Uma visita à medieval Tallinn

O navio atracou no cais de Tallinn, capital da Estônia, às 10 da manhã de domingo. Os passageiros deveriam estar de volta antes das 6 da tarde, quando o navio retornaria para Estocolmo. Aproveitamos a noite de sexta, mas desta vez não estávamos de ressaca, como em Paris. Infelizmente, não tive tanta sorte, pois o tempo estava bem ruim, muita chuva. Não posso reclamar, pois quase sempre tenho sorte com isso. Desta vez, porém, era pé d’água mesmo.

Já mostrei, mas vale repetir. Tallinn fica aqui:

Tallinn, além de ser a capital, é a maior cidade de Estônia com uma população de 426.500. Por muito tempo ela teve outro nome, Reval. O que eu acho mais interessante é saber que a cidade já foi dominada por dinamarqueses, suecos e russos. Com exceção da Rússia, a história desta parte do mundo (Europa do Norte) é quase nula na escola, não?

A primeira vista que tive desta cidade foi ainda de dentro do terminal portuário:

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Tallinn

Nos arredores do cais, havia alguns barcos…

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… e este restaurante bem interessante.

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De cara já deu para sentir que estava em uma outra Europa, aquela que não se adequa à idéia provinciana de “charme europeu”:

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Estônia esteve sob domínio da União Soviética. Assim, caminhando pelos primeiros blocos, senti um clima de Leste Europeu, apesar de infelizmente nunca ter estado lá. Alguém já viu o ótimo e traumatizante “Para Sempre Lilja” (Lilja 4-Ever), do sueco Lukas Moodyson? Foi meio assim. É importante dizer, na verdade, que o Leste Europeu e os países Bálticos são todos diferentes, cada um com sua distinta história. Esse feeling é um estereótipo, uma generalização, mas estava lá.

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Como disse, não tive sorte com o tempo. Assim que deixei o navio, começou a chover muito. Comprei um guarda-chuva.

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Aniversário de 29 anos. Não queria estar sorrindo após a foto da senhora logo acima, mas esta é a única que tenho.

Eu e Erik começamos a caminhar em direção ao centro histórico de Tallinn, destino da maioria dos turistas, especialmente dos que vêm desses tipos de cruzeiro. O centro fica pertíssimo do cais. Dá uns 10, 15 minutos de caminhada. Não há como se perder. É só se guiar pela altíssima torre da igreja. A caminho do centro:DSC08351

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Herança russa

O centro histórico é todo protegido por um muro bem antigo e vários portões que datam dos tempos medievais, de quando a cidade pertencia à Liga Hanseática. Tallinn foi uma cidade importante da Liga, devido a sua posição geográfica; era um forte centro comercial por onde escoavam as mercadorias.

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Idade Média: Muro de Tallinn

Já entrando no centro, começam os restaurantes para turistas:

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No próximo post, o centro histórico.

Onde eu quero definitivamente morar: Los Angeles

Começo agora a parte sobre a Califórnia, na verdade, sobre a única cidade que visitei nesse estado: Los Angeles. Eu amei essa cidade. Já escrevi aqui que gostaria de morar ou no SoHo ou em Greenwich Village, em Nova York, mas isto temporariamente, por uns dois anos. Onde eu gostaria de morar mesmo é na ensolarada e linda Los Angeles.

Há um feeling no ar que é difícil de explicar. Faz muito sol e o tempo é seco, já que Los Angeles fica em um deserto banhado pelo mar:

Faz tanto sol que tudo é meio dourado. O clima não varia muito, assim o inverno, segundo soube, é super ameno. A poeira levanta e o cabelo fica bonito, meio seco, bem despenteado. Dá para entender por que a Califórnia era o lugar para se estar na década de 60.

