Fim da fase Linköping

Sei que já não é novidade para a maioria das pessoas que me conhecem, mas achei necessário fazer este post de fim de fase, fim de uma fase de vida em Linköping, cidade onde morei desde que mudei do Brasil. Confesso que dá uma certa emoção quando penso em Linköping, mas este sentimento é certamente alimentado pelas “memórias de amor” que tenho de lá, não pela cidade em si. Antes de contar mais um pouco sobre a mudança, aproveito para postar algumas últimas fotos que tenho sobre a vida no nosso querido primeiro apartamento. Nessa época, logo depois do Natal, tínhamos bastantes plantas.

Abaixo, estou preparada para atacar o panetone que meus pais me mandaram em uma caixa de Páscoa (todo ano tem caixa de Páscoa; sei que a deste ano já está a caminho). Não gosto mesmo de panetone, mas esse que experimentei era muito bom.

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Esse pequeno objeto verde nas mãos do Erik é meu celular novo, presente do pai dele.

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Depois de minha mudança para Lund, decidimos adiantar a venda do apartamento. Nós compraríamos um apartamento em Malmö, cidade vizinha de Lund, conhecida por alguns como a Berlin da Suécia. O processo de compra e venda de apartamentos na Suécia é bem diferente comparado ao Brasil. Aqui as pessoas quase não fazem nenhuma transação desse tipo sem um corretor, acho que por motivo de segurança, como muitas outras coisas por aqui. Pois bem, contratamos um corretor, e só essa escolha já foi motivo de muitas horas de debate. Antes de escolhido, vários coretores visitaram nosso apartamento e fizeram propostas de preço inicial e comissão. A compra e venda acontece por um sistema de leilão. Começa-se por um preço inicial, e depois as pessoas dão lances. Assim, nunca se sabe por quanto o apartamento vai ser de fato vendido. A comissão do corretor é calculada com base no preço final. Mas como eles são espertos e conhecem muito bem o mercado, as propostas deles (de preço inicial, porcentagem de comissão) sempre parecem baratas, mas no final das contas eles vão ganhar, e bastante. Para se ter uma estimativa de preço pelo qual um apartamento possa ser vendido, é necessário acompanhar o mercado na cidade, no bairro. Checar o preço dos apartamentos que já foram vendidos.

As visitas de potenciais compradores são sempre marcadas e acompanhadas pelo corretor. Duram meia hora, várias pessoas visitam ao mesmo tempo. Geralmente os donos não podem estar no apartamento nesse momento. Mas antes que as pessoas possam fazer a visita, existe todo um processo de styling. Contratamos uma decoradora que mudou todo o estilo do apartamento, trouxe móveis novos, pintou as paredes da cozinha etc., a fim de que pareça um apartamento de revista. Aí um fotógrafo profissional tira fotos do apartamento, às quais vão para o site da corretora e para os folders. Os donos do apartamento ficam com toda a decoração “de revista” até o fim das visitas. Nós só tivemos dois dias de visitas. O mercado de Linköping está uma loucura, parece que todos querem morar lá.

Todo o processo começou em dezembro de 2013, mas só comemoramos de verdade em março, quando todo o negócio estava fechado. Fizemos limpeza inúmeras vezes: para a sessão de fotos, para as visitas, para a mudança final…

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IMG_0340Prateleiras quase vazias

Erik comprou um computador novo também, já que o antigo, usado, já estava bem ruim.

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Assim acaba essa fase Linköping. Vale a pena relembrar alguns posts legais desses anos em Linköping:

A neve e eu

Primavera no Trädgårdsförening

As aventuras de Pitutinho

Cenas do inverno sueco 2011-12 I

Stångån I

Kolonilotter

Linköping: -22C

Cotidiano

 Reencontro

 

 

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Agora estou: esperando um trem por 3 horas

Ganhei um celular novo de Natal . Foi o pai do Erik quem me deu e funciona muito bem, e prático. Como eu não tenho tido tempo de postar nada (estou com muitos rascunhos engavetados), decidi começar uma nova série: “Agora estou…” para mostrar o que estou fazendo no exato momento da publicação do post.

