O centrinho antigo de Eksjö antes do incêndio de 2015

Acabei de voltar de Phnom Penh, capital do Camboja, mas antes de começar a mostrar um pouco do que eu vi por lá, quero trazer dois posts sobre um lugar com um canto fixo no meu coração: Eksjö. Eksjö, uma cidadezinha de um pouco mais de 9.000 habitantes na região de Småland, ao sul da Suécia, foi onde morei de julho de 2015 a março deste ano. Na verdade, antes de me mudar de vez para lá nessa referida data, eu já dividia bastante o meu tempo entre Lund e Eksjö, onde o Erik já estava morando desde que vendemos o apartamento em Linköping no comecinho de 2015. Ou seja, passei dois verões e muitos finais-de-semana lá antes de me mudar definitivamente.

Eksjö foi a cidade onde perdi tudo em um incêndio há 10 meses atrás. Mas foi também onde ganhei muito; onde acabei de vez me enamorando da floresta, da vida em meio a árvores, veados, neve e ar puro. Sinto muita falta da floresta, de minhas caminhadas explorando trilhas, de presenciar as sutilezas da mudança do ambiente com o passar dos meses, de ser surpreendida por algo belo ou distinto quase que diariamente. Agora eu me refiro especificamente ao bairro de Kvarnarp, onde morei ao pé da floresta. Não que o resto de Eksjö não seja bonito – de fato é, muito – mas essas impressões sobre a vida em meio às árvores, os veados e as raposas que um ou outro dia vinham nos visitar se referem a Kvarnarp.

O centro de Eksjö, cidade do tempo medieval sueco, é onde fica a gamla stan, cidade velha. É uma atração turística importante e é onde eu morava antes do incêndio. Muitos turistas visitam o centrinho vintage, preservado, com suas casas de madeira datando de séculos. É essa parte da cidade que resgistrei em fotos no verão de 2015, um pouco antes do incêndio, e que deixo agora registrada aqui.

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Gamla Stan, o centrinho antigo de Eksjö

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Este hotel fica na rua onde eu morava antes do incêndio.

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Na cidade, há alguns gård, que seriam casarões com pátios internos. O que eu morava, um dos mais importantes e antigos da cidade, tinha mais de 400 anos de idade. Era onde pessoas que faziam selas para cavalo moravam e trabalhavam. Abaixo, outro gård turístico. Apesar de receberem muitos turistas no verão, muitas pessoas vivem nesses casarões, dividos agora em pequenos apartamentos.

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Este é um gård parecido com onde eu morava.

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Abaixo, a igreja principal da cidade, localizada na praça central:

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As casas abaixo já ficam fora do centrinho velho, mas estão construídas em um local antigo também:

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Para terminar, uma casa típica do campo nessa região sueca. Se me lembro bem, tem em torno de cem anos, provavelmente mais:

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Onde ficar em Milão e uma noite no teatro Scala

A resposta para a primeira pergunta implícita no título do post é simples: Navigli! Navigli é um distrito boêmio cheio de bares, pubs, restaurantes, ateliers de arte, música ao vivo e todas essas coisas que são as melhores nesse tipo de viagem. Há vários “Navigli“, de acordo com a Wikipedia, que costumava ser uma rede de canais, hoje abandonados. Naviglio Grande é a área onde fiquei, bem hip – tinha até uma lanchonete fast-food 100% vegana, além de lojas vintage.

Naviglio Grande
Naviglio Grande

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Atelier
Atelier

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O que é bem gostoso em Naviglio Grande são os restaurantes e cafés com suas mesinhas no passeio, à beira do canal. Sentar a uma delas e tomar um café ou outro drink ao sol é uma excelente maneira de passar parte do dia. Principalmente se também envolver comida. Foi o que fizemos em um dos restaurantes mais lotados:

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Pizza em Naviglio

Há com certeza melhor pizza do que essa; muitos dos restaurantes são bem turísticos. Mas ainda assim, fora a pizza ter sido saborosa, o melhor foi ter sentado ao sol e observado as pessoas que passavam. A concorrência para conseguir uma mesa é quase impossível. À noite também não faltam restaurantes nem bares. Achamos uma pérola, um restaurante cheio de italianos mesmo, com um menu pequeno, escrito à mão, e decoração rústica. A comida era muito boa, preços muito baratos, mas porções bem pequenas. Fino. Infelizmente, não me lembro do nome.

