Duas amigas exploram Londres: Piccadilly Circus e Soho

No sábado de manhã, após a noitada no The Lexington, acordei cedo e com muita ressaca para me encontrar com a Louise, diretamente de Oxford a Londres. Passamos o dia inteiro juntas, caminhando pela Piccadilly Circus. Foi delicioso. Entre muitas coisas que conversamos, falamos de como seria tão legal se morássemos na mesma cidade. Poderíamos passar vários dias passeando e tirando fotos juntas. Fazer yoga. Entre outras coisas.

É tão bom poder viver perto dos seus amigos.

De qualquer maneira, passamos o dia na Piccadilly Circus, à qual não é um circo, mas sim um espaço público onde várias ruas se encontram, quase que como uma praça. É o mesmo tipo de lugar que a Times Square em Nova York, apesar de que não se pode comparar. Piccadilly Circus é muito legal e movimentada, mas Times Square é ainda mais divertida, pois Nova York tem um ar de jovialidade no ar que a Inglaterra definitivamente não tem. A Piccadilly Circus é mais uma atração turística em Londres e há mesmo bastante o que ver nos arredores.

Quando nos encontramos, Louise também de ressaca, estávamos as duas morrendo de fome. Era aquela fome que o álcool causa no dia seguinte, um grande vazio no estômago, algo desesperador. Sem contar a sede. Fomos então ao Pizza Express.  A gente sempre come pizza, em Oxford foi assim também. Pedi a Bianca Formaggi, pizza de quatro queijos: mussarela, gorgonzola, parmesão e gruyére. Acho que a Louise também pediu a mesma. Nem preciso dizer que passamos muito tempo apenas decidindo o que pedir e tomando litros de água. Apesar de ser uma rede, gostei muito da pizza, estava uma delícia, com bastante queijo comparado ao que se faz aqui na Suécia. A maioria das fotos ficaram muito ruins, então não há muitas de nós duas. Mas já está aqui uma que roubei da Louise no Facebook:

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Piccadilly Circus

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Depois de horas, eu e Louise finalmente deixamos o restaurante, compramos mais água e fomos caminhar pela área. Achamos, sem querer, um amontoado de gente já comemorando o Natal. Tinha até batucada, samba. Muitos estavam vestidos de Papai Noel e gritavam que queria o Natal já. Nós nos empolgamos e fomos para o meio. É tão legal encontrar esse tipo de manifestação, festa, assim, sem querer. A Louise registrou essa nossa atividade de uma maneira bem melhor no seu blog Lou in Wonderland. O post está aqui.

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Achamos um cassino e eu convenci a Louise a entrar e apostar algo. Las Vegas feelings. Apostamos na roleta, mas perdemos.

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Abaixo, a Regent Street, rua bem conhecida e movimentada também. Fica exatamente na área onde estão os luminosos.

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As luzes de Natal estavam lindas.

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Quando já era noite, nos encontramos com o Erik na Piccadilly Circus. Depois fomos para o Soho. Sim, também há um Soho em Londres, além do que visitei em Nova York. Essa área de Londres também é bem cool. Fomos a um bar e tomamos uns drinks.

Soho

“Soho é um distrito de Londres, na Inglaterra, localizado no borough de Cidade de Westminster.

É um distrito de entretenimento que, durante a última parte do século XX, adquiriu certa reputação devido aos seus sex shops e por sua vida noturna, assim como à indústria cinematográfica.”

Havia mesmo muitas sex shops a caminho do bar. Depois passeamos pelo Soho e nos encontramos com Mathilda e uma amiga. Mathilda foi nossa flatmate em Ålesund, Noruega. Ela mora em Londres.

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Louise não dormiu em Londres, voltou para Oxford na mesma noite. Foi muito legal, muito gostoso ter passado esse dia juntas. Conversamos muito, estávamos até cansadas, hehe.

Eu, Erik, Mathilda e amiga acabamos ficando em um bar super mega cool e caro perto da Regent Street, bebendo copos de vinho a 15-20 reais cada. Foi divertido também. Há muito dinheiro em Londres e eu queria experimentar esse lado também. Na volta, eu e Erik encontramos:

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E também uma loja da Moschino, que mostro aqui especialmente para a Carol, que ama essa marca. Tirei as fotos para ela.

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No dia seguinte, domingo, voltamos para Liverpool, e assim acaba a viagem a Londres e o ciclo de posts sobre a Inglaterra.

