De volta a Psykjunta

Depois que o mestrado terminou, passei um mês só aproveitando com a galera que iria embora para casa (seus países de origem). Quem aí se lembra de um certo festival psicodélico em Småland, esse estado sueco coberto por florestas e fazendas? Está aqui para refrescar a memória: Psykjunta. Pois é, eu e Erik planejamos há uns meses atrás, antes da graduação, irmos novamente ao Psykjunta, pois foi uma experiência muitíssimo legal no ano passado. Este ano, não foi diferente.

a

Como no ano passado, tivemos que acampar também. Dessa vez, além do trio da última vez (eu, Erik e o Jonas, irmão do Erik), vieram também a Mirsini e o Pontus, super amigo do Erik. Dessa vez também ficamos mais tempo, de sexta a domingo. tivemos sorte, pois fez sol todos os dias, mas à noite, especialmente a de sábado… Muita chuva! E  dentro da barraca que eu dividi com a Mirsini. Acabou chovendo mais para o lado dela.

2015-06-12 20.26.22

É muito bom ficar em barraca, né. Acho que traz algo da infância. É aconchegante, é aventura. Mas aventura também pode ficar meio complicada quando chove dentro, como aconteceu, quando vomitam bem ao lado de onde você estae dormindo… Mas enfim, fizemos churrasco na sexta e no sábado, churrasco de hambúrguer e cachorro-quente vegetarianos, estava tudo muito bom.

2015-06-12 20.26.32
Mirsini, Jonas, eu e Pontus

2015-06-12 20.27.41

Os Hellman
Os Hellman

Teve bagunça dentro da barraca:

2015-06-12 21.51.10

DSCN0824

DSCN0826

O tempo ficou feio na noite de sábado:

2015-06-13 21.23.50

Dentro do festival, as coisas estavam animadas.

Psykjnta 2015
Psykjnta 2015

Tinhas umas coisas meio estranhas na área do festival, como uma escultura de papel alumínio e um escorregador:

2015-06-12 18.27.26
Ao menos parece papel alumínio.

DSCN0818

Discutindo coisas
Discutindo coisas “muito” importantes

Todas as bandas que eu assisti eram excelentes. Não sei como, mas a acústica é ótima nesse lugar. Havia dois palcos, como antes.

2015-06-12 18.47.39

O outro palco é o principal:

Mirsii e eu no palco principal, o
Mirsini e eu no palco principal, o “circo”

2015-06-12 18.31.31

2015-06-12 19.07.56

2015-06-12 22.24.08

De verdade, gostei de absolutamente todas as bandas que assisti. Essas meninas, por exemplo, vale a pena baixar umas músicas delas:

siri-karlsson

Esta outra banda, chamada Dungen, está fazendo sucesso por aqui na cena indie. Eles tocaram uma trilha sonora para um filme de animação muito bonito, mostrado em um telão. A banda não apareceu até o fim do filme. Tocaram no escuro. A trilha era toda improvisada, eles tocavam à medida que as coisas evoluíam no filme. Brilhante.

dungen

Dá para assistir aqui. Sério, assistam. É muito bonito e mágico. Outra banda que tenho ouvido ultimamente, que também está fazendo sucesso no cenário indie aqui e foi uma das principais atrações é Amason.

amason

Duas músicas são muito boas: Yellow Moon e Ålen.

2015-06-14 01.40.57
Só de canto enquanto bandas tocavam.

Nessa noite de sábado, como comentei antes, choveu, choveu muito. Ficou tudo enlamaçado. O bom desse festival é que, além de ser pequeno, o palco principal é coberto graças a Deus. Então pode cair o que for de chuva lá fora, a não ser que sua barraca não seja muito boa, como a minha, que custou uns 70 reais apenas.

Chuva na noite de sábado
Chuva na noite de sábado

2015-06-14 02.18.40

2015-06-14 02.19.20

Na manhã seguinte, domingo, estávamos lógicamente de ressaca. Fomos ao palco principal onde fica o único café do festival, que nem serve comida boa. Tinha pão integral com manteiga de amêndoas e pepino. Até é bom, mas isso não é comida para curar ressaca de festival.