A parte ruim é que Los Angeles é uma cidade para carros. É na verdade um conjunto de bairros afastados e demora bastante tempo para se deslocar de um lado a outro. É quase como ir a uma outra cidade. Os bairros são interligados por estradas ou avenidas bem amplas. As pessoas são amigáveis e há muito o que se fazer. A comida é uma delícia, fui a restaurantes diariamente, para almoço e jantar. Como há muitas estrelas que moram em Hollywood, que é um bairro de Los Angeles, entre outros cantos, há uma preocupação grande com a estética e a saúde. Os mais novos modismos e tendências, nessa área, geralmente começam lá. Um exemplo:

Vegan food is in mainstream in Southern California

Daqui há uns 20 anos, os restaurantes comuns de SP talvez comecem a servir opções vegan.

Um dos melhores amigos do Erik e uma das razões para a nossa visita aos Estados Unidos mora no centro de Los Angeles. Ele se chama Seth. Erik e eu nos hospedamos no apartamento dele por duas semanas. Fizemos muitas coisas legais, principalmente comer, hehe… É ótimo ter alguém que conheça bem a cidade, assim não se perde tempo com o que não vale a pena.

Centro de Los Angeles
Centro de Los Angeles

Vista da janela do Seth

Lá se vê muita gente simples, moradores de rua que levam os pertences em carrinhos de supermercado… Há muita pobreza nos Estados Unidos.

Entre os nosso programas bem burgueses, fomos a uma vernissage:

Seth

A blusa acima é mais uma da coleção “peças com memória“. Comprei em Los Angeles mesmo.

Cenas de Mumbai III: a profunda disparidade indiana

Como prometido no primeiro post da série Mumbai, aqui vai um pouco do  mostrado no filme “Quem quer ser um milionário?”, mas real. Não é a primeira vez que posto fotos mostrando a miséria indiana, mas Mumbai é singular por abrigar tanta riqueza e pobreza juntas, lado a lado. Seria comparável a São Paulo e Rio de Janeiro. É um grande paradoxo, mas faz parte da paisagem de Mumbai e se torna comum, normal.

Há ruas amplas, arborizadas:

Na mesma rua:

Ali por perto, fica o Dhobi Ghat, no bairro de Mahalaxmi. “Dhobi” é a palavra usada para designar a pessoa especializada em lavar roupas e “ghaat” todos já sabem, é o lugar onde se lava roupas ou a si mesmo. Dhobi Ghaat é simplesmete a maior lavanderia a céu aberto do mundo. É lá que diariamente indianos lavam e passam milhares de peças.

É impressionante!

Dhobi Ghaat

Também na mesma região, fica a mesquita Haji Ali, importante para a população muçulmana da cidade. A mesquita fica nas águas do Mar Arábico. A caminho da mesquita:

 

Mesquita Haji Ali

Mumbai é assim, sintetiza perfeitamente o abismo social na Índia.

De Mumbai fomos para o lugar que eu sempre acreditei que fosse visitar. Lembro-me de muitas vezes dizer, quando estava no colegial, que iria morar em…… Goa! Foi o lugar preferido dos hippies na Índia há décadas atrás.

Cenas de Udaipur III: o templo Jagdish e a religiosidade indiana

Uma outra atração famosa, a poucos metros do Palácio da Cidade, é o templo hindu Jagdish. Atrás do templo, há distribuição de comida para a população de rua e homens santos.

Atrás do templo

Sobra um pouco para outros também:

O templo Jagdish

Mulheres de uma tribo do Rajastão
Casal

Nas escadarias do templo

Há sempre pequenos altares pelas ruas e a religiosidade está em todo lugar na Índia.

Devotos de Sai Baba (o original)

Comemoração na rua

Espectadora

Criança trabalha na rua.

 

Cenas de Jaisalmer I: o forte, as pessoas e as havelis

Depois de Pushkar, foi a vez de outra cidade muito bonita de cor mostarda, conhecida como a “Cidade Dourada”, no topo de rochas de arenito. Localiza-se no meio do Deserto do Thar ou Grande Deserto Indiano:

O mais impressionante, fora o deserto, é o forte que coroa a cidade. Quando o sol bate, tudo fica dourado mesmo. Há muito comércio e hotéis, pousadas, dentro do forte e escutei, por vezes, estórias de que o forte está se deteriorando, por conta da falta de estrutura para receber tantos turistas. Eu e Erik nos hospedamos dentro do forte, mas descobri que, na verdade, o politicamente correto é ficar fora dele, para que a destruição não se intensifique.