Os posts serão escritos no telefone. A ideia não e substituir os posts “originais”, feitos com cuidado e muito tempo, mas sim mostrar algumas coisinhas mais mundanas, quando saio por exemplo, de maneira instantânea. Já recebi sugestões para postar mais sobre o dia a dia, então esta nova série e meio que isso. O nome não e muito criativo, então aceito palpites para mudá-lo.

O primeiro post e para reclamar do atraso do trem. Agora estou sentada na estação de Linköping, esperando o trem para Lund, mas já anunciaram que o trem está 3 horas atrasado!!!

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Nova cidade, nova vida

Faz um tempo já que não posto nada, desde que escrevi um post nada otimista sobre meu estado de saúde. Em primeiro lugar, queria deixar claro que está tudo bem. Eeeeee! A constipação passou – deve ser resultado de eu estar comendo mais frutas, inclusive uma banana diariamente, além de ter trocado arroz e macarrão por suas versões integrais de segunda à sexta. Ou seja, mais fibras. Ainda vou tentar a dica que a Andrea, mais nova habitante desde lado do mundo, me deu: comer um kiwi por dia. Também já estou melhor da inflamação no cóccix. Assim como veio, foi; não quero que volte mais. Dor dos infernos.

Bem, o motivo de eu estar bem afastada do blog já deve estar meio claro para muita gente. É que muitas coisas mudaram em minha vida aqui na Suécia. Não gosto de ficar tanto tempo afastada do blog; demora-se tanto para aumentar o tráfego, contruir uma rede de amigos leitores… Ainda assim, esta ausência foi necessária, pois precisei – e ainda preciso – levar um dia de cada vez. As mudanças e o ritmo estão muito intensos.

A primeira novidade é que passei um fim-de-semana em Copenhagen, capital da Dinamarca, depois de voltar do Brasil. Adorei, quero morar lá. A segunda novidade, esta sim bem fundamental, é que eu me mudei de Linköping! Este fato mereceria um post a parte. Foram tantas histórias desde a minha chegada à Suécia – dá para relembrar algumas ao clicar na categoria Linköping na coluna ao lado, no menu “Assuntos”.  Apesar de eu ter me mudado, ainda vou para Linköping em alguns fins-de-semana, já que o Erik está lá, no nosso apartamento. Em outros fins-de-semana, a ideia é que ele venha para cá. Mas onde estou? Eu me mudei para Lund, muitos também devem se lembrar do porquê. Nova vida, nova cidade.

Esse porquê de eu ter me mudado chama-se Master of Science Programme in International Development and Management (Mestrado em Desenvolvimento Internacional e admistração/gerência de projetos). Mais adiante, escreverei um post mais informativo sobre o programa em si, os desafios, a matéria que estou estudando agora e outras coisinhas. Ainda não tirei foto alguma, nem da cidade, nem da universidade, nem de nada. Nova vida, nova cidade, nova universidade.

Mudar de cidade significa que eu mudei de casa também. Estou morando no porão de uma casa bem grande, de um médico que tem cinco filhos. O nome dele é Poul. Ele é muito legal e generoso, super para cima, sempre querendo me incluir nas atividades da casa. “Porão” soa meio mal, mas na verdade é um espaço ótimo. Tenho um quarto grande e divido o banheiro e uma cozinha improvisada com a outra “inquilina”, a Hanna, que mora em uma casinha pequena no jardim. Logo pretendo tirar fotos e mostrar aqui. É melhor que eu não demore, pois aparentemente o outono já está vindo, e o inverno não tardará.

Estou muito estressada, o ritmo do mestrado é intenso. Não tenho tempo para nada, apenas estudo, estudo, estudo e escrevo, escrevo, escrevo. Tenho que entregar um paper de economia (artigo científico, hehe) na sexta. Meus dedos estão destruídos de tanto que eu arrando as peles de nervoso. Mas tudo bem, estou tentando levar um dia de cada vez. Imaginem, é tudo absolutamente novo! Tenho que aprender tudo, onde ficam os lugares na cidade, ônibus, supermercado, tudo.