2015-06-13 10.43.07
Manteiga de amêndoa com pepino e café

2015-06-13 10.45.33

2015-06-13 11.26.40

Tinha um violeiro muito talentoso tocando a trilha do café:

2015-06-13 11.15.12

2015-06-13 11.26.23

Foi nesse momento que percebi que todo o chocolate que tínhamos havia se metamorfoseado em uma massa homogênea durante o ensolarado dia anterior:

2015-06-13 10.42.48

Comi mesmo assim.
Comi mesmo assim.

E é isso minha gente. Esse foi o Psykjunta 2015. Ficou um gosto muito bom de festival. Foi difícil ir embora; por mim, ficaria por mais uma semana. Dependendo de onde eu estiver no ano que vem, estarei lá novamente.

Anúncios

A casa (museu) de Bob Marley

No comecinho de setembro, depois de um mês de Jamaica (hoje já faz três meses e meio que estou aqui), eu e Mirsini visitamos o Museu do Bob Marley, a casa onde Bob Marley viveu desde 75 até sua morte em 81. Quem acompanha este blog deve estar pensando “Poxa, finalmente algo sobre o Bob Marley!”. Pois é, Jamaica tem mesmo muito a ver com o ele. Este é um dos estereótipos que se confirmou. A bem da verdade, seria desrespeitoso falar que a admiração por Bob Marley é como o estereótipo Jamaica + Bob Marley. Bob Marley aqui é muito mais do que isso, é parte integral da cultura Jamaicana e fonte de orgulho e inspiração para muitos que conheci por aqui, de classes sociais bem distintas.

O museu fica na Hope Road, uma das principais avenidas da cidade. Já não me lembro bem quanto custa para entrar, mas é algo em torno de 800 a 1000 dólares jamaicanos (entre 8 e 10 dólares americanos).

IMG_1287
Entrada do museu

IMG_1354

A área externa do museu é bem ampla e há vários muros pintados com imagens de Bob Marley, sua família e outros escritos rastas. Há também um café com uns rapazes rasta bem simpáticos. Servem café, cerveja e algumas comidinhas vegan.

IMG_1289 IMG_1288

"Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6".
“Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6”.

IMG_1286

IMG_1298

Ainda na parte dianteira da propriedade, logo em frente ao portão, há uma estátua em tamanho real de Bob. Ele era baixinho. Infelizmente a cara da estátua não é muito parecida com as tantas fotos lindas em preto-e-branco que vi na sala ao fundo da propriedade, umas das coisas que mais valem a pena na visita.

Bob Marley em tamanho real
Bob Marley em tamanho real

IMG_1358

IMG_1292
A cara não é parecida.

IMG_1299

O rapaz da segurança não conseguiu tirar uma foto muito decente de Mirsini comigo e Bob, sempre faltou uma cabeça, então vai esta mesmo:

IMG_1296

IMG_1297

A visita é um tour guiado pela casa, que também abrigava a gravadora do The Wailers. Há salas com vários discos de ouro, recortes de jornal, o estúdio onde muitas canções foram gravadas, o quarto original de Bob, a cozinha e outras coisas mais.

IMG_1333
Entrada da casa

IMG_1334 IMG_1335

A foto acima é a última tirada dentro da casa, pois é proibido. A guia contou que Bob costumava correr escada acima pulando de três em três degraus para manter a forma. Estou precisando seguir esses tipos de conselho.

A pintura da lateral direita é muito legal:

IMG_1331

Nos fundos da propriedade há a sala das fotos, que mostram muitos momentos distintos na vida do artista. Há também a loja de souvenirs, lógico, muitas plantas e as casas dos conhecidos de Bob que permaneceram ali.

IMG_1311
Fundos

O que adorei foi ter conhecido Georgie, quem acende a fogueira em No Woman No Cry:

Said, said, said, I remember when-a we used to sit
In the government yard in Trenchtown.
And then Georgie would make the fire lights,
As it was logwood burnin’ through the nights.
Then we would cook cornmeal porridge,
Of which I’ll share with you,
My feet is my only carriage,
So I’ve got to push on through.

