Aker Brygge, o cais de Oslo

Quando deixamos as estátuas de Vigeland no Frognerparken, eu e Erik fomos para a área do cais, onde é possível pegar a ferry para ilhas e fiordes ao redor. É lógico que eu queria fazer isso, amo andar de barco, mas o próximo sairia muito tarde, então a ver navios no cais mesmo. Falando em navios, havia um bem grande atracado lá:

IMG_0531Cais de Oslo, com a fortaleza Akershus ao fundo

Essa região fica bem próxima ao centro, basta pegar um bonde (o “metrô” da cidade). O cais de Oslo antes era como muitas dessas áreas: para os fortes. Era ali que se construíam barcos. Mas as últimas décadas trouxeram um processo de gentrificação forte, e o cais se transformou em uma área classe média/alta, cheia de bares e restaurantes caros e uma marina. Hoje é conhecido como Aker Brygge.

IMG_0530Aker Brygge

Ainda não havia tomado café, então eu e Erik paramos para uma xícara à beira mar. O lugar valeu pela vista, mas o café era caro e ruim.

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IMG_0533Braços cruzados pelo frio da forte brisa do mar

IMG_0534Renascendo das trevas do mestrado. Precisava de um corte de cabelo urgente

  A marina tem aquele ar de gente rica nórdica. Porque é o lugar dessa gente, né.

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IMG_0542Esses não estão preocupados com as mudanças climáticas

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Erik gostou muito de um barco alemão à venda. Lógico que não cabe no nosso bolso, mas se coubesse, tenho certeza que ele gostaria de comprá-lo. O Erik ama velejar e disse que sabe conduzir um barco à vela. Espírito escandinavo.

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IMG_0554Aker Brygge

Mais tarde jantamos em um restaurante chique para celebrar meu aniversário. Adorei a visita a Oslo, foi rápida, mas deu para ver um pouco dos pontos mais visitados. No dia seguinte, segunda 16 de junho, já 30, dirigimos de volta à Suécia, mas paramos para passar a tarde em uma cidadezinha à beira mar, no litoral sueco, onde muitos também têm seus barcos: Smögen. Assunto do próximo post.

Frognerparken e as esculturas de Vigeland

No domingo à tarde em Oslo, eu e Erik estávamos em um dilema: seria interessante visitar um museu, mas o dia estava tão bonito, tão ensolarado… Nesta parte do mundo, o sol dita o seu tempo livre. Assim, decidimos não nos enfiar em um prédio, mas sim curtir o dia ao ar livre. Nunca se sabe quando haverá dias assim novamente, não? Hoje mesmo em Eksjö, 14C com chuva. Verão sueco.

Enfim, acabamos encontrando uma solução para conciliar as duas opções, a atração mais visitada de Oslo: Frognerparken, um parque que conta com uma exposição permanente de estátuas do artista norueguês Gustav Vigeland. O conjunto da instalação chama-se Vigelandsanlegget (“instalação Vigeland”) e se localiza na parte central do parque.

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Entrada de Frognerparken

O parque estava absolutamente cheio de gente, muitos turistas. Os ônibus de excursão estavam estacionados em frente ao portão. Ouvi muito Português Brasileiro por lá.

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Primeiro passamos um bom tempo no gramado à beira da pequena represa Frognerdammen (“Represa Frogner”), para almoçar os lanches que compramos, mais uvas e um litro de suco de morango com laranja.

IMG_0512A ponte com esculturas de Vigeland atravessa Frognerdammen

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Cena típica de dias quentes em parques escandinavos:

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IMG_0518Vista, a partir da ponte, para o outro lado da represa

As esculturas de Vigeland são muito robustas. São ao todo 214, em ferro, bronze e granito. Grande parte do trabalho do artista está concentrada nessa instalação. A maioria das estátuas representa seres humanos sempre em movimento, em meio a alguma ação, que pode ser bem cotidiana como brincar com crianças ou urinar. Muitos estão tensos, em conflito.

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IMG_0521Camila no mestrado

Mais adiante está a fonte e o Monolitten, mais adiante.

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IMG_0528Monolitten, totem gigante com almas dantescas querendo ascender ao céu

O que fazer em um fim-de-semana em Oslo

No sábado à noite, depois de passarmos pelo Slottsparken e ver o castelo real, Erik e eu fomos para o centro da cidade:

IMG_0483Em direção ao centro

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Acabamos achando uns bares até que legais, dica de um amigo norueguês do Erik. Muitos bares ficam na praça abaixo, chamada Youngstorget. Há várias opções mesmo, e eu tomei umas cervejas no Kulturhuset; eles têm boas opções.

