Viajando pela Jamaica: Montego Bay

Montego Bay é um daqueles lugares bem turísticos mesmo. Turismo de excursão. Acredito que muitos turistas que visitam a Jamaica achem que Mobay, como a cidade é conhecida, seja destino obrigatório. Mas não é. Apesar de haver praias lindíssimas, como é a regra na Jamaica, dá para pular esse destino. A não ser que você se hospede na cidade ao invés de em um dos resorts de luxo mais afastados, com o intuito de sentir o caos das cidades um pouco maiores da Jamaica. Nada contra a turistada que se hospeda nos resorts, cada um que fique contente com o tipo de viagem que lhe agrade. Essa história também de mochileiros-viajantes-turistas que criticam a turistada mainstream por não procurar alguma “essência” ou “experiência” ou “originalidade” é uma das piores babaquices do imaginário desses tipos. Enfim, vamos falar de Mobay. Eu fui, junto com Erik e Mirsini.

Passei, se não me engano, uns quatro dias em Montego Bay já no finalzinho de novembro do ano passado. Era inverno, mas estava bastante calor. Não há inverno na Jamaica. A cidade em si é barulhenta, colorida. Uma área muito turística é a Gloucester Avenue, a Hip Strip, que não tem nada de hip. Se você já foi ao Sudeste Asiático, por exemplo, vai reconhecer o mesmo cenário: intermináveis lojinhas/barracas de porcarias baratas para turistas – chaveiros, canecas, cangas etc. É nessa avenida que fica a única praia onde fomos em Montego Bay: Doctor’s Cave. É uma praia privada, há que se pagar a entrada. Custa em torno de 10 dólares americanos, e cada cadeira, 5. Não preciso dizer que a praia estava mesmo cheia de americanos. A Jamaica é tão perto da Flórida.

Doctor’s Cave é muito bonita, mas não espere nada selvagem. É aquele destino ideal se o que você quer é mesmo vida fácil, sol e conforto. O mar é lindo, cristalino, e é possível fazer snorkeling perto da beira mesmo, pois já bastante o que se ver.

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Doctor’s Cave, Montego Bay

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Sueco à sombra. Mirsini, de coque, à direita

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A água é tão cristalina…

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Ficamos na praia até o anoitecer.

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Mirsini

Para ver o destino anterior, Portland, clique aqui.

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Guia completo de esqui: nível avançado

Finalmente este guia chega ao fim: o nível avançado. É aqui que mostrarei toda a minha destreza nas altas montanhas de Sälen.

Depois do primeiro dia de esqui com um instrutor do tipo Thumper, não esquiei no dia seguinte, pois era Natal. Aprendi mais uma lição mesmo sem pegar nos esquis:

Sétima lição

Dor. Muita dor. Esta lição é sobre a imensa dor que sentimos nos tornozelos logo após tirar as botas. Parece que, pelo fato de as botas serem muito duras, os tendões trabalham dobrado para fazer a gente conseguir se movimentar nos esquis. Ainda assim, dor de verdade é a do dia seguinte. Sabe o como é o primeiro dia de academia da sua vida? Ou quando você se junta a um time de futebol, vôlei ou o que seja? Então, é assim que você se sente nas 24 horas posteriores. Os músculos todos doem, principalmente aqueles que você nem sabia que tinha. É um excelente exercício para as coxas e o bumbum. Meus músculos estranharam; deviam achar que eu estava doente por colocá-los para trabalhar pesado assim. Fazia muito tempo que eu não me exercitava.

Oitava lição

Esta lição é bem positiva. É quando você aprende que, mesmo com dores pelo corpo, você quer esquiar mais. Todos os dias!

No segundo dia de esqui, fui junto com o Erik. Ele queria me ver esquiando e eu queria esquiar com ele. Depois e uma aquecimento nas colinas de nível intermediário (de verdade, bem  básico, hehe), ele me convenceu a ir para uma montanha de verdade. Quando eu a vi, pensei que não daria. Mas aí eu percebi que havia a opção e esquiar apenas na última parte da descida. É aí onde estão algumas crianças, perto de uma cerquinha:

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Peguei o teleférico em formato de T de novo e tudo correu bem. Tirei várias fotos nas muitas vezes que estava sendo levada acima.

