Sem-teto na Jamaica

Antes de continuar com a série sobre a Grécia e mostrar a ilha de Antíparos, trago o primeiro post sobre a temporada na Jamaica, terra de sol, suor, jerk, música e gente boa.

Cheguei à Jamaica no dia 08 de agosto, ou seja, há 25 dias. No dia 26 de agosto, depois de apenas 18 dias, fui expulsa da casa onde moro. Como consegui esta façanha ainda é um fato inexplicado, mas já fui expulsa de outros lugares antes, como escola e bares. Talvez a explicação seja que a dona da casa era uma louca ditadora.

A dona da casa, à qual vamos chamar de senhora S., é estrangeira e mora em Kingston já desde a década de 70. Segundo ela, sabe tudo. Na verdade, de acordo com sua personalidade e transtorno obssessivo-compulsivo, ela sempre sabe tudo de tudo. Com 70 anos, ela mora em uma casa em bairro nobre da capital. Tem várias qualidades de se admirar; é independente, mão firme, esperta, cheia de disposição e administra todo seu patrimônio, que não é pequeno, sozinha. Vive sozinha também.

Não sei se por conta da infância ou vida dura no país de origem, mas é mão-de-vaca e provavelmente sofre da síndrome de acumulação possessiva. Todos os móveis e pertences de outras propriedades vendidas estão nesta casa onde mora, acumulando. Alguns estão bons, mas há muita coisa no quintal e na casa a ser jogada fora, como duas banheiras velhas enferrujadas que descansam na grama do lado de fora.

A casa é grande, muito boa, mas precisa de uma boa reforma. Os móveis são de madeira de qualidade, mas bem antigos. Junte-se a isso as qualidades de acumulação e sovinice e aí se dá uma receita perfeita para criar insetos e outros bichos. Ela cuida da casa sozinha, o que é realmente um fardo, mas também paga faxineira e jardineiro de vez em quando. É lógico que ele, o jardineiro, não consegue dar conta de um jardim enorme. A janela do meu quarto era quase tomada por um mato alto. Resultado: muitos insetos. Formigas voadoras, baratas voadoras, lagartixas e mosquitos.

Os quartos que eu e Mirsini alugamos são muito bons. As condições é que se complicaram. Em primeiro lugar, a casa é um fortaleza. Explicarei em post futuro a questão da violência na Jamaica, país com um dos mais altos índices de homicídios no mundo. Assim, uma senhora sozinha quer, logicamente, viver em uma fortaleza. Havia cadeados para tudo. O pesado portão da frente se abria automaticamente para os carros, mas nós tínhamos que entrar e sair por um portãozinho para gente muito baixa com um pesado cadeado. A porta principal, de acesso à intocada sala de estar, era trancada e suplementada por grade também trancada por cadeado. Todas as janelas e portas/portões do jardim eram assim. Imaginem a chatice que é viver em uma casa que é uma prisão; é um saco ter que trancar e destrancar cadeados só para poder pendurar roupas no quintal.

A pior dificuldade é a personalidade extremamente difícil da senhora S.. Ela praticamente queria ter controle total sobre tudo. A primeira noite já foi bastante reveladora nesse aspecto. Nem bem cheguei a Kingston, extremamente cansada de uma viagem longuíssima, e ela já queria discutir a situação da cozinha. Foi prometido, pela pessoa do escritório que nos auxiliou nesse processo, que teríamos uma cozinha completa. Mas ao chegar, vimos que a cozinha grande, espaçosa e completa era somente para a senhora S.. Podíamos comer à mesa, mas nada de cozinhar lá e usar todos os utensílios. A nossa cozinha, para quem aluga os quartos, era a área de serviço, completamente não adaptada à nada. A senhora S. simplesmente colocou dois fogareiros lá, umas panelas velhas com teflon corroído e um escorredor de pratos e é isso.