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As cervejas especiais têm bastante espaço em vários pubs/bares do local. Um excelente bar que serve suas próprias cervejas artesanais, bem pequeno, é o BQ Birra Artigianale. Para drinks refinados e uma atmosfera quase perfeita, o Ugo Bar, bem próximo ao BQ Birra, é ótimo.

Um dos muitos bares com boas cervejas. Já não me lembro do nome.
Um dos muitos bares com boas cervejas. Já não me lembro do nome tampouco.

Voltando para os arredores da praça central de Milão, onde fica a famosa catedral de Duomo, vamos agora a um outro tipo de atração na cidade, uma atração historicamente exclusiva ao aos nobres e abastados: o Teatro alla Scala, ou La Scala, como é conhecido, uma das casas de ópera mais famosas do mundo.

La Scala, Milão
La Scala, Milão

Eu e Erik demos uma de refinados, compramos entradas que não as mais baratas, mas as segundas mais baratas, e fomos a essa casa de ópera assistir a um balé! Gente, todo mundo deveria fazer isso. Não digo exatamente ir ao La Scala, pois nem todos trilham os mesmos caminhos, mas é bom ficar ligado nas casas de show e teatros na sua região, pois muitas vezes há espetáculos bons e gratuitos. Mais do que pelo espetáculo, muitas casas valem pelo nível do estabelecimento em si. O La Scala é lindo! Eu nunca tinha entrado em uma casa de ópera antes. Que luxo.

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Assentos caros

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Uma coincidência muito legal é que estou lendo Adeus às Armas (Farewell to Arms) do Hemingway nesses dias em que escrevo estes posts sobre Milão, e algumas partes da narrativa se passam lá, inclusive há menções ao La Scala e à galeria do último post. Enfim, referências literárias à parte, fora eu ter podido apreciar a beleza do teatro, a apresentação foi boa. Eu não entendo nada de balé, apesar de ter dado os meus pulos quando criança, mas gostei. Gostei mais ainda por ter caído no sono. Sim, eu caí no sono durante o balé, aquele sono pesadamente leve, irresistível, que não há como escapar. Perdi algumas partes, mas o balé era bem monotônico, então capturei o conjunto da coisa de qualquer maneira. Não acho que o meu cochilo ateste a chatice do balé; pelo contrário, atesta o conforto da obra. Mesmo que eu invariavelmente caísse no sono em cada ópera e balé que assistisse, iria continuar frequentando esses eventos. Foi um sono bom.

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Balé no teatro La Scala

E chega ao fim a “série” de posts sobre essa viagem curtinha à Itália. Nos próximos posts, mostrarei um pouco de Lund, onde morei até Junho deste ano, e também mais uma edição do Psykjunta, festival psicodélico em Småland.

O centro de Milão: catedral Duomo e um dos shoppings mais antigos do mundo

Os próximos posts neste blog, assim como o último sobre a festa de formatura do mestrado, mostrarão um pouco do que fiz neste primeiro semestre deste ano até agora, a metade, o mês de julho. Assim que eu voltei do Brasil, no dia 02 de março, não se passaram nem dois dias e eu e Erik fizemos uma mini-viagem à Itália. Eu nunca tinha estado nesse país, então foi super excitante.

Eu tinha uma imagem não muito positiva da Itália, algo como um país meio decadente, já saudoso dos tempos mais prósperos. Devo esse estereótipo a certas imagens que tenho da classe média besta brasileira da região de onde venho, sempre colocando nomes italianos em tudo, prédios, restaurantes… Essa breguice de síndrome de cão vira-lata. Mas mudei de ideia, não a respeito da classe média, mas da Itália. É um país lindo – ao menos o pouco que vi em quatro dias. Adorei.

Eu e Erik passamos um fim-de-semana prolongado em Milão, dita capital da moda italiana. O que queríamos era celebrar a minha volta à Suécia, e não há nada melhor do que uma viagem a dois desse tipo, tranquila, gostosa, sem mochilão. Para namorar muito, comer e dormir.

Já começo com uma foto minha a caminho de uma das principais atrações da cidade. Infelizmente, como já faz tempo, não me lembro de todos os nomes dos lugares. Essa foto mostra um pouco de algumas ruínas em uma rua cheia de butiques vintage muito legais, localizada entre a área onde me hospedei (Navigli) e a praça principal de Milão (Piazza del Duomo) na parte central da cidade.