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Já o teleférico de cadeiras é para quem vai esquiar do topo da montanha:

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Na subida, publicidade da Coca-Cola. Nem aqui escapamos.

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Assim, foi exatamente deste ponto que desci uma montanha de verdade pela primeira vez:

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Devo dizer que senti que foi um upgrade e tanto. Fez bastante diferença e, no começo, senti medo. Depois, gostei tanto que não queria mais parar. É incrível a velocidade que você chega se apenas descer com os esquis paralelos um ao outro. Vista da descida:

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Lá vou eu.

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Erik também esquia um pouco.

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Depois de algumas horas esquiando na parte da manhã, paramos para comer uma pizza de almoço. Que sensação deliciosa! O corpo já está meio cansado, meio frio, os pés começam a congelar e o estômado, a roncar. Essas paradas  – para comer, para tomar um café ou cerveja – fazem parte desse esporte que parece solitário, mas é um tanto social.

Depois do almoço delicioso, o Erik se encontrou com alguns outros Hellmans para ir esquiar nas montanhas altas de verdade, e eu fiquei nessa mesma, sozinha, até o teleférico fechar.

Assim terminam os posts dessa semana gostosa no resort de Lindvallen em Sälen. Além, claro, das lembranças das coisas que fiz com todos que estiveram lá, o mais importante que ficou foi a descoberta de uma nova atividade da qual eu gosto muito, esquiar. Espero poder treinar mais um pouco em breve.

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Sälen, foto emprestada do FB do Jonas, irmão do Erik.

Um safári de moto em meio à nevasca

Depois de um dia de esqui e comemorações de Natal, tive a oportunidade de experimentar mais uma atividade na neve: um “safári” de snöskoter (isnoiscuter), uma moto especial para a neve. O veículo é bem grande e pesado. As rodas são, na verdade, como dois esquis gigantes. Esse safári é uma das atrações do resort e custa uma fortuna.

Todos participaram do safári, e o grupo era formando não apenas pelos Hellman (e uma Azevedo), mas também por alguns casais desconhecidos. Diga-se de passagem, alguns desses só atrasaram o safári, pois caiam da moto toda hora.

Eu amo a sensação de aventura e liberdade, e motos são excelentes para isso. Eu me senti exatamente assim quando andei de moto na Índia. Em Sälen eu não dirigi a moto, fui na garupa do Erik. Abaixo, as motos de neve do nosso grupo:

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Dá para reparar bem no tempo ruim daquele dia. Não tivemos sorte, o céu não abriu e o sol tampouco apareceu. Havia muita neve, como já contei anteriormente, e nevou mais durante todo o safári, o que aumentou o sentimento de aventura. Não dava para enxergar nada, tudo estava muito nublado. Em certo momento, tive que deixar nas mãos do divino ou do destino, pois se eu me preocupasse o tempo inteiro sobre (bem) possíveis acidentes, eu não me divertiria. Era este o nível de visibilidade:

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As motos, como dito, são grandes e pesadas. Andar em alta velocidade em uma trilha coberta de neve faz com que você se sinta em uma batedeira, de tanto sacolejos e saltos e sustos. O corpo ficou todo doído depois, principalmente a parte interna das coxas. Deve ter sido pela pressão de tentar me manter sentada na moto. Eu quase saí voando em muitos momentos.

Assim, é importante ter um capacete, e como bons suecos, todos usaram os seus. As caretas abaixo são por causa da neve insistente batendo no rosto:

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Jonas, irmão do Erik

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Siddy, namorada de Jonas, corajosa guiou sozinha em uma moto

Assim fomos, em fila, tentando chegar a pelo menos 50 Km/h. Até termos que parar devido às quedas do povo mais atrás.

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Eu e Erik à direita

Depois da metade do percurso, o instrutor diz para pararmos, pois é hora de tomar um café bem quente e comer waffles com chantilly em uma casinha no meio da brancura.