Uma das loucuras maiores é como a senhora S. lida com as coisas. Assim, logo no começo da conversa que ela insistiu para que tivéssemos, logo falou que encontraríamos um meio-termo para agradar a todos. A questão é que é só discurso, no qual ela mesma acredita. Ela não escuta, não dá chance a nenhuma nova ideia e acaba impondo a maneira dela, para tudo. Foi assim que a conversa sobre a cozinha, logo na primeira noite, terminou: com uma certeza na cabeça da senhora S. de que foi magnânima; com uma ponta de frustração e intuição de que a coisa ia ser difícil na minha.

E assim foram todas as outras conversas. Acho que nesse nível deve ser ou doublespeak ou esquizofrenia. Ela se ficava brava com as mais pequenas coisas. Não podíamos deixar copos na mesa da cozinha por um instante. Nem a sanduicheira na bancada – note-se que a cozinha é enorme e a senhora S. mal usa todo o espaço. Não era bagunça. Ela não nos deu chave para o nosso quarto, então Mirsini e eu não podíamos trancar a porta. Por algumas vezes a senhora S. entrou no meu quarto para abrir as janelas! Sim, as janelas eram outra fonte de tensão. Ela queria mandar no quesito abrir ou não as janelas. Ela queria porque queria que deixássemos as janelas abertas o dia inteiro até voltarmos do escritório, pois deixa a casa e o quarto dela, a cinco metros do nosso, ventilados. Concordo e eu também queria deixar as janelas abertas, não fosse o esquadrão de mosquitos neste país forno tropical. Eu era mordida 24 horas por dia, mordidas grandes, ao menos dez/dia. E a mulher nunca colocou redes de mosquitos na janela. Dizia que não precisava. Isso porque há uma epidemia de chikungunya na Jamaica, incluindo Kingston. Há também uma seca que já dura seis meses, então não havia água depois das 9 da noite. Era necessário acordar cedo para tomar um banho decente antes de ir trabalhar. Suor, ao contrário da água encanada, corre 24 horas ao dia.

A queda de energia elétrica também ocorria frequentemente. Ema das noites, a energia acabou cedo, por volta das 7, e não voltou até a madrugada. Eu deitei na cama, relaxei, escutei música. De repente, escuto um barulho, um certo peso leve pousando no chão. Quando vejo, é barata voadora  – estilo dos trópicos, grande, alimentada. Aí lá vem a senhora S. tentar matar a barata, quando eu apenas pedi para que me emprestasse a lanterna e o spray. Tudo no escuro, sem luz. Fui chamada de imatura. Barata morta, deito na cama para dormir. Mas ainda escuto mais do mesmo barulho. Tenho a impressão de ver uma coisinha escura no ar, mas viro para o lado e tento dormir. Quando olho para o espelho, vejo mais uma barata voadora enorme voando contra o objeto. Porta fechada, sem luz, vôo para cima com o chinelo. Eu queira ter o apanhador de insetos da Peta, mas desta vez, não teve solução. Mais uma barata morta e algumas noites dividindo a cama com Mirsini no quarto dela. Na outras noites, foram lagartixas também bem alimentadas que se esconderam na penteadeira onde eu tinha minhas coisas. Aprendi, depois de alguns dias, a tentar ignorar o fato de estarem lá. Na verdade, lagartixas andavam pela minha janela fechada, do lado de fora, todas as noites. Era por isso também que eu não queria deixar as janelas abertas. Mas foi uma queda-de-braço para insistir nisso.