Sim, essa pessoa existe, morou com Bob Marley no mesmo conjunto de quartos em Trenchtown, bairro muitíssimo pobre de Kingston o qual visitei há duas semanas atrás. Georgie mora em uma casinha nos fundos do museu, onde aparentemente já estava quando Bob morava lá também. O que mais tenho gostado daqui é de como desenvolvi uma nova relação com a música de Bob Marley, que agora tem outro significado, muito mais emocional e verdadeiro para mim. E nem sou assim uma fã tão grande.

IMG_1302

Lá também conheci um percussionista que tocou com Bob:

Mirsini e percussionista
Mirsini e percussionista
IMG_1308
Parede da lojinha de souvenirs

Só na Jamaica encontro placas como esta:

IMG_1310
Por favor tome cuidado com as mangas que caem.

Ainda na parte de trás, vi a sala onde Bob sofreu uma tentativa de assassinato (já falei que esta cidade é perigosa – a história toda você lê aqui).

IMG_1351
A sala do tiro

IMG_1339 IMG_1340

Também na parte dos fundos ficam os degraus onde Bob se sentou em uma manhã e compôs Three Little Birds:

IMG_1344 IMG_1345

Voltando a frente da casa, conheço mais um conterrâneo de Bob.

IMG_1313

Infelizmente, eu já me esqueci de seu nome, mas ele era muito simpático, contou algumas histórias e falou que podia nos levar para dar uma volta pelos bairros onde Bob andou, haha.

IMG_1322 IMG_1323

Mais murais pintados:

IMG_1317 IMG_1327 IMG_1315 IMG_1319

Em suma, o tour não é assim uma coisa extraordinária, mas vale bastante a pena ver a casa, os murais, as fotografias, as pessoas, o estilo rasta. Eu fui também à casa de Bob antes da fama, quando era bem pobre em Trenchtown, à qual mostrarei em um outro post.

O que fazer em um fim-de-semana em Oslo

No sábado à noite, depois de passarmos pelo Slottsparken e ver o castelo real, Erik e eu fomos para o centro da cidade:

IMG_0483Em direção ao centro

IMG_0486

Acabamos achando uns bares até que legais, dica de um amigo norueguês do Erik. Muitos bares ficam na praça abaixo, chamada Youngstorget. Há várias opções mesmo, e eu tomei umas cervejas no Kulturhuset; eles têm boas opções.

IMG_0487

Já no domingo, depois de celebrarmos meu aniversário em um restaurante chique, fomos a um clube muito legal chamado Blå (Azul). Fica a uns 15 minutos de caminhada da Youngstorget, no endereço Brenneriveien 9, ou seja, rapidinho, e a entrada é gratuita – ao menos quanto estive lá. Música independente, r&b, hip hop, reggae, ritmos latinos e outros são o prato da casa, e há sempre vários shows. É um povo bem descolado por lá.

IMG_0557

IMG_0558

Fila de domingo para o Blå

O lugar é bonito, à beira de um rio.

IMG_0559

IMG_0561

Trinta: Festival Psykjunta

Quando o Erik sugeriu um festival psicodélico em Småland, região onde ele mora hoje, para comemorar meu aniversário de 30, confesso que não me empolguei muito. Não pelo fato de ser um festival deste tipo, coisa que muito aprecio, mas por ser em Småland. Estava em dúvida se seria mesmo psicodélico, até porque o que é “psicodélico” em 2014? O negócio é que foi, sim, um tanto hippie. O festival chama-se Psykjunta e ocorreu na pequena Alvesta, em uma área abandonada onde antes ficava um parque de diversões estilo circense, na sexta 13 de junho. Fomos nós três: eu, Erik e o irmão, Jonas. Acampamos de sexta para sábado e, neste dia, dirigimos até Oslo. Jonas voltou para a fazenda da irmã no sábado.

2014-06-14 10.56.09

2014-06-14 10.56.12Minha barraca

Não foi um festival muito grande, mas havia várias barracas e vans. As pessoas capricharam no estilo festival-hippie-psicodélico, menos eu, que decidi ir com roupa de ginástica. Queria ficar seca e não sabia o estado da coisa e da bebedeira. Não bebi muito, na verdade. Mas Erik levou uma garrafa de champagne e logo brindamos meu aniversário que ainda vinha. Começou a chover e nos abrigamos na barraca do Jonas.

