IMG_3482

Mudança para a Tailândia

Há uns dois meses atrás, lembro-me de ter pensado em como seria interessante morar na Ásia. Depois de algumas semanas, cá estou eu, na Tailândia. Quem acompanha este blog desde ao menos 2011 sabe que eu já havia estado por aqui, fazendo mochilão. Hoje estou morando na capital, Bangkok. Eu me mudei há exatamente três semanas, faz pouquíssimo tempo. Espero poder compartilhar, aqui no blog, um pouco da minha vida nesta cidade frenética, poluída, divertida.

Eu estou muito atrasada em relação ao meu próprio calendário pessoal de posts, como comentei no texto anterior. Para variar, ainda me pergunto se faz sentido continuar a blogar. Por enquanto, talvez sim.

Alguns estarão se perguntando “mas e a Suécia?”. Eu ainda não sei o que será do futuro, se voltarei a morar lá. Eu continuo planejando a vida por semestres, pois no momento é o possível. Eu sinto bastante falta de Eksjö, afinal esta mudança, tão repentina, foi como ser arrancada à força de um lugar com significado para si. Apesar de eu saber que há problemas em morar em Eksjö – não há trabalho na minha “área” nessa pequena cidade -, de alguma maneira fiquei muito apegada a esse lugar. Eu chorei enquanto o ônibus que me levaria a Estocolmo, no dia do vôo à Tailândia, cruzou o centro de Eksjö. Eu me apeguei por demais à vida em um lugar onde a beleza é fato corriqueiro, onde os veados assistem as minhas corridas semanais. A mudança foi como um abuso da alma, em uma fase pós-incêndio quando eu de fato não estava me sentindo nem forte, nem com vontade de encarar algo assim. Mas estou encarando.

Eu me mudei para a Tailândia a fim de fazer (mais) um estágio na área de “desenvolvimento”, a área do meu mestrado. Depois de um certo tempo depois do incêndio, recomecei a procurar emprego, mas logo percebi que deveria, também, procurar estágio, mesmo já tendo feito um na Jamaica. Depois de considerar muitas opções interessantes, mas nada ter se concretizado de fato, acabei por me decidir por um estágio em uma ONG internacional em Bangkok. Essa ONG trabalha com projetos relacionados a abuso sexual infantil, turismo sexual, esses tipos de problemas. Comecei no dia 15 de março, no dia seguinte a minha chegada em Bangkok.Tudo tem sido muito rápido, mas já estou instalada nesta metrópole. Moro em um prédio de 37 andares. A vista mostra muitos arranha-céus, o VLT que pego toda manhã para ir para o trabalho, o supermercado da rede Tesco logo ao lado e muitas outras construções.

IMG_3536
Bangkok: vista do 37 andar

IMG_3540

IMG_3526
Rio Chao Phraya ao fundo, um dos mais importantes da Tailândia
IMG_3623
Poluição diária
IMG_3554
Supermercado aqui ao lado
IMG_3482
Vista noturna
IMG_3496
Topo do prédio

Ainda não consegui explorar muito a cidade por ter passado grande parte do tempo me ajustando à nova vida. O Erik chega em um mês e meio; ao total, são dois meses que passarei morando sozinha aqui. Uma ótima aventura para a vida.

Então vamos lá, agora é nova fase na minha vida e neste blog.

 

A casa (museu) de Bob Marley

No comecinho de setembro, depois de um mês de Jamaica (hoje já faz três meses e meio que estou aqui), eu e Mirsini visitamos o Museu do Bob Marley, a casa onde Bob Marley viveu desde 75 até sua morte em 81. Quem acompanha este blog deve estar pensando “Poxa, finalmente algo sobre o Bob Marley!”. Pois é, Jamaica tem mesmo muito a ver com o ele. Este é um dos estereótipos que se confirmou. A bem da verdade, seria desrespeitoso falar que a admiração por Bob Marley é como o estereótipo Jamaica + Bob Marley. Bob Marley aqui é muito mais do que isso, é parte integral da cultura Jamaicana e fonte de orgulho e inspiração para muitos que conheci por aqui, de classes sociais bem distintas.

O museu fica na Hope Road, uma das principais avenidas da cidade. Já não me lembro bem quanto custa para entrar, mas é algo em torno de 800 a 1000 dólares jamaicanos (entre 8 e 10 dólares americanos).