Outra das muitas coisas em que a senhora S. metia o bedelho era a geladeira. Eu e Mirsini a dividíamos com a outra menina que já morava lá, Dana, das Bahamas. A geladeira era usada por nós três de maneira razoável, sem abuso. Era uma geladeira para nós três. Mas a senhora S. insistia em mandar na maneira como nós, usuárias da geladeira, deveríamos usá-la. Queria mandar no que e como colocávamos dentro da geladeira. Não queria farinha na geladeira, por exemplo. Ou seja, as usuárias não podiam decidir democraticamente a melhor maneira de usar a geladeira, mas sim a dona dela, senhora S., é queria usar dessas disposições, um pouco como o mundo funciona. Quando começamos a usar uma nova geladeira, foi o ápice de tudo. A senhora S. comprou gavetas baratas de plástico para que reorganizássemos tudo dentro da geladeira sua maneira – um pouco estúpido, pois as benditas gavetas iriam tomar espaço. Aí que tentamos convencê-la do contrário. Pronto, ficou irritadíssima. Ainda mais porque deve ter gasto uns poucos dólares (EUA) em cada uma, o que foi jogado em nossa cara.

Nos últimos dias, a senhora S. nos disse um par de vezes que sabia que eu e Mirsini não estávamos “confortáveis” em sua casa e que se nós quiséssemos nos mudar, não seria problema para ela – como se tivéssemos que pedir permissão para isso. Enfim, ela estava tentando ser legal. A loucura é que apenas dois dias depois de ter repetido esse mantra, nos chamou para conversar e sumariamente nos expulsou da casa. Disse que ela mesma não estava à vontade em sua própria casa e que os abusos foram muitos. Eu achei uma piada e disse isso. Rolou uma certa discussão, tentamos argumentar que ela não consegue chegar a nenhum meio-termo e quer tudo do jeito dela, um jeito peculiar. Não adianta e fomos sentenciadas como prisioneiros de Guantánamo, que na verdade não tem direito a julgamento nenhum, nem defesa. A senhora S. nos deu cinco dias de aviso prévio. Cinco dias para duas garotas sozinhas na violenta Kingston.

Hoje estamos muito bem, foi um sinal divino para que tomássemos uma decisão. Era tenso morar lá. A senhora S. também não gostava que saíssemos e voltássemos tarde por conta dos inúmeros alarmes. Eu e Mirsini vivíamos aos cochichos, pois era difícil ter privacidade para falar mal da senhora S.

As fotos abaixo mostram o meu quarto.

 IMG_1244A casa, assim como o meu quarto, apesar de grande, era velha com móveis velhos, o que atraía muitos bichos como já dito.

IMG_1247Janela, motivo de conflitos, e também onde as lagartixas passeavam todas as noites

IMG_1246Rides na Jamaica

IMG_1253A cama onde eu dormia, com lençol branco

IMG_1248A penteadeira onde as lagartixas se escondiam

IMG_1254Formigas gigantes voadoras tomando um sol na luminária acima da cama

IMG_1250Banheiro bom, grande

Mais aventuras da Jamaica em posts futuros, mas não deixem de conferir o último post sobre a praia do naufrágio em Zakynthos. É uma praia lindíssima de mar azul neon.

A pequena vila da Murtosa

Depois dos Estados Unidos, o Erik seguiu direto para a Inglaterra, como já dito aqui, para arranjar um lugar para morarmos. Eu fui para Portugal, encontrar com os meus pais, que estavam passando férias lá. Pensei que seria uma oportunidade ótima de vê-los, já que eles estavam no mesmo continente. Quando a gente mora fora, acaba pensando assim, hehe. Foi uma semana na terra de origem da minha família, inteira portuguesa. Mesmo os meus pais são portugueses. Minha mãe nasceu em Setúbal e meu pai, na Murtosa, uma pequena vila ao norte:

De acordo com a Wikipedia, tem cerca de 3.700 habitantes e o território principal é onde se localiza a vila. A Murtosa pertence ao Distrito de Aveiro. Estou contando tudo isso, pois foi lá que fiquei. Meus pais têm uma casa muito antiga, que era do meu avô paterno, o vô Antônio. Meu avô cresceu nessa casa. Ele já faleceu, minha avó Lucinda, sua esposa, portanto minha avô paterna, também. Assim a casa ficou para o meu pai e a minha única tia “direta”. Meus pais são primos de sangue, então tudo está em família mesmo. Quando eles passam férias em Portugal, ficam na casinha da Murtosa, que já está meio que caindo aos pedaços. Precisa de reforma.