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Um dos principais pontos turísticos a se visitar em Milão – e vale a pena, pela beleza – é essa praça que acabei de mencionar, onde fica a Duomo di Milano, a catedral da cidade. É a praça central; a praça em si é bem bonita, mas está cheia de poluição visual: outdoors da H&M, faixa do Mc Donald’s, o que estraga um pouquinho da suntuosidade da arquitetura. Mas não é nada que estrague o passeio, claro

Os dias de primavera estavam lindos, claros, frescos, uma temperatura por volta de 10C. Depois de sete meses de verão na Jamaica e no Brasil, eu não me importei em nada de pegar um “inverninho” na Itália. Vejam a cor do céu:

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Duomo di Milano (catedral) na Piazza del Duomo (praça), Milão

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Monumento ao Rei Victor Emmanuel II
Monumento ao Rei Victor Emmanuel II

A catedral é linda, se compara à Catedral de Notre-Dame na minha opinião. De acordo com a Wikipedia, a catedral levou seis séculos para ser construída. É a quinta maior do mundo e segunda da Itália.

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Porta trabalhada
Porta trabalhada

A entrada é gratuita.

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Quem foi criado com um pouquinho que seja de tradição católica (ir à missa uma vez ao ano, funerais e casamentos), deve reconhecer o drama da decoração católica.

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Nessa catedral tem a coisa que mais gosto de ver em uma igreja. Por conta de uma curiosidade mórbida, ou gosto pelo mistério, sempre adorei ver corpos mumificados nas igrejas:

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É de verdade. Eu me agachei e consegui ver uma partezinha do crânio.

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Na mesma praça, à esquerda da catedral para quem a olha de frente, fica uma outra atração muito famosa: a Galleria Vittorio Emanuele II, um shopping arcade, ou centro comercial em uma arcada, um dos shopping centers mais antigos do mundo, construído no século 19. O arco que marca a entrada é divino, mas a façada estava sendo reformada e tudo estava coberto por um anúncio gigante da H&M. Dentro, o centro é amplo, o teto é altíssimo com uma abóbada ao centro, e há lojas das mais finas. Muitos dos turistas que vi estavam apenas olhando e tirando fotos, como eu.

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Galleria Vittorio Emanuele II, Milão

Havia também várias pessoas vendendo flores e pequenas bugigangas, mas quando os seguranças chegavam, o povo corria. Adoro esse contraste de riqueza do outro mundo com a vida real. Os vendedores de flores & bugigangas são bem insistentes e estão não só aqui, nessa galeria, mas como também na praça. Muitos são imigrantes.

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Perto de uma das saídas da galeria, fica o famoso Teatro alla Scala, mas só o mostrarei em um outro post. Nessa mesma área, ao redor da praça, perto da galeria e do teatro, há muitas e muitas ruas de comércio.

Comércio
Comércio

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Mais para perto da catedral e dos museus ao pé dela, há vários restaurantes também. Achamos, sem querer, uma padaria que foi assim o meu lugar preferido para comer em Milão – e experimentamos vários. É uma padaria (rede) que vende de tudo: pizza, focaccia e muitas delícias. Chama-se Princi. Não é caro, perfeito para café-da-manhã, almoço… Mas também um jantar cedo, por que não? Para quem gosta de pizzas e pães maravilhosos… Eu, apesar de não gostar de rotina, também sou uma pessoa de hábitos circulares, assim como os cachorros (foi o Milan Kundera que escreveu que os cachorros tem uma noção de tempo circular). Assim, quando eu descubro um lugar para comer que amo, quero sempre voltar lá, frequentemente, e comer a mesma coisa. Por isso fomos a Princi acho que em três dos quatro dias que ficamos em Milão, para um “almoço” bem tarde. Essa padaria fica na Via Speronari, a menos de cinco minutos da praça Duomo.

Comida deliciosa no Princi
Comida deliciosa no Princi

Não faltam alternativas ótimas para comer em Milão. A cidade é cheia de restaurantes, padarias, bares, confeitarias… A comida estava uma delícia em todos os lugares que comi. A pizza, o macarrão, os pães são muito bons. Amei a comida lá.

