima, com mercadinho de conveniência e restaurantes ao redor. Acho que qualquer hotel na avenida ao largo da praia, a Norman Manley Boulevard, onde fica o Pure Garden, é uma boa opção budget.

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Pure Garden Resort, onde fiquei

Nas minhas andanças pela Jamaica, vi muitas barraquinhas de comida de rua e bares/botecos coloridos. Esses pequenos negócios estão em toda parte, principalmente os que vendem jerk chicken, churrasco de frango com um molho jamaicano especial chamado jerk, que também é o nome da técnica de churrasco empregada. Havia uma dessas barracas bem em frente ao hotel.

Barraca de frango "jerk" e água de côco
Barraca de frango jerk e água de côco
Onde o churrasco é assado
Onde o churrasco é assado

Seven-mile Beach  (a praia de 11 Km)

É aí que passamos todos os dias e também noites em Negril. Era baixa temporada por ser inverno e época de furacão, mas ainda assim o bar Bourbon Beach ficava cheio à noite. Muito gostoso tomar Red Stripe, sentir a brisa do mar, ouvir reggae e apreciar o estilo dos frequentadores do bar.

Praia: Seven-mile beach
Praia: Seven-mile Beach
Bourbon
Bar Bourbon Beach

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Erik lê Clarice Lispector em Inglês
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Tem puculinho lá também

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Pôr-do-sol na "Seven-mile beach" em Negril
Pôr-do-sol na Seven-mile Beach em Negril
Bourbon Beach bar à noite
Bourbon Beach bar à noite

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West End

Essa é a área mais chique de Negril, 0nde ficam resorts e hotéis de luxo. Mas a Jamaica sempre oferece opções para todos os bolsos: há lugares ótimos para comer por lá, super baratos. Um imperdível é o Just Natural, onde tomei a melhor piña colada da minha vida, e olha que não gosto desse drink. O restaurante é um charme rastafari. As mesas ficam espalhadas em um jardim tropical com uma decoração muito fofa. A comida é ótima e super barata, mas as porções são pequenas. Uma outra pérola imperdível também é o Ras Rody’s Roadside Organic. É uma barraca de madeira super colorida, à beira da West End Avenue, que vende comida rastafari. Uma delícia, muito simples, servida diretamente da panela. Um achado.

Eu e Erik fizemos um passeio de barco por West End com direito a paradas para snorkeling. Deu para ver um pouco do lugar chique:

West End, Negril, vista do mar
West End, Negril, vista do mar

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Imagine passar um mês aí
Imagine passar um mês aí

Vários lugares tinham escadinhas direto para o mar. Eu adoraria morar em uma casa assim, com escadinha para o mar. Assim eu poderia mergulhar todos os dias.

Escadinha para o mar
Escadinha para o mar

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E assim acaba, minha gente, o capítulo Jamaica. Veja também os passeios a Montego Bay e Portland.

Dois restaurantes não tão bons em Kingston

É mais comum encontrar posts sobre restaurantes bacanas para visitar em posts sobre turismo. Este não é um deles. Este post não é sobre dois restaurantes super gostosos; é sobre dois restaurantes para não ir em Kingston. Um deles era bem promissor: um restaurante JaMexican chamado Chilitos. Imaginem, uma mistura de comida jamaicana e mexicana. Essas duas cozinhas são uma delícia, além de muito apimentadas. O encontro das duas só poderia ser algo dos céus. Mas não foi, pelo menos não em Chilitos.

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Chilitos: comida JaMexican (Jamaicana & Mexicana)

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Em Chilitos, você está sob sua própria responsabilidade: “Estacionamento por sua própria conta e risco. Favor retirar seus pertences do carro – gerência”

Chilitos não é de todo ruim. A decoração é o máximo, é um ambiente muito gostoso. O problema desse restaurante é justamente a comida. A comida não é boa. Não estou julgando por um patamar superior de excelência, hehe. Eu não sou chef e já comi em muitos lugares simples. A questão é que é aquele tipo de restaurante que promete, mas desaponta. É aquele tipo de comida que é ok – você come, mas não planeja voltar.