Próxima parada: Sälen, Suécia.

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Noite londrina

Com todas as atividades turísticas daquela sexta – Buckingham Palace, St. Jame’s Park, Big Ben – estava na hora de relaxar. Eu e Erik nos encontramos com Rob e Jamie, nossos flatmates de Liverpool, e mais uns amigos deles, para comer em um restaurante indiano delicioso, o Potli – An Indian Market Kitchen. O lugar fica em uma rua onde opções de restaurantes asiáticos e do oriente médio não faltam, King Street, Hammersmith. Eu pedi samosas (um tipo de pastel vegetariano) e dal (sopa de lentilhas), pratos simples, sem erro. Uma delícia! Super recomendado para quem quiser comer uma boa comida indiana em Londres.

Com a barriga cheia, pegamos um ônibus e um trem do metrô e fomos parar na Pentonville Road. Era hora de sair, badalar. Um amigo do Rob conhecia este lugar, assim como o restaurante. Nada como ter dicas de quem mora na cidade. O clube se chama The Lexington e era bem hip. Hip basicamente significa bem modernoso, cheio de hipsters. Se você não tem muita certeza de como os integrantes que se identificam com esta subcultura se parecem, você pode ver vários aqui e aqui.

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Palco no segundo andar

Térreo, onde passamos grande parte do tempo:

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Jamie, Rob e Erik

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Fazia parte da decoração um papel de parede de padronagem vintage, quadros, cabeças de animais…

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E poltronas.

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Rob é um amor.

O Lexington foi o máximo. Eu bebi e dancei e suei muito. Depois de umas quatro ou cinco, todos se empolgavam para comprar mais um round, seja de shots ou da singapurense Tiger, a cerveja da ocasião. Nós nos divertimos muito e a ressaca foi grande no dia seguinte, mas inda assim, levantei da cama cedo, para me encontrar com a Louise. 🙂

Na volta, eu quase não aguentava mais a minha bexiga fazendo pressão psicológica e nem os meus pés, destruídos pelas novas botas mexicanas. Quando o ônibus parou, eu saí correndo, o Erik atrás, avistei o único estabelecimento comercial fechando as portas e implorei para usar o banheiro. Deu tudo certo.

Mais turismo: Big Ben e o Palácio de Westminster

Depois de uma visita ao St. James Park e seus habitantes de penas, eu e Erik chegamos a um dos pontos mais turísticos de Londres: o Big Ben, localizado no Palácio de Westminster. Ao pesquisar um pouco sobre o relógio na Wikipedia, descobri algo interessante que imagino poucos sabem:

“Big Ben, ao contrário do que muitos pensam, não é o famoso relógio do Parlamento Britânico, tão pouco a sua torre. É o nome do sino, que pesa 13 toneladas e que foi instalado no Palácio de Westminster durante a gestão de sir Benjamin Hall, ministro de Obras Públicas da Inglaterra, em 1859. Por ser um sujeito alto e corpulento, Benjamin tinha o apelido de Big Ben. Todos os dias, a rádio BBC transmite as badaladas do sino. O sino foi fundido por George Mears em 1858, media quase 3 metros de diâmetro e pesava 13, 5 toneladas.
No dia 26 de junho de 2012 foi anunciado que a Torre do Big Ben seria renomeada para “Elizabeth Tower” em homenagem à rainha Elizabeth II pelos seus 60 anos de reinado. A cerimônia que oficializou este novo nome aconteceu aos pés da Torre em 12 de setembro de 2012.[1]

O nome do relógio é Tower Clock (Torre do Relógio), e é muito conhecido pela sua precisão e tamanho.”

Então o Big Ben é o sino. Então eu não vi o Big Ben, mas som a Tower Clock, agora chamada de Elizabeth Tower.

Como já expliquei mais de uma vez em inúmeros posts de viagens, eu não me empolgo muito para visitar pontos turísticos, mas os que vi em Londres realmente valem a pena. O “Big Ben” é lindo. Ao caminhar por uma rua próxima, a primeira visão que tive foi de admiração por ver um marco turístico tão celebrado. É aquela sensação de “estou vendo na vida real o que já vi tantas vezes em fotos”. A torre é linda, mais ainda no fim de tarde, como nesse dia. Gostei muito da delicadeza das linhas da torre e do relógio, iluminado este por uma tênue luz verde.