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Já no domingo, depois de celebrarmos meu aniversário em um restaurante chique, fomos a um clube muito legal chamado Blå (Azul). Fica a uns 15 minutos de caminhada da Youngstorget, no endereço Brenneriveien 9, ou seja, rapidinho, e a entrada é gratuita – ao menos quanto estive lá. Música independente, r&b, hip hop, reggae, ritmos latinos e outros são o prato da casa, e há sempre vários shows. É um povo bem descolado por lá.

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Fila de domingo para o Blå

O lugar é bonito, à beira de um rio.

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Trinta: fim-de-semana em Oslo

Quase no  fim-da-tarde de sexta 13 de junho, depois de acampar no Psykjunta, eu e Erik dirigimos até a capital norueguesa, Oslo. Como a maioria que acompanha o blog sabe, moramos na Noruega por três meses em 2012, mas em uma cidade bem mais ao norte. Assim, foi a primeira vez que conheci Oslo, que é na verdade uma cidade não muito grande, de cerca de 900.000 habitantes. Ainda assim é a maior cidade da Noruega. Estes países escandinavos são mesmo um agrupamento de vilas em meio a florestas, montanhas…

Um dos tios do Erik é um dos maiores poetas do país. Ele é sempre muito legal comigo, sempre conversamos bastante nas reuniões familiares. Na última Páscoa, já bem feliz com vinho e schnapps, ele nos ofereceu o apartamento dele localizado na região central da cidade. Disse que estava livre para quando quiséssemos passar uns dias lá. E foi aí que ficamos, no apartamento do poeta, cheio de livros e gravuras pelas paredes. O apartamento fica no prédio ao fim da rua, atrás da placa de limite de velocidade na foto abaixo:

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A cidade é, como eu meio que já esperava, bonita, com uma arquitetura parecida a das maiores cidades da Suécia e Dinamarca – Estocolmo e Copenhagen. Não há prédios altos por aqui, nem em Oslo. São raros. Ao invés de blocos de concreto, há essas casas bonitas, edifícios de três, quatro, cinco andares:

IMG_0495Vista da varanda do apartamento

O dia estava maravilhoso, tive muita sorte. Os verões podem ser bem ruins aqui, como o dia de hoje (28/06) em Eksjö – 14 graus. Mas estes dias em Oslo estavam quentes, lindos e brilhantes.

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Os escandinavos amam o sol e sabem aproveitar os dias ensolarados. Por isso o gosto por varandas. Fica mais fácil curtir qualquer 15 minutos de sol sem precisar trocar de roupa, sair de casa e ver o sol sumir, como acontece frequentemente.

IMG_0498Noruegueses aproveitam o sol de sábado

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Essa região é bem burguesa. Havia muitos bares e restaurantes do tipo abaixo, com serviço em área aberta. É apenas no fim da primavera, verão e comecinho de outono que os bares e restaurantes trabalham assim. No inverno é impossível. Mesmo no verão é comum ver cobertores cedidos pelos estabelecimentos, um para cada cadeira. Muito confortável.

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No sábado à noite, caminhamos para o centro da cidade, a fim de achar alguma coisa para comer e uns bares. No caminho, passamos pelo Slottsparken, o Parque do Castelo. É onde fica o castelo real da Noruega.

IMG_0471Slottsparken

O castelo fica em um amplo espaço, um tanto majestoso, mas fazendo jus à “simplicidade” de estilo escandinava, sem muito exagero, sem ostentação.

IMG_0474Det Kongelige Slott (“O Castelo Real”), Oslo

É verão, o que significa que o sol se põe bem tarde. Já estava escurecendo, e a meia-luz fez com que o chão de pedrinhas parecesse rosa. O céu dourado conferiu um tom um dramático, mas serene. Lembrou-me a visita ao Palácio de Buckingham em Londres, depois de tanta chuva.

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Os países nórdicos

Achei esta imagem dos países nórdicos em um Tumblr e decidi colocar aqui – muito fofa e ainda tem dois países onde já morei (e moro, he).

Sweden

O Tumblr fica aqui.

Agora, para quem ainda não sabe, pois vim mesmo sem falar nada, estou no Brasil. Faz já uma semana que cheguei à casa dos meus pais em Santos, SP. Eu não tenho o celular de ninguém,. então podem me mandar o número por facebook, e-mail, qualquer coisa também. Eu vou escrever mensagens também.