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O lugar era aconchegante, mas era cheio de umas coisas bem nórdicas:

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Peles e armamento: já esperam o fim dos tempos de tanta neve

O sáfari foi muito divertido, adorei andar velozmente “no céu”, sem ver um metro adiante. Também senti medo, claro, e quase derrubei eu e o Erik da moto, afinal ser garupa não é fácil. Foi uma pena não ter sido mais longo. Essa paradinha para o café é meio enganação, mas ao mesmo tempo, um café é sempre bom (passo as mãos na barriga).

Guia completo de esqui: nível intermediário

A primeira lição básica desde guia já está dada. Agora partimos para um grau de dificuldade maior: o nível intermediário. Depois de aprendermos sobre o peso dos esquis, as roupas de astronauta, o underställ, como acoplar as botas aos esquis e a fazer pizza – batata-frtita, chega a hora de aprender a fazer curvas em uma colina mais inclinada. Só para profissionais (e crianças suecas de 3 anos de idade dando um banho de técnica).

Vocês já devem estar se perguntando se afinal eu me tornei assim tão mestre em esquiar. É tudo uma brincadeira, lógico, mas a verdade é que eu me dei muito bem com os esquis. Caí algumas vezes, claro. Afundei na neve, machuquei um pouco o braço. Houve alguns momentos que até calculei a queda: “Opa, isso não está indo bem, melhor cair naquele monte fofo de neve ali.” Ainda assim, aprendi relativamente rápido para uma principiante e, depois de umas duas horas, já estava me atrevendo a descer bem rápido colina abaixo. Sem contar que comecei a fazer as curvas antes mesmo de o professor ensinar – meio erradas, mas eram curvas. Percebi que é um pouco parecido com patinação no gelo. Quem também patinou bastante com roller-blades pode levar uma vantagem.

Antes de chegarmos às curvas e ao próprio ato de esquiar e si, alguém já se perguntou como se faz para chegar no alto das colinas/montanhas? É pelo teleférico! Os de verdade, com cadeiras grandes para acomodar até quatro pessoas, sobem as montanhas. Os teleféricos das colinas, onde principiantes e crianças se encontram, é quem sabe um dos maiores desafios de toda uma carreira nos esquis. Vejamos o porquê:

Quinta lição (veja as quatro primeiras aqui)

Ninguém confessa, mas o que todas as pessoas experientes esperam ansiosamente é por ver os iniciantes tentando usar este tipo de teleférico. Eu nem sabia que existia e, a princípio, pensei que os suecos doidos se segurassem nesse suporte longo preto bem lá do alto de um teleférico. Mas não, este corre rente ao chão e tudo o que você precisa fazer é agarrar o suporte, colocar no meio das pernas e deslizar morro acima. Parece simples, mas é motivo de frustração para os principiantes e de risadas para os experientes. Esta é a atividade principal, seus amigos e familiares com certeza vão querer ver você cair de cara na neve, escorregar, perder o suporte no meio do caminho e escorregar colina abaixo etc. Na minha primeira vez, o suporte escorregou da minha mão e eu não consegui pegá-lo. Logo em seguida tentei de novo e aí deu certo. Devo confessar que caí do teleférico uma vez, bem no meio do caminho.

Quase pegando…

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Peguei, coloquei entre as pernas…

(sim, há um disco plano e fino que aperta as coisas lá embaixo. É isso que você tem que por no meio das pernas. O suporte é como se fosse um T de ponta cabeça, onde a parte horizontal é esse disco.)

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Fui!

(É bem gostoso, relaxante.)

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Sexta lição

Agora, sim, chega a hora de enfrentar uma colina mais altinha e aprender a fazer curvas. Na verdade, esquiar é fazer curvas. Ninguém que é bom nesse esporte esquia em linha reta – apesar de ser super divertido, por conta da velocidade. O negócio é dobrar muito os joelhos e fazer curvas.

É isso que deve ser feito (reparem nos joelhos):

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Momentos antes de descer a colina…

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Lá vou eu. Reparem nas curvas. Eu achava que estava dobrando muito os joelhos, mas que nada. Eu pareço um tronco de árvore.

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Colina abaixo

Curvas…

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Joelhos dobrados…

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Vitória ao avistar as casinhas. É o fim da colina, sã e salva, só tendo caído uma vez a cada vinte descidas.

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Próximo capítulo do guia: o nível avançado.