A caminho do Big Ben, na Great George Street, há uma praça. O Big Ben fica logo adiante:

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Palácio de Westminster

O Palácio de Westminster, onde fica o  Big Ben como já explicado acima, é extremamente importante para a vida política da Inglaterra:

“O Palácio de Westminster, também conhecido como Casas do Parlamento, (em inglês Houses of Parliament) é o palácio londrino onde estão instaladas as duas Câmaras do Parlamento do Reino Unido (a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns). O palácio fica situado na margem Norte do Rio Tamisa, no Borough da Cidade de Westminster próximo de outros edifícios governamentais ao longo da Whitehall.”

Essa estrutura me surpreendeu, pois é de fato muito bonita e imponente. Vale a pena de verdade caminhar por essa área, a arquitetura é de cair o queixo. Não poderia ser diferente, já que Londres é a capital de um país que sempre teve muito poder historicamente, e isso se reflete em uma arquitetura imponente. O poder é exercido por meio da distribuição do espaço e arquitetura também, não?

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Palácio de Westminster

Finalmente, o Big Ben, ou melhor, a Elizabeth Tower:

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Na mesma área, fica a St. Margaret’s Church, pertencente à Abadia de Westminster. Tanto o Big Ben, quanto o Palácio de Westminster e esta igreja são Patrimônios Mundiais da UNESCO.

St. Margaret’s Church

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Esta igreja também me impressionou bastante, é lindíssima!

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Eu e Erik continuamos o nosso passeio. Cruzamos o rio Tâmisa, vimos o London Eye (a mega roda-gigante)…

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… e também encontramos um pequeno café sueco. A Suécia está em todo lugar. Paramos para um café, claro, e falei um pouco de sueco com a atendente. Småland é uma região na Suécia. Significa literalmente “terra pequena”. É onde mora a irmã mais velha do Erik e sua família.

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Depois do café, finalmente chegamos aonde queríamos: o Tate Modern, museu de arte moderna de Londres. Na saída, há uma ponte para pedestres que cruza o Tâmisa, à qual mais parece uma passarela em um aeroporto. Muito legal. Vista da ponte:

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A ilha dos patos

Depois de ver o Buckingham Palace e o Green Park, este bem rapidamente, eu e Erik achamos um outro parque, o St. Jame’s Park. Ele fica bem pertinho dessas outras atrações visitadas, então dá para ver uma imediatamente depois da outra. Na verdade, o parque fica na direção do Big Ben. Essa parte de atrações turísticas de Londres pode ser feita em um dia, não há necessidade de pegar o hop-on hop-off, aquele ônibus vermelho double deck para turistas, bem característico da cidade. Aliás, o tíquete para adulto estava caríssimo. No final das contas, foi muito mais gostoso andar, até porque não choveu mais e a iluminação, como contei no post anterior, estava linda. O único problema eram as minhas novas botas vintage mexicanas, que estavam me matando.

Com cinco minutos de caminhada, cheguei à ilha dos patos, uma parte do St. James Park habitada por… patos! Não só patos, mas gansos, outras aves e literalmente centenas de esquilos. Os esquilos eram tão travessos e acostumados com os turistas, que eles subiam pelas pernas e costas das pessoas. Sem medo algum. Isso me lembrou o Battery Park em Nova York. Os esquilos do St. Jame’s não tem vergonha na cara. 🙂 Os gansos também são bem sociais e chegam perto, bem perto.

St. Jame’s Park

A ilha dos patos (Duck Island) é o nome dessa parte do parque bem à direta do mapa:

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Duck Island

Eu amo patos, então eu não pude me conter e tirei várias fotos. Ainda mais quando eles são tão desinibidos e posam para a câmera.

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Eles chegam bem pertinho da grade.

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Foi uma delícia caminhar por esse parque, mais um lugar descoberto sem querer. Ao final, avistei mais uma surpresa, um conjunto de prédios muito imponentes e bonitos. Eu e Erik ficamos imaginando o que eram. Vejam bem, não tínhamos um guia de Londres.

Os prédios são um palácio, o St. Jame’s Palace, que fica no limite norte do parque. É um dos palácios mais antigos de Londres.

St. Jame’s Palace

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Alguém tem alguma lembrança de um lugar muito legal encontrado, sem querer, ao viajar?