Vou mostrar um pouco de Portugal nos próximos posts, a origem da minha família. Acho que a Valéria, em especial, vai gostar bastante. Sei que você quer muito ir para lá, né? 🙂 Minha irmão vai gostar de ver também, já que ela queria muito ter estado lá conosco.

Começo então pela Murtosa, a vila onde meu pai nasceu e onde minhas duas avós, que eram irmãs, também nasceram e viveram, além do meu avô paterno. Todos vêm da Murtosa, exceto meu avô materno, que é de Lisboa.

Vila da Murtosa
Rua onde fica a casa
Rua onde fica a casa

As casas são assim:

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Tem vacas, porcos, cachorros e algumas plantações. Achei que a região trata os animais de maneira terrível. Muitos cachorros estão acorrentados nos quintais e mal podem andar, as vacas também estão presas à grama.

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Meu pai, José Maria, na plantação de milho

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A casa

Como dito, a casa é bem antiga.

Casa dos meus pais, antes da família do meu avô Antônio
Casa dos meus pais, antes da família do meu avô Antônio

O Rides II também foi:

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A casa tem um quintal com horta, tanque e poço:

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Eu e minha mãe, Maria de Jesus. Muitas caipirinhas.
Rides ao poço
Rides ao poço
Muito sol
Muito sol
Horta
Horta

Os tomates estavam maravilhosos, explodindo de sol e doçura.

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Catando tomates para uma salada

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Início das novas aventuras: Belfast e o começo da road trip

Eu sei que o título está meio metido por conta de “road trip”, mas é que essa é realmente uma daquelas expressões das quais não há uma tradução à altura em Português. Viagem pelas estradas? Viagem? Viagem de carro? Então, vai “road trip” mesmo, a pequena jornada de quatro dias a rodar de carro pelas duas Irlandas.

Assim que cheguei a Dublin, peguei o carro e fui diretamente a Belfast, capital da Irlanda do Norte, passar uma noite em um hostel antes de começar a road trip:

Eu sempre quis ir para Belfast, sempre gostei de como essa palavra soa. A cidade não é tão grande, mas tem um ar de uma capital divertida, mas meio decadente. Não por menos, Belfast tem uma longa história de violência separatista e religiosa, The Troubles. Uma questão política, acima de tudo.

Eu não tirei tantas fotos de Belfast, pois as três baterias que tenho estão uma porcaria e eu não tinha adaptadores. Assim, não tenho imagens dos muros pintados com os rostos de quem morreu em conflitos, nem das redes e portões que separam os bairros protestantes dos católicos.

Peace line (muros que separam os bairros). Fonte aqui.
Portões. Fonte aqui.

Existe um filme de que eu gosto muito, chamado “Em Nome do Pai“, que se passa na década de 70, justamente nesse contexto de inquietação e bombardeios. É com o Daniel Day-Lewis, que eu adoro. A trilha é muito boa também.

Daniel Day-Lewis em “Em Nome do Pai” (“In the Name of the Father”)

As ruas de Belfast (desta vez, minhas próprias imagens):

Belfast, Irlanda do Norte

A road trip começou no dia seguinte, ao acordarmos em Belfast. Os caminhos de lá são cênicos, lindos, campestres, bucólicos, verdes. O primeiro passo é adaptar-se a dirigir do lado oposto, ao estilo inglês:

Erik tenta se adaptar.
Rides II viaja conosco.
Lindas paisagens bucólicas

Ao dirigir pelas estradinhas, você se depara com cidades fofas, igrejas, ovelhas, pubs…


No próximo post, mostro uma cidadezinha que encontramos entre Dublin e Belfast, no primeiro dia a caminho da Irlanda do Norte.