2014-06-13 21.03.02-1

Havia várias barracas de comida, sempre oferecendo opções vegetarianas/vegan. Havia também algumas barracas de bebida. Nós nem vimos tantas bandas assim, mas houve uma muito boa, uma banda sueca antiga de rock progressivo chamada Träd Gräs och Stenar (“Árvore, grama e pedras”). O pai do Erik é fã deles.

2014-06-13 19.39.34Träd Gräs och Stenar

Mais tarde, na noite de sexta, foi a vez de uma das atrações principais, os americanos The Brian Jonestown Massacre. Como já disse, é uma das bandas preferidas do Erik. Eu não tenho muita paciência para a música deles, mas o show foi realmente muito bom. Já é o segundo que vejo, o primeiro foi em um clube legal de Estocolmo, Debaser.

2014-06-13 23.42.54The Brian Jonestown Massacre

2014-06-13 23.43.00

No dia seguinte, após uma noite muito mal-dormida na barraca quente, acordei exausta. Pegamos um táxi até a cidade só para comer pizza e depois voltamos ao acampamento. Quase no fim-de-tarde, eu e Erik pegamos a estrada em direção à Noruega.

2014-06-14 10.08.37Manhã seguinte

2014-06-14 10.09.27

2014-06-14 10.08.51

Cinco músicas: Ruspo

lançamento

Há um certo tempo comecei uma nova categoria neste blog, a “cinco músicas”. Na esteira das cinco escolhas da Valéria, do Quero Apenas Cinco Coisas, decidi apresentar cinco indicações dos artistas que mais gosto. Sem propensão à crítica musical, esta seção é mais como um conselho de amiga. Seriam as cinco músicas que eu te apresentaria para te fazer gostar de certo(a) artista.

O segundo post do “cinco músicas” neste blog traz um artista mais do que especial. De verdade, não no clichê de press-release. É o Ruspo, projeto do  meu amigo pessoal de longa data (e jornalista) Ruy Sposati.

O Ruy e eu ficamos amigos na faculdade de jornalismo. O encontro foi logo no começo do primeiro ano, em uma tentativa frustrada de ir a um protesto em São Paulo. A tampa da manteigueira de vidro dos meus pais tinha que cismar de cair e cortar meu pé justamente nessa manhã. Fui para a faculdade mesmo assim, achando que um cortezinho só não poderia impedir a minha nobre jornada. Mas impediu. O sangue não parava de escorrer; colocaram-me sentada em uma cadeira do lado de fora do campus. Correram para chamar um táxi. E quem fez tudo isso? Ruy, junto ao amigo também de papel fundamental nessa e outras histórias, Renato Santana. Hoje esses dois ainda caminham meio juntos; trabalham no Cimi, o Conselho Indigenista Missionário.

Bom, fiquei  muito amiga desse cara que ia para as aulas de camiseta pintada à mão, “socialmente aceitável” era a minha favorita. Nisso vieram as longas cartas e os projetos musicais comigo, que nunca saíram do papel. Mas eu escrevia bastante, dava muito palpite, sugeria instrumentos. Escutava os CDs que ele me mandava com suas influências – foi ele quem me apresentou Belle & Sebastian.

É por tudo isso e mais que ver o Ruspo sendo lançado como um artista “oficial” –  em toda a contradição que isso significa para quem o conhece de verdade – é uma satisfação das poucas que se tem. Foi quase como se fosse meu.

capa

Aproveito para disponibilizar aqui o release do álbum:

“A música híbrida e aventureira de Ruspo

Texto da contra-capa de Esses Patifes, por Lunaé Parracho.

Há algo de novo na música brasileira. É Esses Patifes, o primeiro lançamento de Ruspo. Com 14 faixas feitas na estrada, é um disco em que as canções se dão como mapas. Escritas e gravadas durante os últimos dois anos entre as cidades de Santos, Campinas e São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Altamira e Belém (PA) e Campo Grande e Dourados (MS), as músicas acompanham os caminhos do autor, que é também jornalista, através dum Brasil de distâncias graves e silêncios longos.