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Ótima decoração

IMG_1445 IMG_1431Menu promissor

Apesar de a comida não ser realmente boa, o ambiente é tão legal que vale a pena caso você queira apenas uma (ou duas) cervejas. Eu fui ao Chilitos esperando comer uns tacos maravilhosos no almoço de sexta depois do trabalho – na sexta o horário de saída é 1.30pm. Comi umas quesadillas e tacos, mas o que desceu bem mesmo foram as cervejas. Nada como começar bem o fim-de-semana.

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A área externa é cheia dessas imagens:

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A parte interna também tem umas peças muito legais.

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Um outro restaurante que não vale a pena tanto pela comida, mas principalmente pelo preço, é o grego Opa. Tendo passado parte do verão na Grécia e, mais ainda, acompanhada por uma típica grega, acho que deu para ter uma boa ideia sobre a comida do Opa. Não é que não seja boa, mas não é nada que me faça querer voltar. A entrada é ótima – pão pita, hummus e outras gostosuras. Mas já aí eles não se mostram muito gregos: as porções são pequenas. Para vegetarianos há apenas uma opção, quiabo ao molho de tomate. Estava até que bom, mas extremamente salgado. Além disso, muito caro para comer quiabo.

Eu e Mirsini fomos ao Opa a convite de nossos chefes, representantes da ONU no Caribe. Mas essa história só dá para contar depois que eu terminar o trabalho por aqui.

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Ao final, queria a oportunidade de mostrar também os ônibus coloridos de Kingston. Mas isso não é o melhor; o melhor é que os ônibus da cidade são baratos, limpos e têm ar-condicionado. Custa 120 dólares jamaicanos (cerca de 1,20 americanos).

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PS: no último post prometi mostrar um pouco das belezas naturais da Jamaica. Mas isso vai ficar para daqui a alguns dias. No próximo post mostrarei um restaurante que vale a pena ir.

Três coisas que fazem da Grécia um destino delicioso (e um pouco de Atenas)

Começa, neste post, a saga grega. Eu & Erik viajamos para a Grécia de 04 a 20 de julho, ou seja, acabamos de voltar para a Suécia. Estou tentando mudar o padrão de postar sobre viagens muito tempo depois de as ter feito. Vamos ver se consigo manter esse ritmo.

A viagem para a Grécia foi uma delícia. Houve três motivos para termos ido para lá, sendo o último muito especial:

1) Férias em um lugar ensolarado

2) Visitar minha querida Mirsini. Eu e Mirsini nos conhecemos no mestrado

3) Comemorar 05 anos que eu & Erik nos conhecemos e estamos juntos

Motivos válidos. Mas desde quando precisamos de razões para viajar, né?

Conhecemos vários lugares na Grécia: a capital Atenas, Filiatra – perto de Kalamata, onde os pais de Mirsini tem uma casa, Zakynthos e Antiparos – duas ilhas, cada uma em uma costa.

Eu simplesmente amei a Grécia. Três coisas fazem a Grécia ser muito boa (é claro que há sempre mais motivos):

1) As pessoas

Apesar do pouco tempo que passei por lá, percebi que os gregos são simplesmente muito simpáticos, atenciosos e prestativos. Desconhecidos fazem questão de ajudar se percebem que você está meio perdida. E fazem de tudo para ajudar mesmo, procuram endereços no smartphone, puxam pela memória, e conversam, conversam, conversam… É sempre uma oportunidade para falar um pouco. Falando em língua, nem todos falam Inglês, e os que falam parecem se sentir tímidos ao mesmo tempo que querem puxar conversa.

Mirsini, seus pais e o namorado Christos foram incríveis. Não estou escrevendo isto porque ela pode jogar tudo no Google Translate assim garantindo mil pontos para mim. Estou escrevendo isto porque é verdade mesmo. Eles foram muito hospitaleiros e acolhedores, mais ainda do que o necessário. Houve altas disputas para pagar as contas das tavernas, e Erik e eu ganhamos um litro e meio de azeite caseiro (maravilhoso) e azeitonas Kalamata dos pais de Mirsini. Eu e Erik basicamente quase não movemos um dedo para planejar a viagem lá.