Reality show da Noruega: a casa

Este é o primeiro post de uma série sobre a minha vida aqui na Noruega – imaginem, nem terminei os posts sobre a Índia. Eu e Erik decidimos ir para a Noruega no verão europeu para, basicamente, ganhar dinheiro. Como vamos morar em Liverpool em setembro, precisávamos de um dinheiro extra para ter uma vida minimamente confortável por lá. Muitos jovens suecos vão para a vizinha Noruega para trabalhar nas férias de verão (julho-agosto), já que os salários são altíssimos, mesmo para os trabalhos mais “simples”, trabalho manual, físico. E é exatamente um trabalho desse tipo que arranjamos, mas fica para um próximo post.

Cheguei já há umas três semanas e o que mais faço é trabalhar, mas não posso dizer que também não esteja aproveitando. Já fomos ao bar da nossa rua umas três vezes.

Ålesund é uma ilha mais ao norte da Noruega:

Erik foi contratado por uma empresa de mão-de-obra que, além de o empregar em um asilo-hospital, providenciou apartamento, dois carros e acesso gratuito à internet. Fomos muito sortudos mesmo, pois o apartamento é bem no centrinho da cidade, super bem localizado. É bem grande e mobiliado. Mas a grande questão é: na verdade, estamos em um reality show. Sim, um reality. Como A Fazenda. Somos cinco no total, e todos se conheceram no primeiro dia de confinamento. Todos trabalham nesse mesmo asilo-hospital. Todos dividem os dois carros. Todos dividem os mesmos cômodos (com exceção dos quartos, hehe). Todos dividem os mesmos temperos… E a mesma sujeira.

Cozinha

Varanda (ao pé da cozinha)

Quarto (meu e do Erik)

A cama é pequena, de solteiro, primeira prova de resistência do programa.

Banheiro

Sala

Sala de jantar

Foi aí que tivemos o primeiro jantar com todos os participantes da casa no domingo 24 de junho:

Da esquerda para a direita: Erik, Matilda, Aleksander e Tobias

O apartamento fica na rua Kipervikgata, no prédio à direita:

Ao descer a rua e olhar à esquerda, vê-se o mar e um pouco dos fiordes (a ilha está aos pés dos fiordes):

Esse é o caminho para o centrinho:

Tem de tudo no centro e aqui mesmo no quarteirão tem umas lojas fofas e bem caras:

Galeria de arte
Loja de azeites, pães, azeitonas, pesto…

Tudo é bem caro aqui na Noruega, mas o poder de compra é alto. Um pacote de pão-de-fôrma custa 10 reais, assim como uma passagem de ônibus municipal.

17.07.12

Luxo em Pattaya

Pattaya, Chonburi, Tailândia

Depois de toda a diversão em Koh Tao, seguimos para Pattaya. O plano inicial era passar uns dias em Bangkok, capital da Tailândia, mas o Erik tem um amigo norueguês que vive em Pattaya. Por que não visitá-lo? Assim, passamos apenas uma noite em Bangkok antes de chegarmos a Pattaya, cidade litorânea e também famosa por ser outra capital do sexo, como Patong. Pattaya fica em outra parte da Tailândia:

Viajamos em um ônibus super luxo. É incrível como a Tailândia é preparada para receber turistas, ao menos o sul do país. Vejam, faço questão de frisar esses detalhes, pois, assim que começar a postar sobre a Índia, nada disso é mais válido. Enfim, o amigo norueguês do Erik se chama Tom e ele, junto ao pai, é dono de um condomínio de luxo para noruegueses em Pattaya, o New Nordic. Nós nos hospedamos em um dos apartamentos de lá por um preço de amigo mesmo.

New Nordic

Lá, conhecemos alguns amigos de Tom, um malaio, um outro norueguês e uma moça tailandesa. Todos eram muito legais e tivemos festinhas noturnas diariamente na varanda:

Muita diversão até altas horas da noite ao redor desta mesa

Eu e o Erik estávamos maravilhados, abobalhados por conta de todo aquele luxo, especialmente depois de algumas semanas em cabanas de praia. Não posso descrever a emoção de dormir em uma cama gigante, limpa, confortável, cheirosa em um quarto com ar-condicionado, hehe… Além de banho quente!