Forte de Jaisalmer
Cidade de Jaisalmer

Tentei praticar yoga para continuar com o hábito saudável.
Ruas dentro do forte

Há várias tribos distintas no Rajastão, e os adereços e a maneira de usar as roupas mudam.

Ruas da cidade fora do forte

Argolas nos braços

Jaisalmer também é famosa por suas havelis, mansões particulares com significância arquitetônica e histórica. Antes de chegar a uma das mais conhecidas, porém, encontrei pessoas reformando a rua em frente a uma dessas mansões.

As crianças também ajudavam:

Essa era a fachada da haveli:

Fachada muito trabalhada
Interior da haveli

Uma das havelis mais importantes da região é esta abaixo. Notem as características semelhantes entre as havelis indianas e as riads do Marrocos, às quais também são mansões antigas, agora transformadas em hotéis.

Eu e Erik nos divertimos muito com três amigos que conhecemos  em um safári no Deserto do Thar, mas este é o tema para um dos próximos posts.

Começa a jornada pelo Rajastão: cenas de Jaipur

O Rajastão fica no noroeste da Índia e é a região visitada que mais gostei. Cada parte da Índia é bem igual e diferente ao mesmo tempo. Guardam características comuns, mas têm tradições e costumes distintos. O Rajastão é uma área desértica, grande parte do estado é coberto pelo deserto de Thar. É uma terra com história ligada à realeza. Segundo a Wikipedia, Rajastão literalmente significa “terra de reis”, “terra de reinos”.

Comecei a jornada pela capital, Jaipur, que está no mapa acima. Aqui, mais um pouco de informação sobre a cidade:

Jaipur (Rajastani: जयपुर [dʒʌeɪ.pʊər]) é uma cidade da Índia, capital e maior cidade do estado do Rajastão. Durante o domínio britânico na Índia, Jaipur foi a capital do estado principesco de Jaipur. Tem cerca de 2.46 milhões de habitantes e foi fundada em 18 de novembro de 1728 pelo Marajá Sawai Jai Singh II, o governante de Amber, e é conhecida como “A cidade rosa”, já que em 1876 o seu marajá mandou pintá-la dessa cor, para a visita do Príncipe de Gales. Desde então a cidade é regularmente pintada.

Jaipur é a primeira cidade planejada da Índia, localizada nas terras semi-deserto de Rajastão. A cidade que outrora tinha sido a capital da realeza, conhecida como a Cidade dos marajás, é hoje a capital do Rajastão. A própria estrutura de Jaipur lembra o sabor dos Rajputs e das famílias reais. Atualmente, Jaipur é um importante centro de negócios com todos os requisitos de uma cidade metropolitana.

Raj Mandir (cinema)

Vale a pena ver um dos cinemas mais famosos da Ásia. O teto tem formato de merengue, de cobertura de bolo. Ir ao cinema é ato social importante para os indianos de Jaipur. A sessão era de domingo, blockbuster de Bollywood: Bodyguard.

O cinema estava lotado de pessoas que queriam ver e ser vistos. Os indianos têm um comportamento peculiar ao assistir filmes. Eles não controlam suas emoções e gritam, dão risada, interagem com os atores na tela, batem palmas, cantam, é uma festa.

Cinema Raj Mandir

O interior parece um casino:

Sala de cinema com teto em formato de merengue:

Cenas da cidade rosa

Hawa Mahal (Palácio dos Ventos)

Não me lembro o nome do templo

Tivemos que colocar um lenço na cabeça.
Jal Mahal (o Palácio das Águas)

Armadilhas
Lojas de artesanato, roupas e tecidos do Rajastão

Nosso motorista de rickshaw nos levou meio que forçadamente a essa loja de roupas e outros itens do Rajastão. A conversa é a mesma: o motorista tenta ganhar a sua confiança e te dá uma dica “super valiosa” de uma loja onde os preços são bons, uma loja “local”, onde muitos turistas não vão. É claro que isso não é verdade e o motorista provavelmente leva uma comissão sobre tudo o que você comprar.