A geografia invade também a sonoridade, num pastiche de sons mesclado a vinhetas de uma Europa pós-guerra e a possibilidades intertextuais imediatas com diversas escolas e expressões musicais – e ainda assim, absolutamente brasileiro. Uma brasilidade de ouvido aberto para o mundo, imersa num padrão criativo que dispensa as fronteiras. Por essa razão, este é um disco difícil de categorizar.

Os cruzamentos são tão inesperados quanto fantásticos, no sentido estrito do termo. Uma criança indígena cantando em Araweté junto de calmas guitarras de post-rock, em ALTAMIRA, a história da construção da hidrelétrica de Belo Monte pelos olhos de um operário!

Em EUA – recriação de um microconto de Franz Kafka quase cantada por Paulo Diniz -, as únicas coisas consistentes na música são a linha de baixo de jazz estóica e repetitiva e as maracas terapêuticas. O resto muda e e se transforma constantemente. Tudo nessa música é excêntrico. Espere pelo solo de guitarra ridículo no final, que parece ter sido gravado por um menino de 14 anos que está lendo tablaturas pela primeira vez.

A tapeçaria das canções e seus intertextos, referências, cópias e colagens e sinapses que elas estabelecem, e os erros e ironias que carega, resulta numa tessitura multicor única e enigmática. É preciso ouvir pra sentir e entender. Ouvir Luzia Luluza de Gil discutir colonialidade com jambu em BELÉM, BELÉM. Bater palma com o sobrinho da Kátia Abreu no funk pseudo-barroco CHATUBA DO AGROBOY. Entender a lipogramática anti-eletricidade de ANASTÁCIO, parceria com o produtor inglês Mr. Bird, com suas escaletas distantes e soturnas e flautas de efeito hipnótico. Pegar a estrada junto com dois perdidos na atmosfera empoeirada da Rodovia Transamazônica, subvertida aqui num baixo digital de rádio FM dos anos 80 e guitarras debaixo d’água na faixa-título.

Chocalhos, blim-blons, gamelans, samplers, sintetizadores e uma sensibilidade aguçada para melodias, reorganizados em uma banda diferente a cada pista. Sem sobrar, sem ser over. Esses Patifes tem estilo e ouve-se do início ao fim, como obra, um pouco como antigamente, no sentido de se recostar para prestar atenção em alguma coisa.”

E a versão em Inglês, para quem lê este blog via Google Translate:

“The Hybrid and Adventurous Music of Ruspo

By Lunaé Parracho

“Esses Patifes” is Ruspo’s debut album. With 14 tracks crafted on the road, it’s a record where songs are given as maps. Written and recorded during the last two years in four Brazilian states, from São Paulo to the Amazon Rainforest, the songs follow the author’s journalistic path through a severely distant and silent country.

Geography also invades the sonority of this work, in a pastiche of sounds mixed with vignettes from a post-war Europe and immediate intertextual possibilities with various movements and musical expressions – and yet absolutely Brazilian. One Brazilianness with ears open to the world, immersed in a creative pattern that transcends borders. “Esses patifes” is an album that is hard to categorize.

The intersections are as unexpected as fantastic, in the strict sense of the term. An Indian Araweté child singing along to calm post-rock guitars in ALTAMIRA, a track which tells the history of the Belo Monte Dam’s construction through the eyes of a worker.

EUA (short for USA in Portuguese) recreates a Kafka-esque tale as if it was sung by Brazilian 70s singer Paulo Diniz. The only consistent things in the music are the stoic jazz bass line and the repetitive therapeutic maracas. The rest turns and changes constantly; everything about this song is eccentric. The ridiculous guitar solo at the end seems to have been played by a 14 year-old boy who is reading a Pavement tablature for the first time.

The tapestry of the songs and their intertexts, references, copy-and-pastes, and the synapses they establish, along with the errors and ironies that they carry, results in a unique and enigmatic multi-coloured fabric. You need to listen to feel and understand. You need to listen to Luzia Luluza Gil discuss coloniality with jambu in BELÉM BELÉM; to clap hands with Katia Abreu’s nephew on the pseudo-baroque Brazilian funk CHATUBA DO AGROBOY; to understand the anti-electricity of ANASTÁCIO, a collaboration with English producer Mr. Bird, with its distant melodic and gloomy flutes; you need to hit the road along with two lost guys in the dusty atmosphere of the Trans-Amazon Highway, subverted in an 80s digital FM radio bass with underwater guitars in the title-track.