Por enquanto, como ainda não tenho fotos, deixo duas que outras pessoas tiraram de um picnic no meu primeiro sábado aqui em Lund, depois da primeira semana de aulas. Foi muito divertido.

picnic2Dá para ver minhas amigas mais próximas daqui: a de camisa xadrez, Mirsini, da Grécia; a de vestido salmão, bebendo algo, Anna, da Suécia; e a de malha verde musgo, bem à direita, Louise, também sueca.

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Anna e eu

Logo postarei, também, sobre o Quatro de Julho em Nova York e o fim-de-semana em Copenhagen.

Ficar velha é uma m****

Mas que título mais direto ao ponto, não? Bom, estou de volta à Suécia depois de uma viagem ao Brasil e naturalmente de volta a este blog. Não sei mais por quanto tempo vai ser interessante contar fatos meio repetitivos já sobre este lugar, mas vamos continuar (pensamentos sobre mudanças estratégicas rondam a minha cabeça).

Este post é mais um daqueles com atualizações dos últimos acontecimentos e últimas reviravoltas. Como devem ter percebido, ou até mesmo porque já contei isto aqui, minha vida é planejada semestralmente, pois meu status de expatriada não me permite tanto mais do que isso. Então vamos às notícias de curto e longo prazo sobre este semestre que se acerca:

1) Estou um caco para ser jogado fora.

Aqui na Suécia eu já tive muitas idas hipocondríacas ao pronto-socorro de Linköping (suspeitas de trombose, ataque cardíaco etc.), mas desta vez estou um caco para ser jogado fora mesmo. Coincidência de nome, acho que tenho quase o mesmo problema que um dos pequeninos, o salsicha Caco.

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Caco está descadeirado como eu.

O Caco está com problemas seríssimos de coluna – cartilagens desgastadas, bico de papagaio – anda com muita dificuldade e está com dor constante. Esta é mais ou menos a descrição do meu estado também. Já não basta uma constipação dos infernos que já dura meses, uma hemorróida interna – sim, estou falando mesmo de constipação e hemorróida, que pessoa fina sou eu – e agora, uma auto-diagnosticada inflamação no cóccix. É o ossinho da bunda. Ou seja, dor na bunda. Uma dor maldita, insistente, intensa. Não consigo andar direito, sentar-me e levantar-me são as tarefas mais difíceis do meu dia, deitar é apenas de lado, arrastando-me na cama. Sério, não consigo me imaginar com 16 anos com problemas como esses. Ficar velha é uma merda. Dói na bunda. Em homenagem a este cenário animador de hemorróidas, constipação e dor na bunda, estão aqui os Rolling Stones com a excelente Mother’s Little Helper, que começa com uma das melhores frases de todos os tempos:

“What a draaaaaaaag it is getting old”

“Things are different today,”
I hear ev’ry mother say
Cooking fresh food for a husband’s just a drag
So she buys an instant cake and she buys a frozen steak
And goes running for the shelter of her mother’s little helper
And to help her on her way, get her through her busy day.”

E tem também “I Don’t Feel Young”, do Wye Oak

2) Eu vou me mudar de Linköping…

… mas ainda não tenho onde morar! O mestrado começa na próxima segunda, 2 de setembro, e eu recebi a grade de horários quando ainda estava no Brasil. O esquema é pesado, há atividades todos os dias, bem tenso. Lá se foi o meu plano de pegar o trem de Linköping a Lund duas vezes por semana. Agora tudo muda: eu com minhas malas para Lund, ao sul da Suécia. Uma nova fase de fato começa.

Eu e Erik passamos o fim-de-semana passado em Lund, procurando quartos para eu morar. Andamos tanto… O novo plano é morar em um quarto, dividir com alguém. Eu passaria a ir para Linköping em alguns fins-de-semana, enquanto ele viria em outros. O problema é que moradia em Lund é coisa mais difícil que entrar para a universidade, que por sinal, está entre as 100 mehores do mundo.

Por enquanto ainda não consegui nada, e a querida amiga Edina me ofereceu um quarto no novo apartamento dela até eu arranjar algo. Ela se mudou para Malmö, cidade a 10 minutos de Lund.

Tenho algumas boas opções, estou esperando respostas… Que ansiedade.

3) Começo o mestrado em uma semana.