Não contei tampouco que ganhei uma câmera nova maravilhosa de aniversário. Foi o segundo presente que o Erik me deu, além do cruzeiro – esse aniversário foi gordo. O problema é que eu, tonta, deixei o cabo que conecta a câmera ao computador em Linköping. Assim, não haverá muitos posts enquanto eu estiver por aqui, ao menos não sobre a estadia por aqui.

PS: a Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca (Dinamarca), mas tem certa autonomia política, mais e mais apoiada pela população.

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A viagem marítima mais bonita do mundo: à bordo da Hurtigruten nos fiordes noruegueses II

Ao soar do apito grave do navio, adentrávamos o fiorde de Geiranger, depois de umas algumas horas de viagem. O que já era maravilhoso fica mais deslumbrante ainda. Não há mesmo como trazer uma descrição que faça justiça a essa majestosa paisagem. Eu me emocionei.

Imaginem morar aí.

Há duas quedas d’água importantes em Geiranger: Friaren e De syv søstrene (“dom sev sostrene”). “Friaren” significa “o pretendente” em norueguês e “de syv sostrene”, “as sete irmãs”. A lenda diz que as sete irmãs estão a dançar montanha abaixo, enquanto o pretendente, que está do lado oposto, flerta alegremente com elas.

Friaren, “o pretendente”
De syv søstrene, “as sete irmãs”. Reparem que essa coisinha laranja, acima, é um bote.

À distância, a vila de Geiranger:

Vila de Geiranger

O navio para em frente ao povoado por cerca de meia hora. Foi aí que os “ilha de Caras” feelings terminaram quando comemos nosso almoço, pão com ovo trazido de casa, hehe… Na verdade, a maioria das pessoas trouxeram lanche de casa. Por aqui não há vergonha nenhuma, pelo contrário. Há que ser assim também no Brasil, mas a classe média nunca quer parecer pobre.

Na volta, mais cerveja e um martini para alegrar a tarde.

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A viagem marítima mais bonita do mundo: à bordo da Hurtigruten nos fiordes noruegueses I

Houve muitos pontos altos nesta viagem à Noruega, mas este é o mais alto de todos, literalmente. Geiranger é um fiorde. Antes de explicar por que ele é tão importante, é bom esclarecer o que é um fiorde, já que eles não fazem assim tão parte da geografia brasileira. Um fiorde é uma entrada de  mar entre duas montanhas rochosas bem altas. O Brasil possui apenas um fiorde tropical, o Saco do Mamanguá em Paraty, RJ, e mesmo assim hea controvérsias quanto a sua classificação como fiorde.

Já na Noruega, é o que mais há na costa. O fiorde Geiranger (em norueguês, Geirangerfjorden, “gairanguerfiuden”) é parte de um sistema maior, o Fiorde Grande (Storfjorden, “isturfiuden”), se extende por 15 quilômetros, é um dos pontos turísticos mais visitados da Noruega e é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. Para chegar lá, pode-se fazer “a viagem marítima mais bonita do mundo”, slogan da linha de cruzeiros Hurtigruten (“rútigruten”), muito tradicional e famosa por cobrir toda a costa da Noruega e outros destinos também. É um luxo fazer um cruzeiro inteiro da Hurtigruten, mas eu e Erik não estamos assim ricos, mas pelo menos andamos sortudos. Ålesund é a cidade mais próxima da vila de Geiranger, povoado à beira do fiorde, então bastou fazer apenas um dia de todo o cruzeiro para conhecer esse fiorde. Ainda por cima, com desconto de 50% para estudantes.

Este post e mais o próximo está, assim, recheado de fotos de montanhas e mar, duas das coisas de que mais gosto. Não percam a paciência, são muitas, mas a viagem vale à pena. Na vida real, é ainda mil vezes mais deslumbrante. O fiorde de Geiranger – assim como o caminho até lá – foi uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida.

O navio se chamava MS Richard With:

MS Richard With em Ålesund

Estávamos atrasados, fomos para o cais errado. Por sorte, um taxista nos deu uma carona de graça, após perguntarmos de onde saía a Hurtigruten. Quais são as chances de isso acontecer? Quase perdemos o navio. Eu e Erik nos sentamos nessas poltronas azuis para tomar um café, era bem cedo.

Dentro de MS Richard With

Começa a viagem:

Estávamos sortudos mesmo, pois nesse dia – a propósito, domingo passado, 12.08.12 – o tempo estava maravilhoso, bem ensolarado. Todas as semanas anteriores foram terríveis, como já disse.

Cruzeiro na Ilha de Caras
Rica
Dez da manhã

No próximo post, entramos em Geiranger.