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Os meus Natais na Suécia (e um pouco de como é o aniversário sueco)

O Natal de 2012 foi diferente dos outros anos. Na verdade, os Natais são sempre diferentes desde que saí do Brasil. Em 2012, o Natal foi mesmo bem branco em Sälen. Já mostrei aqui como o resort de esqui estava afundado em neve. Pois bem, o ano passado teve uma comemoração dupla: Natal e aniversário de 60 anos do pai do Erik, o Bo.

Aniversário

Na Suécia, existe um costume muito fofo, caseiro e de família. Quando alguém faz anos, os membros da família acordam bem cedo – por volta de seis da manhã – para fazer um bolo típico de frutas e chantili para o aniversariante. Todos devem participar, e assim que o bolo fica pronto, é levado ao quarto do felizardo, que acorda ao ouvir o “parabéns a você” em sueco. O mais fofo é que todo mundo conhece esse costume, então nunca é uma surpresa de fato, mas as pessoas não se importam. Acredito que nem todas as famílias ainda façam isso, mas a do Erik sim, sempre que há uma oportunidade.

Essa oportunidade chegou mais uma vez em Sälen. Como dito, era uma ocasião especial e toda a família estava reunida. Assim, de manhão cedinho, fomos eu e Erik até o chalé da Lina, irmã mais velha dele, onde o bolo já estava sendo feito. Pronto, fomos todos acordar o pai do Erik no seu chalé.

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Glenn (namorado australiano da Hanna) segura o bolo enquanto Hanna (irmã mais nova do Erik que vive na Austrália) tira uma foto. Erik e Lina estão à esquerda.

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Levamos o bolo cedinho.

Ja må hon  leva, a música de parabéns em sueco (infelizmente, a legenda está em japonês):

DSC07822Pai do Erik é “surpreeendido”.

Natal

Os suecos comemoram o Natal no dia 24. Geralmente há um jantar bem cedo, por volta das 5 da tarde. Todos já estão com fome mesmo e escurece cedíssimo, então faz sentido. Há várias comidas e atividades típicas, como assistir a um clipe de desenhos da Disney às 3; tomar glögg; fazer rimas e trocar presentes. No próximo Natal explico melhor esses costumes, pois neste post quero aproveitar para explicar um pouco como eu me sinto nos Natais aqui.

A Valéria, dona de um blog muito legal, o Cinco Coisas, fez um post sobre as tradições de Natal que ela ama, o que me liberou um fluxo de consciência e fez com que eu escrevesse um comentário imenso, o qual compartilho aqui:

“…hoje já não posso escrever que amo o Natal, pois sempre tenho surtos interiores, na alma, nessa data.

Eu amava o Natal quando era mais nova, eu e minha irmã adorávamos sentir o cheiro de Natal no ar, ouvir as cigarras que cantam em dezembro em Santos e sentir aquela noite morna. Tudo era sempre o mesmo todos os anos, Natal com os avós maternos, além de visitas ao resto da família, e Ano Novo com os paternos. Tudo era o mesmo, as comidas, o cheiro delas durante o dia, enquanto minha mãe se matava na cozinha (isso dava ainda mais ansiedade pela noite), os telefonemas dos amigos, os enfeites, montar a pequenina árvore de plástico, a campainha tocando quando meus avós chegavam, os assuntos, os presentes… Tudo igual e tudo está morto. Já não existe.

Meus avós faleceram, com exceção do meu avô materno. Eu me mudei para a Suécia e meus pais nem comemoram mais a data em Santos.

Os Natais na Suécia ficaram como que suspendidos no ar. Eu não sinto que é Natal, entendem? É muito diferente, são outras pessoas, outros costumes, outros assuntos, outra língua, nem a mesa com comidas é motivo de excitação (eu amo comer, vocês sabem), pois não gosto da maioria das comidas. Ovo cozido? Peixe podre? Pão com manteiga? Ainda por cima, os pratos principais não são vegetarianos.

Enfim, eu percebi que algo morreu em mim, mais precisamente que algo foi arrancado. Das vezes que passei o Natal na Suécia, sempre me senti estranha, sem saber o que era. No último eu entendi melhor, que eu basicamente tenho ficado TRISTE nessas épocas, principalmente quando se junta a família. Eu fico triste no Natal e a mesa, que para mim sempre foi importante, é como qualquer outra.