2) O tempo

Este ano o inverno estava “ruim” na Grécia de acordo com Mirsini. Para ser justa, estava sim um pouco ventoso, mas o tempo estava excelente. Muito calor, céu azul e sol. O tempo é bem seco, então é necessário abusar da loção de pele e filtro solar. Fiquei bem bronzeada. As noites ficam frescas e agradáveis com céus estrelados.

3) A comida

Comida grega = feta

Essa equação não fecha para mim. Detesto queijo feta, aliás detesto qualquer queijo que não esteja amolecido. Mas queijos brancos, nem amolecidos. É o caso do feta. O pior é que a cozinha grega é cheia de pratos com esse queijo, e os turistas todos amam. Ou seja, muitos dos pratos disponíveis conterão feta. Dito isso, devo admitir que comida grega é uma delícia! Pedi muitos pratos sem feta, e deu certo na maioria das vezes. É claro que há vários outros sem esse queijo branco. Do que provei da cozinha grega, na maior parte das vezes em tavernas como a que mostrarei em seguida, ficou claro que é uma cozinha que abuso do azeite, e isso eu amo. Abusam mesmo, são litros em qualquer salada, fritura, molho… É uma cozinha mediterrânea, e geralmente os ingredientes são frescos. Come-se muito tomate, que são vermelhos e maduros, azeitonas, abobrinha, berinjela e outros legumes. As frutas são muito boas, claro, pois vêem o sol por muitos meses ao ano. Comi muitos pêssegos e nectarinas, e as cerejas são maravilhosas. Os gregos gostam muito também de salgados, todos folhados, mas o recheio não varia muito: é feta e espinafre ou algum outro tipo de queijo branco. Gregos também gostam muito de café, e bebem bastante uma versão de iced coffee com bastante espuma para espantar o calor.

Comi em muitos restaurantes, comer é sempre uma das melhores coisas em viagens. Como mais um exemplo do primeiro item, é comum ganhar itens gratuitos em restaurantes: entradas, aperitivos, sobremesas… É inacreditável. Água é sempre servida gratuitamente em qualquer bar/restaurante antes mesmo de se pedir algo. Este é um país para mim, hehe…

Cheguei em Atenas no dia 04, de manhã, e Mirsini nos pegou de carro. Eu e Erik nos hospedamos na casa dela e dormimos a tarde inteira, estávamos muito cansados.

À noite experimentamos a boa comida grega na Grécia pela primeira vez. Fomos a uma taverna em subúrbio de Atenas. O melhor de conhecer alguém é que eles(as) sempre sabem dos melhores lugares, e Mirsini fez questão que a gente conhecêsse o maior número possível.

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As tavernas geralmente servem porções para serem divididas entre várias pessoas ao invés de pratos individuais ou para dois, o que deixa a refeição mais divertida, pois é possível experimentar de tudo. Gostei bastante dos bolinhos de abobrinha (Kolokithokeftédes), parecidos com os da minha mãe, fava, salada grega e outros.

IMG_0603Mirsini e eu

Uma coisa boa de experimentar: raki, a cachaça da Grécia, feita com bagaço de uva. Bem forte, cai bem com as comidas saborosas e cheias de azeite.

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Mais tarde encontramos as amigas de infância de Mirsini. Fiquei muito contente de encontrá-las, pois conhecê-las significa conhecer um pouco mais de Mirsini. Eu e Mirsini nos conhecemos em um ambiente muito diferente de nossas origens, a Universidade de Lund no sul da Suécia, portanto é muito interessante ter a chance de conhecer a pessoa em seu ambiente original. As amigas dela foram super fofas.

De bar em bar, acabamos passando o resto da noite em um com vista panorâmica da capital. Muito bonito. A Acrópolis, que mostrarei em post futuro, está ao fundo. Essa é a área antiga da cidade, onde se localiza um bairro chamado Monastiraki, com sua praça e estação de metrô de mesmo nome. Nessa praça e ruas adjacentes fica um famoso flea market, mercado de rua. Infelizmente não tive tempo de garimpar o mercado. A construção bem ao centro da foto, com cúpula arredondada, é a Mesquita Tzistarakis, otomana. Ao lado estão ruínas da Biblioteca de Hadrian, que já no ano de 267 DC sofreu com uma invasão estrangeira. Quanta história.