Viagem a Londres: The Buckingham Palace

Depois de voltar da Escócia, creio que passei um ou dois dias em Liverpool e saí para mais um passeio: Londres. Desde pequena que me interesso por esta cidade. Minha irmã dizia que queria morar em Paris; eu, em Londres. Lembro-me de assistir aquele programa da MTV, Na Real, terceira temporada em Londres, e desejar muito morar nessa cidade. Eu tinha uma pequena foto do Big Ben, recortada de uma revista, guardada na minha agenda. Eu imaginava que Londres fosse bem rock ‘n roll, que seria a oportunidade de viver uma vida de aventuras. Com o tempo, meio que perdi o interesse. Mas sempre soube que, um dia, visitaria essa cidade.

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Em dezembro do ano passado finalmente tive a oportunidade. Eu não tinha grandes expectativas, estava de boa, animada para encontrar a Louise Horstmann. Mas olha, Londres é o máximo! Eu adorei a capital inglesa, é uma cidade muito mais bonita do que eu esperava e muito, muito divertida. Quero voltar mais vezes, ainda mais agora, que nossos antigos flatmates de Liverpool estão morando lá.

Foram três dias de passeios, restaurantes e festa. Fomos em uma quinta-feira e voltamos no domingo. O hostel era ok, decente, muito bem localizado no bairro de Kensington, bem perto do metrô. Na sexta nos encontramos com nossos flatmates de Liverpool, Rob and Jamie. No sábado, finalmente encontrei a Lou. Mais tarde, a minha ex-flatmate da Noruega, Mathilda, que mora em Londres. Foi um fim-de-semana bem agitado e divertido.

Ao chegarmos, Erik e eu fomos a um restaurante indiano. Depois, tentamos achar um pub que eu queria experimentar, mas estava fechado. Mesmo assim, valeu a andança, pois acabamos conhecendo a Tower Bridge sem querer, um dos pontos turísticos mais famosos de Londres. É muito linda à noite, muito mesmo. Vale à pena atravessar o rio Tâmisa caminhando por ela.

“A Tower Bridge é uma pontebáscula construída sobre o Rio Tâmisa, na cidade de Londres, capital do Reino Unido. Foi inaugurada em 1894 e, atualmente, é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, além de ser conhecida como uma das pontes mais famosas do mundo. É localizada ao lado da Torre de Londres.”

Para variar, estava sem baterias, então as fotos não são minhas:

Tower Bridge

No dia seguinte começamos as atividades oficialmente turísticas, ou seja, ver as atrações e os monumentos famosos. Não sei, não gosto muito desse tipo de atividade quando viajo, mas por outro lado há coisas bem interessantes de se ver sim, como o Castelo de Edimburgo, por exemplo. Ou a ponte acima. Foi a primeira vez que visitei Londres, senti quase uma obrigação de ver certos lugares. O primeiro deles, na sexta-feira, foi o Palácio de Buckingham, a residência oficial da família real.

O lugar estava cheio de turistas e câmeras, como era de se esperar. Eu era mais uma com a minha câmera – nunca se esqueçam de deixar a câmera de lado e aproveitar os lugares visitados com os seus próprios olhos.

Nesse dia, parava e começava a chover constantemente. Quando cheguei ao lado principal do palácio, o céu estava carregado de nuvens de chuva azul escuras, mas também com raios de sol bem dourados, aquela luz que anuncia a chuva que vem. Foi a iluminação perfeita, deixou tudo mais bonito, e um tanto real. Espero ter capturado essa luz com a minha câmera.

Palácio de Buckingham

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Antes que me perguntem, não, eu não vi a troca da guarda.

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Os portões são realmente muito mais bonitos do que eu esperava.

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Na mesma área, bem em frente ao palácio, fica o Victoria Memorial, um monumento localizado no centro do Queen’s Gardens (Jardins da rainha) e dedicado à ela. Foi o que mais gostei; o material, provavelmente mármore, é tão branco, e a estátua, tão dourada, que ficou lindo contra o céu chuvoso.

Victoria Memorial

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Para quem olha para a frente do palácio, hà um parque à direita, o Green Park. Caminhei nesse parque um pouco, mas ele não estava nada verde, já que era dezembro e o inverno batia à porta.

Green Park

Abaixo, o Canada Gate (Portão do Canadá), no lado sul do parque.