Uma das muitas delicatessens em Milão
Uma das muitas delicatessens em Milão

Viajando pela Jamaica: Negril

Este é o último post sobre a minha temporada de quatro meses na Jamaica. Já chega, né? Fui embora desse país super legal, estiloso, lindo e divertido já em Dezembro do ano passado. Os próximos posts serão sobre a viagem que fiz à Itália nesta primavera (março) e sobre a cerimônia de formatura do mestrado. Fiquem ligados.

Bom, o último lugar que visitei na Jamaica, já somente eu e Erik, chama-se Negril. De todos os lugares que conheci por lá, acho que é o que mais vale à pena, principalmente se você estiver interessado(a) em praia e natureza. Negril tem uma praia linda, que eles chaman de Seven-mile Beach  (a praia de 11 Km de extensão). Eu não experimentei nenhuma aventura pelas florestas, mas tanto em Negril quanto em outras partes da Jamaica, há muito o que fazer no que toca a esportes radicais – canoagem, arvorismo etc. Talvez na próxima.

A parte de Negril onde fiquei não é a dos resorts de luxo, uma área mais afastada com muitos hotéis e restaurantes que se chama West End. Ainda assim, considero o lugar onde me hospedei muito bom: um hotel chamado Pure Garden Resort a dois minutos da praia citada acima, com mercadinho de conveniência e restaurantes ao redor. Acho que qualquer hotel na avenida ao largo da praia, a Norman Manley Boulevard, onde fica o Pure Garden, é uma boa opção budget.

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Pure Garden Resort, onde fiquei

Nas minhas andanças pela Jamaica, vi muitas barraquinhas de comida de rua e bares/botecos coloridos. Esses pequenos negócios estão em toda parte, principalmente os que vendem jerk chicken, churrasco de frango com um molho jamaicano especial chamado jerk, que também é o nome da técnica de churrasco empregada. Havia uma dessas barracas bem em frente ao hotel.

Barraca de frango "jerk" e água de côco
Barraca de frango jerk e água de côco
Onde o churrasco é assado
Onde o churrasco é assado

Seven-mile Beach  (a praia de 11 Km)

É aí que passamos todos os dias e também noites em Negril. Era baixa temporada por ser inverno e época de furacão, mas ainda assim o bar Bourbon Beach ficava cheio à noite. Muito gostoso tomar Red Stripe, sentir a brisa do mar, ouvir reggae e apreciar o estilo dos frequentadores do bar.

Praia: Seven-mile beach
Praia: Seven-mile Beach
Bourbon
Bar Bourbon Beach

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Erik lê Clarice Lispector em Inglês
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Tem puculinho lá também

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Pôr-do-sol na "Seven-mile beach" em Negril
Pôr-do-sol na Seven-mile Beach em Negril
Bourbon Beach bar à noite
Bourbon Beach bar à noite

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West End

Essa é a área mais chique de Negril, 0nde ficam resorts e hotéis de luxo. Mas a Jamaica sempre oferece opções para todos os bolsos: há lugares ótimos para comer por lá, super baratos. Um imperdível é o Just Natural, onde tomei a melhor piña colada da minha vida, e olha que não gosto desse drink. O restaurante é um charme rastafari. As mesas ficam espalhadas em um jardim tropical com uma decoração muito fofa. A comida é ótima e super barata, mas as porções são pequenas. Uma outra pérola imperdível também é o Ras Rody’s Roadside Organic. É uma barraca de madeira super colorida, à beira da West End Avenue, que vende comida rastafari. Uma delícia, muito simples, servida diretamente da panela. Um achado.

Eu e Erik fizemos um passeio de barco por West End com direito a paradas para snorkeling. Deu para ver um pouco do lugar chique:

West End, Negril, vista do mar
West End, Negril, vista do mar

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Imagine passar um mês aí
Imagine passar um mês aí

Vários lugares tinham escadinhas direto para o mar. Eu adoraria morar em uma casa assim, com escadinha para o mar. Assim eu poderia mergulhar todos os dias.

Escadinha para o mar
Escadinha para o mar

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E assim acaba, minha gente, o capítulo Jamaica. Veja também os passeios a Montego Bay e Portland.