IMG_1287
Entrada do museu

IMG_1354

A área externa do museu é bem ampla e há vários muros pintados com imagens de Bob Marley, sua família e outros escritos rastas. Há também um café com uns rapazes rasta bem simpáticos. Servem café, cerveja e algumas comidinhas vegan.

IMG_1289 IMG_1288

"Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6".
“Agradeça pelo nascimento de Bob em fev. 6”.

IMG_1286

IMG_1298

Ainda na parte dianteira da propriedade, logo em frente ao portão, há uma estátua em tamanho real de Bob. Ele era baixinho. Infelizmente a cara da estátua não é muito parecida com as tantas fotos lindas em preto-e-branco que vi na sala ao fundo da propriedade, umas das coisas que mais valem a pena na visita.

Bob Marley em tamanho real
Bob Marley em tamanho real

IMG_1358

IMG_1292
A cara não é parecida.

IMG_1299

O rapaz da segurança não conseguiu tirar uma foto muito decente de Mirsini comigo e Bob, sempre faltou uma cabeça, então vai esta mesmo:

IMG_1296

IMG_1297

A visita é um tour guiado pela casa, que também abrigava a gravadora do The Wailers. Há salas com vários discos de ouro, recortes de jornal, o estúdio onde muitas canções foram gravadas, o quarto original de Bob, a cozinha e outras coisas mais.

IMG_1333
Entrada da casa

IMG_1334 IMG_1335

A foto acima é a última tirada dentro da casa, pois é proibido. A guia contou que Bob costumava correr escada acima pulando de três em três degraus para manter a forma. Estou precisando seguir esses tipos de conselho.

A pintura da lateral direita é muito legal:

IMG_1331

Nos fundos da propriedade há a sala das fotos, que mostram muitos momentos distintos na vida do artista. Há também a loja de souvenirs, lógico, muitas plantas e as casas dos conhecidos de Bob que permaneceram ali.

IMG_1311
Fundos

O que adorei foi ter conhecido Georgie, quem acende a fogueira em No Woman No Cry:

Said, said, said, I remember when-a we used to sit
In the government yard in Trenchtown.
And then Georgie would make the fire lights,
As it was logwood burnin’ through the nights.
Then we would cook cornmeal porridge,
Of which I’ll share with you,
My feet is my only carriage,
So I’ve got to push on through.

Sim, essa pessoa existe, morou com Bob Marley no mesmo conjunto de quartos em Trenchtown, bairro muitíssimo pobre de Kingston o qual visitei há duas semanas atrás. Georgie mora em uma casinha nos fundos do museu, onde aparentemente já estava quando Bob morava lá também. O que mais tenho gostado daqui é de como desenvolvi uma nova relação com a música de Bob Marley, que agora tem outro significado, muito mais emocional e verdadeiro para mim. E nem sou assim uma fã tão grande.

IMG_1302

Lá também conheci um percussionista que tocou com Bob:

Mirsini e percussionista
Mirsini e percussionista
IMG_1308
Parede da lojinha de souvenirs

Só na Jamaica encontro placas como esta:

IMG_1310
Por favor tome cuidado com as mangas que caem.

Ainda na parte de trás, vi a sala onde Bob sofreu uma tentativa de assassinato (já falei que esta cidade é perigosa – a história toda você lê aqui).

IMG_1351
A sala do tiro

IMG_1339 IMG_1340

Também na parte dos fundos ficam os degraus onde Bob se sentou em uma manhã e compôs Three Little Birds:

IMG_1344 IMG_1345

Voltando a frente da casa, conheço mais um conterrâneo de Bob.

IMG_1313

Infelizmente, eu já me esqueci de seu nome, mas ele era muito simpático, contou algumas histórias e falou que podia nos levar para dar uma volta pelos bairros onde Bob andou, haha.

IMG_1322 IMG_1323

Mais murais pintados:

IMG_1317 IMG_1327 IMG_1315 IMG_1319

Em suma, o tour não é assim uma coisa extraordinária, mas vale bastante a pena ver a casa, os murais, as fotografias, as pessoas, o estilo rasta. Eu fui também à casa de Bob antes da fama, quando era bem pobre em Trenchtown, à qual mostrarei em um outro post.