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Os passeios turísticos continuam no mesmo dia. A próxima visita é St. Jame’s Park e aos animais que vivem lá.

Visita noturna a um dos lugares mais mal-assombrados do mundo

A cidade de Edimburgo é cheia de histórias de terror. Nem poderia ser diferente, já que lembranças da Idade Média estão por toda parte. Creio que o mundo era bem diferente nessa época: batalhas sangrentas com menos tecnologia, péssimas condições de higiene, doenças por toda parte, um cristianismo escravizador e por aí adiante. Reclamar da modernidade e da civilização ocidental é um grande passatempo meu, mas tenho que reconhecer que mudamos em certos aspectos.

Assim que cheguei à Royal Mile, reparei logo nos diversos cartazes oferencendo ghost tours (tour fantasmagórico ou algo assim). Pelo número de placas, imaginei que deveria ser uma atividade turística de sucesso. Eu adoro uma aventura, desde pequena gostava de fazer meus passeios de bicicleta até bem longe, onde meus pais não deixavam ir. Logo me interessei, ainda mais pelas figuras assustadoras nos pôsteres. Eu e Erik decidimos então marcar a nossa ghost tour, uma tour dupla: pelas antigas câmaras subterrâneas (underground city) e pelo cemitério da igreja Greyfriars (Greyfriars Kirkyard), um dos lugares mais mal-assombrados do mundo! E, claro, o passeio é noturno. Nós nos encontramos com o grupo em frente à igreja Tron, na Royal Mile. Havia cerca de umas 15, 20 pessoas, mais o guia. Eu e Erik fomos preparados para enfrentar o frio e a umidade da capital escocesa: compramos duas mini-garrafas de whisky para beber ao longo da expedição. O tour começa pela cidade subterrânea.

Underground city

É conhecida como Edinburgh Vaults, ou South Bridge Vaults. Trata-se de uma rede de câmaras subterrâneas formadas nos dezenove arcos da South Bridge (ponte) em Edimburgo. Apenas um desses arcos é visível na rua, o de Cowgate, bem ao lado do hostel. Os outros 18 estão “cobertos”, “escondidos”, por prédios.  As câmaras datam de 1788 e foram inicialmente planejadas para o comércio, mas a construção foi precária e o isolamento da água não funcionou, havendo inundações e infiltramento. Assim, devido às péssimas condições do ar e de úmidade dessas câmaras, os homens de negócios as abandonaram e no lugar, claro, vieram as pessoas miseráveis que não tinham onde morar na época da Revolução Industrial. Houve a favelização dessa área de Edimburgo, no arco Cowgate da South Bridge. De acordo com o nosso guia no passeio, sempre houve problemas seríssimos de superpopulação. Serial killers começaram a agir, matando pessoas para depois venderem os corpos que posteriormente seriam usados em experimentos médicos. Muitos corpos, dizem, eram escondidos nessas câmaras. Serial killers:

Serial killers

As condições da “favela” eram terríveis, não havia luz natural, nem água ou esgoto encanados, e a circulação do ar era mínina. Imaginem a energia do lugar. Foi somente em 1985 que se descobriu que pessoas haviam morado lá.

Segui à pé com o grupo até a entrada dessas câmaras subterrâneas. O guia era ótimo, engraçado, explicou um pouco da história de Edimburgo e  muitas outras mais para o lado sobrenatural. Como muitas pessoas morreram nessas câmaras, há relatos de acontecimentos do outro mundo; luzes, vozes, calafrios, correntes de ar gelado, pessoas que desmaiam…

Abaixo, uma parte dessa ponte. O grupo está caminhando à direita. Reparem como a ponte foi coberta por prédios dos dois lados:

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Entrada da cidade subterrânea (uma porta nesse prédio):

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O guia conta histórias de terror antes de entrarmos nas câmaras. Ele era meio parecido com o Evan McGregor e tinha um sotaque charmoso.

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Finalmente descemos escadarias, já dentro do prédio, até chegarmos às câmaras mal-assombradas. O clima era úmido, um pouco fresco. Tudo é silencioso, só se ouve a voz do guia e só se vê a luz da sua lanterna. Em um dado momento, ele pergunta se queremos que ele apague a luz, já que fenômenos sobrenaturais não acontecem quando os estamos assistindo, olhando. Juro que eu acho que isso faz todo o sentido. O guia estuda física quântica e explicou muitos fenômenos de partículas de luz, além de outros não explicáveis. É claro que eu logo disse “Yeah!” quando ele perguntou se, então, deveria apagar a lanterna. Nada aconteceu, mas muito antes disso, eu senti uma golfada de ar frio e alguém que me cutucou no braço. Quanto eu virei e perguntei ao Erik, “O que foi?”, ele não entendeu. Não havia sido ele que beliscou o meu braço.