Sala de costura cheia de retalhos. Ao serem perguntados onde conseguiam os retalhos, os funcionários explicaram que é tipo “doação” de coisas velhas, ou tecidos recolhidos por aí. Eu e minha mente cínica já imaginaram que, na verdade, os pedaços de tecido devem ser recolhidos por pessoas super exploradas que não ganham nada.

Sala de costura de loja de roupas e outros itens do Rajastão
Exploração de elefantes

Demorei um pouco para entender o que se passava. O motorista da rickshaw nos convenceu a ir ver uns elefantes que subiam e desciam o morro todos os dias para ir para a cidade. Ao chegar no lugar, entendi que na verdade os animais são mantidos ali para que turistas possam fazer passeios no lombo deles. Muito triste.

Correntes nas patas
Horror

Ao bater essas fotos, é claro que começaram a me pedir dinheiro. Dei no pé e encontrei essas crianças (que também me pediram coisas: batom, chiclete, chocolate…):

No centro da cidade, o Erik aproveitou para fazer a barba:

Em mais uma estação de trem após deixar Jaipur, aproveitei para experimentar uma balança muito engraçada, que revela o seu peso e a sua personalidade. Serviço dois em um. Elas estão espalhadas por todas as estações:

“Você é racional, confiável, gentil e sorridente.”

O peso saiu errado, então tentei mais uma vez:

“Você é popular, vivaz, atlética e graciosa.”

Nada mal. Agora o do Erik:

“Você é idealista, curioso, otimista e escandaloso.”

Crianças sempre querem tirar fotos:

Os trens estavam bem atrasados, então muitas pessoas esperavam nas plataformas. Uma das mulheres abaixo passou o tempo conversando e fazendo algo raríssimo de se ver na Índia: fumando. Ela escondia o cigarro feito à mão na saia.

Eterna espera

Cenas de Bodhgaya

Bodhgaya é a segunda cidade indiana que visitei. A primeira foi Calcutá. A cidade se localiza no estado de Bihar, em uma das áreas mais pobres da Índia.

É uma cidade pequenina famosa mundialmente por ser o mais importante centro de peregrinação budista. É lá que Sidarta Gautama, o Buda, alcançou a iluminação sob a árvore Bodhi – à qual vi e toquei.

Falta infra-estrutra em Bodhgaya. Eu fiquei em uma hospedaria simples, mas muito boa, porém no meio do descampado. Fui em uma época um pouco perigosa também, pois devido às monções, a água da chuva se acumula e atrai mosquitos. O perigo é a encefalite japonesa. Além disso, falta iluminação nos arredores, assim ir até o restaurante local mais próximo era uma aventura. Sempre tenha uma lanterna na Índia.

Arredores da hospedaria

Para ir para o centro, é necessário pegar essa estrada:

E passar por essa área:

Centro

Peregrinos

Templos budistas

Por ser a cidade mais importante de peregrinação budista do mundo, cada país budista tem um templo na cidade. Assim, há o templo da China, da Tailândia, do Tibet, do Japão e assim por diante. Uma das principais atividades para os turistas é visitar esses templos. Aliás, essa é uma das principais atividades para turistas na Índia inteira. O principal templo é o Mahabodhi, onde está a árvore sob à qual o Buda alcançou a iluminação, mas essa fica para o próximo post da série. O templo abaixo é importante também e monges budistas têm cerimônias diárias. Eu e Erik fomos a uma delas e ganhamos pulseirinhas no final:

Mais um templo:

A roda do dharma

E outro (acho que é o chinês):

E outro:

Monges budistas

No próximo post, o templo Mahabodhi.