Cenas de Mumbai III: a profunda disparidade indiana

Como prometido no primeiro post da série Mumbai, aqui vai um pouco do  mostrado no filme “Quem quer ser um milionário?”, mas real. Não é a primeira vez que posto fotos mostrando a miséria indiana, mas Mumbai é singular por abrigar tanta riqueza e pobreza juntas, lado a lado. Seria comparável a São Paulo e Rio de Janeiro. É um grande paradoxo, mas faz parte da paisagem de Mumbai e se torna comum, normal.

Há ruas amplas, arborizadas:

Na mesma rua:

Ali por perto, fica o Dhobi Ghat, no bairro de Mahalaxmi. “Dhobi” é a palavra usada para designar a pessoa especializada em lavar roupas e “ghaat” todos já sabem, é o lugar onde se lava roupas ou a si mesmo. Dhobi Ghaat é simplesmete a maior lavanderia a céu aberto do mundo. É lá que diariamente indianos lavam e passam milhares de peças.

É impressionante!

Dhobi Ghaat

Também na mesma região, fica a mesquita Haji Ali, importante para a população muçulmana da cidade. A mesquita fica nas águas do Mar Arábico. A caminho da mesquita:

 

Mesquita Haji Ali

Mumbai é assim, sintetiza perfeitamente o abismo social na Índia.

De Mumbai fomos para o lugar que eu sempre acreditei que fosse visitar. Lembro-me de muitas vezes dizer, quando estava no colegial, que iria morar em…… Goa! Foi o lugar preferido dos hippies na Índia há décadas atrás.

Sasan Gir: safári no lar dos últimos leões asiáticos

Na sequência deserto  – mar, veio a selva. Sáfari na selva. Sasan Gir é uma reserva florestal no estado de Gujarat, relativamente perto de Diu. Isso, na Índia, quer dizer muita estrada, afinal o país é enorme. Sasan Gir é uma reserva muito importante por abrigar os últimos leões asiáticos (Panthera leo persica), uma subespécie de leão. Há também muitos outros animais, como leopardos, ursos, najas, hienas, antílopes… Da Wikipedia:

“It is the sole home of the pure Asiatic Lions (Panthera leo persica) and is considered to be one of the most important protected areas in Asia due to its supported species. The ecosystem of Gir, with its diverse flora and fauna, is protected as a result of the efforts of the government forest department, wildlife activists and NGOs. The forest area of Gir and its lions were declared as “protected” in the early 1900s by the then Nawab of the princely state of Junagadh. This initiative assisted in the conservation of the lions whose population had plummeted to only 15 through slaughter for trophy hunting.

The April 2010 census recorded the lion-count in Gir at 411, an increase of 52 compared to 2005. The lion breeding programme covering the park and surrounding area has bred about 180 lions in captivity since its inception.

[…]

The count of 2,375 distinct fauna species of Gir includes about 38 species of mammals, around 300 species of birds, 37 species of reptiles and more than 2,000 species of insects.”

No jipe, a caminho do sáfari em Sasan Gir
Sasan Gir

Logo no começo, vimos um sambar, um tipo de veado bem grande:

Sambar

Pavão selvagem

Cupinzeiro gigante

Mas a pergunta é: vi ou não vi um leão? Vi uma pantera beeeeeeeem longe (as orelhas), mas de leão, só as pegadas:

Pegadas de leão

Ao final do safári, Erik e eu tivemos que esperar pelo ônibus em uma pequena vila:

Nessa parte da Índia, as pessoas bebem café em pires:

Cenas de Udaipur III: o templo Jagdish e a religiosidade indiana

Uma outra atração famosa, a poucos metros do Palácio da Cidade, é o templo hindu Jagdish. Atrás do templo, há distribuição de comida para a população de rua e homens santos.

Atrás do templo

Sobra um pouco para outros também:

O templo Jagdish

Mulheres de uma tribo do Rajastão
Casal

Nas escadarias do templo

Há sempre pequenos altares pelas ruas e a religiosidade está em todo lugar na Índia.

Devotos de Sai Baba (o original)

Comemoração na rua

Espectadora

Criança trabalha na rua.

 

Cenas de Udaipur I: arte e o maior turbante do mundo

Após Jodhpur, rumei a mais uma cidade de nome parecido, Udaipur:

Udaipur é uma cidade bem preparada para receber mochileiros. Uma impressão geral que tive, após visitar tantas cidades em regiões distintas, é que os indianos aprenderam a capitalizar sobre os viajantes classe média “hippies” que invadem todas essas cidades  – eu e Erik inclusos. Eles estão certos mesmo. Não faltam restaurantes com apelo para esse público em Udaipur. A questão é que é difícil para os indianos, maioria bem simples, que nunca deixaram a região, entender todas as demandas dos viajantes ocidentais. Assim, quando você pedir uma pizza, por exemplo, não espere nada no terreno do conhecido. Ainda nesse exemplo, o que vale a pena é comer a d-e-l-i-c-i-o-s-a comida indiana. Esse exemplo se estende a outras áreas. Os restaurantes Subways das maiores cidades servem para aquela escapadela estratégica quando tudo ficar muito intenso e caótico.