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Erik escuta o guia:

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A segunda parte do tour é entrar na Covenanters Prison, um local pertencente ao cemitério dos Greyfriars. Este é definitivamente um dos lugares mais mal-assombrados do mundo, já mostrado em vários programas de TV. Qual é a história?

Mackenzie Poltergeist

A história é complicadíssima, não dá para explicar tudo. Os Covenanters eram um movimento presbiteriano escocês que tiveram papel importante na história desse país, além de na da Irlanda e Inglaterra, no século XVII.  Houve várias guerras, tudo deu errado para esse movimento. Depois da Restauração (não me peçam para explicar o que foi isso), em torno de 18.000 Covenanters morreram. George Mackenzie, representante da justiça e da coroa, elite do sistema, era o demônio em pessoa e mandou prender 1.200 Covenanters em um terreno adjacente ao da igreja e do cemitério. Este terreno é hoje conhecido como a Covenanter’s Prison, justamente essa nossa segunda parte da tour mal-assombrada. Os 1.200 que ali comeram o pão que esse diabo amassou morreram sob terríveis condições. Pela falta de humanidade no tratamento dos prisioneiros – algumas histórias contadas pelo guia afirmam que os prisioneiros ficaram deitados de cara na lama no frio da Escócia por meses até morrer, se levantassem seriam fuzilados – George Mackenzie ficou conhecido como Bloody Mackenzie (Mackenzie sanguinário). Ele morreu, seu mausoléu está nesse mesmo cemitério e aparentemente, desde que um mendigo invadiu sua tumba em 1999, Mackenzie voltou dos infernos para assombrar as pessoas que visitam a Covenanters Prison. O tom aqui é meio pueril, mas esse fenômeno de poltergeist é levado à sério e muitas pessoas já reportaram terem sofrido ataques terríveis no cemitério. Alguns morreram lá.

Depois de sairmos das câmaras, o grupo se dirigiu para a igreja dos Greyfriars com seu cemitérios a Covenanters Prison. Estava escuro, muito úmido e um pouco frio, leia-se +1 C com muita umidade mesmo. Este é o clímax do passeio. O guia tem acesso à prisão que, na verdade, fica trancada à cadeado o tempo todo. Visitantes comuns não podem entrar. Quando os portões ainda estão fechados, o guia termina de explicar a história de Mackenzie e dos ataques a visitantes e nos alerta que coisas muito reais podem acontecer durante a visita, desde arranhões até ser derrubado e arrastado pelo chão. O guia abre o portão e entramos na prisão, um terreno com pequenas salas abertas, tipo mausoléus sem caixões dentro. Entramos em um, o guia conta mais histórias e há momentos de silêncio.

Eu sei que o que vou contar daqui em diante será considerado como supertição, auto-sugestão ou imaginação. Nem eu mesma consigo acreditar totalmente, mas sei que senti algumas coisas distintas enquanto dentro dessa “sala”. O clima era pesadíssimo, a única memória que tenho de algo assim foi quando visitei uma cela do pavilhão 9 um pouco antes de o Carandiru ser demolido. Havia uma bíblia com salmos sobre a perdição aberta nessa cela. Na cela de Edimburgo, o clima era o mesmo, muito frígido, um insustentável peso do ar gelado. Enquanto o guia continuava a falar, eu senti algumas golfadas de ar frio e meus braços começaram a pesar muito, como se fossem puxados para baixo – não foi a primeira vez que senti isso tão pouco, mas essa é outra história. Senti meus antebraços apertados, pressionados. Sem contar o impulso de deixar o corpo balançar para frente e para trás. Eu sei o que algumas pessoas com certas crenças vão concluir. Aqui eu não deixei nada muito claro, apenas queria contar o que acho que senti. O passeio acaba aí. Foi curioso, vale à pena, é algo a se fazer em Edimburgo.

Mais cedo, talvez no mesmo dia já não me lembro, eu e Erik visitamos o cemitério dos Greyfriars por coincidência, o encontramos sem querer. Ficava tão perto do hostel.