Tirei tudo isso da Wikipedia. É lógico que pode haver erros, mas vale como um pano de fundo.

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Fim da fase Linköping

Sei que já não é novidade para a maioria das pessoas que me conhecem, mas achei necessário fazer este post de fim de fase, fim de uma fase de vida em Linköping, cidade onde morei desde que mudei do Brasil. Confesso que dá uma certa emoção quando penso em Linköping, mas este sentimento é certamente alimentado pelas “memórias de amor” que tenho de lá, não pela cidade em si. Antes de contar mais um pouco sobre a mudança, aproveito para postar algumas últimas fotos que tenho sobre a vida no nosso querido primeiro apartamento. Nessa época, logo depois do Natal, tínhamos bastantes plantas.

Abaixo, estou preparada para atacar o panetone que meus pais me mandaram em uma caixa de Páscoa (todo ano tem caixa de Páscoa; sei que a deste ano já está a caminho). Não gosto mesmo de panetone, mas esse que experimentei era muito bom.

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Esse pequeno objeto verde nas mãos do Erik é meu celular novo, presente do pai dele.

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Depois de minha mudança para Lund, decidimos adiantar a venda do apartamento. Nós compraríamos um apartamento em Malmö, cidade vizinha de Lund, conhecida por alguns como a Berlin da Suécia. O processo de compra e venda de apartamentos na Suécia é bem diferente comparado ao Brasil. Aqui as pessoas quase não fazem nenhuma transação desse tipo sem um corretor, acho que por motivo de segurança, como muitas outras coisas por aqui. Pois bem, contratamos um corretor, e só essa escolha já foi motivo de muitas horas de debate. Antes de escolhido, vários coretores visitaram nosso apartamento e fizeram propostas de preço inicial e comissão. A compra e venda acontece por um sistema de leilão. Começa-se por um preço inicial, e depois as pessoas dão lances. Assim, nunca se sabe por quanto o apartamento vai ser de fato vendido. A comissão do corretor é calculada com base no preço final. Mas como eles são espertos e conhecem muito bem o mercado, as propostas deles (de preço inicial, porcentagem de comissão) sempre parecem baratas, mas no final das contas eles vão ganhar, e bastante. Para se ter uma estimativa de preço pelo qual um apartamento possa ser vendido, é necessário acompanhar o mercado na cidade, no bairro. Checar o preço dos apartamentos que já foram vendidos.

As visitas de potenciais compradores são sempre marcadas e acompanhadas pelo corretor. Duram meia hora, várias pessoas visitam ao mesmo tempo. Geralmente os donos não podem estar no apartamento nesse momento. Mas antes que as pessoas possam fazer a visita, existe todo um processo de styling. Contratamos uma decoradora que mudou todo o estilo do apartamento, trouxe móveis novos, pintou as paredes da cozinha etc., a fim de que pareça um apartamento de revista. Aí um fotógrafo profissional tira fotos do apartamento, às quais vão para o site da corretora e para os folders. Os donos do apartamento ficam com toda a decoração “de revista” até o fim das visitas. Nós só tivemos dois dias de visitas. O mercado de Linköping está uma loucura, parece que todos querem morar lá.

Todo o processo começou em dezembro de 2013, mas só comemoramos de verdade em março, quando todo o negócio estava fechado. Fizemos limpeza inúmeras vezes: para a sessão de fotos, para as visitas, para a mudança final…

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IMG_0340Prateleiras quase vazias

Erik comprou um computador novo também, já que o antigo, usado, já estava bem ruim.

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Assim acaba essa fase Linköping. Vale a pena relembrar alguns posts legais desses anos em Linköping:

A neve e eu

Primavera no Trädgårdsförening

As aventuras de Pitutinho

Cenas do inverno sueco 2011-12 I

Stångån I

Kolonilotter

Linköping: -22C

Cotidiano

 Reencontro