Fama pós Dia das Nações Unidas 2014

Saí na edição impressa do principal jornal Jamaicano, o Jamaica Observer, após a festa luxo do Dia das Nações Unidas 2014. Estou na mesma página que o diretor do FMI na Jamaica – aí já não sei se isso é coisa boa – e, claro, na mesma página que os meus chefinhos.

IMG_1756

Coluna social do Jamaica Observer

IMG_1755

“As estagiárias Mirsini Kazakou (à esquerda) e Camila Azevedo tiram uma folga de suas tarefas no escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento”

Próxima parada, secretária-geral da ONU.

Dia das Nações Unidas

O post sobre as belezas naturais da Jamaica ficará novamente para a próxima vez. Ao invés de natureza, vou escrever sobre o Dia das Nações Unidas como pretexto para contar um pouco – bem pouco – do meu trabalho no PNUD. O PNUD é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a agência do sistema ONU que trata do “desenvolvimento“. A ONU é mais conhecida  pelo trabalho da UNICEF (crianças), UNESCO (patrimônio cultural) ou do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Eu mesma, antes de começar o mestrado, não tinha ideia do que a ONU realmente é e o que de fato faz. O PNUD é um mistério para quem não estuda/trabalha na área de desenvolvimento internacional, relações internacionais e outras. Mas é onde estou fazendo o meu estágio atualmente, e é onde eu aprendi muito bem o que faz o PNUD.

Na sexta dia 24 de outubro foi comemorado mundialmente o Dia das Nações Unidas. Aqui na Jamaica, houve um coquetel chique com todas as agências, alguns ministros e outras personalidades da área em um hotel fino, o Pegasus. Eu e Mirsini fomos, lógico. Houve discurso do Ministro das Relações e Comércio Exterior, seguido pelo discurso do meu superior, o chefe do sistema ONU no Caribe. Depois algumas criancinhas apresentaram uma coreografia bem feliz. Tudo para mostrar ao mundo o trabalho que o sistema ONU presta.

20141024_212459Eu e Mirsini com o pessoal do PNUD Jamaica no Dia das Nações Unidas

Ainda não dá para falar muito das coisas mais interessantes. O meu trabalho no escritório tem um escopo limitado. Eu e Mirsini temos que dar conta de três “projetos” que são exigência da universidade, mas que devem ao mesmo tempo atender aos interesses da organização. Em suma, temos que prestar um serviço de valor. Os “projetos” têm a ver com o alinhamento estratégico do PNUD Jamaica com o PNUD global, além de também estar trabalhando com uma proposta para angariar recursos para um projeto de acesso à água e saneamento básico e uma análise sobre eficácia do desenvolvimento no país. Parece tudo muito importante e legal, mas garanto que não é tanto. Também acabo ajudando em outros projetos. O melhor desse escritório são as pessoas; gosto muito da maioria.

O estágio, como já escrevi há algum tempo atrás, é obrigatório no programa de mestrado. Tenho que admitir que ando aprendendo muitíssimo, tem sido uma experiência muito curiosa e interessante, principalmente para compreender mais sobre a arquitetura do poder na política. Vou terminá-lo já por volta do dia 18 de novembro, o que é uma pena, pois seria mais frutífero se eu tivesse mais tempo para aprender e digerir a experiência. A boa notícia é que estou me dando bem no escritório, e as pessoas parecem gostar da nossa contribuição. Assim que o 18 de novembro chegar, vou passar umas duas, três semanas viajando pela Jamaica até embarcar para o Brasil no começo de dezembro. Aí começa outra luta: o trabalho de campo para minha tese de mestrado. Medo.

Quem quiser saber mais sobre como conseguir um estágio na ONU, é só deixar um recado.

Rastas e veganos em Kingston: Veggie Meals on Wheels

No post passado, apresentei dois restaurantes cuja comida não vale muito a pena, apesar de o ambiente de um deles ser muito legal. Agora mostro um lugar que vale a pena ir, pois tanto o ambiente quando a comida são bacanas: Veggie Meals on Wheels (algo como “Refeições vegetarianas/veganas sobre rodas”). Esse restaurante é uma área rasta “no bones” como eles mesmos denominam: “sem ossos/espinhas”, ou seja, vegan. Não sou vegan, sou vegetariana, mas tenho alguns hábitos vegan. Gosto muito de comida vegan bem-feita, e acho uma pena que as pessoas descartem essa opção por experimentarem coisas ruins, feitas por quem não está acostumado(a) a cozinhar esse tipo de comida. Pois bem, em Veggie Meals on the Wheels, você pode ter um gosto do que é comida vegan gostosa. Não é o melhor que já provei, mas pretendo voltar lá muitas vezes.