Greyfriars Kirkyard

Como era em 1647:

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Como é hoje (entrada):

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Havia umas coisas meio macabras:

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Abaixo, esse mausoléu grande ao centro é o de George Mackenzie:

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Castelo de Edimburgo ao fundo:

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Termina aqui também a visita à Escócia. Próxima parada: Londres.

PS: eu gosto de contar histórias, mas gosto de escutar também. Alguém tem alguma história de terror para contar?

PS2: as informações “históricas” foram tiradas da wikipedia e da minha memória do que o guia contou. Os links com as fontes estão espalhados pelo post.

Onde encontrar um tiranossauro rex

Onde podemos encontrar um tiranossauro rex ? Quero dizer, os restos mortais, o esqueleto desse lagarto predador? E sarcófagos egípcios abertos? No National Museum of Scotland (Museu Nacional da Escócia)!

Eu e Erik descobrimos que o hostel era bem perto do museu, que fica em uma rua por onde andamos todos os dias. Em uma tarde úmida e fria, como muitas outras, visitamos o museu.

Museu Real da Escócia (em inglês:Royal Museum) é o antigo nome do Museu Nacional da Escócia, um dos principais museus do Reino Unido, localizado na Cidade Velha de Edimburgo. Foi inaugurado no século XIX […]

[…]

O museu contem artefatos de várias áreas envolvendo a Geologia, Arqueologia, História natural, Ciência, Tecnologia e Arte. A exposição mais visitada é a do corpo embalsamado da Ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado. Outros destaques são os achados arqueológicos do Egito Antigo, o esqueleto de uma Baleia e uma parte da coleção pessoal de Elton John doada ao museu.”

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O museu é enorme, não dá tempo de ver todas as partes em apenas uma visita. A entrada é gratuita, então, se a estadia em Edimburgo for um pouco mais longa que a minha, dá para visitar o museu mais de uma vez.

Começamos pela exposição de antiguidades da escócia, história medieval, alguns itens sobre vikings… Depois chegamos à parte de história natural. Tinha umas coisas estranhas:

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Nessa parte, havia esqueletos e animais empalhados. Estava cheio de crianças, famílias. É quase como aquelas excursões de escola. Tudo muito iluminado e educativo. Abaixo, o esqueleto de um cervo gigante, única ossada completa a ser descoberta no mundo:

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Mais adiante, em uma enorme sala, encontro o Tiranossauro Rex!

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Foi a primeira vez que vi uma ossada de Tiranossauro. Abaixo, uma cópia pequena do maior Pterossauro (Quetzalcoatlus northropi), cujas asas podiam chegar a 11 metros de envergadura.

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Mais uma cópia, o caranguejo-aranha-gigante tem patas que, esticadas, podem chegar a 4 metros de comprimento.

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Havia muitos animais empalhados. Isto me perturba, pela questão de direitos animais e, em uma perspectiva mais abrangente, a relação homem-natureza. Quanto aos direitos animais, a primeira coisa que me incomoda é o fato de o homem ter o direito de expor corpos de outros seres. Nós, humanos, geralmente não permitimos que outros exponham os cadáveres de familiares ou amigos que falecem. Outra coisa, que incomoda muito mais, é imaginar de onde vêm os corpos. Provavelmente de zoológicos, os quais sou contra a existência. Quanto à questão mais abrangente da relação homem-natureza, incomoda presenciar a visão que temos dos animais, como seres separados do nosso mundo, para serem observados “cientificamente” em um museu, em uma perpétua “existência” estática. Sem contar que não conseguimos expô-los como são, o ato de ser em si. Animais simplesmente existem, são, vivem. Mas nós precisamos colocá-los no contexto de alguma atividade, lógico, como comer, caçar, se reproduzir… Justamente como neste museu. Porque essa é a nossa lógica da produtividade, dos seres humanos, temos sempre que estar fazendo alguma coisa.

Animais empalhados:

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Na próxima seção visitada, encontro os sarcófagos egípcios! A Carol iria gostar bastante. Ela sempre se interessou pela antiguidade egípcia desde criança.

Escrita:

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Sarcófagos:

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O mais legal foi ver o interior de um sarcófago. Eu não sabia que eles eram decorados por dentro.

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Depois da visita à ala egípcia, tivemos que ir embora, pois o museu estava fechando.