Eu sei o que vocês vão me falar. Que eu deveria começar a minha própria tradição, nova com o Erik, mas eu nem sei o que. Nem enfeites de Natal eu ponho em casa. O único foi uns desenhos de bola de árvore de Natal que eu destaquei do papelão e colei em uma estante. Sabe, destacado do papel de propaganda de loja. A única coisa que eu fiz foi um jantar de Natal para mim e para o Erik, tem um post sobre isso, mas nem foi no dia de Natal.

Enfim, essa data foi extirpada da minha vida, porque para mim, essa data tinha a ver com a repetição circular do mesmo ano a ano. Era disso que eu gostava.”

Não sei se ficou claro, mas é um pouco de como eu me sinto nos Natais na Suécia. O do ano passado, porém, foi diferente. Eu gostei bastante. O pai do Erik havia reservado uma mesa em um restaurante fino e tradicional de lá. Chegamos à casinha linda, super antiga, embaixo de muita neve.

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Chegamos e fomos muito bem recebidos com pepparkakor e glögg bem quentinhos.

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Todos estavam aproveitando…

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Jonas (irmão mais novo do Erik, também bofiscândalo) e Siddy (sua namorada meio sueca, meio islandesa)

As decorações eram lindas…

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A mesa estava farta e a comida cheirava bem…

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Até um episódio digno da família Rio-Branco acontecer! Pamela, tive que pegar o exemplo da sua família emprestado, hehe. Mas é que fomos para o lugar errado! Só percemos depois que já estávamos fascinados pela casinha linda, no nosso segundo copo de glögg.

Lá fomos todos procurar o lugar certo, já atrasados, tudo branco à frente do carro. Chegamos em um lugar bem diferente, mas ótimo também. Um hotel com um buffet sueco típico de Natal (julbord) maravilhoso, muito bem servido. Eu adoro um buffet, vocês sabem.

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Agora, sim, estávamos no lugar certo.

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Hanna, Nitchari (esposa do pai do Erik, tailandesa) e Erik

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Eu e a julbord atrás (com a camisa portuguesa que amo, minha mãe quem me deu)

O Natal de 2012 foi divertido.

Guia completo de esqui: nível básico

Este post é o começo de uma tríade que revelará a todos as minhas incríveis habilidades e meu inesgotável talento em um esporte atípico no Brasil: esqui. Três horas de aula no resort de Lindvallen, Sälen, e pronto. Tornei-me mestre neste esporte que nada mais é do que a arte do gracioso deslizamento sobre a neve.

Primeira lição

A primeira lição deste guia começa com algo que ninguém pensa a respeito: carregar os esquis. Alguém acha possível caminhar com duas toras planas sob os pés? Até dá para esquiar em uma rua plana, mas é um esforço dos diabos. Assim, esquiar “começa” ao se deixar a cabana do resort com as botas de astronauta nos pés, e os esquis, nos ombros. Fica difícil dobrar os pés, já que as enormes botas são bem ajustadas, o que faz todos parecerem patos ao caminhar. Os esquis pesam nos ombros e a neve é um tanto áspera, seca. Imaginem um astronauta em traje completo caminhando pelas areias de Santos. É meio assim.

Segunda lição

Roupas apropriadas são extremamente importante. Não é necessário ter esquis nem botas, pois os resorts alugam o equipamento, mas é fundamental ter um casaco e uma calça de esquiar. O segredo mesmo está no que os suecos chamam de underställ (underistél),  uma camada de roupas especiais feitas para o inverno ou esportes deste tipo. É geralmente uma calça e uma blusa de manga comprida bem confortáveis, bem finas e leves, mas muito eficientes em isolar o corpo do frio. Essas peças são feitas de novos e modernos tecidos sintéticos e não te deixam passar frio.

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Underställ

Terceira lição

Faz frio. Lógico. Se caiu neve, é porque a temperatura é de ao menos zero. Descer a colina em velocidade sobre esquis faz o ventinho no rosto piorar a sensação térmica. Por outro lado, esqui é um esporte tão divertido e que demanda tanto do corpo, que nem se sente o gelo. Além do underställ e do casaco/calça, é indispensável ter um bom gorro e luvas que suportem temperaturas bem baixas. Luvas para esportistas mesmo.