Viajando pela Jamaica: Montego Bay

Montego Bay é um daqueles lugares bem turísticos mesmo. Turismo de excursão. Acredito que muitos turistas que visitam a Jamaica achem que Mobay, como a cidade é conhecida, seja destino obrigatório. Mas não é. Apesar de haver praias lindíssimas, como é a regra na Jamaica, dá para pular esse destino. A não ser que você se hospede na cidade ao invés de em um dos resorts de luxo mais afastados, com o intuito de sentir o caos das cidades um pouco maiores da Jamaica. Nada contra a turistada que se hospeda nos resorts, cada um que fique contente com o tipo de viagem que lhe agrade. Essa história também de mochileiros-viajantes-turistas que criticam a turistada mainstream por não procurar alguma “essência” ou “experiência” ou “originalidade” é uma das piores babaquices do imaginário desses tipos. Enfim, vamos falar de Mobay. Eu fui, junto com Erik e Mirsini.

Passei, se não me engano, uns quatro dias em Montego Bay já no finalzinho de novembro do ano passado. Era inverno, mas estava bastante calor. Não há inverno na Jamaica. A cidade em si é barulhenta, colorida. Uma área muito turística é a Gloucester Avenue, a Hip Strip, que não tem nada de hip. Se você já foi ao Sudeste Asiático, por exemplo, vai reconhecer o mesmo cenário: intermináveis lojinhas/barracas de porcarias baratas para turistas – chaveiros, canecas, cangas etc. É nessa avenida que fica a única praia onde fomos em Montego Bay: Doctor’s Cave. É uma praia privada, há que se pagar a entrada. Custa em torno de 10 dólares americanos, e cada cadeira, 5. Não preciso dizer que a praia estava mesmo cheia de americanos. A Jamaica é tão perto da Flórida.

Doctor’s Cave é muito bonita, mas não espere nada selvagem. É aquele destino ideal se o que você quer é mesmo vida fácil, sol e conforto. O mar é lindo, cristalino, e é possível fazer snorkeling perto da beira mesmo, pois já bastante o que se ver.

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Doctor’s Cave, Montego Bay

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Sueco à sombra. Mirsini, de coque, à direita

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A água é tão cristalina…

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Ficamos na praia até o anoitecer.

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Mirsini

Para ver o destino anterior, Portland, clique aqui.

A casa (museu) de Bob Marley

No comecinho de setembro, depois de um mês de Jamaica (hoje já faz três meses e meio que estou aqui), eu e Mirsini visitamos o Museu do Bob Marley, a casa onde Bob Marley viveu desde 75 até sua morte em 81. Quem acompanha este blog deve estar pensando “Poxa, finalmente algo sobre o Bob Marley!”. Pois é, Jamaica tem mesmo muito a ver com o ele. Este é um dos estereótipos que se confirmou. A bem da verdade, seria desrespeitoso falar que a admiração por Bob Marley é como o estereótipo Jamaica + Bob Marley. Bob Marley aqui é muito mais do que isso, é parte integral da cultura Jamaicana e fonte de orgulho e inspiração para muitos que conheci por aqui, de classes sociais bem distintas.

O museu fica na Hope Road, uma das principais avenidas da cidade. Já não me lembro bem quanto custa para entrar, mas é algo em torno de 800 a 1000 dólares jamaicanos (entre 8 e 10 dólares americanos).

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Entrada do museu

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A área externa do museu é bem ampla e há vários muros pintados com imagens de Bob Marley, sua família e outros escritos rastas. Há também um café com uns rapazes rasta bem simpáticos. Servem café, cerveja e algumas comidinhas vegan.

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"Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6".
“Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6”.

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Ainda na parte dianteira da propriedade, logo em frente ao portão, há uma estátua em tamanho real de Bob. Ele era baixinho. Infelizmente a cara da estátua não é muito parecida com as tantas fotos lindas em preto-e-branco que vi na sala ao fundo da propriedade, umas das coisas que mais valem a pena na visita.

Bob Marley em tamanho real
Bob Marley em tamanho real

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A cara não é parecida.

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O rapaz da segurança não conseguiu tirar uma foto muito decente de Mirsini comigo e Bob, sempre faltou uma cabeça, então vai esta mesmo:

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A visita é um tour guiado pela casa, que também abrigava a gravadora do The Wailers. Há salas com vários discos de ouro, recortes de jornal, o estúdio onde muitas canções foram gravadas, o quarto original de Bob, a cozinha e outras coisas mais.

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Entrada da casa

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A foto acima é a última tirada dentro da casa, pois é proibido. A guia contou que Bob costumava correr escada acima pulando de três em três degraus para manter a forma. Estou precisando seguir esses tipos de conselho.