Rattles, bells, gamelans, samplers, synths and a high sensitivity to melody, rearranged in a different band every track. No leftovers; no ‘over’ sensation. “Esses patifes” has style and can be heard from start to finish, a bit like in the old days, when you had to sit back to pay attention to a record – or anything else.”

Aqui estão, então, as cinco músicas do primeiro álbum de Ruspo, lançado pelo selo Um Distante Maestro. Sou suspeita, mas está muito bom mesmo! E aproveitem, pois é obra livre, o download é gratuito. Já está faz tempo em meu Ipod.

Cinco músicas do Ruspo

Ruspo

Esses Patifes

Tekoha

Altamira

Belém, Belém

Santos

Vocês podem baixar o álbum aqui:

http://umdistantemaestro.com.br

Ou ouvir em streaming aqui:

http://soundcloud.com/ruspo

Já saiu materinha no Globo. O facebook é esse aqui:

O twitter é esse:
Aproveitem!

Louvre, Tuileries, Deus e o Diabo em Paris

Finalmente chega o último dia em Paris, domingo. Como escrevi antes, não tinha mais fotos destes passeios de sábado e domingo, mas não poderia deixar de registrar aqui duas coisas muito gostosas que fizemos nesse dia: piquenique no Jardin des Tuileries (“Jardim das Tulherias”) e admirar a Catedral de Notre-Dame.

Palais du Louvre

O Palácio do Louvre era o centro do poder na França até Luís XIV se mudar para Versailles.

O Palais du Louvre (Palácio do Louvre) é um antigo palácio Real da França, localizado em Paris, na margem direita do Sena. Fica entre os Jardins das Tulherias e a igreja de Saint-Germain l’Auxerrois. A suas origens remontam a quase um milénio atrás, sendo a sua história indissociável da de Paris. A sua estrutura tem evoluído por etapas desde o século XVI.

O Louvre, cujo nome derivou da palavra franca leovar ou leower, que significa lugar fortificado de acordo com o historiador francês Henri Sauval (16231676), foi a sede do poder na França até ao reinado de Luís XIV, quando este se mudou para o Château de Versailles, em 1682, levando a encenação governamental consigo; o Louvre permaneceu como a sede formal do governo até ao final do Ancien Régime.

O Palácio do Louvre acolhe, actualmente, o Museu do Louvre, um dos mais ricos e famosos museus de arte do mundo.

Fonte: Wikipedia

Comecei com o Louvre porque o Jardin des Tuileries, agora um parque público, era o jardim oficial do palácio. Antes de começarmos o piquenique, sentamos em uma mureta bem em frente ao palácio para olhar as pessoas e fumar um cigarrinho. Esse dia de domingo foi praticamente o primeiro de primavera. Um dia muito ensolarado, fazia 25 graus. O plano era passar grande parte do domingo dentro do Louvre. Sabem o que aconteceu? Desistimos! Eu sei, um absurdo, primeira vez em Paris e não entrar no Louvre, que heresia. Heresia maior, porém, é não aproveitar um dia de sol e calor quando se vive na Suécia. Foi muito tentador, tentador demais. As pessoas estavam felizes, com roupas de verão, parecia que a cidade renascia depois de dias escuros, chuvosos, de uma primavera atrasada. Assim, essa é a história do porquê de não ter visitado o Louvre por dentro. Por outro lado, este é mais um motivo para voltar para Paris, que fica bem perto daqui.

Ainda assim, só de ver a área, o palácio por fora, valeu tudo e muito mais. O Louvre é incrível, inesperadamente incrível. Esqueçam o triângulo, aquela coisa que não tem nada de mais. O fantástico é mesmo o palácio e outras construções à volta. É esplendoroso, magnífico, ainda mais com o sol brilhando. Não deixem de ver o Louvre, mesmo que apenas de fora, se forem a Paris.

LouvreLouvre. Fonte aqui.

Jardin des Tuileries

Como explicado acima, este jardim pertencia ao Palácio do Louvre. Foi criado por Catarina de Médici em 1564 e se tornou um parque público depois da Revolução Francesa.