IMG_1576

Praça Regal, Cross Roads, onde fica Veggie Meals on Wheels

O ambiente é formado por dois trailers de comida (food trucks) e um café. Veggie Meals on Wheels é um dos trailers.

IMG_1577Veggie Meals on Wheels

O outro trailer não é vegano nem vegetariano – vendem peixe à moda Jamaicana. Definitivamente uma área “yes bones”.

IMG_1579

Barraca de peixe

O café chama-se Café África, e tampouco é vegetariano/vegano, mas servem opções desse tipo. É um café especializado em comida tipicamente africana, o que quer dizer de diferentes países africanos, como Marrocos, Etiópia, Camarões, República Central Africana e outros. Quero provar alguns dos pratos vegetarianos. Eles servem café também.

IMG_1581

Café África

IMG_1578

Trailer de Veggie Meals on Wheels

Mirsini e eu provamos várias opções. Experimentamos o “banana bread” (pão de banana), na foto abaixo servido com fatias de abacate. O pão de banana é mais como um bolo, cai bem com café.

IMG_1582Mirsini contente com o almoço

Também comemos o hambúrguer, estava gostoso. A apresentação dos pratos é quase o que há de melhor nas refeições.

IMG_1583

Comi akee, uma fruta típica de clima tropical, parente da lichia, muitíssimo apreciada na Jamaica. É a fruta nacional deste país e faz parte também do prato nacional, “ackee and saltfish” (akee com bacalhau). É muito gostoso, muito mesmo. Na foto abaixo, akee foi servido com uma rodela de banana-da-terra. Para acompanhar, bebi suco de hibisco, muito comum aqui.

IMG_1584 IMG_1585

Em Veggie Meals on Wheels também há barraca com bijuterias estilo rasta.

IMG_1580

 Agora sim, no próximo post, um pouco da beleza natural Jamaica.

Dois restaurantes não tão bons em Kingston

É mais comum encontrar posts sobre restaurantes bacanas para visitar em posts sobre turismo. Este não é um deles. Este post não é sobre dois restaurantes super gostosos; é sobre dois restaurantes para não ir em Kingston. Um deles era bem promissor: um restaurante JaMexican chamado Chilitos. Imaginem, uma mistura de comida jamaicana e mexicana. Essas duas cozinhas são uma delícia, além de muito apimentadas. O encontro das duas só poderia ser algo dos céus. Mas não foi, pelo menos não em Chilitos.

IMG_1456

Chilitos: comida JaMexican (Jamaicana & Mexicana)

IMG_1458

Em Chilitos, você está sob sua própria responsabilidade: “Estacionamento por sua própria conta e risco. Favor retirar seus pertences do carro – gerência”

Chilitos não é de todo ruim. A decoração é o máximo, é um ambiente muito gostoso. O problema desse restaurante é justamente a comida. A comida não é boa. Não estou julgando por um patamar superior de excelência, hehe. Eu não sou chef e já comi em muitos lugares simples. A questão é que é aquele tipo de restaurante que promete, mas desaponta. É aquele tipo de comida que é ok – você come, mas não planeja voltar.

IMG_1427

Ótima decoração

IMG_1445 IMG_1431Menu promissor

Apesar de a comida não ser realmente boa, o ambiente é tão legal que vale a pena caso você queira apenas uma (ou duas) cervejas. Eu fui ao Chilitos esperando comer uns tacos maravilhosos no almoço de sexta depois do trabalho – na sexta o horário de saída é 1.30pm. Comi umas quesadillas e tacos, mas o que desceu bem mesmo foram as cervejas. Nada como começar bem o fim-de-semana.

IMG_1429 IMG_1444 IMG_1443 IMG_1441

A área externa é cheia dessas imagens:

IMG_1432 IMG_1435 IMG_1436

A parte interna também tem umas peças muito legais.