Quarta lição

Ninguém deve pensar nisso tampouco, mas é necessário aprender a acoplar os esquis às botas. Deve ter ficado óbvio, quando comentei acima como é difícil andar com as botas, de que estas não são coladas aos esquis. Aprender a encaixar as botas nos esquis não é importante somente para poder começar uma sessão de esqui. É indispensável dominar esta técnica a todo o tempo, pois os esquis mais novos se desencaixam das botas em quase todas as quedas, que neste nível, são muitas.

Em minha primeira e única aula de esqui no resort, passei três horas com um instrutor tão super-hiper simpático e entusiasmado, que me fez imaginar o quanto toda essa alegria e encanto é fruto de uma boa hora-aula ou de algum curso homogeneizador de instrutores de esqui. Meu instrutor era mais ou menos como o famoso Thumper de Asspen:

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O Southparkstudios.com me fez perder uma hora  e meia tentando colocar o vídeo aqui. Não deu certo, então vai essa imagem e o link do vídeo aqui.

Ele não chamou os movimentos mostrados acima nem de pizza, nem de batata-frita, mas ensinou mais ou menos a mesma coisa.

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Eu e o instrutor feliz

Ficar de pé não é difícil, os esquis são boas bases de apoio.

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Depois de todas as lições, é hora de enfrentar a colina.

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Parece uma montanha alta, mas é na verdade a colina para principiantes, cheia de crianças pequenas já começando nesta atividade tão sueca. Enquanto você luta com os esquis, as crianças voam colina abaixo.

Em breve, o nível intermediário e avançado.

Obrigado, Edina, dona do SvensKalandosás, pelo link do South Park enviado há tempos como resposta ao post Últimas viagens de 2012.

Última viagem de 2012: os Ents de Sälen

Sälen, uma pequena localidade perto da fronteira com a Noruega, foi a última viagem realizada em 2012. Sei que estou meio atrasada, mas é o último relato de viagem por agora, e também, um relato de como foi o meu Natal. Quando eu e Erik voltamos da Inglaterra para a Suécia, passamos alguns dias em Uppsala, na casa da mãe dele. Daí pegamos um ônibus e, depois de seis horas, chegamos a Lindvallen, um resort de esqui em Sälen.

Essa viagem foi especial para a família do Erik, pois seu pai completou 60 anos. Por isso que ele e sua esposa, mais os filhos e cônjuges, foram convidados a passar uma semana nesse lugar lindo e afundado em neve. Acabo de postar um post sobre a neve aqui em Linköping, mas agora vem mais ainda. Muito mais.

O resort é daquele tipo bem familiar. É uma atração bem propícia para famílias com crianças. Há pistas de esqui de alturas variadas e entretenimentos como spa, parque aquático e cinema. O pai do Erik, Bo, escolheu Lindvallen porque era onde a família deles passava as férias todos os anos, quando os quatro irmãos eram pequenos.

Fomos no final de dezembro, bem perto do Natal. O resort estava branquíssimo, metros e metros de neve cobriam tudo a nossa volta. Os primeiros dias foram um pouco mais frios, as temperaturas estavam em torno de -7 e -10C. Eu, como adoro neve, estava com saudade e queria mesmo que nevasse mais ainda. Neve não faltou nesse último Natal.

Lindvallen à noite:

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Eu e o Erik dividimos o chalé abaixo com o irmão dele e a namorada (Jonas e Siddy). O chalé era super confortável e todo mobiliado. Tinha de tudo, dava até para cozinhar.

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Muita neve

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Como acho lindas as formas que resultam do excesso de neve nos troncos e folhas das árvores, há muitas fotos com esse tema. É que essas formas sempre me fazem imaginar seres mágicos, como os ents, do “O Senhor dos Anéis”.

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DSC07832Os verdadeiros Ents

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Abaixo, o parque aquático o qual tem uma piscina super aquecida na parte externa. Foi muito gostoso nadar enquanto nevava e a temperatura era de -7C. Uma experiênicia sensorialmente linda.

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