Jardin-des-Tuileries-Carrousel-GardenFicamos aí, nessa área no canto direito. Fonte aqui.

O sol estava bem gostoso, e o gramado estava cheio de gente jovem descansando, conversando e, claro, fumando. Eu e Erik compramos 8.6 Red desta vez (lembram-se da cerveja que tomamos no dia anterior, sábado?), umas baguetes e recheios para o Erik, quiches vegetarianos para mim e uma garrafa de vinho. Nem posso dizer como foi gostoso. Aquela mistura de sol, calorzinho agradável, álcool, comida… Eu deitei em cima do Erik, para não manchar de verde as minhas roupas preferidas, e acabamos pegando no sono ao pôr-do-sol – por volta de 8 da noite.

Notre Dame

No mesmo dia, andamos mais ainda um bocado. Achamos um bairro muito chique, com boutiques que vendiam peças por muitos euros – um xale, 5 mil euros, não estou brincando, Ferraris etc. Depois disso, chegamos ao Sena novamente e caminhamos, já à noite bem escura, em direção à Catedral de Notre-Dame. Sei que vou parecer bem repetitiva, pois só escrevo que tudo era muito lindo, mas o que é essa catedral? É tão linda iluminada à noite, tão alta, com arquitetura tão maravilhosa… Imaginem, a catedral é toda cheia de figuras entalhadas e estátuas. É de uma riqueza de detalhes tão impressionante, que leva horas para entender tudo – na verdade, deve ser impossível compreender tudo o que está simbolizado nas figuras da fachada ocidental. Foi em frente à fachada ocidental que me sentei com o Erik. O governo francês teve uma ideia genial para comemorar os 850 anos da catedral em 2013. Entre outras ações, colocou uma arquibancada em frente à fachada ocidental; assim, as pessoas são “convidadas” a sentar e observar essa beleza de arquitetura e arte. Eu e Erik passamos um tempo sentados na arquibancada.

Eu gostei tanto da catedral (Católica Apostólica Romana) que me empolguei e peguei várias fotos da página francesa da Wikipedia:

800px-Notre-Dame_de_Paris-France

Eu a vi assim, de noite:451px-NotreDameDeParis-1

Fachada ocidental

Night-Chartres-Cathedral-France

Fonte aqui

Há três portões na fachada ocidental:

800px-Notre_Dame_Paris_front_facade_lowerDa esquerda para a direita: Portal da Virgem, Portal do Julgamento e Portal de Santa Ana

O Portal do Julgamento, ao meio, é o mais esplendoroso de todos:

452px-Notre_Dame_de_Paris_main_gate

Os homens na parte de cima formam a Galeria dos Reis, um conjunto de 28 estátuas, cada uma de 3,5m de altura. Segundo a Wikipedia, podem ser tanto personagens do Antigo Testamento, quando monarcas franceses. Essa galeria encerra o limite entre a parte inferior, com os três portões, e a intermediária.

Está todo mundo lá, no portão central. Abaixo, ao meio, Cristo como Julgador, mostrando as chagas nas mãos:

800px-Paryż_notre-dame_portal

Apóstolos:

800px-ND_portail_central_gauche

Tem também o demônio e o Arcanjo Miguel com a balança das almas, escolhendo quem se salva e quem vai queimar no fogo do inferno para todo o sempre. Estão medindo as almas.

800px-DevilCentralGateNotreDameParis

Tem o Beau Dieu, literalmente, Deus. Ele também está lá:

399px-Le_Beau_Dieu_Notre-Dame_de_Paris

Abraão também, recebendo os escolhidos:

329px-Portail_Notre-Dame_de_Paris_240208_1

Algo muito interessante também são as gárgulas de Notre-Dame.

Acredita-se que as gárgulas eram colocadas nas Catedrais Medievais para indicar que o demônio nunca dormia, exigindo a vigilância contínua das pessoas, mesmo nos locais sagrados.

Fonte: Wikipedia

Idade Média, que tempos mais leves, divertidos, não? Não basta ser constantemente relembrado que Jesus morreu por você e você é um pecador eterno; não, há também que se lembrar que o demônio está sempre à espreita.