Rides aproveita a cama cheia de almofadas.

Rides aproveita a água quente da torneira.
Corredor dos quartos para a sala
Sala
Cozinha fofa

Em um dos dias que passamos por lá, fomos a um restaurante bem chique à beira-mar, parte de um resort:

Restaurante Cabbages and Condoms

Havia um lago por ali:

O jardim era bem curioso, tinha água sendo esguichada a todo o momento e umas mensagens interessantes:

Arca de Noé

Havia um outro restaurante bem mais simples na rua do lado ao residencial New Nordic. A comida era fantástica. Eu adoro comida Thai, é criativa e muito saborosa. Aí eu ainda comia peixe/frutos do mar de vez em quando:

Menos requinte

Mais sabor:

Salada tailandesa de papaia verde (Som Tam)

A salada acima é um prato típico da Tailândia e é deliciosa, a salada de papaia verde. Essa, em particular, estava apimentadíssima, então foi bem difícil comê-la. Abaixo, mais um prato tradicionalíssimo a sopa Tom Yum:

Sopa Tom Yum

Em uma das noites por lá, fomos a um shopping jogar boliche. Há dinheiro em Pattaya, é muito óbvio pelo número de hotéis, shoppings e restaurantes. A própria área do boliche era meio chique:

Boliche chique
Vestido + sapatos de boliche: jogadora não tão chique
Da esquerda para a direita: o amigo da Malásia, Erik e Tom

Erik
Eu, um desastre

A jornada pela Tailândia acaba em aqui, em Pattaya. Os próximos posts terão um tom muitíssimo distinto. Preparem-se para muitas fotos gráficas, cenas fortes e considerações a respeito da loucura que é a Índia.

Um paraíso secreto: Hin Wong, Ko Tao

Ko Tao,  Surat Thani, Tailândia

Quem tem acompanhado os posts sobre a viagem à Tailândia já deve estar perdidíssimo com tantos nomes tão diferentes do Português. O litoral da Tailândia é assim, cheio de ilhazinhas com nomes idênticos aos olhos estrangeiros. Ko Tao é uma dessas ilhas, pertencente à província de Surat Thani. Foi lá que chegamos depois de deixarmos as ilhas Phi Phi. A jornada à Ko Tao foi uma das mais divertidas de toda a viagem, de Turquia à Índia. Por sairmos de uma ilha à outra, o trajeto é logicamente via barco. Mas um barco muito interessante: noturno, com camas numeradas individualmente:

Não li nada que prove que asiáticos tenham estatura baixa e sejam magros, mas esse barco foi planejado para esse tipo de pessoas – uma atmosfera um tanto aconchegante:

Suecos estão em todo lugar

Eu e o Erik levamos algumas cervejas para a viagem.

Foi quando as luzes se apagaram é que conhecemos uma meia dúzia de espanhóis divertidíssimos. Eles não queriam dormir, mas sim, farrear. Levaram todas as cervejas deles mais umas caixinhas de som e fizeram a festa na parte de baixo do barco. Eu e Erik fomos convidados a participar. Aí pronto, ficamos amigos todo o tempo que passamos em Ko Tao:

Ko Tao tem um centro turístico moldado ao gosto dos mochileiros europeus. Dividimos um “táxi” (uma pick up) com os espanhóis e fomos atrás de praias e hospedagem. Cansadíssimos, vagamos por meio dia até chegarmos a uma parte menos conhecida da ilha: a baía de Hin Wong, outro paraíso tailandês.

Conseguimos um chalé fofo com banheiro incluso por uma bagatela. Hin Wong é barato e não há muitos mochileiros. Há turistas um pouco mais velhos, algumas famílias, a maioria europeus, vários destes franceses.