Rua de Udaipur e seus inúmeros restaurantes para turistas/mochileiros

A cidade, conhecida como a Cidade dos Lagos, fica à beira do Lago Pichola, artificial:

Udaipur, Rajastão
Lago Pichola

No lago fica uma ilha, chamada Jag Niwas, à qual abriga o Palácio do Lago, uma residência de verão do Maharana Jagat Singh II, 62 sucessor da dinastia real Mewar e governante de Udaipur de 1628 a 1654 (está tudo lá na Wikipedia). Agora o palácio é um luxuoso hotel:

Hotel Palácio do Lago
Gangori Ghat

Nesse ghat, conhecemos um casal que morava nos arredores da cidade. Vi todo o álbum de fotos da família e da casa humilde que tentavam acabar de construir no deserto (não se esqueçam que estamos no Rajastão, área desértica). Ele dava aulas de música e ela vendia jóias/bijuterias típicas.

Menina no Gangori Ghat

Ao pé desse ghat, fica o Bagore-ki-Haveli, uma haveli onde se localiza um museu com uma coleção linda de bonecos e um show artístico à noite.

Bagore-ki-Haveli
Coleção de bonecos (eu queria todos)

Adoro os tecidos.

Há também outros itens…

… incluindo o maior turbante do mundo!

O maior turbante do mundo
Show artístico – Dharohar

Dharohar é um concerto musical que acontece no local todas as noites, com performances que mostram sete danças tradicionais rajastanis.

Dança Gavri, pela tribo Bheel, uma luta entre uma deusa e um demônio

Dança Chari, tradicional da comunidade Gujjar do norte do Rajastão

Cenas de Jodhpur II: o forte Mehrangarh

Em meio à Cidade Azul se encontra a principal atração do local, o majestoso forte Mehrangarh, um complexo com palácios, museus, templos e muito o que ver.

O forte Mehrangarh é um dos maiores da Índia e olha, há muitos por lá.

Forte Mehrangarh
Um dos sete portões
Dentro do forte

Canhões

Vista da cidade a partir das muralhas do forte

Após essa parte bem alta do forte, onde é possível ver toda Jodhpur, há um caminho que leva ao templo Chamunda Mataji, ao qual apenas mulheres têm acesso.

Templo Chamunda Mataji

Cansados, exaustos da Índia, por sua intensidade, procuramos um restaurante de comida ocidental (pizza) à noite, antes de tomarmos um ônibus noturno para o próximo destino dessa jornada pelo Rajastão.

Não é fácil viajar pela Índia.

18.07.12

Cenas de Jodhpur I: a cidade azul

Após Jaisalmer, cheguei em Jodhpur, a cidade azul, à qual recebe esse nome por haver várias casas de fato pintadas dessa cor.

Jodhpur é uma cidade colorida, ensolarada, cheia de gente bonita. A principal atração é obviamente o lindo forte Mehrangarh, tema do próximo post. É possível vê-lo de muitos pontos diferentes da cidade, uma imponente construção.

Passei apenas um dia e meio em Jodhpur, mas realmente achei tudo muito bonito.

Cenas da cidade
Casa azul

Alguém já viu uma vaca deitada na rua como cachorro vira-lata? Em Jodhpur, tem:

Mulher alimenta vaca com restos do café-da-manhã.
Muito trânsito, muito caos

Sai Baba

Praça principal e a torre do relógio

O famoso homem dos omeletes

Subida do forte

Jodhpur
O forte, ao longe

No próximo post, o forte em detalhes.

17.07.12

Cenas de Jaisalmer I: o forte, as pessoas e as havelis

Depois de Pushkar, foi a vez de outra cidade muito bonita de cor mostarda, conhecida como a “Cidade Dourada”, no topo de rochas de arenito. Localiza-se no meio do Deserto do Thar ou Grande Deserto Indiano:

O mais impressionante, fora o deserto, é o forte que coroa a cidade. Quando o sol bate, tudo fica dourado mesmo. Há muito comércio e hotéis, pousadas, dentro do forte e escutei, por vezes, estórias de que o forte está se deteriorando, por conta da falta de estrutura para receber tantos turistas. Eu e Erik nos hospedamos dentro do forte, mas descobri que, na verdade, o politicamente correto é ficar fora dele, para que a destruição não se intensifique.

Forte de Jaisalmer
Cidade de Jaisalmer

Tentei praticar yoga para continuar com o hábito saudável.
Ruas dentro do forte

Há várias tribos distintas no Rajastão, e os adereços e a maneira de usar as roupas mudam.

Ruas da cidade fora do forte

Argolas nos braços

Jaisalmer também é famosa por suas havelis, mansões particulares com significância arquitetônica e histórica. Antes de chegar a uma das mais conhecidas, porém, encontrei pessoas reformando a rua em frente a uma dessas mansões.

As crianças também ajudavam:

Essa era a fachada da haveli:

Fachada muito trabalhada
Interior da haveli

Uma das havelis mais importantes da região é esta abaixo. Notem as características semelhantes entre as havelis indianas e as riads do Marrocos, às quais também são mansões antigas, agora transformadas em hotéis.

Eu e Erik nos divertimos muito com três amigos que conhecemos  em um safári no Deserto do Thar, mas este é o tema para um dos próximos posts.