É isso. Tenho que me virar em uma cidade completamente nova e ainda me dedicar a esse novo projeto, que vai dar muito trabalho.

4) Vou fazer uma mini-viagem.

Mais uma viagem de fim-de-semana: vou para Copenhagen (Köpenhamn – chopeinrâmn), capital da Dinamarca, já neste próximo fim-de-semana. Vai haver uma comemoração da classe do Erik, afinal este agora é o último semestre do programa. Ele se forma no fim do ano. Como dá para ver no mapa acima, Copenhagen é bem perto de Lund.

Os vira-latas de Linköping

Vira-latas são adoráveis, como todos os outros animais, não? Mas aqui em Linköping, os vira-latas são um pouco diferentes. Eles têm orelhas bem finas e pontudas.  Eles têm pelo bem macio. Eles são dentuços. Eles comem grama. Eles são… coelhos! Ou melhor, lebres. Aqui tem muito coelho solto pela cidade, nem tanto pelo centro, mas sim pelos bairros residenciais, como onde moro. Não sei como pode uma cidade ter coelhos assim, vira-latas, comendo no jardim dos outros, é incrível. Deve ser pelo fato de haver uma floresta próxima, talvez eles venham de lá. Fato é que os vejo quase todos os dias aqui no jardim do prédio. Acho que tem sempre um mesmo que vem aqui, comer as gramíneas. No inverno dá para ver muitas pegadas na neve, muitas mesmo; aí sem tem uma ideia da quantidade de coelhos soltos por aqui. De madrugada é também um bom período do dia para vê-los – aí eles tomam conta da cidade, junto com passarinhos (na primavera, pois no inverno os pássaros são espertos e imigram).

Assim, todos os dias vou à janela para ver se flagro alguma dessas delícias comendo grama bem em frente do prédio.

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Jardim em frente ao prédio, a primavera já havia chegado. Há algo na grama?

Sim, um coelho!

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DSC08225Eles comem bastante.

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Na grama mais verde do vizinho

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Agora são dois.

DSC08232Fugindo

Há mais ou menos um mês atrás, havia uma pata que passou um bom tempo aqui no jardim também. Não sei se ela estava doente, pois os patos vivem no rio, logo abaixo da próxima rua. Ela ficava sentadinha na grama, andava para lá e para cá comendo do chão. Eu acabei levando comida todos os dias que a via, e também água em um potinho. Ela era tão inteligente que logo aprendeu a me reconhecer, aprendeu a reconhecer o meu assobio, os meus beijinhos e a beber a água do potinho. Isso pode parecer fácil para quem tem passarinhos em gaiola, mas patos selvagens não sabem para que servem o potinho. eu fui jogando pedacinhos de pão até ela chegar bem próxima ao potinho. Ela logo percebeu que o pão e a ração para passarinhos eram muito secos. Então ela me ensinou a colocar a comida na água. Um dia ela não voltou mais, mas eu fiquei feliz, pois provavelmente ela se sentiu bem e foi embora. Afinal, patos não vivem em jardim, ela precisa de água para nadar.

Sintam-se à vontade para contar histórias de interação com animais.

Presentes de Páscoa chegam ao fim

Este ano não foi diferente, e recebi uma caixa enorme, de uns oito quilos, com presentes dos meus pais e da minha irmã na Páscoa. Eu amei tudo! Meus pais me mandaram ovos de Páscoa, roupas, sapatos, palmito, farinha de mandioca e outras coisas – sinto muita falta de palmito, que amo, e a farinha é para cozinhar umas coisas deliciosas; não encontro dessa farinha aqui. Minha irmã extrapolou e me mandou dois sacos bombom, um quilo cada, além de leite condensando brasileiro (o daqui é muito bom também) e granulado (o daqui não presta). Quase tudo já chegou ao fim, com exceção do leite condensado. Ainda não fiz brigadeiro. Vou fazer bonitinho, enrolado.

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Acabou

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Eu devo ter comido uns 60% do chocolate. Eu queria aproveitar também, neste post, para mostrar ao menos uma das coisas que minha mãe mandou. Eu sei que quando damos presentes, a maior alegria é ver a pessoa usar.