A pintura da lateral direita é muito legal:

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Nos fundos da propriedade há a sala das fotos, que mostram muitos momentos distintos na vida do artista. Há também a loja de souvenirs, lógico, muitas plantas e as casas dos conhecidos de Bob que permaneceram ali.

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Fundos

O que adorei foi ter conhecido Georgie, quem acende a fogueira em No Woman No Cry:

Said, said, said, I remember when-a we used to sit
In the government yard in Trenchtown.
And then Georgie would make the fire lights,
As it was logwood burnin’ through the nights.
Then we would cook cornmeal porridge,
Of which I’ll share with you,
My feet is my only carriage,
So I’ve got to push on through.

Sim, essa pessoa existe, morou com Bob Marley no mesmo conjunto de quartos em Trenchtown, bairro muitíssimo pobre de Kingston o qual visitei há duas semanas atrás. Georgie mora em uma casinha nos fundos do museu, onde aparentemente já estava quando Bob morava lá também. O que mais tenho gostado daqui é de como desenvolvi uma nova relação com a música de Bob Marley, que agora tem outro significado, muito mais emocional e verdadeiro para mim. E nem sou assim uma fã tão grande.

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Lá também conheci um percussionista que tocou com Bob:

Mirsini e percussionista
Mirsini e percussionista
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Parede da lojinha de souvenirs

Só na Jamaica encontro placas como esta:

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Por favor tome cuidado com as mangas que caem.

Ainda na parte de trás, vi a sala onde Bob sofreu uma tentativa de assassinato (já falei que esta cidade é perigosa – a história toda você lê aqui).

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A sala do tiro

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Também na parte dos fundos ficam os degraus onde Bob se sentou em uma manhã e compôs Three Little Birds:

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Voltando a frente da casa, conheço mais um conterrâneo de Bob.

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Infelizmente, eu já me esqueci de seu nome, mas ele era muito simpático, contou algumas histórias e falou que podia nos levar para dar uma volta pelos bairros onde Bob andou, haha.

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Mais murais pintados:

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Em suma, o tour não é assim uma coisa extraordinária, mas vale bastante a pena ver a casa, os murais, as fotografias, as pessoas, o estilo rasta. Eu fui também à casa de Bob antes da fama, quando era bem pobre em Trenchtown, à qual mostrarei em um outro post.

A praia de James Bond

A segunda parte do sábado, após a visita ao jardim botânico, foi passada na praia de James Bond. Fiquei pouco tempo por lá, pois apenas eu e Mirsini queríamos nadar, e era necessário voltar a Kingston antes de escurecer, pois as estradas são muito perigosas.

A praia de James Bond fica em Oracabessa, uma pequena cidade a 16 Km de Ocho Rios na costa norte Jamaicana:

A praia de James Bond é famosa por aqui e tem esse nome porque Ian Fleming, o criador de James Bond, era dono de uma propriedade adjacente à praia. Aparentemente, foi lá que ele escreveu muitos dos romances da série. Cenas do filme Dr. No se passam nessa praia. O mais interessante para mim, porém, é o fato de essa pequena praia abrigar parte do santuário marinho da baía de Oracabessa (Oracabessa Bay Fish Sanctuary), uma reserva marinha criada para proteger a biodiversidade e os ecossistemas da Baía de Oracabessa.

Só de nadar na parte rasa já deu para notar muitos peixinhos. Mas eu esqueci o meu snorkel e máscara, então fiquei mesmo muito frustrada de não poder ver essa maravilha e com vontade de voltar o mais rápido possível.

As primeiras fotos abaixo mostram um pouco do que vi já bem perto de Orabessa:

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Adoro o estilo dos comércios aqui.

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Paramos no caminho para comprar melancia. Uma coisa que gosto muito aqui na Jamaica é que há barracas de fruta em todo canto, mesmo em um ambiente mais urbano como Kingston. Muitos dos vendedores descascam e cortam os abacaxis e as melancias, por exemplo.

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Praia de James Bond

Na praia de James Bond há um restaurante/bar à beira-mar.

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E também um local para fazer refeições, onde almoçamos.

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Alex e esposa de Keith

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Praia de James Bond

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Essa foi a primeira vez que fui a uma praia aqui na Jamaica. Linda.