Notre_dame-paris-view gárgula

360px-Chimera_Notre_Dame_Paris

Figuren_auf_Notre_Dame

Para ficar mais leve, vou colocar aqui o Heavy Metal do Senhor, canção de Zeca Baleiro. Encerro, aqui, essa visita deliciosa a Paris. Espero voltar logo, pois esta é mais uma cidade na minha lista de cidades onde eu gostaria de morar.

Cinco músicas: Bruce Springsteen (próximo show)

É fácil dar um update bem rápido do que tenho feito ultimamente. Só existe um item na lista: trabalho. Bom, ando saindo bastante também, ao menos mais frequentemente do que comparado a minha vida reclusa de antes. Este fim-de-semana que passou, tivemos um amigo do Erik aqui. No próximo fim-de-semana, vamos a Estocolmo. Motivo: um encontro com the boss, Bruce Springsteen. Eu e Erik vamos ao show do Bruce Springsteen na Friends Arena em Estocolmo.

Bruce Springsteen é cantor do qual gosto muito, muito mesmo. Ele fez algumas das músicas que estão em minha lista de melhores de todos os tempos. Falando em listas, a Valéria Hernandorena tem um blog excelente com listas de cinco coisas em diversos temas. Na verdade, o blog dela não é tão simples assim, mas ao invés de eu explicar muito, vocês podem visitá-lo aqui. Pois bem, ela me sugeriu que eu começasse uma série de posts com dicas de música. Eu gostei da ideia, e aproveitando que vou ao show do Bruce no sábado, já começo com ele mesmo. Copiei o formato de apenas cinco elementos na lista. Do contrário, eu ficaria eternamente decidindo que músicas deveriam fazer parte dela.

Começo, então, o primeiro post com dicas de música. Não quero parecer pretensiosa, não tenho a mínima intenção em dar uma de crítica musical. O negócio aqui é mesmo colocar as cinco músicas que mais gosto dos artistas que mais gosto. O que vai determinar as escolhas é a pergunta: “Se eu tivesse que apresentar o cantor(a) X para meu amigo, quais as cinco músicas que realmente o fariam colocar esse artista no mp3 player para sempre?” É nesse sentido que farei as escolhas, ao invés de escolher o que é representativo de uma carreira inteira, por exemplo – seria uma loucura, e como já disse, não estou concorrendo a uma vaga no Pitchfork.

Cinco músicas do Bruce Springsteen

Bruce+Springsteen

Ai se eu já fosse nascida nessa época… Homens, por favor, copiem o estilo.

My Hometown

Disco: Born in the U.S.A.

“Last night I sat him up behind the wheel and said son take a good
Look around
This is your hometown”

As letras do Bruce Springsteen são as melhores se você quiser entender um pouco da cultura da classe trabalhadora americana.

The River

Disco: The River

“Now those memories come back to haunt me, they haunt me like a curse
Is a dream a lie if it don’t come true
Or is it something worse that sends me
Down to the river though I know the river is dry”

Dancing in the Dark

Disco: Born in the U.S.A.

Essa é para ouvir se você estiver se sentindo sem saída, sem saber o que fazer da vida.

“I get up in the evening, and I ain’t got nothing to say
I come home in the moring, I go to bed feeling the same way
I ain’t nothing but tired, man I’m just tired and bored with myself

[…]

I check my look in the mirror wanna change my clothes my hair my face
Man I ain’t getting nowhere I’m just livin in a dump like this
There’s something happening somewhere baby I just know that there is”

Human Touch

Disco: Human Touch

“So you’ve been broken and you’ve been hurt
Show me somebody who ain’t
Yeah, I know I ain’t nobody’s bargain
But, hell, a little touch up and a little paint…
You might need something to hold on to
When all the answers, they don’t amount to much
Somebody that you could just to talk to
And a little of that human touch”

Eu acho que depois dessa, é impossível não dar um pouco de human touch para ele, né?

Downbound train

Disco: Born in the U.S.A.

Isso é Bruce Springsteen, isso é América:

“I had a job, I had a girl
I had something going mister in this world
I got laid off down at the lumber yard
Our love went bad, times got hard
Now I work down at the carwash
Where all it ever does is rain
Don’t you feel like you’re a rider on a downbound train”

Espero que gostem das músicas. O próximo artista é muito especial.