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Aproveito, também, para colocar uma foto do Erik cozinhado Kung Pao vegetariano (frango xadrez):

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A escola e a minha sala

O trabalho na Infokomp está bem. Não há nada de muito novo acontecendo, a não ser o fato de terem me mandado para Sollentuna nesta semana que passou. Sollentuna é uma região da área metropolitana de Estocolmo, ao norte da capital. Fiquei lá de quinta para sexta, hospedada em um hotel ótimo.

Aqui, o trabalho normal do dia a dia é muito chato e entediante. Eu poderia escrever um post todos os dias para dar vazão a minha frustração, mas seria muito chato. O Erik já atura isso todos os dias. O que eu quero em um futuro próximo, se tiver energia e paciência, é explicar o problema da educação na Suécia. Hoje, tendo sido aluna e professora por alguns anos, posso dizer que capturei a essência de muitos dos problemas dessa área. Por eu ser estrangeira, fica até um pouco mais fácil enxergar o que se passa com a qualidade da educação por aqui.

Este post, porém, não é para criticar negativamente o sistema de ensino sueco. É para mostrar o meu trabalho, a minha sala, a escola onde passo oito horas por dia, de segunda à sexta. A escola é simples, fica bem no centro da cidade mesmo. É uma excelente localização, sempre agradeço aos céus todas as manhãs quando pedalo. Leva em torno de 8 minutos  para chegar lá de bicicleta. Outra vantagem é que tem tudo perto, inclusive o supermercado onde costumo fazer as compras semanais, Hemköp – fica a dois minutos a pé.

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Corredor perto da minha sala. A cozinha dos alunos fica à esquerda.

Esta é a área de convívio dos alunos, onde muitos almoçam todos os dias. Existe algo que eu amo na cultura sueca do trabalho, mas que também é válido para todos os estudantes, que é o hábito de levar marmita. Eu nem sei mais o que é ter que comprar almoço em algum restaurante. A maioria dos locais de trabalho e escolas/universidades oferecem toda a infra-estrutura para que as pessoas possam levar o almoço. Há sempre uma cozinha com micro-ondas, pia, talheres, geladeira etc. Acho fantástico, deveríamos copiar isso no Brasil. As pessoas economizariam muito. É divertido, lógico, sair para comer de vez em quando. Comer besteira no meio de um dia de trabalho é muito legal. Mas aí isso serve para sair da rotina. A regra aqui é trazer de casa. No Brasil precisaríamos de uma mudança muito grande de mentalidade na questão dos demarcadores de status social. Levar comida de casa é considerado “coisa de pobre”, de baixo nível no geral, especialmente se você trabalha em algum escritório de São Paulo. Mesmo que os outros vejam isso como coisa de bóia-fria, por que dar importância, não? É um problema tão grande ser visto como pobre? A questão não é assim tão simples; é complexo falar de status social e da imagem que cultivamos para o outro. Esse é um dos motivos de choque para imigrantes como eu, que viram cidadãos de segunda categoria no novo país. Enfim, assuntos para outros posts, ou muita conversa e café. Para resumir, comecem a levar marmita no Brasil. Eu levaria se voltasse a trabalhar aí. Eu levo minha marmita todos os dias aqui.

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Área de convívio; muitas marmitas; cheira bem no almoço.

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Sala de aula ao lado da minha

Finalmente, a minha sala:

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Uma olhada mais de perto na minha mesa:

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Tudo bem simples, eu mal levei livros, materiais… Deixei tudo aqui, em caixas no subsolo. A vista da janela é bem chata, infelizmente. Não há vista.DSC08101

Ultimamente, os dias estão assim, muito chuvosos. Então essa é a vista de todos os dias:

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O mais legal deste trabalho é que todos me levaram a sério desde o início, diferentemente da outra escola onde trabalhei, onde nem colocaram plaquinha. Aqui eu tenho uma placa com o meu nome ao lado da porta da sala:

DSC08105“Camila Azevedo

Professora

Inglês, distância”

Meu contrato acaba bem no final de junho. Depois disso, pode ser que eu arranje mais um pouco de trabalho no verão (julho), ou não. Pode ser que eu tenha outros planos.