IMG_1433 IMG_1434 IMG_1450

Um outro restaurante que não vale a pena tanto pela comida, mas principalmente pelo preço, é o grego Opa. Tendo passado parte do verão na Grécia e, mais ainda, acompanhada por uma típica grega, acho que deu para ter uma boa ideia sobre a comida do Opa. Não é que não seja boa, mas não é nada que me faça querer voltar. A entrada é ótima – pão pita, hummus e outras gostosuras. Mas já aí eles não se mostram muito gregos: as porções são pequenas. Para vegetarianos há apenas uma opção, quiabo ao molho de tomate. Estava até que bom, mas extremamente salgado. Além disso, muito caro para comer quiabo.

Eu e Mirsini fomos ao Opa a convite de nossos chefes, representantes da ONU no Caribe. Mas essa história só dá para contar depois que eu terminar o trabalho por aqui.

IMG_1453

Ao final, queria a oportunidade de mostrar também os ônibus coloridos de Kingston. Mas isso não é o melhor; o melhor é que os ônibus da cidade são baratos, limpos e têm ar-condicionado. Custa 120 dólares jamaicanos (cerca de 1,20 americanos).

IMG_1459

PS: no último post prometi mostrar um pouco das belezas naturais da Jamaica. Mas isso vai ficar para daqui a alguns dias. No próximo post mostrarei um restaurante que vale a pena ir.

Bodes e comércio no bairro de Barbican

Agora que já mostrei a casa onde estou morando, é a vez de mostrar um pouco do bairro, Barbican, e as ruas adjacentes. Este foi um dos dias em que finalmente saí a pé. Acabo andando de táxi frequentemente, por conta da segurança – não é uma boa ideia caminhar à noite. Assim, só sobram as tardes de sexta, sábado e domingo para caminhar durante o dia – isso se eu não estiver ocupada com os afazeres que ficam para o fim-de-semana. Tento manter os afazeres em um mínimo, mas, bem, tenho que limpar o banheiro de vez em quando, não?

Em uma tarde de sábado há umas duas, três semanas atrás, eu e Mirsini demos, então, uma volta pelo bairro. Barbican é um bairro de rico; há muitos condomínios fechados. Eu moro em um deles, como já disse, por puro golpe de sorte. Apesar de ser um bairro de abastados, os contrastes estão próximos em Kingston. É comum ver esses condomínios fechados e, um pouco adiante talvez, umas casinhas mais humildes. Kingston é uma cidade muito claramente separada por classe. Downtown (seria algo como o centro da cidade), é onde os cidadãos medrosos dos condomínios fechados acham que não devem ir. De fato, os níveis de violência em Kingston são altos, e a taxa de homicídios da Jamaica é uma das mais altas do mundo. Daria para discorrer sobre isso eternamente, e os efeitos que a desigualdade tem no espaço urbano. Mas ao invés, vamos logo ao bairro de Barbican:

IMG_1465

IMG_1464

Descendo a rua, contraste:

IMG_1466

Há muitos negócios ao redor. Abaixo, alguns desses comércios, na Barbican Road:

IMG_1467

IMG_1468

Há também muitos vendedores de frutas nas ruas, não apenas em Barbican, e não apenas em Kingston. As frutas mais comuns são: banana, abacaxi, abacate, mamão e akee.

IMG_1477

A Jamaica parece ter uma cultura forte de comida de rua. Há sempre barracas e outros tipos de lugares para comer, especialmente churrasco no meio da rua. A barraca abaixo fica bem próxima de onde moro, ainda na Barbican Road. Quero provar algo com vegetais.

IMG_1473

IMG_1472

IMG_1471

Pela Barbican Road, chega-se a uma praça bem descampada onde sempre há bodes. Kingston é área urbana, mas é muito comum ver bodes e cabras pelas ruas. As pessoas que vivem em comunidades próximas trazem os animais para pastar nas áreas verdes da cidade.

IMG_1490

IMG_1488

Eu imagino que estes bodes pertençam aos vendedores de pneus:

IMG_1484

IMG_1493

IMG_1495

IMG_1486

IMG_1479

IMG_1496

Mais barracas de frutas e legumes ao lado de uma dos supermercados mais caros da cidade:

IMG_1497

A caminho desse supermercado, há mais negócios ainda e uma avenida bem movimentada (talvez continuação da Barbican Road).

IMG_1474

IMG_1502Avenida

IMG_1506

IMG_1507Supermercado Loshusan, onde costumo fazer compras