Subida para o nosso chalé

Aproveito para lembrar que a natureza é parte integrante do pacote (na verdade, nós é que somos os invasores, não?), assim encontramos alguns visitantes dentro do chalé:

Nossa varanda; chalé dos espanhóis ao fundo

Rides aproveita a vista deitado na rede da varanda:

A baía de Hin Wong é lindíssima:

Abaixo está o caminho do único restaurante, onde trabalha uma família da Malásia, o restaurante mais demorado do mundo. Eles são muito, muito gentis, mas nada chega à mesa antes de uma hora de espera.

Caminho da pequena praia:

Praia de Hin Wong

Hin Wong é um excelente ponto de snorkeling e mergulho. Eu passei horas dentro d’água todos os dias. Entrava depois do almoço e só saía perto do fim-da-tarde, com aquela impressão “é isto o que quero fazer da vida”. As minhas vias aéreas ficaram limpíssimas de tanta água limpa salgada, e o corpo, cansado de tanto mergulhar (snorkeling). O melhor de Hin Wong é que não há necessidade de ir longe para estar perto da vida marinha. A baía é circundada de corais e muitos peixes. É só colocar a máscara na praia e nadar.

Erik se prepara para snorkeling

Logo fica profundo e aí é que tive uma experiência ao estilo national geographic/discovery channel: nadar com um cardume de literalmente milhares de peixes dançando balé. Algo assim:

Vi o “perigo” de quem faz snorkeling, o triggerfish, que a wikipedia traduziu como peixe porco. Eu o vi todos os dias, e ele era do tipo titan triggerfish, peixe porco gigante. São relativamente perigosos, pois possuem veneno e são muito zelosos de seu território, assim podem atacar. O que eu vi era exatamente assim:

Esse abocanha corais duros

Fotos neste blog.

Vi lula e também um tubarão muito pequenino sem a barbatana – provavelmente foi cortada para se fazer sopa, pois a ferida branca era um círculo bem simétrico. Ele nadava devagar e provavelmente não conseguia de alimentar. Deve ter morrido. Não é preciso citar o absurdo que esse comércio de barbatanas de tubarão para sopa é. A barbatana é cortada em barcos de pesca e os animais são jogados vivos de volta ao mar.

Abaixo, dá para ver os corais na água transparente:

Hin Wong é lindo!

As ruas de Patong

Patong, Tailândia

O avião aterrissa na ilha de Phuket e pronto; cá estamos em um país bem diferente da Malásia, a Tailândia.

Rides gosta do Lonely Planet versão chinesa.

Assim que chegamos a Phuket, fomos direto para Patong:

Patong é uma bagunça. Senti ares diferentes já no aeroporto de Phuket. Parece haver mais liberdade por lá, no sentido da farra mesmo: muita bebida, muitos bares, muita luz neon, muitos turistas, muita go go dancer, muita prostituição, muitos shows bizarros e mais. Patong é um dos lugares de maior concentração de turismo sexual na Tailândia, junto a Pattaya – para onde fui também. Estávamos curiosos a respeito desse mundo, das dançarinas de pole-dancing se remexendo em cima dos palcos à beira da calçada, para todo mundo ver. Da loucura das luzes neon a poluir a cidade à noite.  Durante o dia, as ruas de Patong são um pouco mais calmas:

Fila de táxis

Esta é a rua mais agitada de Patong, com vários bares e casas noturnas:

A rede elétrica é um desastre. Era impossível andar pelas calçadas sem se sentir apreensiva de que, a qualquer momento, poderia haver uma chuva de faíscas por conta de algum curto-circuito.

Inúmeras placas poluem as ruas de Patong:

Poluição visual

Os camelôs mandam nas calçadas:

E as barracas de comida de rua também:

Nessa mesma rua fica um restaurante muito gostoso, na verdade uma rede presente em outras cidades. Chama-se Pum. Comida Thai deliciosa e simples:

Pum